Domingo, 10 de Maio de 2009
“THE INTERNATIONAL”_ A DANÇA DO JOGO DE PEÕES CORPORATIVO
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Vi, há duas semanas, o filme The Internacional de Tom Tykwer (2009) com Clive Owen e Naomi Watts. Num ritmo frenético o agente da Interpol, Louis Salinger, e a assistente do procurador, Eleanor Whitman, tentam fazer justiça e incriminar um poderoso banco que se dedica a diversas práticas ilícitas como a lavagem de dinheiro, a venda de armas a duas facções concorrentes e a desestabilização de países pobres para gerar lucro, entre outras formas de manipulação possíveis. Um conjunto de estratégias e tácticas pouco éticas aplicadas pela corporação bancária no intuito de ganhar cada vez mais dinheiro. As recorrentes fórmulas do capitalismo selvagem que tanto surgem enunciadas nas palavras e nas críticas dos livros de Haruki Murakami, Dança, Dança, Dança, ou a superficialidade da política em A Crónica do Pássaro de Corda. O peso das corporações globais contrasta, no filme, com a leveza cada vez mais suicida dos indivíduos que, impotentes perante o jogo de peões das empresas globais, preferem não pactuar e ficar à margem do show. Tanto no filme como nos livros citados encontramos entes que se tentam libertar da seita do progresso e do negócio sem finalidade alguma que não seja amealhar mais uns trocos. Indivíduos preparados para a dança, peões minorcas perante o tamanho gigantesco dos aglomerados de betão que propõem sem escrúpulos a máxima: “ou matas ou morres”. A imagem de Clive Owen a entrar no mega edifício sede do banco é disso um bom exemplo.

Entre Milão, Istambul, Berlim e Nova Iorque, Louis Salinger, vê-se envolto num rocambolesco cenário de puzzles por completar tendo como única garantia a sua intuição e umas pistas soltas, umas pontas soltas que é preciso ligar, interpretar, compreender, diria Murakami. Não sendo um filme totalmente conseguido a forma como as cenas de acção se vão entrecruzando com alguns puzzles pouco coerentes relembra-nos, como é dito a páginas tantas por uma das personagens, que apenas a ficção tem coerência e que a realidade não tem estrutura nenhuma para lá da acção. E se não sabes o que tens a fazer o melhor é continuares a andar, é o que afirma outra das personagens do filme. Dança, Dança, Dança, o importante é que não pares de dançar, diz o homem carneiro do livro de Murakami. A cena de tiroteio no Museu Guggenheim é muito bem feita e o cenário multimédia/videoarte transporta-nos para um ambiente de violência e derrame de sangue que me recordou Scarface (1983) de Brian De Palma… mas vi o filme há tantos anos que talvez seja uma colagem precipitada. Como um videojogo, no seguimento de Lola Rennt (1998), The Internacional é um filme que se pode voltar a ver de um outro ponto de vista, pelo menos se não se estiver interessado em tirar um sentido final a partir daquilo que é mostrado, é um jogo de espelhos confuso e sem sentido nenhum. Como um videojogo onde não há montagem mas tempo real, sem costura, como a realidade pode ser. Vão espreitar o ângulo que melhor vos convier.


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