Segunda-feira, 25 de Julho de 2011
VIAGEM A HONG KONG _ NATAL DE 2010















Parti para Hong Kong no dia 19 de Dezembro com direcção a Zurich. Sobrevoar a cidade suíça foi magnífico pois a luz de final de tarde incidia na neve que cobria a terra e eu senti-me a fazer parte de um cenário de uma embalagem de chocolates. O ambiente parecia irreal e, naquele momento, flutuei através do branco da paisagem. Uma imagem de Natal muito autêntica e tão distante do cliché natalício. Em Zurich apanhei o avião que me levou ao destino esperado. Era a minha segunda vez na cidade chinesa e o livro que trazia comigo, o Idoru, de William Gibson, não podia ser mais apropriado. A minha estada desta vez era na ilha de Kowloon. Em 2007 tinha estado precisamente do outro lado da cidade e a experiência é muito diferente (saber mais aqui). Kowloon é mais pobre, as lojas de luxo dão lugar aos tascos informais e muitas vezes encontrei semelhanças com São Paulo.










Fiquei instalada no Metropark Hotel Kowloon e, no dia seguinte, 21 de Dezembro, parti cedo para conhecer a Universidade onde decorriam as conferências do 2nd International IEEE Consumer Electronics Society Games Innovation Conference, na City University of Hong Kong. Logo cedo foi possível ouvir a comunicação (tutorial) de Adrian David Cheok sobre história e futuro do design de interacção [“History and Future of Interaction Design”]. Uma interessante viagem pelos protagonistas do design interactivo como muitas intervenções por parte do público o que, por vezes, impossibilitou a compreensão de todo o raciocínio do autor que acabou por se dispersar. Seguiu-se a apresentação (tutorial) de Kevin McGee dedicada ao tema do design adaptativo para aumentar a satisfação do jogador [“Designing Adaptative Games to Increase Player Enjoyment”].
 

Almocei com Samad Ahmadi, chair da conferência, com quem tinha trocado imensos e-mails ao longo dos três últimos anos, desde o primeiro evento em Londres. Samad Ahmadi é de origem iraniana mas está a viver há mais de 16 anos em Londres onde lecciona, nos últimos anos, engenharia aplicada a jogos digitais e a sistemas interactivos, na De Monfort University (DMU). No último dia do evento em Hong Kong apresentou uma comunicação subordinada ao tema da aplicação de sistemas de entretenimento para o ensino da matemática.











Durante a tarde Adrian David Cheok foi keynote speaker num dos melhores momentos do evento ao apresentar trabalhos desenvolvidos no Mixed Reality Lab da National University of Singapore, nomeadamente Huggy Pajama, Age Invaders, Human Pacman, entre outros projectos de interacção entre espaços físicos e virtuais, realidade aumentada e jogos urbanos. A comunicação tinha o título:
[“Embodied media with mixed reality for social and physical interactive communication and entertainment”]. Nesse dia sucederam-se apresentações provenientes da Noruega, Finlândia, Espanha, Estados Unidos, entre outros países. Ao final da tarde estava tão cansada que não cheguei ao cocktail de recepção e voltei para o hotel, comi num “tasco” bastante informal, levei duas maçãs para o quarto e fui ler Gibson até me aperceber que estava com um tremendo jet lag.


O dia 22 de Dezembro foi preenchido a ouvir as comunicações de Rod Walsh do Nokia Research Center sobre a aplicação de modelos personificados às experiências de jogo [“Introducing game and playful experiences to other application domains through personality and motivation models”], a apresentação de Swen Gaudi do Fraunhofer (IDMT) da Alemanha à volta de taxonomias aplicadas aos jogos [“Taxonomic contributions to digital games science”], Jeff Sinclair da Austrália, em videoconferência, levou-nos à introdução de sistemas sensoriais, i. e., mecanismos de feedback para controlar a intensidade do exercício físico aplicados aos sistemas playable, nomeadamente a aplicação de sensores de mapeamento do batimento cardíaco entre outras possibilidades [“Testing an exergame for effectiveness and attractiveness”]. Seguiu-se uma sessão especial em 3D Gaming e estereoscopia dada por Istvan Andorka da Universidade da Irlanda, entre outras apresentações interessantes.









