Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
SÃO PETERSBURGO_ UMA CIDADE IMPERIAL_AGOSTO 09
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São Petersburgo é uma cidade feita por imperadores para imperadores. Não parece real mas antes uma gigante maqueta de cartão muito bem iluminada. A cidade é lindíssima. Quando chegámos ao aeroporto, bastante degradado, pensei que o ambiente geral poderia reflectir o mesmo estado decadente, mas não, as ruas são muito limpas e a pouco e pouco os edifícios estão a ser restaurados e iluminados. À noite a vista é inacreditável, soberba. Como não pensar nos escritores e nas obras da literatura russa: Leo Tolstoy, Fyodor Dostoevsky, Vladimir Nabokov, para citar apenas alguns que me assombraram a adolescência. Em cada esquina Anna Karenina. No primeiro dia, depois de instalados no nosso paraíso hoteleiro (o qual não vou revelar pois a Rússia em breve será inundada pelas oportunidades booking.com mas por enquanto ainda tem alguns esconderijos) fomos jantar a um restaurante muito curioso, Russian Kitsch. Este espaço foi criado nos tempos da Perestroika, junto ao Rio Neva, e aqui é possível apreciar Brezhnev a beijar Fidel Castro num fresco do tecto, aqui as tonalidades multicolor associam-se a sofás forrados de estofos de leopardo e a bugigangas das mais diversas proveniências. Toda esta encenação se mistura com uma ementa deliciosa e um serviço muito sofisticado. O sítio é enorme, tem seis salas incluindo zona de discoteca. Voltámos lá mais tarde para almoçar, saborear novamente a deliciosa sopa borsch e provar uns deliciosos pelmeni sentados com os olhos voltados para um outro cenário, do outro lado do rio.


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O Russo é impenetrável mas pelo menos dá para compreender a forma como se dizem as palavras e tentar reproduzir com a sonoridade certa. Na Finlândia isso é mais difícil… não se percebe nada de nada para além de “ravintola”… reproduzir é impossível, muito diferente da familiaridade que temos, por exemplo, com o sueco. Na Rússia em pouco tempo o “ravintola” passou a “pectopah” (restaurante) e lá nos fomos progressivamente habituando aos “spacebo”, “niet”, entre outros. Eu pessoalmente achei os russos pouco simpáticos, bastante altivos e sofisticados, algo impenetráveis. O P. também achou o mesmo. Penso que é ainda pior para quem vem da Finlândia, porque os finlandeses são de facto muito amáveis e educados. Contudo, na Rússia não tivemos problemas nenhuns de assinalar, não nos chatearam com nada, mas a ida a este país reveste-se de coisas complicadas, desde o visto à marcação do hotel. No entanto, passado o embate de se perceber que ali tudo tem preços um bocado disparatados a experiência vale mesmo a pena e dentro de poucos anos as coisas vão certamente mudar nesta matéria.

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Em São Petersburgo fizemos um passeio de barco pelos canais e deambulámos pelas ruas do centro. Visitámos, em conjunto com hordas imensas de turistas, o Hermitage. O museu vale a pena pelo palácio, pelas obras mas passar lá quatro horas é tão cansativo como uma ida de duas horas a um centro comercial. Os grupos de turistas às manadas sucedem-se: um grupo de portucallo, dois casais de francia… italianos por todo o lado, aos berros. Espanhóis com fartura, todos a falar demasiado alto… ver os dois exemplares do Leonardo da Vinci assim é de deitar as mãos às orelhas mas vale a pena andar por ali a sentir aquele espaço sumptuoso e imperial. Ao fim de algumas horas tudo aquilo começa de facto a exasperar e temos que sair, estafados, com aquela multidão.

