Entre 15 de Fevereiro e 26 de Março de 2014 estive em São Paulo. Em Agosto de 2013 passei três dias nesta cidade, num encontro na Universidade de São Paulo (USP, cf. aqui), matei saudades de um lugar familiar, onde vivi alguns anos, mas não deu para perceber algumas mudanças que entretanto, com mais tempo, desta vez fui desvendando. Na década passada vivi entre Lisboa e São Paulo, hoje há mais portugueses do que nessa altura, um sinal evidente desta última leva de emigração pós crise de 2007/08. Estão um pouco por todo o lado.
Da Óscar Freire à Avenida Paulista, passando pelas ruas de Itaim, a cidade parece mais limpa e arranjada, principalmente a Avenida Faria Lima, os passeios a pé são mais amigáveis. A agitação da Vila Madalena, gostei bastante de conhecer o bar/restaurante Sábia, embora seja um bocado barulhento, contrasta com os novos bares e restaurantes de Itaim, para mim, e de acordo com o que conheço, o bairro mais amigável de Sampas. De salientar os espaços gastronómicos descontraídos Vaca Véia e o Maison est Tombée, ambos em Itaim Bibi. Dois bares/restaurante muito animados, boa música, quase sempre com bastante gente e com deliciosos petiscos e bebidas, onde se pode provar uma boa caipirinha com cachaça “espírito de minas”. Nada disto existia na época em que vivi em São Paulo. Para jantar em Itaim o restaurante bistrô francês “Le Vin”, ampliado há três anos, e uma degustação no japonês “Kosushi”, que não mudou “uma palha” desde há dez anos, são imperdíveis. Na mesma linha do chopp fresquinho acompanhado por uns pastéis e “tira gostos” simples descobri o bar/restaurante "Original", ao pé da famosa pizzaria Bráz. A comida não me encantou mas vale a pena espreitar o ambiente e provar, principalmente no Verão e com uma temperatura acima da média, 8x o melhor chopp da cidade. Também descobri os sucos Madureira, saúde e bem-estar, onde se pode escolher entre um “bronzeador”, à base de cenoura, laranja e beterraba, um “fortalecedor imunológico”, com melancia, papaia e gengibre, ou, por exemplo, um “amansa-onça (para combater o TPM, ou seja, a tensão pré menstrual)”. Aqui as saladas também são deliciosas e pode-se beber um coco fresco.
A livraria cultura abriu uma nova sucursal no Centro Comercial Iguatemi e o espaço da Avenida Paulista está ampliado e renovado. A sensação é óptima, espaços de leitura onde se pode ficar bastante tempo e uma livraria que não parece querer sucumbir à venda on-line. Uma ida ao cinema, tanto na Reserva Cultural como no Kinoplex de Itaim, custa, aproximadamente, oito euros, o que é sintomático dos preços elevados que se praticam em São Paulo. Principalmente quando comparados com experiências recentes na Cidade do México (cf. aqui e aqui), em Bogotá (aqui e aqui) e outras cidades da américa latina (aqui). Nos últimos dias da minha estada em São Paulo o rating do Brasil foi rebaixado pela S&P de BBB para BBB-, abaixo da Colômbia e do México, tive uma terrível sensação de déjà vu. Numa altura em que imenso dinheiro está a ser injectado na economia, com a preparação do mundial deste ano e dos jogos olímpicos de 2016, o PIB do Brasil cresce apenas 2,3%. E a corrupção continua com contornos tenebrosos, como se pode perceber nos meandros dos recentes desenvolvimentos do caso "mensalão", que rebentou há dez anos mas que continua a assombrar a vida política do país. Desta vez, no Brasil, só conseguia pensar como somos tão parecidos. Irmãos de sangue.
O tempo, durante esta temporada, esteve óptimo e, se não estivesse também a trabalhar, estaria mais bronzeada, mas apanhei vitamina D com fartura e com alguns sucos do género “bronzeador” a pele da tipologia lixívia deu lugar a um tostado amarelo bastante satisfatório. Estive sempre entre temperaturas de trinta e vinte e poucos graus o que foi excelente. Um Verão antes do tempo. Por vezes, ao sol, a ouvir os helicópteros que sobrevoavam a cidade, senti-me como uma criança a mordiscar uma “azeda” na relva, a olhar contemplativa para as diversas formas das nuvens. Uma imagem que me vem certamente dos desenhos animados japoneses. Na sétima cidade mais populosa do planeta, com 20 milhões de habitantes, isto apenas na zona metropolitana, a sentir-me como no campo. Por vezes, consegue-se disto. Rapidamente me habituei ao barulho ensurdecedor à minha volta mas voltar ao silêncio de Lisboa também é reconfortante para os meus tímpanos.
Entre orientações de doutoramento terminais, tenho três aluna(o)s a acabar as teses até Julho, uma das dissertações foi entregue no final de Janeiro e prepara-se agora a discussão pública, trabalhos de design, investigação e desenvolvimento para uma empresa portuguesa, a Gojira, a escrita do prefácio para um livro e uma recensão crítica de outro, e mais algumas aventuras laborais, ainda consegui aproveitar bastante a cidade nas suas diversas facetas culturais e gastronómicas. Acho que São Paulo é um dos maiores paraísos para “a barriga”. O meu sistema imunitário agradeceu.
Durante esta temporada recebi o convite do Prof. Luís Carlos Petry para fazer parte da comissão científica do concurso de desenvolvimento de jogos digitais, uma iniciativa da UNICEF e da Electronic Arts com o apoio da ECA-USP, FMU, Anhembi Morumbi, PUC-SP e Senac. O concurso apelava aos estudantes universitários de São Paulo para que estes contribuíssem para a criação de jogos digitais que tivessem como missão “estimular o desenvolvimento de habilidades necessárias à alfabetização e ao raciocínio lógico-dedutivo, incentivando a aprendizagem de crianças do Semiárido brasileiro.” O tema deste concurso, o futebol, relacionava-se com a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Uma iniciativa bastante interessante na qual me deu prazer poder participar e que me permitiu descobrir alguns regulamentos e provas existentes no Brasil. Li, de fio a pavio, a “Provinha Brasil”, um kit que visa fazer o diagnóstico dos conhecimentos dos estudantes até aos oito anos na área do português e da matemática.
Fui ainda, a convite do Prof. Luís Carlos Petry, visitar o pólo de pós-graduação da Pontífice Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e almoçar nas redondezas ao restaurante “Planetas” com alguns professores desta universidade, responsáveis pelos cursos de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital. O meu sincero agradecimento pela disponibilidade e companhia.
Encontrei amigos de São Paulo de longa data, uns brasileiros, outros portugueses, e é com saudades que volto à minha terra mas gostei bastante de passar esta temporada em Sampas. Termino com as palavras de Clarice Lispector no livro “A Maça no Escuro”: “Era como se o tivessem depositado solto num campo. E enfim ele acordasse de um longo sonho do qual haviam feito parte um hotel agora desmanchado num chão vazio, um carro apenas imaginado pelo desejo, e sobretudo tivessem desaparecido os motivos de um homem estar todo expectante num lugar que também este era expectativa.” (Lispector, p. 17)
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