Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
DEZEMBRO SÉRIES DE TELEVISÃO_2009
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Vi não há muito tempo a primeira temporada de Prison Break (Paul Scheuring / Fox, 2005_), uma série que me entusiasmou mas que segundo me dizem deixa de valer a pena na segunda temporada, com os protagonistas já fora da prisão. A saga de Michael Scofield (Wentworth Miller) para salvar o irmão da pena de morte é bem construída e tem alguns pormenores alucinantes em termos criativos, nomeadamente a forma como a tatuagem do corpo da personagem principal nos vai revelando o seu plano estratégico e a maneira como as várias personagens se interligam entre elas. Surgem também aspectos interessantes a partir da composição das relações sociais na prisão que se vão desvendando progressivamente. Os episódios da primeira temporada sustentam-se através dos diálogos e do enredo global feito de interacções entre prisioneiros. Não sei se vale mais do que isso mas apreciei a experiência.

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Mais recentemente tive o prazer de ver, finalmente, a primeira temporada completa de Dexter (Showtime, 2006_) já aqui anteriormente apresentada por rafgouv. Uma série que nos faz vibrar, um mergulho às profundezas da mente de um criminoso e especialista em ciência forense, analista de “pegadas” e impressões de sangue, que conseguiu camuflar as suas tendências homicidas para uma cruzada contra criminosos mais abjectos. A verdade é que a série nos catapulta para um mundo em que somos tentados a apreciar as estratégias anómalas de Dexter o que nos deixa absolutamente baralhados com a experiência da mais pura ambiguidade. Tanto o protagonista, o “arranjadinho” David Fincher (Michael C. Hall) de Six Feet Under (HBO, 2001), como o artista das esculturas mórbidas, o maquiavélico Ice Truck Killer, são tão abjectos como sedutores, oscilam através de um universo pendular de repúdio e fascínio no qual a irmã de Dexter, Debra, nunca consegue penetrar. Uma série estranha onde o corpo fisiológico é reconstruído através dos movimentos lúdicos das personagens, numa dança de membros e fluidos que se transforma simultaneamente numa serenata romântica e num espaço de repúdio. Tudo na série é visualmente arrumadinho à superfície: o colarinho de Dexter, a casa dele, a esquadra da polícia, a namorada, a irmã, mas todos têm as entranhas reviradas (a namorada violada inúmeras vezes pelo ex-marido junkie, a irmã que não se consegue ligar…). Por fora tudo é funcional, por dentro tudo é disfuncional. A pouco e pouco vamos reconstituindo a história do protagonista e cruzando informações. A mais pura ambiguidade começa a tomar conta da cabeça do espectador. O DVD da série traz um documentário sobre a aplicação das técnicas usadas por Dexter na série mas desta vez na vida real. Este documentário explica como a ciência forense pode ser útil na reconstituição das eventuais cenas de crime. Para Dexter não é só necessário reconstituir as cenas de morte produzidas por outros mas também é fundamental trazer à superfície as cenas que o levaram a ser como é, simultaneamente um criminoso e um justiceiro. A não perder.

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Por fim, “consumi” num fim-de-semana a quinta temporada completa de Lost (ABC, 2004_). Esta série é uma obra de uma enorme complexidade narrativa e cada nova temporada revela novas e intrincadas pistas. Se na primeira época salientei algumas suspeições (aqui) actualmente considero o conjunto das cinco edições insuperáveis em matéria de argumento, realização e direcção de actores. Mesmo quando Lost funciona como uma gigantesca telenovela revela detalhes de uma subtileza assinalável do ponto de vista da ficção de entretenimento. As personagens transformam-se conforme vamos progredindo na trama e o enredo é tão aditivo que não deixa margem para dúvidas: temos que seguir as deambulações pela ilha, conhecer os segredos de Jacob, Benjamim e de mais um punhado de gente que adopta nomes de filósofos. As personagens não sabem bem o que andam a fazer mas continuam porque no percurso é que está o segredo. A iniciativa Dharma, os “outros”, as oscilações no espaço-tempo que provocam clarões e pequenos tremores de terra mas também a mudança de época levam-nos para um mundo onde nada faz sentido mas ao mesmo tempo tudo faz sentido. Um caldeirão de coisas já implícitas nas outras temporadas surgem agora remisturadas e obrigam-nos a fazer um exercício de memória onde as ligações que se estabelecem dependem também da imaginação do espectador. Esta série prova claramente as teorias de Steven Johnson no livro Everything Bad Is Good for You: How Today’s Popular Culture is Actually Making Us Smarter, mesmo sendo este o livro mais fraco que li do autor. De acordo com Johnson, uma coisa é evidente as séries de televisão desta década sugerem leituras bem mais complexas do que aquelas que existiam nos anos setenta, pedindo ao leitor/espectador que descodifique tramas e participe na interpretação das obras de forma intertextual e aberta. O ARG do Lost anda aí e deve ser fascinante.


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