Nessa noite fomos jantar a um excelente restaurante na própria universidade. Depois do “protocolo” de degustação, e quando mais de metade da sala já tinha abandonado o local, ficámos até bastante tarde a ouvir histórias sobre Hong Kong contadas por Robin Bradbeer, inglesa recentemente jubilada pela City University of Hong Kong e que vive há mais de trinta anos na cidade. Regressei para o hotel com a Robin e, depois de lhe garantir que sabia o resto do percurso que faltava, acabei perdida à meia-noite nas ruas de Koowlon. Hong Kong é dos sítios mais seguros que existe, de mapa na mão lá encontrei o meu hotel depois de meia hora de pânico. Entrei numa loja e logo percebi que tinha tomado a direcção oposta, com a poluição, as luzes e a lente de contacto suja qualquer sítio parecia igual ao anterior.


No dia seguinte tinha que estar na Universidade antes das nove da manhã pois, para além da minha apresentação, estava a moderar uma sessão na área dos serious games. Não preguei olho. Jet lag... "Idoru" is my companion. Asia track; "don't be racist, Chia. _ I'm not. Classist, then. _ It's a matter of aesthetics" (Gibson, p. 15). O jet lag continuava e mesmo quando conseguia dormir uma hora logo acordava à uma ou duas da manhã e já não conseguia voltar a dormir. Nesse dia não preguei olho. Depois percebi que outras pessoas se queixavam precisamente do mesmo. Na manhã seguinte, sem pequeno-almoço, pois o organismo também estava todo trocado em termos alimentares, lá fui para a Universidade e a manhã correu bastante bem. O Samad Ahmadi, o Kenneth Oum, da Drexel University nos EUA, o Swen Gaudi e o Stephen Jacobs, do Rochester Institute USA, apareceram na minha sessão como tinham prometido antes. Infelizmente a Annakaisa Kultima estava a fazer a sua apresentação em simultâneo e não pudemos ver a sessão uma da outra. A sala estava composta para a hora da manhã. Os outros oradores eram um grego proveniente de uma universidade Suíça, Apóstolos Malatras, e um chinês vindo de uma universidade da Noruega, Bian Wu.











Nessa tarde as sessões acabaram cedo e tínhamos agendada uma visita ao impressionante pólo futurista Cyberport acompanhada pela Robin Bradbeer. Foi um passeio bastante interessante com uma apresentação expressamente feita para nós de algumas incubadoras na área dos jogos digitais. Um espaço surpreendente que pode aqui ser consultado. Antes do passeio fui espreitar o futuro edifício do Creative Media Center (CMC) da City University de Hong Kong, ainda em obras, criado pelo estúdio de Daniel Libeskind. Depois da ida ao Cyberport fomos ver um espectáculo de fogo de artifício e jantámos num restaurante japonês de massas [noodles] Odon que eu muito aprecio. No dia seguinte tínhamos que estar antes das nove da manhã na Asia Game Show.













Mais uma noite em branco e, nesse dia, comecei a sentir-me estranhíssima, a ressentir bastante o jet lag. O meu corpo estava no meio do romance de Gibson, entre personagens de banda desenhada e criaturas bizarras. Na Asia Game Show assistimos à conferência de imprensa com o presidente da Sony. Mais tarde o senhor deixou-se fotografar rodeado de meninas japonesas de chapéu de pai Natal, um momento hilariante. Não compreendi uma palavra dos performers em palco mas um deles parecia uma estrela conhecida da televisão, dada a afluência de fãs. A conferência de imprensa oscilava entre o japonês e o chinês e a minha recente amiga Narisa Chu foi traduzindo algumas frases mas todo o espectáculo era impossível de seguir. A Asia Game Show revelou-se uma enorme desilusão. A Nintendo não tinha qualquer presença, a Xbox também não, e tudo se resumia ao sistema Move da Playstation e a um interessante gadget do tipo nave espacial comandada por i-phone. Ao fim de duas horas já nada nos retinha por ali, já tinha visto todo o cosplay que conseguia, uns miúdos chineses já me tinham pedido o autocolante que nos davam à entrada do evento para irem comprar a sua Playstation 3 pois, segundo a Narisa Chu me explicou, não tinham privilégios para tal e precisavam do “dístico”. A Mário Ai Competition, organizada pelo Russo Sergey Karakovskiy no âmbito da Games Innovation Conference, só acontecia à tarde e não valia a pena perder mais tempo por aquelas paragens.



