Sábado, 12 de Agosto de 2006
MEDIA HOT E COLD + CULTURA DA CONVERGÊNCIA

No seguimento de um combate empenhado no post “
A arte mora ao lado, territórios e convergências“. De um pedido do dr Bakali: “será possível abrir uma nova
thread com a questão dos
media hot e
cool [parece que sempre é
cold, hehehe]?” para estimular o debate entre fronteiras e oceanos: “ocorrem-me em revista debates, países: Lisboa, Paris, S. Paulo, o mundo! (Cesário Verde, lol)”. Em resposta às espirituosas intervenções do Raf e às suas intuições: “Nesse sentido, a intuição de Neil Gaiman (in
American Gods) parece-me luminosa: jogamos para perder e nunca para ganhar;” ou a “violência do jogo está bem patente nos comportamentos compulsivos.” E porque hoje entrou mais um jogador em campo sugerindo novos estímulos: “Ia apenas deixar-vos uma nota relativamente ao livro do Jenkins, o “
Convergence Culture - Where Old and New Media Collide”, que saiu este mês, julgo que na senda da discussão da
Remediation e McLuhan, este livro poderá trazer mais algumas achas”. Aqui fica mais um lugar para ampliar a discussão que se tem vindo a desenrolar à volta destes assuntos. Esperemos que o “combate” de titãs se faça também no feminino, hehehe.
rafgouv: "(como é que o filme é medium enquanto a aguarela é apenas “versão técnica de um media”???)"
Acho que isto está bem explicado no meu comment sobre o assunto. O filme enquanto aparato é uma coisa, as suas diversas possibilidades técnicas outra. A fotografia é um medium que pode expressar-se através de polaroids, slides ou rolos. A pintura em diferentes formatos técnicos o filme igual. Não sei se estou certa mas é assim que o entendo depois de ler "understanding media". A escrita é um medium mas não me passa pela cabeça dizer que a escrita em inglês é um medium e a escrita em português outro... até posso estar completamente errada mas até prova em contrário não vejo onde possa haver complicações.
A questão formal dos pontos de interrogação embora ache um reparo inteligente é completamente maneirista como tu próprio dizes. Uma contradição!
Provar que os computadores são o único e primeiro medium nascido em computador não é dificil - investiga a história do medium: spacewar! do Steve Russel /PDP-1 de 1962.
http://www3.sympatico.ca/maury/games/space/spacewar.html
Eu não vejo a diferença entre consola e PC? Fui eu que fiz a distinção e que até tenho dificuldade em usar o termo videojogos precisamente porque tende a obscurecer a diferença entre ambas. Enorme misturada a do jornal com a secção de fofocas e a da inclusão de software educacional quando eu já disse claramente que o que define o medium não é o seu conteúdo mas o aparato que compõe. A interface é que propõe ou não novos aspectos sensoriais. O conteúdo é a mensagem para McLhuan porque na interface (medium) não há distinção entre ambas as instâncias. Daí que o software educacional adopte nomenclaturas do jogo electrónico (jogabilidade, acção, interactividades).
Os autores de jogos electrónico de ping pong, de futebol e afins são tão autores quanto os outros na medida em que escrevem o livro de regras (design da interface e interacção do jogo).
Podes ofender as minhas ideias sem tentar obscurecê-las com comentários jucosos. Eu gosto de ser rigorosa em relação às minhas opiniões e às ideias dos outros. As tuas perguntas também me ajudam a compreender agora mediante o meu esforço ouvir "boquinhas" de "veludo" (obrigado Cris!) é que não dá.
Barthes em "Mitologias": "Conhecemos a ladaínha: inteligência em excesso prejudica, a filosofia é um jargão inútil, é preciso reservar um lugar para o sentimento, a intuição, a inocência, a simplicidade, a arte morre por excesso de intelectualidade, a inteligência não é uma qualidade do artista, os criadores poderosos são empíricos, a obra de arte escapa ao sistema, em suma, o cerebralismo é estéril. Sabe-se que a guerra contra a inteligência é sempre feita em nome do bom senso (...)" Sobre bom senso falas tu no post em cima... see?
Agora tu és dos melhores jogadores da mouselândia e sente apenas o meu reparo como um cartão vermelho.
XXX rato
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