Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
“MAD MEN”_UMA SUBTIL NUVEM DE FUMO
madmen_5.jpg

madmen_1.jpg

madmen.jpg

Descobri recentemente a primeira temporada de Mad Men (Matthew Weiner, 2007) depois de ter visto, por acaso, um episódio na RT2. A série passa-se nos anos sessenta numa agência de publicidade de Madison Avenue e remete-nos para a personagem de um atormentado director criativo, Don Draper. O ambiente da série é estranhíssimo. O guarda-roupa e os penteados de época transportam-nos para um mundo onde as personagens fumam cigarros uns a seguir aos outros. Neste universo “fora de tempo” donas de casa entediadas misturam-se com hilariantes visitas ao ginecologista onde o médico, enquanto receita um anticoncepcional, prega um sermão beato à paciente. Farras e orgias recheadas de ostras e cocktails cheios de estilo. Um mundo estranho repleto de personagens que mantêm diálogos desconcertantes e agem de forma bizarra. Tudo coisas que perdemos o hábito de ver na televisão, passadas, remoídas, estranhas… um monte de objectos exóticos: copos de diferentes formatos, projectores de slides transformados em carrosséis, cigarros persistentes, carros antigos, coloridos, que se juntam a um conjunto alargado de conceitos que estando tão “fora de moda” se colam tão bem à realidade actual, cinquenta anos depois. O papel retrógrado da mulher na sociedade, na cultura e no trabalho, o racismo latente, o poder de “homens sem qualidade” nenhuma, a “treta” do negócio e a criação de necessidades fictícias. Vemos, na série, o despoletar da vida nos subúrbios e como esta contrasta com o universo do centro de Nova Iorque.

madmen_2.jpg

madmen_3.jpg

madmen_4.jpg

A primeira temporada de Mad Men é absolutamente fascinante e dizem-me que as seguintes ainda são melhores. O argumento é de uma subtileza de assinalar com algumas ligações imprevisíveis. A título de exemplo saliento o episódio do vagabundo e a tentativa de recrutamento de Don Draper, por uma agência concorrente que por meios menos lícitos, através da utilização da mulher deste como “isco”, tenta convencer o protagonista a mudar de emprego. Uma ligação que sugere uma mensagem implícita, i. e., há homens com poder e pouco honestos em todo o lado, tanto no campo como na cidade. Este fim-de-semana vou poder começar a segunda época o que me deixa muito contente. Tanta coisa por descobrir e revisitar. Betty Draper é uma personagem misteriosa que contrasta com a irreverente Joan Holloway. Deliro com as estratégias corrompidas de Don Draper e Roger Sterling. Acho a Peggy Olson e o Pete Campbell tão disfuncionais que ainda não percebi onde os devo “encaixar”. Há momentos difíceis de catalogar, nomeadamente a oferta da madeixa de cabelo de Betty, o "desaparecimento" do bolo encomendado da festa de anos da filha dos Draper. Um emaranhado de situações caseiras, políticas (a disputa eleitoral entre Kennedy e Nixon como pano de fundo) e sociais. Fabulosa primeira temporada!


6 comentários:
De tipografia a 23 de Janeiro de 2010 às 05:36
"Conta-me como foi" retrata a vida e o país desde 1968, tendo como fio condutor a história da família Lopes...

"Conta-me é uma série de ficção inspirada na série espanhola Cuéntame como passó. Tal como a série original, a série portuguesa tem como grande objectivo retratar de forma bem-humorada o ambiente sócio-económico vigente em Portugal no final dos anos 60.

É óbvio que a História que se conta nesta série não pode nunca ser comparada àquela que se aprende em manuais ou livros da especialidade: as referências são exactas mas “arquitectadas” de uma forma que nunca perde de vista que se trata de uma série de ficção e não de um documentário. Na série alude-se constantemente aos grandes temas que preocupavam a população, tratando-os no entanto com uma “leveza” própria de produtos “romanceados” e vistos sempre sob o olhar particular de uma única família.

De certa forma, contar a História de Portugal a partir da década de 50 do século passado, também é contar a História da RTP, embora seja sempre claro que o propósito deste produto não é igual ao da concepção de um documentário sobre este tema.

