Terça-feira, 14 de Abril de 2009
“DUPLICITY”, SENSABORÃO Q.B.
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Dupla Sedução de Tony Gilroy (2009), realizador de Michael Clayton (2007) e argumentista da saga Bourne, é um filme que apresenta novamente em cena o par Julia Roberts e Clive Owen. Aprecie imenso esta dupla em Closer de Mike Nichols (2004), filme onde ambos aparecem excelentes na sua frieza cerebral e na forma como conseguem dominar, pelo seu cinismo e frontalidade, as fraquezas dos outros dois, ou seja, o imaturo personagem personificado por Jude Law, Dan, e a enigmática Alice, representada por Natalie Portman. A dupla de actores, Julia Roberts e Clive Owen, parece menos segura e credível em Dupla Sedução, nenhum deles vai mal mas parece que nunca conseguem fazer o espectador acreditar verdadeiramente que são espiões. Talvez seja mesmo um factor intencional que transforma as personagens em “bonecos animados”, à semelhança das lutas entre CEOs dos genérico do filme. Quando estamos a ver a trama raramente nos conseguimos convencer que aqueles dois têm fibra de agentes secretos, nem no serviço público nem no privado. Jamais se sente a empatia que os unia em Closer ou, por exemplo, a aura sensual de suspeição que transborda nos dois assassinos de Mr. & Mrs. Smith (Doug Liman, 2005) entre Brad Pitt e Angelina Jolie. Há qualquer coisa a faltar aos protagonistas de Dupla Sedução… nem os cálices, nem os brindes, nem a cena engraçada das cuecas encontradas no apartamento secreto, conseguem confortar o espectador na sua suspeição que a dupla não “liga”.


O filme vê-se bem, tem algumas reviravoltas curiosas e uma narrativa em mosaico com piada mas na sua generalidade é bastante sensaborão. Para ver em vídeo pois o género vale a pena. Não chega aos calcanhares da saga Ocean’s para grande pena minha que aprecio bastante o estilo de enredos desta natureza, cómicos e divertidos, para descontrair. Vale a pena espreitar o site do filme e na sua globalidade o grafismo é bom. Os cartazes de divulgação deste trazem qualquer coisa de fresco na sua composição em blocos rectangulares, uma estratégia gráfica que reafirma a ideia presente no filme de mosaico em reconstrução. De resto, a ficção segue um pouco a mesma linha de Michael Clayton, já aqui comentado, na construção narrativa fragmentada e em puzzle mas mais superficial na forma como desmonta as selváticas estratégias de marketing presentes na sociedade actual que obrigam as empresas a fazer espionagem entre elas para poderem vingar.
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10 comentários:
De rafgouv a 15 de Abril de 2009 às 09:16
:smile:
Não estou de acordo com esta "apreciação" o que não deixa de ser normal visto que este é um género de filmes manipuladores que geralmente não aprecio, ao contrário de mouse.

Gostei bastante de Duplicity, nomeadamente pela maneira como Gilroy (argumentista brilhante e realizador extremamente subtil) desconstrói e subverte os mecanismos da comédia romântica.

Parece-me que é preciso alguma má fé para dizer que Roberts e Owens "nunca conseguem fazer o espectador acreditar verdadeiramente que são espiões" pois é sempre esse o paradoxo lúdico deste tipo de comédias. Ou há alguém na sala que tenha achado que Pitt, Clooney ou Jolie são criveis como espiões ou gatunos???

Em Duplicity, a subtileza está no facto das personagens de Roberts e Owens serem ao mesmo tempo espiões decadentes (como os Estados que representam, cujo poder foi cedido às multinacionais) e heróis totalmente desprovidos de romantismo... Assim, é óbvio que não existe "empatia" entre ambos mas antes, é um dos assuntos principais do filme, uma feroz desconfiança tão mutua quanto (ATENCÃO SPOILER) afinal injustificada!!! O filme é também uma crítica dos desvios que levam a nossa paranóia contemporânea a escolher os alvos errados...

E não esquecer que Duplicity é também prova da vitalidade do cinema americano para afrontar os grandes temas políticos da actualidade com uma gana capaz de fazer empalidecer o tão politicamente correcto Soderbergh: não tanto uma simples desmontagem de "selváticas estratégias de marketing" mas muito mais radicalmente uma forma de desmascarar a forma como a criação de riqueza (a inovação) não passa tantas vezes de uma impostura, de uma aldrabice...

xxx


De mouseland a 15 de Abril de 2009 às 19:47
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Ora, como se afirmava hoje de manhã numa comunicação que ouvi no Lusocom isto é como os relatos sobre futebol brasileiros, quando um comentador diz uma coisa num painel, o outro, tem que dizer o contrário para assim se fazer o exercício do contraditório e gerar debate e audiências, claro! Expressões de "má fé" é que poupa-me que hoje joga o Porto e não o Sporting! Enfim... que terás tu a dizer sobre o "Gomorra"? Acredito que não tenhas sentido o frison entre os personagens que refiro mas estes não colam. xxx mouse


De rafgouv a 16 de Abril de 2009 às 08:25
Ora, se me permites, desacordos forçados e comparações com o mundo da bola, não fazem parte do meu universo lexical... let me be dandy, ou seja CARO critico CARO que despreza apreciações gratuitas e confusões entre pretextos discount e argumentos premium...

