Uma ida a Quito vale mesmo a pena. O centro histórico da cidade é dos mais bonitos, menos alterados e bem preservados da América Latina. Em conjunto com Cracóvia, a cidade de Quito foi reconhecida como World Heritage Site pela Unesco no dia 18 de Setembro de 1978. Andar pelas ruas da cidade, a uma altitude de 2,850 metros acima da linha do mar, entre as montanhas do vulcão Pichincha e os monumentos coloniais, um misto de estética europeia e arte indígena, é uma experiência que não se esquece com facilidade. No documentário “Debtocracy” de 2011, disponível on-line, recordo-me que o Equador é apresentado como o país que, pela mão do então primeiro-ministro, hoje presidente, Rafael Correa, renegociou a dívida que tinha contraído e aplicou parte desse montante em políticas sociais, saúde e educação. Do pouco tempo que tive neste país consegui sentir menores assimetrias sociais do que é normal por estes lados. Os contrastes entre ricos e pobres, infelizmente tão omnipresentes na América Latina, ali pareciam menos flagrantes. Mas pode ter sido uma mera sensação turística.
Além do centro histórico, aconselha-se uma visita de autocarro panorâmico pelos ex libris da cidade, melhor ainda se se tiver sorte e estiver sol, que foi o nosso caso, e é obrigatória uma subida de teleférico até ao topo da montanha, a 4,000 metros de altitude. Aí tem-se acesso a uma paisagem magnífica, musgo seco castanho e verde, entre antenas gigantes, um aglomerado horizontal de casas minúsculas lá em baixo, lamas e cavalos de estimação e um ambiente de montanha que vale a pena experimentar. A temperatura é normalmente amena, tal como em Bogotá na Colômbia, encontram-se as quatro estações num só dia, dizem os equatorianos, tal como os colombianos. Se está sol fica um calor assinalável, pode chover a qualquer momento e depois ficar radioso ou fresco. As nuvens são constantes. Nenhuma previsão meteorológica consegue acertar com o clima local e, como nos assegurou um taxista, se os especialistas da meteorologia dizem que vai fazer sol à tarde faz chuva e vice-versa para a manhã. Quito furta-se às previsões monetárias e climatéricas, floresce como entidade independente.
Vale a pena visitar a fundação Capilla del Hombre ou Guayasamin, uma criação do artista equatoriano Oswaldo Guayasamin, num espaço projectado pelo seu irmão arquitecto. Aqui apresentam-se as surpreendentes obras do pintor, fotografias das suas visitas ao estrangeiro com importantes chefes de estado da América Latina mas também da China e Espanha, de Mão Tse Tung a Felipe González, entre outros. Algumas obras plásticas são impressionantes e pelo espaço podemos ler frases do autor: “yo llore porque no tenia zapatos hasta que vi um niño que no tenia pies”. De seguida, pode-se visitar a antiga casa do pintor hoje convertida num museu que o mesmo fez questão de planear como legado para a cidade.
No Centro Cultural Metropolitano, no centro da cidade, por acaso, deparámos com a exposição do artista equatoriano Sócrates Ulloa, com o título “Fantasmas de un cajón… y otros”. Desenhos de tinta-da-china sobre papel pardo com personagens curiosas. Pinturas sobre o tango que misturam cor e som e outras variantes sobre movimento pictórico. Uma mostra curiosa.
Os equatorianos parecem bastante tímidos mas quando confrontados com algum pedido de ajuda são muito simpáticos. Nada impositivos. O país é pacato comparado com outros lugares da América Latina. Convencidos pela opinião local acabámos a visitar "La Ciudad Mitad del Mundo", um monumento principal com inúmero(a)s museus/tendas temáticas, restaurantes, uma sala de espectáculos e casas de artesanato. Um espaço consagrado à linha que separa o mundo em dois hemisférios. Colocar um pé no hemisfério sul e outro no norte diz a sabedoria popular que dá muito boa energia. Há mais mitos associados. A cidade de faz-de-conta fica a aproximadamente 30 minutos de táxi de Quito mas sinceramente o passeio não é fundamental. O mais interessante foi poder explorar um pouco dos arredores de Quito durante a viagem. Nesse dia era dia da mãe e, no Equador, tal como na Colômbia, esta data é levada muito a sério. Os restaurantes enchem e as lojas há semanas que assinalavam o acontecimento. O recinto estava cheio, com um concerto a decorrer e outros eventos, e dava para ver que os equatorianos vibravam com aquilo. Parecia uma feira ao ar livre com algumas curiosidades relacionadas com a separação do mundo em dois, a altitude e afins. Nada excitante.
A moeda local é o dólar americano, adoptado em 2000, por muito bizarro que pareça. A carne é deliciosa, ao contrário da colombiana que não é grande coisa, parece a da Argentina ou Uruguai, uma delícia. As lojas e o artesanato em geral são mais saloia(o)s do que a(o)s da vizinha Bogotá. As lojas estão cheias de escritos anarcas à mão e salamaleques decorativos, apresentam produtos a granel, e o artesanato é quase todo igual sem as subtilezas do misto de artesanato/design colombiano. As marcas, se é que podemos falar de marcas em Quito em matéria de artesanato… são mais pobres e menos cosmopolitas. Têm um café do género do colombiano Juan Valdez mas nada que se assemelhe em estilo gráfico. A cidade modelo de Quito é a vizinha capital da Colômbia, imitaram-lhe os passeios de bicicleta ao domingo e outras estratégias sociais. No entanto, como nos dizia outro taxista, o Equador tem mais qualidade de vida do que a Colômbia, é um país pacato e muitos colombianos têm encontrado aí refúgio. Há gostos para tudo. Até as bandeiras são parecidas.
À saída do país fizeram-nos um interrogatório moroso sobre o conteúdo da nossa mala de viagem de vinte quilos, que tínhamos despachado poucos minutos antes, mas pelo menos não a revistaram. A nossa morada na Colômbia não facilita o intercâmbio pela América Latina mas o passaporte europeu ajuda muito. O polícia, afinal, só queria mostrar serviço. Burocracias e subornos são frequentes nestes países e o lado intimidatório dos agentes da lei podem deixar um europeu de cabelos em pé. No conjunto foram quatro dias muito bem passados. Gostei bastante de Quito.
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