Depois do Natal, em 2001, eu e o P., viemos passar quinze dias ao México de férias. Na altura estivemos na Cidade do México, em Mérida, onde passámos o último dia do ano, e em Oaxaca. Visitámos as pirâmides do sol e da lua em Teotihuacan, a quarenta quilómetros da Cidade do México, as ruínas Maias de Chichén Itza no estado do Yucatán, perto de Mérida, e Monte Albán, não muito longe de Oaxaca. Gostei imenso de Oaxaca e dos complexos arqueológicos. As minhas fotos à época estão impressas em papel fotográfico, arrumadas num dossier de viagens, algures no meu escritório em Lisboa. Estou com alguma curiosidade para as consultar, principalmente pelas fotografias de DF. O P. adorou o México. Eu não fiquei fã. Achei a população bastante seca e a Cidade do México bastante violenta, suja e escura. Um bocado esconsa. Cheia de táxis, carochas amarelos que não se deviam apanhar, muito poluída e pouco iluminada. Lembro-me de chegar ao aeroporto e ter vontade de me “pisgar” tal era o aspecto dos polícias. Essa viagem foi atribulada pois a Air France entregou a minha mala vermelha, avariada, aberta e colada com fita adesiva. Chegar a um ambiente tão pesado com a mala desfeita deixou-me desmoralizada. Comprámos uma mala preta, sóbria, no centro da cidade para substituir o meu exemplar “trendy”. O P. ainda hoje a tem pois logo aproveitei para a trocar com ele. Odeio malas pretas, confundem-se com todas as outras, mas era o que havia para comprar na altura. De resto, tudo correu bem e divertimo-nos bastante em passeios de autocarro perigosos mas recheados pelo canto dos Mariachi que acompanhavam a trepidação dos calhambeques públicos. No regresso a Lisboa percebemos que a taxa de desastres de autocarros por estas bandas era grande mas já não nos preocupámos muito. Fomos ver ruínas, visitámos a majestosa árvore de Santa María del Tule, El Tule, no município de Oaxaca. Percebemos que raramente nos servem uma Margarita decente e que as Coronas não se bebem com lima inserida na garrafa.
Todo cambió. Todo cambió. Mais de doze anos depois não reconhecemos a cidade. Só passado uma semana é que percebemos que estávamos muito perto do sítio onde ficámos da outra vez. O hotel onde dormimos nessa estada tinha a fachada laranja, hoje ainda existe mas a fachada mudou para branco. As estradas e os passeios estão arranjados e a cidade tem bairros totalmente novos. Tudo mudou imenso, como nos asseguram os mexicanos: cambió mucho. Cambió mucho. O bairro de Polanco, onde estão sedeadas a maioria das comunidades estrangeiras hoje, não existia. O passeio da Reforma era escuro e passar por ali à noite para ir jantar era medonho. Os carros são agora muito mais modernos e, em geral, o ambiente é mais cosmopolita. Depois de mais de três semanas ainda ando às voltas com a memória.
Chegámos no dia 20 de Maio. Logo à saída do avião, proveniente de Bogotá na Colômbia, um cão cheirava passageiro a passageiro. Desagradável mas enfim… Bienvenidos a Mexico! O aeroporto está mais moderno e até “amigável.” Os mexicanos parecem-me mais simpáticos, menos secos e grosseiros. Está tudo tão diferente. Como é possível? Só passaram doze anos… Uma das primeiras questões a ter em atenção, percebemos logo à chegada, são as intoxicações alimentares. Um colega do P., que veio uns dias antes da Colômbia, estava no hotel doente há dois dias. Teve que chamar um médico de urgência. Dizem-nos, quem aqui vive há mais tempo, que as intoxicações alimentares dão direito a antibiótico. O colega do P. levou uma injecção e foi aconselhado a fazer uns dez dias de dieta, sem vegetais frescos. Andou a comer Tacos em restaurantes suspeitos e “tramou-se”.
