Domingo, 4 de Outubro de 2009
“ESTADO DE GUERRA”_UM FILME SOBRE O IRAQUE QUE SE VAI TORNAR UM CLÁSSICO





The Hurt Locker (Estado de Guerra,
Kathryn Bigelow, 2008) é um excelente filme de acção realista que transporta o espectador directamente para as solas dos militares no caos da guerra do Iraque. Concordo com a hipótese de
James Cameron a qual advoga que o filme se vai tornar num clássico de guerra (em entrevista
aqui), como aconteceu com o filme
Platoon (
Oliver Stone, 1986) em relação ao conflito no Vietname.
Kathryn Bigelow acompanha, através de câmaras ocultas no "cenário" criado, o movimento dos actores que representam uma equipa de militares de elite a trabalhar em Bagdad e arredores. Estes senhores da guerra trabalham em conjunto, num terreno cheio de ratoeiras e totalmente hostil, na tentativa de desactivarem algumas bombas e de evitarem encontros indesejados com milícias. Filmado no deserto, a cinco quilómetros da fronteira deste país, o filme apresenta de forma impiedosa este trabalho de desarmamento. As bombas podem estar em todo o lado a toda a hora. Cada objecto, cada corpo, cada pedra da calçada, pode ocultar uma explosão mortal e a adrenalina necessária para manter o serviço de desarmamento feito é uma experiência de fluxo (flow), i. e., alheamento total em que o corpo responde de forma mecânica, sem reflexão. O trabalho torna-se desta forma uma droga e o alívio para a brutalidade da profissão faz-se notar pelo medo de perder a coragem. Sem moralismos, puro e duro como já
Strange Days (
Kathryn Bigelow, 1995), escrito por
James Cameron e realizado por
Kathryn Bigelow, era. Nessa altura, Los Angeles no ano de 1999, estávamos, no entanto, no âmbito da ficção científica e da fantasia realista, um filme que nos transportava para a problemática do bug do milénio. Em
The Hurt Locker, Mark Boal, jornalista profissional e argumentista deste filme, escreve o enredo a partir das suas próprias experiências ao lado de soldados americanos no Iraque, como aliás já tinha feito ao redigir o argumento de "No Vale de Elah" (Paul Haggis, 2007)
aqui comentado por mim para o
blog obvious, um olhar mais demorado. Um filme imperdível com uma realização brilhante de uma senhora de Hollywood que muito aprecio. Mais informações na entrevista com a cineasta
aqui ou
aqui.