Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007
SIM!
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Teve ontem início a campanha eleitoral para a despenalização do aborto. O dia foi marcado com um debate moderado por Fátima Campos Ferreira na RTP 1 que contou com a presença de dois painéis e diversos intervenientes. Alguns participantes defenderam o SIM outros o NÃO mas o que ficou absolutamente claro naquela noite, quanto a mim, é que existem dois tipos de portugueses distintos. Alguns, insistem em viver numa sociedade medieval (como assinalou Lídia Jorge referindo-se a um comentário sobre o nosso país proferido pela irmã de Simone Beauvoir nos anos quarenta). Outros, pretendem acompanhar a civilização europeia na preservação dos direitos humanos e não falam a partir de abstracções e retóricas gastas, em alguns casos desonestas e baseadas em jogos de linguagem (confundir livre arbítrio com libertinagem, por exemplo). Laurinda Alves, partidária do NÃO, socorreu-se da dota ciência que tudo prova… não se sabe é o que é que prova dada a incapacidade de apresentar uma argumentação credível… Com rigor e determinação Maria José Alves introduziu a ideia que o feto só adquire um sistema nervoso central (consciência) depois das 10 semanas. Com uma inteligência fina, Vital Moreira, partidário do SIM à despenalização do aborto, mostrou bem a hipocrisia vigente na postura dos seus oponentes (falam sobre a vida quando deviam falar sobre a ridícula lei actual propensa à morte de tantas mulheres). José Manuel Pureza, sociólogo, chamou a atenção para as falaciosas manhas da argumentação pela lei actual que nada pretende mudar e que é conivente com a morte quando pretensamente se diz pela vida. Vasco Rato, em sintonia com Maria José Alves (excelentes intervenções) chamou a atenção para o cerne da questão: a não-aceitação da capacidade de escolha das mulheres!

Fico absolutamente boquiaberta ao perceber como alguns assuntos são completos tabus na sociedade portuguesa e que a simples oportunidade de escolha (ser ou não ser mãe perante uma gravidez indesejada) é negada às mulheres. O problema é persistente e esteve ontem à noite presente nos abjectos discursos de alguns pouco informados partidários do NÃO e tantos outros que acedem em dar a cara contra a civilização europeia. Uma vergonha desmascarada pelos discursos mais informados e tolerantes… Obrigada Maria José Alves, Vital Moreira e todos aqueles que, pelo SIM, se empenharam em fazer valer uma visão esclarecida e rigorosa, sem contradições e incoerências.


Domingo, 21 de Janeiro de 2007
CIBERMEMÓRIAS EM ENTREVISTA_1
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_A tua experiência na Latina Europa (produtora que criaste em 1989), como produtor de conteúdos para a televisão, teve alguma repercussão nos universos tecnológicos quando produziste conteúdos sobre a cultura digital (Jornal Blitz e Exame Informática) e para sites na internet e CD-ROM (Forum on-line)?

Tal como muitas outras pessoas na actualidade tenho dificuldade em responder a questões como “o que fazes?” ou “qual a tua profissão?”, quando essas perguntas pretendem definir-nos um trajecto narrativo ou uma história de trabalho. No geral respondo como uma banalidade, “sou fuzileiro, vou onde há problemas”, o que até não deixa de ser verdadeiro. Mas quando penso seriamente na questão encontro sobretudo duas palavras que fazem sentido nesta razoavelmente longa caminhada: “imagem” e “ecrã”. Da televisão para o computador, dos websites aos jogos de computador, essas são as constantes. Habituei-me desde cedo a compreender os ecrãs como espaços bidimensionais, em tudo semelhantes a uma tela de pintura excepto no facto da luz não ser reflectida mas sim emitida (o que é deveras importante, mas é outra conversa). Julgo que na última fase da série “Lusitânia Expresso” esta “opção estética”, por assim dizer, era já bastante evidente e culmina no genérico que fiz para o programa do José Duarte, “Outras Músicas”: há uma dimensão intricada de planos, de sobreposições, de narrativas.

