Domingo, 7 de Março de 2010
“WHATEVER WORKS”_HILARIANTE



Whatever Works de Woody Allen surpreendeu-me bastante depois do, quanto a mim, desapontante
Vicky, Cristina, Barcelona, de há dois anos. Este novo filme do realizador americano recordou-me
Match Point (2005) e achei o humor negro, misturado com uma subtil crítica social, uma lufada de ar fresco.
Whatever Works é divertido e inteligente, uma história simultaneamente provável e improvável. Uma rota de colisão entre personagens díspares: Boris Yelnikoff (Larry David), o génio da física, depressivo e com ataques de pânico; Melody (Evan Rachel Wood), a jovem do Mississípi que foge de casa dos pais para tentar a sua sorte em Nova Iorque; Marietta (Patricia Clarkson), a mãe da rapariga que sofre uma metamorfose hilariante e que se vê catapultada para a fama artística; John (Ed Begley Jr.), o pai de Melody que depois de uma aventura falhada com a melhor amiga da mulher decide “sair do armário”; Finalmente, os amigos, o bairro e os diversos momentos simples e cómicos que vão costurando uma trama onde todos andam à procura de alguma coisa, onde tudo é incerto e onde a trajectória, a acção, é o que interessa.



A mistura de gerações e as relações pouco prováveis tornam-se prováveis pela necessidade, pela procura e pela curiosidade. Melody seduz Boris porque essa sedução lhe permite realizar um sonho, viver em Nova Iorque, sair da província e transformar-se. Ao aceitar a bondade da miúda, o cínico homem de meia-idade, entra também em rota de colisão para uma vida diferente. Boris aceita a generosidade de Melody porque essa generosidade lhe permite mudar de vida e transformar-se. Todas as personagens deste filme acabam por sofrer uma metamorfose e todas ganham alguma coisa pelo simples facto de Melody ter pedido ajuda a Boris. Porque Melody entrou em casa do físico que perdeu o prémio Nobel os clichés misturam-se com as frases caras e com as teorias quânticas e no processo a realidade de ambos muda. Um filme simples q. b. mas muito divertido. Porque será que Woddy Allen não perdoa aos artistas? A crítica às artes contemporâneas é, mais uma vez, à semelhança de
Vicky, Cristina, Barcelona, feroz. Ainda bem que, no entanto, voltou aos retratos da cultura anglo-saxónica. A ver.
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Tipografia! Long time... xxx mouse
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