Estes últimos tempos na Cidade do México foram muito curiosos. Tenho o coração destroçado e não me apetece deixar DF mas lá terá que ser. Quem sabe regresso. É uma cidade agitada mas entranha-se com muita facilidade. Tem uma intensa vida cultural, os museus estão normalmente cheios de gente, há festivais e exposições das mais diversas áreas e os espaços de lazer multiplicam-se. Alugámos casa no bairro de Condesa, um dos mais movimentados da cidade em termos de restaurantes e bares. A nossa rua é pacata. O apartamento, além de ter tudo integrado, mobília e roupa lavada, surpreende-nos pela colecção de filmes, excelentes clássicos mexicanos e vários títulos, com interesse, mais recentes. Temos também inúmeros livros e CD’s seleccionados com cuidado. Uma varanda, onde os pássaros vêm debicar as plantas, repleta de vegetação proveniente de uns bambus esguios e outras espécies. Uma óptima opção para quem anda a viver ao “estilo” nómada. Vasculhar a colecção de filmes e livros de outra pessoa tem a sua piada. Obriga-nos a descobrir os seus gostos e preferências e, neste caso, a apreciar coisas que não encontraríamos facilmente. Um privilégio.
Numa tarde, algures em Julho, fomos ver exposições ao museu de arte moderna da cidade (cf. aqui). A mostra de Marianna Dellekamp foi uma surpresa, a artista constrói pequenas narrativas sobre temas tão distintos como viagens e percursos pelo mundo, aluguer de casas em DF, bibliotecas de materiais diversos fruto de projectos de colaboração com pessoas em vários países distintos, a tirania imposta aos corpos femininos, entre outros assuntos (cf. aqui). Há instalações de uma refinada ironia crítica. Uma obra a descobrir. De resto, as restantes exposições não me encantaram. As pinturas sobre mortos e excluídos (zombies?) de Martha Pacheco, as fotos/colagem de Enrique Bostelmann, entre as artes e a publicidade e, finalmente, a obra de técnicas mistas, entre a pintura e a gravura, de Alfonso Mena, não apreciei. Um tédio. Valeu a pena passear pelo museu e arredores e desvendar a obra de M. Dellekamp.
Passar a tarde de Domingo a ouvir música no terraço do hotel Condesa é um prazer. Há noite, por vezes, está frio mas é também óptimo ir lá. Principalmente se se beber uma tequila Don Júlio 70, servida com outro shot de sumo de tomate, para aquecer. Uma delícia. O ambiente musical depende do DJ do dia.
Visitámos o Centro Multimédia del Centro Nacional de las Artes de México (cf. aqui) pela mão de Eurídice Cabañes Martínez. O espaço reúne escolas das mais diversas áreas artísticas, do cinema, ao teatro, à dança, às belas artes. O centro multimédia dá aos estudantes a oportunidade de fazerem um conjunto de workshops em áreas tão distintas como realidade virtual, design digital, entre outras possibilidades. Há salas de exposição e de concerto no recinto deste Centro das Artes.
Fomos ao Museu de Arte Popular no centro histórico da cidade ver a colecção permanente de objectos de artesanato da cultura mexicana. Uma preciosidade. Criaturas fantásticas, esqueletos que parecem saídos de um filme de Tim Burton, diabretes maquiavélicos, árvores da vida, insectos estranhíssimos e animais selvagens. Uma mostra muito bem organizada, o espaço surpreende do ponto de vista museológico. Obrigatório.
Vimos a exposição SIN do artista mexicano Mario de Vega no laboratório de Arte Alameda, ex convento San Diego. Como podemos ler no sítio on-line deste espaço: SIN significa simplemente “en ausencia”, en latín significa “si” y “pero”; en el contexto de la exhibición puede tener más significados: SIN es el nombre del dios de la luna babilónico, pero también es el nombre del famoso videojuego de ataque en primera persona lanzado al mercado en 1998. En inglés la palabra responde a agresión y sacrilegio.