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Não pretendo com isto inventar uma teoria de autor para o meu trabalho, até porque sou intrinsecamente um produtor e não um artista. Não é essa abordagem que me interessa mas antes estabelecer a relação entre aquilo que considero ser o meu espaço de trabalho e expressão – o ecrã – e as linguagens e conteúdos capazes de o activar. Ao configurar a imagem (estou a falar estritamente da plasticidade, media passivos e interactivos ficam para mais tarde) não acho que tenha tratado de modo muito diferente o ecrã de televisão e o do computador, sendo que no primeiro o tempo da experiência e da narrativa é pré definido (pela montagem) e no segundo está dependente do leitor (pela navegação). A partir do Mosaic, e apesar da grande parte das coisas que fiz se basearem na escrita, já não concebi a Internet como uma enciclopédia mas sim como uma imagem ubíqua: interactiva, “navegável” e, de preferência, fora de controlo. A “imagem digital” reconfigura-se de modos impossíveis à imagem televisiva, possui uma plasticidade inesgotável. Como sou um péssimo desenhador e designer, perdi a autonomia que possuía em televisão. Aprendi os mínimos exigidos de software e passei a trabalhar com designers e programadores talentosos e competentes. Deste modo, retornando ao cerne da tua questão, penso que o controlo da tecnologia é vital para compreender “o que é?” e “o que fazer?” com os media, não pela manipulação directa de programas e técnicas mas sim pela compreensão dos processos. O controlo não é uma questão de competência técnica mas sim a inclusão de uma visão ou dimensão política e ética nos processos. O que eu descobri quando passei do mass media televisão para o media digital é que nós, produtores e artistas, acabávamos de ganhar uma responsabilidade imensa. É verdade que nunca existiram imagens inocentes, mas a imagem digital é a arma mais letal alguma vez inventada pelo homem. O digital é para a história das imagens, o mesmo que a fusão nuclear para o armamento. 


SCOOP_HILARIANTE!
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Scoop é mais um hilariante filme de Woody Allen a não perder. A fase londrina do realizador americano revelou-se no subtil Match Point do ano passado mas este filme, mais burlesco, é bastante engraçado. Piadas que misturam pinturas de Rubens com nomes de sandes, aristocracia inglesa com a ralé americana, caçadas de raposa com chá das cinco e scones, concertos de música clássica e baralhos de cartas. Woody Allen é o mágico, Scarlett Johansson a aspirante a jornalista. Os dois estão juntos em mais uma intriga que nos envolve e diverte através de momentos muito bem construídos como, por exemplo, o falso afogamento ou o espectáculo de magia.
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ZUZURELLA COISA BELLA (ZCB)_NOVOS EPISÓDIOS!
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A blogonovela de Inverno está a chegar ao fim em grande estilo. Antoine e Leandro assumiram um romance apaixonado: “Pronto, é desta! Não aguento mais estes segredos. Confesso, confesso, agora, em directo, sem temer as consequências. Que venham elas! Não me ralo. Não fui, de todo, no cruzeiro que se anunciou. Não. Voltei, sim, ao nosso querido país, logo após as Festas, decidido a resolver o problema da nossa querida Zuzu. Procurei o Leandro, para uma conversa homem a homem. E foi isso mesmo que aconteceu, embora não ficássemos pela conversa, se bem me faço entender… O rico é de mais! Que atributos! Sim, juntámos trapinhos, saímos do armário, estamos felizes (,,,)”.

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No seguimento desta paixão novas revelações surgiram. Jota Mercido, profundamente enamorado pela Tia Chôcô, escreve pela mão de Licínio Andrade de Sousa: “Não há pois mulher que não abuse do domínio que soube conquistar! Vós mesma, a quem tantas vezes chamei de minha indulgente amiga, deixais de sê-lo e não receais atacar-me no objecto das minhas afeições! Com que traços ousais pintar-me! Qual homem não pagaria com a vida tal audácia? A que outra mulher não teria valido ela pelo menos uma vingança? Por favor, não me submetais a tão rudes provas; não garanto poder suportá-las. Em nome da amizade, querida Zuzu, esperai que eu tenha possuído essa mulher se quiserdes falar mal dela. Não sabeis que somente a voluptuosidade tem direito de desatar o cinto do amor?”

