Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
TRÊS REVISTAS PARA LEVAR PARA A PRAIA NO VERÃO DE 2009

Três revistas, editadas durante o mês de Julho, a ter em consideração. A
Computer Arts, a
Monocle, a briefing on global affairs, business, culture & design e a revista
Nada, sobre tecnocultura, pensamento, arte e ciência. Passem pelos pontos de distribuição e levem-nas debaixo do braço para um mergulho na praia. Vai valer a pena!

A
Computer Arts faz uma edição sobre “The Design Essentials Issue” com conselhos the David Carson, Neville Brody, Stefan Sagmeister, Hillman Curtis, John Maeda, Vince Frost e muitos outros. Para John Maeda, com quem concordo inteiramente, o futuro reserva-nos um novo impulso criativo onde a tecnologia se esconde para dar lugar a uma maior preocupação com os conceitos e ideias: “I think culture has to pick up the pace for the economy to expand. I think that expansion will come from creativity centres like art and design schools more than technology schools. I see the world’s pendulum swinging back, away from technology, to wanting to see something more human, more authentic. A computer program is like a big tree; we need artists and designers who can think off the tree again. That’s coming” (Maeda, 2009: 32). Quem conhece as divertidas conferências de John Maeda, disponíveis no site das
Ted Talks, sabe bem o que o artista quer dizer com este “afastamento” do pensamento hierárquico e estratificado da árvore, presente em grande parte das arquitecturas digitais, em oposição a um olhar mais rizomático e caótico. A revista explora ainda alguns livros de design fundamentais (21), onde se podem encontrar de facto algumas preciosidades, livros que qualquer estudante de arte e design não pode deixar de conhecer. Tenho que agradecer ao meu aluno João Aguiar por me ter chamado a atenção para este número da
Computer Arts.

A revista
Monocle de Julho e Agosto traz um suplemento sobre as 25 cidades do mundo de topo em matéria de qualidade de vida apontando Lisboa como a 25ª cidade do
ranking. Uma vez que estamos em altura de ponderar sobre o futuro desta cidade parece-me uma boa sugestão compreender alguns dos critérios considerados: população, número de voos, crime, sol, tolerância, transportes públicos, arquitectura, ambiente, a facilidade de criação de um negócio, empresas instaladas, desenvolvimentos futuros e subjectividades
Monocle, ou seja, restaurantes de preço médio e horas de relaxe ao Domingo. Uma leitura bastante ligeira, boa para levar para a praia, que coloca Zurique no topo e que nem sequer considera Londres ou Nova Iorque como cidades de eleição. Critérios bastante subjectivos que remetem Copenhaga para o segundo lugar, Paris para o oitavo e Kyoto no vigésimo segundo.

Finalmente, a revista
Nada de Julho, cujo site também foi recentemente lançado na galeria ZDB, apresenta alguns textos bastante interessantes como, por exemplo, “Acidente e simulação em J. G. Ballard” e uma excelente introdução e entrevista de Jorge Leandro Rosa: “Sobre as imagens cristalinas e o pensamento na arte, entrevista a Christine Buci-Glucsmann”. Buci-Glucsmann coloca de forma bastante acutilante o problema dos dualismos e mergulha-nos na estética como um “espaço crítico que pensa visibilidades. Quer dizer acções, complexos de acção, reacções. Ela é polissensorial. Esta estética polissensorial é uma estética alargada em relação aos conceitos tradicionais e clássicos da História da Estética, que se fazem, aliás, acompanhar da História da Arte, e parece-me muito importante para dar a pensar, através de uma crítica imanente, a mundialidade. Se não tivermos uma concepção alargada do estético, não poderemos pensar o fim do dualismo binário, seja o do sul e do norte, o feminino e o masculino, o negro e o branco, o Oriente e o Ocidente. Assim, esta concepção da Estética é uma concepção crítica que deve ser pensada na própria imanência crítica da mundialidade” (Buci-Glucsmann, 2009: 73). Um número com um design bastante elegante e que se lê com prazer.