Violencia y pecado del pasado denotan la historia del ex templo del convento de San Diego, que entre 1571 y 1820 fue uno de los principales sitios de la inquisición en México. Fue aquí en donde se condenó a los llamados heréticos y donde muchos de ellos, fueron quemados vivos.” (cf. aqui)
Uma exposição que reúne algumas obras que investigam a actividade infrasónica e os seus efeitos vibratórios no corpo humano, truncando de certa forma a percepção. Investigam-se ainda questões associadas com a vigilância (uma cerca electrificada), a exposição à luz (foram modificadas 30 lâmpadas industriais que consomem 12.000 watts e que podem danificar os olhos se o visitante se prolongar no visionamento da obra), entre outras experiências. Para se entrar no espaço é preciso assinar um documento em como nos responsabilizamos por qualquer dano infligido pela exposição. Uma equipa de paramédicos está no local como prevenção. Um aparato que traz certamente alguns curiosos à mostra do artista mexicano.
E depois da actividade infrasónica e dos efeitos vibratórios de Mario de Vega, com a percepção destrambelhada, fomos ver um pouco de design no Palácio das Belas Artes para descontrair. Visitámos a colecção do Vitra Design Museum: "A esencia de las cosas. Diseño y el arte de la reducción". Sem grandes novidades é uma mostra curiosa para refrescar a memória.
Em matéria gastronómica a cidade não pára de me surpreender, um dos nossos restaurantes mexicanos de eleição é o Azul Condesa (cf. aqui). Adoptei um pequeno restaurante japonês, bastante simples e barato, numa esquina da Reforma, como o número um da cozinha asiática, depois de ter saído muito decepcionada da experiência no conhecido Tori Tori de Condesa, bastante fraco. Experimentámos mais um óptimo restaurante do Uruguai e continuámos a ir a uma grelha, que faz uma carne deliciosa, na zona da Reforma. Os supermercados são muito melhores do que os Colombianos embora não cheguem à sofisticação dos seus congéneres no Brasil. No entanto, aqui encontra-se de tudo e a qualidade é, regra geral, boa. O salário mínimo no México é de 150 dólares, metade do salário mínimo na Colômbia. Existe, claro, uma economia muito informal e, felizmente, um grande número de pessoas consegue auferir um ordenado superior ao declarado. No entanto, a mão-de-obra é mais barata do que na China o que transforma o México num lugar muito procurado para novos investimentos.
No último mês e meio tive algumas semanas complicadas de trabalho. Revisões de artigos para três conferências, revisões de capítulos de teses de doutoramento, acompanhamento de teses de mestrado, trabalhos de design, escrita de um artigo e preparação da minha comunicação na Universidade de São Paulo no final deste mês. No entanto, deu perfeitamente para explorar a Cidade do México nas suas inúmeras facetas e agora posso dizer que gostaria de cá viver por uns tempos. É uma cidade fácil, onde se pode ter uma boa qualidade de vida.
Em Junho vivi o meu primeiro sismo aqui, 5.8 na escala de Richter, estava ainda num hotel na Zona Rosa, num décimo primeiro andar. Não foi agradável mas não houve réplicas. Fomos descendo pelas escadas os onze andares e o hotel preparou um lanche no lobby. Os mexicanos estão muito habituados a isto. A semana passada houve dois sismos, um de 5.4, na segunda-feira, e, outro, de 5.2, na sexta-feira. Na segunda-feira não dei por nada. Na sexta-feira comecei a ouvir as portas a ranger, como se a casa estivesse com uma corrente de ar, sem portas ou janelas abertas e, de repente, comecei a ouvir os cães das redondezas a ladrar intensamente. Aí percebi que devia estar a ocorrer outro sismo. Nada de grave. O primeiro, de Junho, foi o único assustador. Na altura, antes de descermos, subimos ao último andar à procura das escadas de emergência, local onde se situava a piscina, as águas desta oscilavam a uma velocidade impressionante, o terraço estava todo molhado. Creepy!
Dia 21 de Agosto, amanhã, parto para Lisboa para, dia 27, apanhar um avião para São Paulo onde vou participar no IX Seminário Internacional Imagens da Cultura Cultura das Imagens. A minha comunicação será no dia 29 e tem o título “Experiência Transmedia e a indústria de jogos independente (indie): o “renascimento” de expressões artísticas e visuais do tipo “old school”” Volto a Lisboa dia 31 de Agosto. Goodbye México City! Sniff… sniff… talvez em breve esteja de volta.
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