O Prof. Doutor António adverte para os perigos do presente argumento poder afastar patrocinadores: “É com enorme apreensão que tenho vindo a registar os últimos desenvolvimentos da nossa blogonovela. Temo, sinceramente que, a continuar o clima anárquico desenfreado registado, os nossos patrocinadores deixem de querer o seu nome e o das empresas que dirigem associados à produção. A ameaça é real, acreditem. Não violando nenhum segredo comercial, posso adiantar a título de exemplo que um deles nos estabeleceu já um prazo apertadíssimo para corrigirmos a rota, findo o qual passará a apoiar a novela da concorrência “Só por cima do meu cadáver (se conseguires)”.”

Dalida Mercido procura ajuda: “Caro Prof. Doutor António, Por favor faça qualquer coisa para juntar o meu paizinho e a minha mãezinha. Vim passar o fim-de-semana com a minha mãe… chuinfe chuinfe… e ela só insulta o meu pai com palavrões e palavras feias… diz que a Tia Chôcô é uma fingida que se fez passar por amiga dela e lhe deu com um facalhão nas costas. (…) Que calamidade foi acontecer ao meu paizinho… até estou mesmo furiosa com ele… é um bruto, uma besta! Aquilo deve ter a ver com aquele grupo de senhores lá da seita que ele frequenta. Se calhar é feitiço…. não sei… por favor… ele só fala daquela maneira… se ninguém poder fazer nada eu vou ver o que se arranja lá com o Joaquim da oficina mas essa senhora Biloba deve saber o que fazer. por favor, ajudem-me que eu só tenho doze anos. Obrigada.”

Gingko Biloba surge imediatamente para proteger a adolescente: “Querida Dalida, Não chores mais, minha pequena. A tua avó Gingko tem as respostas que precisas. Sim, tal como a tua querida mãe Zuzu, ultimamente tão arredia da minha companhia (ah! como recordo os seus ternos abraços, as suas ingénuas questões…), também tu vieste procurar-me. Abraça-me, pois, filha, com força, muita força. Preciso dela para fluorescer. Isso, assim. Sim. Já vês a luz? Já? E o que te deixo? Uma bota, velha, cambada, acaba de cair do meu topo, junto a teus pés. O meu presságio. Bem, minha filha, procura teu pai, fala com ele. Diz-lhe que nunca será ninguém a menos que se dedique ao negócio do calçado. Sim, ouviste bem, do calçado. A ele está reservado um brilhante futuro, se seguir as minhas instruções (…).”

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A Tia Chôcô despreza o amor de Jota com o seguinte argumento: “Nem sei bem o que lhe diga. fiquei algo abaládá com a sua revelação. Confêsso que não o sabia detentôôr de um coração assim tão.. sei lá.. achocolatado, tá ver? Não deixa de ser curioso o quão agradável o senhor me parêce emprestando o seu sentimênto a palavras que não são as suas…. Pêço-lhe no entanto, que não se esquêça do tremêndo fosso que nos separa quido, há diferenças que são irreconciliáveis! E o senhor é o pai dos filhos da Zuzu! (…) Mas porquê escrever, se podêêmos antes faláár, não achá? Visite-me um dia destes no Chateau QCC e entáo poderêmos esclarecer isto tudo… e falar de sapatos também.. ou do que o senhor quisêr…