 

 


 



Assim, eu, a Annakaisa e o namorado, que entretanto chegara a Hong Kong, Lauri Leskinen, o Kenneth e o Stephen decidimos ir explorar os museus da cidade. Depois de uma degustação de pato à moda chinesa, em mais um “tasco” de rua, fomos ao Hong Kong Museum of Art onde tivemos oportunidade de explorar a exposição “Touching Art Louvre’s Sculptures in Movement”, uma bizarra colecção de reproduções do Louvre tocáveis, seguida de uma interessante mostra de seis obras criadas por artistas de Hong Kong sobre o tema do toque. A exploração da dimensão táctil procurava acentuar a ideia da possibilidade de uma arte sem fronteiras. Daí, seguimos para o Museu do Espaço onde vimos um filme sobre o universo e uma exposição bastante interessante com algumas peças de realidade virtual e simuladores da atmosfera espacial. Às seis da tarde estava tão cansada que já não conseguia acertar nas teclas do telemóvel.

Era dia 24 de Dezembro e a minha noite estava comprometida. Todos iriam sair mas eu tinha que regressar ao hotel e dormir. Estava exausta e a viagem de regresso a Portugal, via Zurich, era já no dia seguinte. Por um lado, tinha uma vontade imensa de ir explorar os restaurantes japoneses do mercado, onde os meus colegas estavam a pensar jantar, por outro, a fadiga era tal que tinha medo de já nem conseguir aguentar a lente de contacto no olho. Às sete da tarde estava na cama com uma sopa rápida e uma colecção de maçãs verdes, umas maças maravilhosas que só por lá se encontram, suculentas. Telefonei, via skype, para a família e deitei-me, caí imediatamente em sono profundo. Na manhã seguinte escrevi na minha página do facebook: "skype christmas _ I had to shut down for a while _ I was so tired... This morning I reborn from the dead after ten hours of slepping _ next: back home: Hong Kong _ Zurich * Zurich _ Lisbon." Nessa noite, às nove horas, a Narisa Chu ligou-me para o quarto a perguntar se não queria ir explorar um mercado de noite no dia da consoada. Disse-lhe que estava tão exausta que não conseguia fazer nada e voltei a adormecer. Combinámos almoçar no dia seguinte e ir para o aeroporto juntas.













No dia de Natal fui almoçar com o Samad, a Narisa e o Stephen a um restaurante chinês muito bom e falámos já do evento deste ano na Califórnia cuja chair é a Narisa. O Samad, na noite anterior, tinha acabado a jantar num McDonalds e também não tinha conseguido sair. Mais uma consoada skype. De seguida, fomos as duas, eu e a Narisa, explorar um mercado de rua onde encontrei o relógio cubo que o P. me tinha pedido. Foi uma experiência hardcore para o último dia, de computador e livros às costas, aprendi a negociar à chinesa e andámos quilómetros até conseguirmos alguma coisa pois a Narisa, proveniente de Taiwan, domina muito bem as estratégias negociais da sua cultura e fala a língua local o que é certamente uma grande vantagem. Por volta das cinco horas da tarde partimos de autocarro para o aeroporto, eu só tinha avião às 23 horas, mas o tempo não era assim tanto quando tinha quase todas as comprar de Natal por fazer.


Esta estada em Hong Kong foi uma verdadeira aventura. Senti uma liberdade que só a Ásia me dá. Foi qualquer coisa que tinha que fazer e, talvez por isso, diverti-me a conhecer as pessoas que encontrei. O mundo inteiro num só evento. Desta vez trouxe muitas saudades de Hong Kong.




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