Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006
A VIOLÊNCIA DO REAL
tale-of-tales.jpg

Curioso como a incapacidade de aceitar a realidade se reflecte em tantas teorias conspiratórias em filmes que mais não são do que formas veladas da incapacidade de lidar com o mundo “real”. Recentemente o filme Loose Change de Dylan Avery, Korey Rowe e Jason Bermas (três jovens de NY) defende a tese que as torres foram sujeitas a uma implosão e que o Pentágono foi atingido por um míssil, não por um avião. O filme está disponível no Google Video e terá passado recentemente na televisão... não vi e não estou a pensar ver pois parece-me que são óbvias mentiras que mais não fazem do que perpetuar mitos obscurantistas.

“All religions are violent; and all ideologies are violent. Even Westernism, so impeccably bland, has violence glinting within it. This is because any belief system involves a degree of illusion, and therefore cannot be defended by mind alone. When challenged, or affronted, the believer's response is hormonal; and the subsequent collision will be one between a brain and a cat's cradle of glands. I will never forget the look on the gatekeeper's face, at the Dome of the Rock in Jerusalem, when I suggested, perhaps rather airily, that he skip some calendric prohibition and let me in anyway. His expression, previously cordial and cold, became a mask; and the mask was saying that killing me, my wife, and my children was something for which he now had warrant. I knew then that the phrase 'deeply religious' was a grave abuse of that adverb. Something isn't deep just because it's all that is there; it is more like a varnish on a vacuum. Millennial Islamism is an ideology superimposed upon a religion - illusion upon illusion. It is not merely violent in tendency. Violence is all that is there” Martin Amis (2006), “The age of horrorism (parte three)” in The Obserser
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10 comentários:
De rafgouv a 19 de Setembro de 2006 às 13:08
Eu vi o Loose Change! Não fiquei propriamente surpreendido com as teses defendidas mas sobretudo com o facto de as mesmas merecerem tanto crédito. A audiência que o filme obteve na net (e que conduz à sua exibição televisiva) é algo inquietante na medida em que muitos dos argumentos apresentados são de uma estupidez crassa. Penso no entanto que não podemos dizer que se trata de "mentiras" na medida em que não duvido candura (nem da estupidez) dos seus autores.

O filme é sobretudo uma montagem de imagens de arquivo, a maioria das quais provém da manhã do dia 11 de Setembro de 2001. Os autores admiram-se imenso do facto de algumas pessoas terem mudado de opinião ou de algumas notícias terem sido infirmadas posteriormente... Como se não fosse naturalissimo haver evoluções na interpretação dos acontecimentos.

Sem entrar nos pontos mais técnicos e que necessitariam de uma mais longa desmontagem: numa sequência tentam provar que as torres explodiram porque uma câmara que filmava sobre tripé tremeu ligeiramente antes do desabamento... Noutra sequência comparam a velocidade de evacuação de 2 aviões para provar não se sabe bem o quê... Noutra admiram-se pelo facto de um passaporte poder ter permanecido indemne enquanto os aviões e respectuivas caixas negras arderam completamente... Tudo isto acompanhado por uma musiqueta trip-hop do pior gosto.

No entanto onde o filme se torna realmente anedótico (e profundamente cómico) é quando aborda os possíveis móbeis do crime. Assim, é-nos afirmado (de forma tão rápida e confusa que mal se percebe) que todo o arsenal convocado tinha como fim uma fraude aos seguros (!!!), uma manobra imobiliária (para disponibilizar terrenos em Manhatan??) e, cúmulo dos cúmulos, o roubo de milhares de lingotes de ouro escondidos nas caves das torres (!!!). Tudo isto, claro está, patrocinado por George W Bush.

Nem por um segundo o filme toca no facto de terem sido necessárias centenas de pessoas para garantir o sucesso de tal conspiração... e de nenhuma delas se ter descaído até hoje o que é um pouco estranho quando se sabe que os americanos não conseguiram manter secretos factos bem mais confidenciais como a tortura em Abu Ghraïb, a inexistência de um arsenal de armas de destruição maciça no Iraque (se são capazes de encenar a destruição das torres como é que são incapazes de construir falsos bunkers nucleares no Iraque, etc., etc.), etc., etc.

A todo o momento esperei que alguém nos viesse dizer que se tratava de uma partida de 1° de Abril mas não... Estes senhores acreditam mesmo naquilo que professam e até vêm professar a ausência de "bom senso" de todos os que acreditam nas teses oficiais. É trágico!