Entretanto e depois de se mostrar revoltada com a Tia Chôcô, Zuzu, volta rejuvenescida e sempre com o sotaque de inspiração em Chôcô: “Caríssssimoôôs amigos da blôgônovela de Invérnô, Adoooroooooo o meu nôvo apartamênto na Avenid’a de Roma. A produçâaoo desta blôgônovela fêz um êxcelênte trabahooooooo. A minha Dalidáaááá está o Máximoooo de radianteeeee. Estâmossss felicééérimas côm tôdoos os canais de Têvê. Jacuzzii e saís de frûtooôs silvestrês. O mááááximo de chîqueeeee, nêm fazeeeem ideiaaa nênhuma. Quida Chôco, pobrêzinha filha… a menina tá noutra, sabe? Eu estôu Rádiaaante e hôjee vôoou jántárrr ao Casíno Estoooorrril com o Joaquim da ôfcina do Jootâ. A’quéle home teeem muuuuuitô que se lhhhe digaa e atéee já esquecii o que a meniina me fêz, filhaa. Podee agigantar-se á vontades com o Jõta q’e eu naããão querrrro saberrr máîs disso, filhaaa (…)”. Para saber mais consulte a sinopse do argumento aqui! E não perca mais uma série de episódios.
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Domingo, 14 de Janeiro de 2007
CIBERMEMÓRIAS EM ENTREVISTA_0
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Bakali há mais de dez anos que organizas festivais new media em Portugal. Que festivais organizaste em Portugal? Em que eventos participaste no estrangeiro? Em que medida tentaste articular a tua experiência no estrangeiro (como participante) com a tua acção e produção (activa) na esfera nacional? 

São várias perguntas que podem não ter respostas que se encaixem num fluxo linear. Por facilidade de exposição talvez o melhor seja optar por uma visão mais ou menos cronológica. As primeiras saídas datam de a.I. (antes da Internet) e articularam de forma muito concreta uma vontade profissional – a de produzir conteúdos audiovisuais, como então se chamavam – com um objectivo mais cívico e abrangente: o de criar fluxos de produção entre criadores independentes europeus. É o início (final dos anos oitenta) do sonho de uma Europa cultural e criativa, capaz de assimilar várias línguas, os países mais periféricos, e os pequenos actores do mercado. Nesses tempos falava-se muitos de regiões e até de cidades; nesse sentido era mais Europa que hoje, em que há um poder altamente centralizado e burocratizado (Bruxelas) e em que, apesar de não viajarmos com passaporte, se voltou às pequenas lógicas nacionais e a transversalidade é uma qualidade que sobrevive exclusivamente nas grandes companhias multinacionais do capitalismo tardio. Entre Edimburgo (Small Countries, Small Televisions), Madrid (com quem desenvolvemos o Projecto Ibérica) e Paris (onde fomos às compras) nasceu a Latina-Europa, empresa que produziu, entre outros, o magazine cultural “Lusitânia Expresso” e o programa de música “Pop-Off”. Porque introduzimos as imagens computacionais na programação regular de TV (antes apenas usada em publicidade devido aos seus elevados custos) comecei, no início da década de noventa, a deslocar-me regularmente ao festival Imagina (Mónaco). Foi lá que descobri palavras novas: cyberpunk, cyberspace, crypto-anarchy, etc., não todas de uma única vez mas ao longo dos anos. O David Chaum falava de dinheiro digital, o Pierre Levy de inteligência colectiva, o Phillipe Quéau de virtualidade, a Patti Maes de agentes inteligentes, tudo isto um pouco antes da Europa acordar para a Internet e para o Ciberespaço.


De lá para cá, o Fernando Soares, o Paulo Querido e o Miguel Vitorino, de “A Rede”, ensinaram-me os modems e as BBS. Do Blitz ligava-me à The Well e não só, a custos proibitivos de telecomunicações. Fizemos a primeira versão electrónica do Blitz (o eBlitz, assim baptizado pelo falecido Miguel Afonso) que mais não era que uma lista de ficheiros “.txt” disponíveis para download. No LNEC, o PUUG (Portuguese Unix Users Group) e a Telepac apresentaram a Internet aos leigos, com a presença da Shari Steele da EFF (Electronic Frontier Foundation). Nesse dia o Mário Valente, fundador da Esotérica, ofereceu-me um endereço de e-mail que ainda hoje está activo. O Blitz tornou-se assim o primeiro jornal a ter endereço electrónico e eu o primeiro jornalista a assinar com nome e e-mail.

