Sábado, 12 de Agosto de 2006
MEDIA HOT E COLD + CULTURA DA CONVERGÊNCIA
sumo.jpg

No seguimento de um combate empenhado no post “A arte mora ao lado, territórios e convergências“. De um pedido do dr Bakali: “será possível abrir uma nova thread com a questão dos media hot e cool [parece que sempre é cold, hehehe]?” para estimular o debate entre fronteiras e oceanos: “ocorrem-me em revista debates, países: Lisboa, Paris, S. Paulo, o mundo! (Cesário Verde, lol)”. Em resposta às espirituosas intervenções do Raf e às suas intuições: “Nesse sentido, a intuição de Neil Gaiman (in American Gods) parece-me luminosa: jogamos para perder e nunca para ganhar;” ou a “violência do jogo está bem patente nos comportamentos compulsivos.” E porque hoje entrou mais um jogador em campo sugerindo novos estímulos: “Ia apenas deixar-vos uma nota relativamente ao livro do Jenkins, o “Convergence Culture - Where Old and New Media Collide”, que saiu este mês, julgo que na senda da discussão da Remediation e McLuhan, este livro poderá trazer mais algumas achas”. Aqui fica mais um lugar para ampliar a discussão que se tem vindo a desenrolar à volta destes assuntos. Esperemos que o “combate” de titãs se faça também no feminino, hehehe.


De rafgouv a 17 de Agosto de 2006 às 08:54
Obrigado pelas precisões embora me custe um pouco encarar a relevância desse conceito sociológico dos "mundos artisticos"...

Lamento que uma vez mais generalizes a partir de uma observação que não se pretendia totalitária... Não me passa pela cabeça negar a importância da representação gráfica ou imaginar que poderias evitar fazer alusão a ela... A questão que me parece mais importante é a de saber se os jogos vídeo são artes visuais ou artes plásticas... E parece-me que não.

Não percebo bem as considerações académicas que fazes sobre a interdisciplinariedade e aquilo que me parece ser uma referência a estudos comparativos... Não penso de modo algum que tais estudos sejam inúteis em termos metodológicos mas permitem-nos raramente tirar conclusões abrangentes e/ou originais.

Deleuze demonstrou de forma luminosa (graças ao seu diletantismo sobre a questão filmica) que o cinema NÃO É uma arte visual (e nisso se distingue de outras disciplinas como a publicidade ou o vídeo-clip - não querendo isto dizer que as acho intrinsecamente menos nobres) nem plástica: o cinema não é imagem nem é som, o cinema é tempo (e neste sentido, para fazer alusão a uma referência de nzagalo noutro post, Matthew Barney é sem dúvida um cineasta mais puro do que um formalista/maneirista como Scorsese, o que não implica também um julgamento de valor)...

É uma reflexão deste nível que me parece útil efectuar em relação aos vídeo-games que oferecem hoje possibilidades (sobretudo graças à Nintendo) que os afastam de forma radical da "arte visual" ou plástica: o reconhecimento vocal (informa-te sobre Osama), a biometria, a sinestesia...

Resumindo, estou de acordo contigo sobre o facto que grafica e se calhar até visualmente os jogos atingiram uma certa maturidade. Parece-me no entanto que essa maturidade gráfica constitui apenas uma pequena parcela da maturidade lúdica que lhes está prometida.

xx, raf


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