Sábado, 12 de Agosto de 2006
MEDIA HOT E COLD + CULTURA DA CONVERGÊNCIA

No seguimento de um combate empenhado no post “
A arte mora ao lado, territórios e convergências“. De um pedido do dr Bakali: “será possível abrir uma nova
thread com a questão dos
media hot e
cool [parece que sempre é
cold, hehehe]?” para estimular o debate entre fronteiras e oceanos: “ocorrem-me em revista debates, países: Lisboa, Paris, S. Paulo, o mundo! (Cesário Verde, lol)”. Em resposta às espirituosas intervenções do Raf e às suas intuições: “Nesse sentido, a intuição de Neil Gaiman (in
American Gods) parece-me luminosa: jogamos para perder e nunca para ganhar;” ou a “violência do jogo está bem patente nos comportamentos compulsivos.” E porque hoje entrou mais um jogador em campo sugerindo novos estímulos: “Ia apenas deixar-vos uma nota relativamente ao livro do Jenkins, o “
Convergence Culture - Where Old and New Media Collide”, que saiu este mês, julgo que na senda da discussão da
Remediation e McLuhan, este livro poderá trazer mais algumas achas”. Aqui fica mais um lugar para ampliar a discussão que se tem vindo a desenrolar à volta destes assuntos. Esperemos que o “combate” de titãs se faça também no feminino, hehehe.
De nzagalo a 29 de Agosto de 2006 às 00:32
@mouse
Não disse que apresentava "a experiência fenomenológica como experiência cognitiva", disse que prefiro analisar a experiência de uma perspectiva cognitiva e não fenomenológica.
O meu interesse na experiência cognitiva, liga-se directamente aos métodos de análise da experiência. A possibilidade de utilizar as ferramentas do método científico nas análises qualitativa e quantitativa para perceber de que forma a experiência se dá em vez de recorrer à introspecção. Eu sei que existe aqui um certo problema de Positivismo na quantificação, mas tendo em conta que os meus estudos são declaradamente subordinados ao Formalismo, julgo ser este o caminho mais indicado.
Para além disso prende-se com o facto de submeter a experiência directamente ao modo de actuação dos processos mentais. Ou seja, perceber de que modo um “experienciador” percepciona um artefacto tendo em conta o esquemas mentais (protótipos, estereótipos...) e funções mentais como a atenção, motivação e emoção assim como as capacidades de análise e resolução de problemas, os efeitos de “insight” ou “Flow”.
Por isso gosto tanto de Bordwell ou Gombrich.
O meu problema com a experiência fenomenológica tem a ver com as metodologias utilizadas e também por uma abordagem demasiada associada à Cultura e pouca conectada à Biologia (neurociência e ciências cognitivas). Procura-se uma explicação para o fenómeno por via da interpretação subjectiva e alicerçada no Contexto do fenómeno. Muito provavelmente estou a circunscrever demasiado o alcance...
Relativamente às aplicações clínicas, elas estão aí, como bem falas das aplicações em unidades de queimados, mas não só. Uma colega minha, está a iniciar uma tese de Mestrado na área de Psiquiatria, sobre os Videojogos e os Idosos (tendo em conta as doenças degenerativas – Parkinson e Alzheimer, etc.). Aliás, ela apresentou um poster conjunto comigo o ano passado onde se podem ver vários caminhos possíveis de aplicação dos videojogos (podes ver o poster no meu site).
@rafgouv
vou ser muito rápido então :)
Propaganda, Manipulação, Efeitos, Experiências Sensoriais, Cinema-verite ou Cinema-Espetáculo...
Julgo que se pode tudo resumir da mesma forma.
Contar uma história (seja ela qual for, sobre si própria até) é sempre a arte de convocar o sujeito (que recebe) a uma transformação cognitiva (no sentido em que este vai aprender algo que não sabe, esse algo pode ser apenas a resposta à questão colocada no inicio da narrativa) e emocional (no sentido em que o sujeito sofre variações, ainda que momentâneas, fisiológicas e mentais). A ter em conta que a convocação é formulada em forma de convite, o sujeito receptor só aceita o convite se assim o entender.
Quando contar uma historia, seja através de que médium for, não for isto, é porque não é uma história mas apenas uma descrição.
Neste sentido mesmo Brecht que de certa forma tentou desenvolver uma nova formula que se opusesse totalmente ao conceito Aristotélico, pretendia que a alteração se desse apenas ao nível cognitivo (intelectual) numa primeira fase. Contudo, construía as suas peças de modo a que estas produzissem o efeito emocional mais tarde aquando a total compreensão ocorresse e desse modo permitisse activar a emoção do sujeito. Apenas uma forma mais sofisticada de “gerir” o sujeito.
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