Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
“UM HOMEM SINGULAR”_PORQUE O AMOR NÃO ESTÁ NA MODA?
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O filme A Single Man do designer de moda americano Tom Ford (2009) revelou-se, para mim, uma enorme surpresa. A crítica é bastante boa mas não estava de todo à espera que o “texto” fosse tão ambiguamente tocante. Por vezes parece pretensioso, outras vezes, mágico. Pretensioso por causa da arquitectura, das roupas, dos ambientes e dos usos da época, tudo tão certo e aprumado que contrasta com a falta que tudo isso hoje nos faz. Mágico porque essa atmosfera sugere uma experiência estética muito ambígua e rica. No final, e sempre imerso nesta dualidade, o espectador acaba angustiado. Ou antes, eu enquanto espectadora acabei angustiada. A ordem e a arrumação espartana a que o sujeito se submete, a dificuldade com as primeiras horas da manhã e os diálogos interiores do protagonista fizeram-me mergulhar nos meus próprios pensamentos sobre a vida. Neste e noutros aspectos identifiquei-me com o professor Falconer. Uma das situações mais tocantes é o jantar em casa da amiga Charlie (Juliane Moore) quando ambos dançam, meio bêbados, e depois começam a encetar discussões para provar um ao outro que estão vivos. A satisfação e certeza do professor em relação ao passado, uma carreira que o satisfez e da qual não se envergonha (a alusão a uma possível ida para a Universidade de Stanford é disso um bom exemplo), uma relação que o preenchia plenamente e, finalmente, a morte que chega para lhe roubar tudo isso. Brutalmente e sem saída. O desespero de perder tudo de uma assentada, sem dó nem piedade. 

George Falconer ou, se quisermos, o Professor Falconer, numa excelente interpretação de Colin Firth, perde o amante de 16 anos num acidente de viação. No mesmo acidente perde ainda a vida dos dois cães do casal que vivia pacatamente numa estilizada e luxuosa casa de vidro em Los Angeles. Num ambiente que recorda imensamente a atmosfera da série de televisão Mad Men, aqui referida, cuja piscadela de olho não posso deixar de salientar quando se faz uma alusão aos publicitários de Madison Avenue. A série e o filme passam-se ambos no início dos anos sessenta e o ambiente nostálgico do passado é enaltecido por bonitos fatos, casas, carros, cigarros e muito glamour. O filme é baseado no livro do mesmo nome de Christopher Isherwood. A não perder!


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2 comentários:
De tipografia a 14 de Março de 2010 às 23:42
"(...) Neste e noutros aspectos identifiquei-me com o professor Falconer. Uma das situações mais tocantes é o jantar em casa da amiga Charlie (Juliane Moore) quando ambos dançam, meio bêbados, e depois começam a encetar discussões para provar um ao outro que estão vivos........." DELIRANTE!!! soberbo*****


De mouseland a 16 de Março de 2010 às 20:46
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Typo, fico a saber que tens seguido as estreias cinematográficas, hehehe. xxx mouse


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