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A comida russa é deliciosa, principalmente as sopas. Jantámos num curioso restaurante típico na praça Bolshoy, Na Zdorovie!, num restaurante da Geórgia, Tbiliso, nos cafés comemos panquecas e ao pequeno-almoço deliciámo-nos com fatias de peixe fumado, fruta e outras iguarias. Visitámos o terraço do Ginza Project, um centro comercial ainda em construção com um restaurante no topo, fomos apenas ver a vista de São Petersburgo a partir daquele lugar estratégico. Por todo o lado há noivas, limousines e fotógrafos a pontuar o cenário de conto de fadas. O museu de zoologia foi uma surpresa. Espécimes embalsamados de centenas de animais, um cenário de relicário, gabinete de coleccionador como aqueles que deram azo aos museus e que estudei em museologia no quinto ano das belas artes. O museu é mesmo curioso com o mamute encontrado na Sibéria no início do século passado. Fiquei com a sensação que um dia ia voltar a São Petersburgo mas nunca se sabe. Adorei sentir aquela cidade horizontal, com uma escala tão imperial e onde o tempo muda inúmeras vezes.

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7 comentários:
De absurdio a 22 de Setembro de 2009 às 08:52
:mrgreen::mrgreen::mrgreen:
Com esta, ganhei o dia : "São Petersburgo é uma cidade feita por imperadores para imperadores."


De mouseland a 22 de Setembro de 2009 às 12:51
Olá Absurdio, que sejas bem-vindo aqui à terra dos absurdos pois essa frase é um resumo completo do fascínio da cidade e da sua história. É claro que é preciso estar dentro da história de SP para se perceber bem. Será que a vontade de rir vem da crítica grosseira ou da sapiência? Nos últimos tempos ando a perceber que as duas se fundem muitas vezes num híbrido complicado de desvendar. xxx mouse


De absurdio a 23 de Setembro de 2009 às 08:37
:mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen::mrgreen:
A vontade de rir não vem do grosseirismo da critica (ausente por estas paragens) mas do grosseirismo da expressão antes citada. Nos ultimos tempos ando a perceber que é dificil haver sapiência onde não ha um toque de requinte linguistico. Ja agora, você vive em Lisboa a cidade feita por descobridores para descobridores? Ou na Lua, esse astro criado pela NASA para que os astronautas americanos um dia la pusessem o pé? :roll:


De mouseland a 23 de Setembro de 2009 às 12:06
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Absurdio, é tão absurda a comparação que não aguento absorver uma gargalhada, daquelas bem sonoras, e depois fala-se de subtileza... Ora, meu caro os descobrimentos não se fizeram e a lua também não mas São Petersburgo foi construída pedra por pedra pelo senhor Domenico a pedido da coroa. Leia um bocadinho da história da cidade e depois venha cá mandar umas "postas de pescada" mais informadas que essa tonalidade de espertalhão é demasiado grosseira para a mouselândia. xxx mouse


De Nero a 23 de Setembro de 2009 às 12:19
Este Absurdio é mesmo bronco, oh piurço nunca ouviste falar do Vaticano, construida por Papas para Papas? De Brasilia idealizada por um arquitecto e para arquitecto ver? Do México, construida por miserentos para miserentos viverem? De Pequim, concebida e habitada por pequineses? Etc., etc., etc... Não sejas grosseirão, estas definições são autênticos resumo da Historia (com "H" maiusculo, please) e do fascinante exotismo que estes metropolitanos destinos despertam nas nossas consciências nomadas e cosmopolitas, criando feixes recombinatorios de identidades e cartografias virtuais que deslindam enfoques interdisciplinares diversos, prolificos e complexos.


De Nero a 23 de Setembro de 2009 às 12:24
:grin::grin::grin:
Exactamente! O Senhor Domenico, Imperador das Estepes Russas e Siberianas, das Chinas e dos Japões, das Silvânias e das Transilvânias, fez a cidade pedra a pedra, a pedido da coroa e para ela (a coroa)! ABAIXO AS POSTAS DE PESCADA! PIO CORTADO AO ABSURDIO NOW NOW NOW!


De mouseland a 23 de Setembro de 2009 às 12:59
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Isso discutam os dois estas "absurdias" divagações ... xxx mouse


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