Voltando aos amigos do Mónaco, o Timothy May enviou-me o manifesto da BlackNet e uma mensagem encriptada em PGP; a Patti Maes ofereceu-me o primeiro número da Wired; e conheci o Coast (João Pedro Silva) que me introduziu ao PortugalVirtual, provavelmente a maior comunidade virtual em Portugal (passe o absoluto pleonasmo).


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A partir de 1995 tudo acelera. Em Vigo, num festival de Realidade Virtual, conheci o António Mayo que me convidou ao Art Futura de Madrid; o Rafael Lozano-Hemmer organiza a primeira CyberConf europeia (também em Madrid); e o eBlitz passa a ser programado em HTML e a ter imagens (muito feio, o design era meu, lol). Nesta altura, em que terminara a minha carreira na televisão (entretanto aberta à iniciativa privada e transformada numa máquina emissora de telenovelas brasileiras) fui desafiado pela Maria do Rosário Lopes (que organizou o primeiro CiberFestival) do Fórum Telecom, para organizar um evento que falasse de todas estas coisas novas que nos estavam a acontecer (ou para acontecer).

Enquadrando esta parte da história na pergunta, suponho que a minha paixão pela organização de um certo tipo de eventos tem o seu quê de fortuito. Agradava-me imenso a quantidade de informação e discussão que encontrava aqui e ali quando me deslocava ao estrangeiro. Sentia que replicar essas experiências em Lisboa, mais que um desafio, era um dever cívico; mas nunca o teria feito sem o incentivo e apoio de muita gente e algumas organizações. Com a Maria do Rosário e o Blitz fiz a “Convenção Zero”, que juntou actividades mais de entretenimento (um torneio de Magic, the Gathering; uma bateria de consolas Playstation; um ciclo de cinema de ficção-científica, p.e.) com conferências de Derrick de Kerckhove, Olu Oguibe, Leo Ferreira e um “showcase” da ILM-Industrial Light and Magic com a Ellen Poon. No ano seguinte trouxemos o espectáculo de Chico McMurtrie and Amorphic Robot Works, “Robótica Tribal”, desde S. Francisco. Ainda em 97, para além do primeiro encontro entre dr Bakali e Mouse (toda uma história para contar a seu tempo), o “Art+Tech=Multimedia” reuniu o Frank Boyd (que na altura dirigia o Artec-Arts Technology Centre em Londres), Andrea Steifl (um dos mais talentosos designers que conheci), Michael Coulson (da RealWorld) e Andrew Mayhew (o autor de “Ceremony of Innocence” na Gulbenkian para um workshop sobre multimédia. E a “Convenção 1.0”, em 1998 e já com a malta do Terràvista, juntou cerca de cinquenta miúdos entre os 12 e os 16 anos, vindos de todo o país, à volta de computadores para durante uma semana construírem os seus próprios websites sob a vigilância afectuosa de John Perry Barlow. Exactamente ao mesmo tempo mas noutra parte da cidade (na FIL) tinha conseguido colocar na lista de convidados do Multimédia XXI (hoje Congresso das Comunicações) o Derrick de Kerckhove e o Roy Ascott. Com a Expo98 a acontecer, os bares deixaram de ter hora para fechar. Do meu ponto de vista, Lisboa estava efervescente, lol.


Para terminar o século XX, a Associação Terràvista e a Akademia Luso-Galátika juntaram-se para realizar o “Festival do Fim” no Lux-Frágil, com conferências, performances e muita música (inesquecível! o concerto dos Coldcut). Vamos deixar, para já, de fora desta resposta os festivais que organizei no séx. XXI, já que pertencem a outro contexto, ao pós-apocalipseJ Em termos de viagens e explorações, na segunda metade dos anos 90 tornei-me cliente habitual de vários festivais: Art Futura (Madrid), CyberConf, Doors of Perception (Amsterdão) e Milia (Cannes). Ao longo dos anos fiz alguns amigos que de uma forma ou outra me acompanham até hoje. Valerá a pena só referir as coisas ou pessoas que me espantaram…

