Terça-feira, 16 de Abril de 2013
BOGOTÁ, CARTAGENA DAS ÍNDIAS _ NOTAS SOBRE A COLÔMBIA _ PARTE I









Estou há um mês e meio em Bogotá na Colômbia. Há três semanas conheci Cartagena das Índias. A Colômbia revela-se lentamente um país apaixonante. Quem vem visitar Bogotá não espera nada do que encontra, é muito melhor. Lentamente vou revivendo os tempos de São Paulo e já tenho “cédula de extranjería”. Vou-me habituando aos panos amarelos que deixam tinta na parede, aos detergentes aguados, aos passeios de rua esburacados e à falta de produtos essenciais como, por exemplo, um líquido especial, de nome péroxido, para a minha lente de contacto. Não há em lado nenhum um produto equivalente. Neste aspecto, Bogotá está distante de São Paulo. Encontrar um/a médico/a especialista em alergias e imunologias é um problema, a única que encontro está em Medellín... Um seguro de saúde custa o dobro e, mesmo assim, não tem especialidades fundamentais entre nós. Estas coisas rapidamente se esquecem e a vida sul-americana entranha-se. Terei que esperar por Setembro para continuar o meu programa de vacinação e reforço imunológico em Lisboa. Por agora, vou usufruindo dos múltiplos canais de cinema da televisão por cabo que, à semelhança de São Paulo, passam filmes do mundo inteiro numa selecção muito superior à da Zon ou do Meo. Um privilégio.









Entretanto, vou conhecendo os ícones turísticos principais. A subida ao miradouro de Monserrate é obrigatória, o teleférico é difícil de digerir para quem tem vertigens mas, de resto, a vista, no topo, faz esquecer as agruras do percurso "pelos ares". O museu del Oro vale a pena, muito bem organizado e com algumas surpresas museológicas de assinalar como, por exemplo, o espectáculo sonoro ou os vídeos finais. O NAMBO, museu de arte moderna de Bogotá, tem algumas obras interessantes, principalmente em desenho, de dois coleccionadores alemães que doaram a sua colecção ao museu, o espaço vale a pena. A galeria “El Museo”, aqui perto de casa, com obras de artistas contemporâneos é um achado que trouxe de uma newsletter que li em Lisboa. Ainda não visitei o museu Botero, fica para breve, mas gostei de ir à Casa Museo Quinta de Bolívar. A exposição tem algumas deficiências mas os aposentos e a quinta são uma viagem que nos transporta no tempo.

Gosto bastante da zona onde estou instalada, perto do
Parque/Museu de el Chicó e do Parque 93, tenho tudo à volta, supermercados, lojas e restaurantes. À porta do supermercado vendem-se os filmes que estão nos cinemas. Exactamente os mesmos títulos que estão em exibição no cineclube do bairro ou nos cinecolombia espalhados pelos vários centros comerciais. Três “fitas” por 10 (mil) pesos, menos de cinco euros. O tabaco ao melhor preço também se vende no supermercado, um euro e tal dependendo da marca, nas bancas de rua já custa três euros o maço. Ando a pé pelas redondezas e o movimento é convidativo, não há demasiado trânsito nem confusão. A casa é silenciosa, uma paz total no norte da cidade. Já tenho um portfólio de restaurantes muito aceitável. Há especialidades e iguarias de deixar qualquer apreciador gastronómico satisfeito. A desforra do desterrado é provar todos os sabores que o exílio lhe oferece. Ao domingo gosto de ir a Usaquén, há feira, um misto de artesanato e design, ali fica um restaurante português que ainda não experimentei pois optámos pelo italiano, ao lado e do mesmo dono. Nesta zona há ainda muitos espaços por explorar.











Descobrem-se as cadeias de restaurantes made in Colômbia, com conceitos de design interessantes. O
WOK, certamente inspirado no Wagamama de Londres, oferece uma ementa de várias proveniências asiáticas e os alimentos são muito frescos. Sumos deliciosos. Desde 2008 em Bogotá. Vi uma entrevista, num programa que passou há uns tempos no Discovery sobre esta cidade, com um jovem ex-FARC que, depois de sete anos na guerrilha armada, aprendia a ser chefe no WOK. Um posicionamento sustentável e um serviço acima da média (em geral o serviço é lento), com inúmeras ligações a instituições ambientais, se é que isso aqui quer dizer realmente alguma coisa… Aprendi em Fernando Noronha, no Brasil, que estas coisas têm um contexto muito intrincado na América do Sul. Crepes & Waffles, uma cadeia que surgiu nos anos oitenta em Bogotá, segundo me contaram pela mão de duas estudantes de mestrado, e que hoje em dia está disseminada pela América do Sul e não só. Empregam-se essencialmente mulheres, mães solteiras ou com problemas económicos. Além dos crepes e dos waffles, servem-se saladas DIY, gelados, sumos e batidos de frutas. De salientar, os melhores restaurantes que experimentei aqui, a Oesteria 69 e o Rafael, ambos na zona T, onde há também o óptimo café Masa e, finalmente, o restaurante Casa, que fica numa casa/galeria património local na zona G. E ainda me falta provar o que dizem ser o melhor japonês da cidade.









Fomos passar a Páscoa a Cartagena das Índias que fica sensivelmente a uma hora de avião. Os colombianos usam como meio de transporte entre cidades os aviões pois as estradas podem ser ainda perigosas ou inexistentes e demoradas. Nessa altura Bogotá estava transformada numa cidade fantasma, sem ninguém nas ruas. Cartagena, ao contrário, estava bastante interessante, cheia de gente a comemorar a Páscoa. Partimos sexta-feira e regressámos segunda. A quinta e a sexta-feira de Páscoa são dos feriados mais importantes aqui. Um fim-de-semana prolongado de puro divertimento com amigos portugueses. Cartagena vale mesmo a pena! Ficámos instalados num daqueles hotéis fabulosos no slide show on-line mas que, quando se chega, se percebe que “comprámos gato por lebre”. Estamos já bastante vacinados deste género de engodos na América do Sul mas a verdade é que em época alta até foi uma boa opção. Uma casa colonial fabulosa mas bastante decadente e que valia pela dimensão dos quartos e pela vista da piscina, no topo do edifício, onde se tomava também o pequeno-almoço. Jantámos ao ar livre no hotel/mosteiro de Santa Clara, um lugar místico com um salão vermelho a visitar, parecia que estávamos no meio do último filme de Stanley Kubrick, Eyes wide shut (1999). Ficará na memória.









A animação de Cartagena contagiou-nos e à noite dançámos salsa no Donde Fidel Salsa Club, um ambiente bastante genuíno e divertido. No dia seguinte fomos ao porto marítimo almoçar, um sítio que vale mesmo a pena conhecer. Jantámos naquele que diziam ser o melhor restaurante da cidade, uma desilusão total, nem me lembro do nome. Fomos ao Havana, fora das muralhas da cidade, ouvir música ao vivo, o espaço estava atulhado de gente e era difícil suportar tanta confusão. O calor era imenso, um bafo total. A verdade é que igualar a noite da véspera era difícil e estávamos todos estafados da animação geral. No domingo, como uma semana antes em Bogotá, fomos andar de bicicleta. Percorremos as muralhas da cidade velozmente, como se estivéssemos em pleno “Verão Azul”. Ao Domingo, até às duas horas da tarde, a câmara de Bogotá fecha as ruas para as bicicletas circularem livremente. É óptimo ir de bicicleta até Usaquén e voltar. Regressar de Cartagena não foi fácil mas o feitiço da montanha é total.


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