De rafgouv a 19 de Setembro de 2006 às 13:21
Complemento:

É interessante constatar que à medida que se multiplicam as possibilidades de controlar, criticar e contestar as informações "oficiais" (cf. os casos acima citados de Abou Ghraïb, das armas no Iraque, etc.) se multiplicam também as dúvidas sobre a possibilidade de uma qualquer objectividade... De alguma maneira o real deixou mesmo de existir e é sintomático que as interpretações propostas o sejam completamente a partir de documentos - que são de alguma forma eles próprios interpretações - como se de facto qualquer "espectador" se pudesse instantaneamente transformar em "fazedor de real"...


De mouseland a 19 de Setembro de 2006 às 14:18
Hello Raf, :lol::lol::lol::lol:

Obrigado pela descrição detalhada dos disparates desse filme. Chamei mentiras inspirada no título de um artigo da revista Veja de duas páginas sobre os disparates que o filme (loose change) professa. O artigo é chamado "mentiras com efeitos especiais" ou algo semelhante. Acho que sem me aperceber "engoli" o título.

Acho que vais gostar de ler o ensaio do Amis pois é precisamente um documento muito bem trabalhado em termos de realidade/ficção. É assustador perceber como se confundem tantas instâncias nos dias que correm... Não sei se visionaste o filme "Syriana" mas, no meu caso, enervou-me bastante pela tentativa de passar lugares comuns sobre a realidade (como se se tratasse de um "documentário") quando no fundo é uma clara ficção sobre a realidade. Esta forma de ficcionalizar e inventar a complexidade da realidade em simplificações "sem costura" incomoda-me um bocado... concordo contigo é trágico!

Só não concordo com a afirmação "de que o real deixou de existir" acho que expliquei no outro post... agora concordo que o espectador e não só o espectador como alguns produtores de documentos sobre a suposta realidade se arrogam da capacidade de "fazer realidades" de produzir e ensaiar realidades. Tudo bem se as considerassem como meras interpretações da verdade o problema é quando se começam a confundir as instâncias... :roll::roll:


De Carecone a 20 de Setembro de 2006 às 02:34
Bom, se até hoje grandes engenheiros e arquitetos do mundo todo não ocnseguiram definir o por que da queda...
Eu acredito que os manipuladores do Bush sabiam de algo, não sei por que, mas acho isso.
Nunca consegui ver as fotos do avião que se chocou com o Pentágono, um tempo atrás circulava na internet fotoso sem o avião e um rombo no prédio do quartel general dos EUA, mas nada de destroços, mas isso é fácil de se fazer hoje em dia... eu acho!


De rafgouv a 20 de Setembro de 2006 às 08:39
carecone,

Várias explicações sobre o porquê da queda foram dadas por inúmeros e variados "grandes engenheiros e arquitectos deste mundo"!!! É óbvio no entanto que essas explicações são bem mais complicadas tecnicamente do que qualquer conspiracy theory e por isso mais dificilmente digeridas por nós simples mortais que não fazemos parte dessa elite de "engenheiros e arquitectos". Existem diversos filmes/documentários com diversas e variadas testemunhas dignas de crédito que refutam completamente as teses de Loose Changes.

Por outro lado que existam elementos secretos em torno do dossier parece-me elementar. Nem que seja para não facilitar a transposição deste tipo de acontecimentos... Não tem cabimento revelar por exemplo as falhas da segurança.

Quanto ao famoso mistério do avião do Pentágono, tenho a solução: o triângulo das Bermudas migrou para a região de Washington! Não, sem gozo, as explicações abundam e só a tentação de transformar o real num permanente e lúdico Da Vinci Code pode explicar a nossa preferência para as teses mais misteriosas, rebuscadas e fantasistas.

O documentário "As últimas horas das Twin Towers" de John Lynch descrevia já em 2002 de forma detalhada e documentada todos os acontecimentos...

Cumprimentos,


De rafgouv a 20 de Setembro de 2006 às 16:23
... o post acima foi escrito pelo rato ou o jack bauer conseguiu infiltrar-se na mouselândia????


De mouse a 20 de Setembro de 2006 às 16:22
Hello aos dois,

E desculpem-me que eu hoje estou do pior!