Na televisão a campanha para matar os parasitas é bizarra, apresentam-se medicamentos para as bactérias, ténias, hemorróidas e afins, através de procedimentos visuais muito didácticos sugere-se às pessoas desparatizações regulares. As farmácias têm toda uma secção temática sobre a matéria. Ao fim de dez dias tive umas ameaçadoras dores de estômago mas nada que uma dieta de consumé de pollo com arroz não resolva, uma espécie de canja acompanhada com os legumes do guacamole. Os legumes vêm à parte e, nos momentos críticos, não os podemos comer. De qualquer forma temos tido cuidado com os sítios onde ingerimos alimentos e a comida mexicana tem sido preterida em prol de outras gastronomias. Antigamente apreciava bastante a comida mexicana, possivelmente porque eram poucos os restaurantes em Lisboa, agora não sou grande apreciadora. É bastante pesada e indigesta. Quase tudo leva picante. Restam-me os estabelecimentos asiáticos, a cidade do México tem uma grande comunidade da Coreia, os Italianos e, principalmente, os restaurantes provenientes da Argentina e do Uruguai onde a carne tem um sabor mágico. Entretanto fiquei admiradora da cadeia Pei Wei do Mister P. F. Chang, uma marca americana de restaurantes asiáticos onde posso deglutir edamame, crepes vietnamitas, caril thai e outras deliciosas iguarias. Gosto também bastante da cadeia alemã de pizzas Vapiano. Segundo me disseram copiada pelo restaurante português Oliva, que abriu primeiro perto da avenida da República (já fechou) e, depois, na zona da expo (ainda existe) mas essa versão nacional não conheço. Segundo me disseram, quem conhece ambos, o conceito foi totalmente copiado em Portugal. Na zona de Santa Fé fomos ao modernaço espaço Nobu, cozinha japonesa de fusão, onde comemos uns deliciosos mini tacos-sushi. Em Polanco experimentámos o restaurante Puerto Madero, carne deliciosa, e, claro, a Casa Portuguesa para matar saudades.
Para reanimar a memória fizemos duas voltas turísticas, o circuito do norte e do sul. Há tanta coisa que não conhecemos e precisamos de decidir que bairro escolher para viver. Ainda não voltámos ao excelente museu de antropologia mas fomos à Fundação Tamayo para a arte contemporânea onde vi duas exposições multimédia curiosas e bastante inspiradoras: Juan Downey (chileno) e Carlos Amorales (mexicano). O espaço é muito interessante. Visitámos o castelo e deambulámos pelos bairros adjacentes à Zona Rosa, Condessa e Roma. Adorei conhecer a cadeia de tapas mexicana Pata Negra, normalmente ou têm um DJ ou concertos ao vivo e alguns espaços têm lugar para se dançar. Muy Padre! Isto quer dizer muito fixe e na Colômbia dizia-se Muy Chevre! Cada país, nestas paragens, tem as suas idiossincrasias mesmo partilhando uma língua. É um puzzle.
Fomos ver a comédia mexicana Nosotros los Nobles na Reforma 222 e fartámo-nos de rir com o humor ácido, por encontrar alguns sítios que agora reconhecemos e, ainda, por conseguirmos identificar expressões que em tão pouco tempo nos soam familiares. O filme foi um inesperado sucesso de bilheteira e tem os ingredientes necessários para agradar a um público vasto: bons actores, bons diálogos, está bem realizado e conta uma história curiosa e universal. Em horário nobre na televisão, à sexta-feira, vejo dois programas sobre cinema, uma entrevista prolongada com o realizador mexicano Rafael Lara e um debate/entrevista com a produtora e o argumentista de La Jaula de Oro, filme de Diego Quemada-Diez que ganhou o prémio de melhor elenco na secção Una Cierta Mirada no Festival de Cannes. Fala-se de Heli de Amat Escalante, premiado no mesmo festival como melhor realizador. Os filmes ainda não estrearam cá.
Uma semana depois de termos chegado à Cidade do México foram raptados onze jovens numa discoteca colada ao nosso hotel. O desaparecimento foi misterioso pois todos eram da mesma zona, Tepico. A imprensa local especulou bastante sobre o assunto e a investigação prosseguiu em completo sigilo. Desde então o arsenal policial tem sido enorme aqui na Zona Rosa onde estamos instaládos. Quando saímos à rua é só policia, impressiona. Esta zona é no centro da cidade e aqui há sempre manifestações e, de momento, uma feira da cultura com representações de vários países do mundo inteiro. Não nos sentimos minimamente inseguros na capital mas estranhámos o movimento policial.
Para a semana vou para a Europa durante três semanas, Portugal e Espanha, para participar numa prova de mestrado (Lusófona) e em duas de doutoramento (FCSH/Nova e UPValência). Regresso à Cidade do México dia 8 de Julho, quando voltar vou continuar a explorar esta cidade. Desta vez estou a gostar bastante.
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