Domingo, 4 de Outubro de 2009
AS NOSTÁLGICAS PRAIAS DE AGNÈS VARDA
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Les Plages d'Agnès Varda (Agnès Varda, 2008). O auto-retrato documentário de uma cineasta que se aproxima dos oitenta anos e que fala da sua infância, das suas experiências e paixões. As praias que marcaram a sua vida atravessam a memória de Agnès Varda que quis contar aos seus filhos e netos o seu passado, o tempo que viveu antes deles nascerem. Agnès Varda interpreta o papel de uma “pequena” velha que conta a sua vida e, no entanto, segundo afirma, são os outros que a interessam verdadeiramente e que gosta de filmar. Um filme nostálgico que nos mostra as bizarrias da fotógrafa, cineasta, viajante, curiosa, sempre à procura de qualquer coisa que a motive o suficiente para fazer um filme. Agnès Varda dá-nos, nas suas praias imensas, um pouco de outros filmes que realizou, as tropelias com os legumes de Les Glaneurs et La Glaneuse (2000) e Les Glaneurs et La Glaneuse... Deux ans aprés (2002), o andar à deriva de Sans toit ni loi (1985), L'univers de Jacques Demy (1995), entre outros. O momento no qual Agnès Varda fala da relação com o cineasta Jacques Demy e realça o facto de existirem casais que têm a sorte de viver a velhice juntos pareceu-me profundamente triste. Triste, mas não deprimente, nostálgico, como se Jacques Demy estivesse ainda tão vivo e passaram 19 anos desde que o cineasta francês morreu e Agnès Varda parece ainda estar a falar para ele. Contudo, aqui está um filme cheio de boa disposição, humor e muita criatividade. A fotografia, a pintura, a escultura, as encenações teatrais que envolvem entrevistas com um gato animado fazem-nos acreditar, em cada “poro” da pele da película, que a realizadora encontrou o seu “ponto zen”. O momento em a arte já não imita a vida mas toda a vida é arte. Mais informações na entrevista com a cineasta aqui ou uma curta apresentação do filme aqui.


5 comentários:
De rafgouv a 13 de Outubro de 2009 às 12:04
:neutral:
No tal momento que é talvez um pouco "triste" mas possivelmente antes de tudo lucido, Varda não realça o "facto de existirem casais que têm a sorte de viverem a velhice juntos". Pelo contrario, ela realça até algum cepticismo sobre a relação idilica dos seus amigos. Trata-se de um momento extremamente amargo pois nele Varda destroi parcialmente a imagem de felicidade total que se construiu em torno do casal que formava com Jacques Demy.

Mas o melhor é dar a palavra à Agnès:

"At the time, Jacques and I were arguing, and when I show this in Les plages, I use that beautiful Picasso painting called La femme qui pleure. What a painting—so strong! At that time I was down because I was so much hoping—and so was Jacques—that we could go on forever. We were disappointed more than anything. More than separated, we were disappointed. I think it’s something I can tell. The story of a couple is always very fragile, especially over more than thirty years. People know it’s not easy, and even though you have strong feeling and desire and endless love, it doesn’t always happen. Then we came back together back in Paris.

"So I tried to find a language for the film—not just telling stories. I picked the Picasso painting because it said more than I could explain. I need images, I need representation which deals in other means than reality. We have to use reality but get out of it. That’s what I try to do all the time."

http://www.believermag.com/issues/200910/?read=interview_varda


De mouseland a 13 de Outubro de 2009 às 14:12
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: As relações humanas e a complexidade. O sim e o não da batida cardíaca. Nada do que Agnès Varda aqui diz contraria o anterior. Ninguém acredita em imagens de felicidade total. Isso não existe na complexidade das relações humanas, apenas dúvidas, incertezas, momentos, alguns fugazes outros menos. xxx mouse


De rafgouv a 13 de Outubro de 2009 às 15:27
digamos que se trata de uma subtil "contradição", no que se realça (ou não) e em que contexto:
Ao contrario doutros filmes de Varda que eram verdadeiras odes a Demy (Jacquot de Nantes, Les demoiselles ont 25 ans...), este pareceu-me "realçar" uma certa distância realtivamente a esse idealismo romântico e a esse luto... Assim, o casalinho West Coast aparece como contraponto e não como duplo do que formavam Demy e Varda.

Ou seja, se me deixas contrariar-te um pouco mais, nestas praias pareceu-me que Agnès fala menos para Jacques e mais para o resto da familia, para os amigos, para os espectadores e, quem sabe, para si mesma.


De mouseland a 15 de Outubro de 2009 às 17:52
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Sempre o problema das interpretações possíveis. xxx mouse


De Rafgouv a 17 de Outubro de 2009 às 04:29
Problema??? Não, antes pelo contrário :shock:


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