Dia 17 de Junho cheguei a Lisboa depois de três meses e meio no estrangeiro. Uma temporada na Colômbia, com uma passagem pelo Equador, e um mês na Cidade do México (cf. Posts anteriores). Fiquei três semanas na Península Ibérica, entre Lisboa e Valência. Participei em três provas académicas, uma de mestrado de um aluno brasileiro, na Universidade Lusófona, e duas de doutoramento, uma prova intercalar de investigação doutoral na FCSH da Universidade Nova e uma defesa de doutoramento na Universidade Politécnica de Valência (UPV). Em geral as provas correram bastante bem e foi com um enorme prazer que pude assistir, em Valência, à defesa de doutoramento de uma antiga aluna de licenciatura da Esad das Caldas da Rainha, a Eduarda Abrantes. Onze, doze anos depois. A tese versava o tema das narrativas dinâmicas na rede e é um excelente contributo para a área da ficção interactiva.
Quando cheguei a Lisboa estava uma temperatura amena mas logo chegou uma onda de calor abrasadora que roçou, por vezes, os quarenta graus. Se durante o Inverno passado sofri com o frio e a chuva em excesso e, na Primavera, via skype, ouvi os amigos e a família a queixarem-se destes, resultado de um dos piores invernos e primaveras de que há memória em Portugal, não posso deixar de assinalar que o queixume recorrente com a elevada temperatura me deixou algo exasperada. Adoro dias e noites quentes! Em Valência as pessoas também suavam, dormiam mal e sentiam as elevadas temperaturas no corpo mas o drama não era para ali chamado. Bebia-se vinho branco, em vez de tinto, e a ocasião era para festejar. Portugueses e Espanhóis todo um mundo nos separa e junta em simultâneo, damo-nos bem. Como discutimos entre copos de vinho branco, licores locais e tapas, em almoços e jantares que ficaram registados pela sua suavidade animada, não somos irmãos mas primos. Povos ibéricos. Podemos muito bem partir juntos numa “Jangada de Pedra” por esse mar adentro. Então agora em cenário de governos de salvação nacional, como no livro de Saramago, em pano de fundo. A língua tanto nos aproxima como nos separa. É todo um mundo de estranhezas mas no final temos tanto em comum.
O acolhimento em Espanha, teve a mão do artista Moisés Mañas, orientador da Eduarda, e não poderia ter sido mais atencioso. Já tinha encontrado o Moisés no âmbito do encontro ARSGAMES em Madrid há uns anos mas desta vez tivemos oportunidade de nos conhecermos melhor (Cf. Aqui). Fiquei instalada no hotel Barceló, junto à cidade das artes e das ciências num confortável quarto com vista sobre esta zona. O ano passado fui a outra defesa de doutoramento na UPV, em Maio, desta vez a prova de André Carita na área dos videojogos. Também fiquei no hotel Barceló. Nessa altura o orientador do André, Francisco Berenguer, levou-me a conhecer a Universidade de uma ponta à outra, pude aperceber-me do luxo dos gabinetes e salas de aula, dos espaços de lazer, piscina, corte de ténis, entre outros, e da creche para os filhos dos professores. Um campus muito bom, cheio de obras escultóricas e pictóricas pelas ruas e paredes dos edifícios. O ano passado conheci alguns professores do departamento de Dibujo, este ano do departamento de Escultura.
Desta vez aproveitei para visitar um pouco a cidade. Penso que quando era pequena devo ter passado algumas vezes de carro por Valência mas não me lembrava de quase nada. O centro histórico é obrigatório. Andei a deambular pelas ruas de máquina fotográfica na mão depois de uma volta pela zona da cidade das artes e das ciências. Esta área, muito impressionante a um primeiro olhar, não deixa de ser uma carapaça para esconder o vazio do interior dos edifícios. Além da exposição para miúdos no museu das ciências, o palácio das artes está fechado durante o Verão. Uma desculpa bizarra e, segundo me disseram, pouco ou nada se passa ali para além de uns quantos espectáculos na área da música, alguns ao ar livre. O maravilhoso mundo de Calatrava, pontuado por jardins e parques, parece um cenário de ficção científica, uma maqueta em 3D, uma arquitectura das formas espectaculares, vazia no interior.
Cheguei a Valência cedo no avião da manhã e aproveitei o primeiro dia o mais que consegui. Explorei o centro histórico e a cidade das artes e ciências a pé, andei imenso, como tanto gosto. Ao final da tarde fui beber um aperitivo com o Moisés e esperámos a chegada de comboio, às dez da noite, da Blanca Montalvo, que vinha de Málaga e também fazia parte do "tribunal" da defesa. Depois fomos jantar os três. Ficámos a conversar até depois da uma da manhã e, no dia seguinte, tínhamos a prova de doutoramento às onze.
A apresentação, síntese temática, da Eduarda elevou as expectativas da prova e a discussão correu muito bem. Proliferaram as críticas construtivas e os elogios ao trabalho e percurso da autora. Estava de parabéns. Cum laude! Seguiu-se o almoço pós tese, um costume da Universidade, que consiste na obrigação do aluno convidar o júri da prova e o orientador para um repasto comemorativo. Não é todos os dias que nos fazemos Doutores! A própria universidade tem uma sala para este género de eventos com um menu integrado para a ocasião. Tipicamente a paelha Valenciana, regada com vinho da região e outras iguarias. O ano passado o almoço do André foi num restaurante perto do hotel Barceló e a paelha era diferente, tinha caracóis. Ambas deliciosas. Seguimos para a praia onde tomámos um mojito.
Nessa noite jantámos num restaurante do centro histórico, comemos deliciosos mexilhões e outras delicias locais. Até às quase duas da manhã deambulámos pela noite quente da cidade espanhola. Foi um epílogo perfeito. No dia seguinte apanhei o avião de regresso a Lisboa. Em dois dias tinha outro avião para apanhar, esse em direcção à cidade do México. Logo senti saudades de Valência. Obrigada Eduarda e Moisés! Por tudo.
Foi uma boa temporada na Península, uma aliança dos povos ibéricos, num momento em que a jangada anda mesmo à deriva.
. EM SÃO PAULO, ENTRE OS RU...
. "THE LAST OF US", AMOR, L...
. QUE SORTE PODER VOLTAR A ...
. MEXICO DF UMA CIDADE ONDE...
. A MINHA SAGA COM O CANDY ...
. QUATRO FILMES A NÃO PERDE...
. PABLO ESCOBAR, O PATRÃO D...
. A MINHA FRUSTRAÇÃO COM O ...
. "THE WALKING DEAD" (GAME)...
. NUMA JANGADA DE POVOS IBÉ...
. apostas
. cinema
. enigmas
. festas
. game art
. gamers
. myspace
. script
. segredos
. teatro
. textos
. viagens
. acm multimedia
. artech 2008
. Nas Fronteiras do Imaginário
. artech 2010
. “Envisioning Digital Spaces”
. arsgames
. presentation mouse + citilab
. arte e comunicação
. bang festival
. blogue obvious
. blogue machina speculatrix
. citilab_mobile cells
. fotos flicker (jordi carrasco)
. cv_movlab
. mousepat
. cv_degois
. mousepat
. design pregaia
. interact
. encontro inova (FCSH)
. 2º e 3 ciclo (investigadores)
. glosário Côa
. design
. ieee games innovation conf
. jovens criadores
. livro novos trilhos culturais
. medialabprado
. museu da ciência
. mouse art
. sbgames 2009
. symposium _ slovenia
. Re-play: cinema and video games
. the upgrade! Lisbon