Mil perdões pela terrivel acusação de "ma fé". Pensava - honestly - que tendo em conta essa admiração pelos donos da bola até seria para um elogio. Assumo no entanto a enorme gaffe que cometi: pensava que tinhas lido os jornais da semana passada: parece que Bruce Willis e Cybil Shepard nunca foram detectives nem patrões da célebre agência internacional de detectives Lua Cheia.

Desculpa essa revelação desmancha prazeres!! kissou


De Jordi Darcy a 16 de Abril de 2009 às 16:09
Probably the portuguese version is as bad as the spanish one. I hate dubbing!
In the american version the chemistry between Julia and Clive is undeniable, much stronger than in Closer or any recent american comedy.
You should maybe check the AO Scott review on the New York Times, the best I read about this film: http://movies.nytimes.com/2009/03/20/movies/20dupl.html


De mouseland a 17 de Abril de 2009 às 13:50
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Rafgouv, que surpreendente a tua imunidade ao "mundo da bola", expressão tão mundana que até enerva, "pretextos discount e argumentos premium" é uma boa frase se bem que não entendi o contexto... podes explicar melhor?

Quanto "à admiração pelos donos da bola" no contexto de um trabalho que interpreta os discursos desse mundo, que foi o que referi, parece-me bem, dado que no âmbito deste filme se pode falar em fascínio pelos barões do marketing aliado à sedução, do tipo innuendo (ah como eu adoro esta palavra deste o tempo do meu projecto "Ruptura" agora com 10 anos!), entre dois espiões. Ah... e não me fales na saga "Modelo e Detective" uma série que faz parte da minha galeria de venerações. Aí sim, ah... como eu acreditei nos protagonistas da agência Lua Cheia, esses sim não se levavam nada a sério, aquilo era uma relação de innuendo fatal, credível q. b., mortal amor-ódio que nunca resulta, eles caiam nos braços um do outro para cinco minutos depois estarem a trocidar-se sem piedade. Ai, que saudades daqueles safanões amorosos tão típicos dos anos oitenta! Nada do que se passa em "duplicity" mas que bom exemplo para definir "fibras nervosas" diferentes.

Dear Jordy, Thanks for your comment. In Portugal there is no dubbing, its original version. Sorry, but I don’t agree with this NYT review maybe because I liked "Closer" and the author didn't. :lol: Anyway thanks for the exchange of points of view. xxx mouse


De rafgouv a 20 de Abril de 2009 às 07:22
:smile:
Viva mouse, digamos que tento falar de cinema é de cinema que tento falar e não de basquetebol e se me permites ser presunçoso 2 segundos (se não permites, apaga sff, em vez de responderes com uma consideração sobre psiquiatria ou sobre water-polo), diria mesmo que reivindico uma ética (e esta, hein?), termo e conceito porventura afastados do teu campo de investigações teóricas.

Por ética entendo pelo menos ler ou ver atentamente aquilo de que falo e, quando assim não é, escutar quem leu, viu e interpretou mais profundamente do que eu. Ou seja, devias fazer com TODOS os assuntos que abordas o mesmo que fizeste com o Closer, filme quanto a mim insignificante, numa noite memorável: convenceste-me que nele há more than (what) meets the eye e eu diria que é essa a tarefa (e a ética) de um bom crítico.

Apropriar-se até encontrar os argumentos (premium) que fazem "tilt" em vez de andar às aranhas a encontrar pretextos (discount) capazes de explicar não a fraqueza de um filme mas o seu desinteresse (legítimo mas ) face a ele. E quando isso não acontece, o melhor é calar-se ou dar a palavra a quem encontrou as tais ligações secretas, perigosas e subterrâneas que nos iluminam ou nos entrevam... Pondo isto por miúdos: quando começamos a palrar de um filme previligiando os actores, o lettering, a qualidade das imagens, os cenários, a mensagem, a moral da obra ou as recomendações dos amigos, o meu dedinho (cheio de preconceitos) diz logo que aquilo é para disfarçar a preguiça, a miopia e desatenção.

Será que isto é compreensível para quem confunde surpresas e confirmações?
xxx


De mouseland a 20 de Abril de 2009 às 14:34
:cool::mrgreen::???: :wink: Olha lá estás no âmbito do surrealismo? O teu discurso fez "tilt" nas "ligações secretas" de alguns neurónios espelho? Ou terás tido umas sinapses "perigosas e subterrâneas" durante o sono que te levam a considerar que "os actores, o lettering, a qualidade das imagens, os cenários, a mensagem, a moral da obra ou as recomendações dos amigos" são mais superficiais do que os teus pretensos e pomposos chavões??!!?? "Preguiça, miopia e desatenção", meu caro. O autismo começa sempre assim, pela incapacidade de projectar para além de si próprio. ALERT!!!!! :neutral:


De mouseland a 23 de Abril de 2009 às 17:28
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Eu prefiro máximas mais francesas (i. e. Mafesollianas "é nas superfícies que, por vezes, se encontra o mais profundo túmulo", o acto de renascer implica morte. Já leste o livro eu é que não... Olha da próxima vez não te esqueças dele (para mim, claro!) pois já ouvi uma conferência muito interessante sobre "a crise" do MM. xxx mouse


De rafgouv a 23 de Abril de 2009 às 15:12
Yep, cada qual seus gurus. A minha diz:

"Nós, portugueses, temos os aspectos formais em grande estima e raramente nos sobra tempo e paciência para querer ver mais fundo."

:wink:


De Anónimo a 11 de Setembro de 2009 às 06:23


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