Tenho que concordar com o Raf pois parece-me que é precisamente a nossa incapacidade de aceitarmos a nossa humilde condição de simples mortais que nos leva a ser tão cépticos em relação a determinadas coisas. O mesmo aliás acontece com o crente/fanático religioso quando se recusa a aceitar a sua condição de simples mortal e prefere deleitar-se com os prazeres do além... Daí até ao discurso religioso (fundamentalista) vai um passo. Estes discursos conspiratórios tem algo de cientológico, hehehehe. Dando uma volta de trezentos graus: nos estados unidos e no mundo inteiro ainda uma enorme percentagem de pessoas tem dúvidas sobre a teoria da evolução do Darwin... assim uma quantidade de imbecis do quadrante da cientologia até já têm acesso a palestras em Harvard... todos temos direito a explicitar os nossos pontos de vista... argh.... da mesma forma e para não nos humilharmos perante a consideração de que de facto não pertencemos a grupos de elite de "engenheiros e arquitectos" que concebem e desenvolvem sistemas inteligentes, preferimos acreditar que há sempre um enorme complot contra a nossa condição de ignorantes. Assim, amaciamos o espírito com um punhado de ficções conspiratórias... um novo tipo de religião em que o mote parece ser "não penses, conspira!". A conspiração ao menos dá $$$! E como os gajos do "Losse Change" só gastaram $ 2000 devem estar a arrecadar em prestigio uma bela soma.

Ontem vi anunciado na televisão brasileira um debate sobre o espião que Osama Bin Laden terá infiltrado na CIA? Já tinham ouvido falado sobre este doc? Ainda não vi mas talvez explique imensas coisas como, por exemplo, a queda de prestigio da CIA pós 11 de Setembro... estou desejosa pois como sabem o rato adora teorias da conspiração não as confunde é com a realidade. Há que manter uma certa sanidade mental!

xxx mouse


De mouseland a 21 de Setembro de 2006 às 02:24
:mrgreen::mrgreen::mrgreen:

O jack esteve cá mas partiu para Chigaco. Foi mesmo o rato que escreveu o commnet. :cool:

XX rato


De Carpinteiro a 27 de Setembro de 2006 às 13:51
Olá Mouse,

Por acaso também vi esse documentário na televisão, como o rafgouv. Confesso que me deixei ficar a ver porque é impressionante todos os detalhes que foram buscar para tentar avançar com toda uma explicação alternativa do que terá acontecido...

No final o sumo são as ditas imagens-que-ninguém viu do avião no pentágono e a fragilidade arquitectónica das torres, que surpreeendeu muitos. Esta última em particular não me parece tão incrível - claramente, e bem ao estilo americano, fez-se o mais barato que o mercado permitiu!

XXX


De mouseland a 27 de Setembro de 2006 às 16:16
Olá Miss Carpinteiro, :smile::smile::smile:

A questão da fragilidade da engenharia e arquitectura das torres é que me parece estranho que seja questionada embora, como disse no post, não tenha visto o documentário, apenas li um artigo publicado sobre o doc. na Veja que o descredibilizava completamente nessa matéria. Este artigo, confrontava as teorias e os argumentos fornecidos no documentário contrapondo-os com os documentos oficiais. Segundo a revista Veja, muito mais sérios do ponto de vista da investigação. Em termos pessoais, sou casada com um engenheiro civil (a very special one, hehehehe) com mais de vinte anos de experiência na construção de projectos complexos que me assegura que as explicações oficiais são absolutamente plausíveis.

Afirma que "aquela estrutura estava preparada para receber o impacto de um avião um pouco mais pequeno. O problema é que as explosões dos combustíveis associadas ao facto da rede de combate aos incêndios não ter actuado levou a temperaturas altíssimas dentro do edifício o que enfraqueceu a estrutura metálica deste com o consequente colapso dos andares. As explicações são lógicas e mais do que prováveis. É impossível implodir um edifício sem que ninguém se aperceba, a aplicação de cargas explosivas tem de ser colocada em locais estratégicos da estrutura que levariam muito dias de preparação pelo que nunca passaria despercebido. Por outro lado, as cargas explosivas ficariam, em muitos dos casos, à vista desarmada, o tipo de coisas que não dá para esconder assim sem mais nem menos, só num filme de hollywood. Inclusivé os projectistas das torres teriam de ser consultados para não haver problemas.

Depois, uma operação dessa magnitude teria de ser feita pela engenharia militar pois conjugar o tempo de choque de um avião (ou será que há pessoas que não acreditam nesse embate?) com a altura da implosão não podia ser feita por um mestre de obras comum. Teria que ter uma logística impressionante. E ninguém acredita que a engenharia militar se submetesse ao poder político para matar toda aquela gente."

Eu, da parte que me toca, gosto de ouvir sempre pessoas credenciadas na matéria em causa e não embarcar em conspirações ficcionais que apenas pretendem enganar-nos e promover-se a si mesmas. Essa questão que colocas da utilização de materiais baratos é interessante acho que também é um modo de pensamento europeu que eu subscrevo, hehehe, mas fica para outra altura.

xxx mouse


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