A diferença de objectivos entre construir uma ficção e fazer um documentário determinou, em situações muito específicas e imperiosas do ponto de vista narrativo, o não constrangimento da acção ao tempo exacto da emissão de certos programas na RTP. "


fonte: http://www.rtp.pt/wportal/sites/tv/conta_me/index.php

:wink::wink::wink:


De mouseland a 25 de Janeiro de 2010 às 00:57
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Tipografia! Obrigado. Já vi alguns episódios na televisão mas sem seguimento e nunca inteiros pelo que nunca percebi bem se valia a pena. Tens acompanhado? De qualquer forma chamou-me à atenção o ambiente. xxx mouse


De Profiteroles a 26 de Janeiro de 2010 às 00:39
Olá Mouse, espero que estejas bem!
Eu sou Mad Med addicted. Já devorei a 2ª série e de facto é muito melhor que a 1ª. Está tudo perfeitamente em sintonia, cenários, guarda roupa, linguagem, hábitos, tudo... Daí terem ganho novamente um Globo de Ouro. Houve uma altura que comecei a achar a série um pouco monotoma, uma vez que só andava em torno de campanhas publicitárias e eu cá gosto muito de ver o desenrolar da vida dos personagens. Isso vai acontecer mais na 2ª série o que me prendeu de uma maneira que não vejo a hora de ter a 3ª série. Espero que gostes. * Profiteroles


De mouseland a 26 de Janeiro de 2010 às 14:05
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Obrigado Profiteroles! Ainda me deixas com mais expectativas, hehehe. xxx mouse


De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2010 às 17:21


De MK a 19 de Abril de 2010 às 16:06
Estou de volta ao teu blog depois de uma prolongada e inexplicável ausência:oops:
Adorei esta revisão à série, é uma das tuas melhores!
Até agora gostei mais da 1ª série pq a 2ª empastela um pouco mas talvez seja porque depois do "choque" da 1ª já estejamos "habituados" ao ambiente estéril do marketing, das suas personagens ocas, mas também dos executivos talentosos e dos directores verdadeiramente inspirados e criativos ... Don Draper é irresistível. Também aprecio muito a mistura dos enquadramentos sociais da vida íntima e profissional dos personagens no ambiente nova iorquino (e agora entendo melhor o que é esse meio upper class da 5ª Av, da Madison Av., etc!!!) e no ambiente suburbano americano (tipo o das donas de casa desesperadas) e dos seus valores em queda mas também anunciando outros - algo premonitórios!... Afinal esta série representa o ícone do mundo em que tudo se vende. Não vivemos nela agora?...xxx


Comentar post

.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Março 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

31


.posts recentes

. EM SÃO PAULO, ENTRE OS RU...

. "THE LAST OF US", AMOR, L...

. QUE SORTE PODER VOLTAR A ...

. MEXICO DF UMA CIDADE ONDE...

. A MINHA SAGA COM O CANDY ...

. QUATRO FILMES A NÃO PERDE...

. PABLO ESCOBAR, O PATRÃO D...

. A MINHA FRUSTRAÇÃO COM O ...

. "THE WALKING DEAD" (GAME)...

. NUMA JANGADA DE POVOS IBÉ...

.arquivos

. Março 2014

. Dezembro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Maio 2012

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

.tags

. apostas

. arte e design

. artes e design

. cibercultura

. ciberfeminismo

. cibermemórias

. cinema

. colaborações

. divulgação

. enigmas

. entrevista

. exposições

. festas

. game art

. game art exposições

. gamers

. iconografias

. indústria de jogos

. interfaces

. jogos e violência

. livros sobre jogos

. mouse conf.

. mouse no obvious

. mouseland

. myspace

. pop_playlist_game

. portfólios

. script

. segredos

. séries tv

. teatro

. textos

. viagens

. viagens cinema

. todas as tags

.links
.participar

. participe neste blog

.MOUSELAND _ PATRÍCIA GOUVEIA
ARTES E JOGOS _ DIGITAIS E ANALÓGICOS
blogs SAPO
.subscrever feeds