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Na CyberConf 96 conheci o José Bragança de Miranda e o Olu Oguibe, com quem continuo a trabalhar. Também lá estavam Manuel de Landa, Andreas Broeckmann, John Perry Barlow, Sandy Stone e Marcos Novak, só para referir aqueles que acabei por trazer a Portugal. Seguiu-se Oslo em 97 e a última CyberConf, em 1998, em Budapeste, onde conheci o Tim Boykett da Time’s Up. A CyberConf tinha um grupo de seguidores muito fiel e era, indubitavelmente, o acontecimento mais selvagem da cibercultura. Em Budapeste realizou-se num matadouro desactivado, gigantesco, bem à escala da economia planeada comunista, não sem antes um padre Hare Krishna ter realizado uma cerimónia de purificação do lugar. Misturou-se transexualidade (que giro, o dicionário do Word não reconhece esta palavra) com drogas, com alienígenas (que supostamente teriam inventado a Internet para controlar as actividades dos humanos) e a Sandy chegou mesmo a interpretar uma espécie de karaoke lésbico, à falta de melhor descrição.


Do primeiro Art Futura95 recordo-me particularmente do Mark Dippé (ILM) o mago dos efeitos especiais que lamentavelmente nunca consegui trazer a Portugal, e de uma festa numa antiga fábrica de cerveja nos arredores de Madrid, com os The Future Sound of London tocando a milhares de quilómetros de distância algumas faixas do álbum que viria a intitular-se “ISDN”, tal como a tecnologia usada para a transmissão. No ano seguinte, conheci o Roy Ascott e o Derrick de Kerkhove, que nos visitam regularmente, o Léo Ferreira, um português que nunca tinha visto Portugal, e o casal Mark Frauenfelder e Carla Sinclair, os divertidos editores da boingboing.

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Em Amsterdão, o Doors of Perception  estava mais ligado ao design mas discutia assuntos que me interessavam, tal como o tema “Play” em 1998. Boquiaberto, com o Frank Boyd a meu lado avidamente a tomar notas, assisti à primeira recitação de “An Incomplete Manifesto for Growth” pelo Bruce Mau. O Frank enviou-nos por email as 43 regras mas o Manifesto acabou publicado no mês seguinte na revista i-D. Como bem sabes, é um dos meus textos “filosóficos” preferidos. Entretanto, a conferência final foi do Toshio Iwai, que acabava de chegar de Lisboa, vindo da inauguração do CiberFestival no CCB. Foi, simplesmente, encantatório. Se bem me lembro, a minha única decepção foi a ausência do Danny Hillis. O festival seguinte teve por tema a leveza, “Lightness”, um dos temas  também de “Six Memos for the Next Millenium”, de Italo Calvino, que acabara de ler. Ficou na memória a apresentação de “Slight, Sparse, Scant and Airy” pelo Bruce Sterling e uma escapadela ao V2 de Roterdão para uma performance do Atau Tanaka. Já o Milia sempre foi uma feira comercial, e o que lá me levou foi o pão para a boca. Mas foi em Cannes que conheci o Douglas Adams, à mesa com o John Perry Barlow, já com champanhe a sair-lhes pelas orelhas. Faziam uma dupla terrível. Só um universo cruel é capaz de nos privar do autor de The Hitchhicker’s Guide to the Galaxy. Cheguei a convidá-lo para vir a Lisboa, mas ele faleceu por essa altura.


Andei por alguns outros lados, desde o World Congress On Information Technology (Bilbau) ao Ars Electronica (Linz), dos Multimedia Labs aos workshops da Wired em Nova Iorque. Tentando terminar por ora com a questão que colocas da articulação entre o que vi lá fora e o que fiz, é óbvio que aprendi alguma coisa sobre como organizar eventos; como seleccionar o que deve ser discutido e com quem. A verdade é que na maior parte dos casos diverti-me imenso, conheci pessoas fantásticas, ouvi coisas assombrosas. Trazer essas coisas e essas pessoas para Portugal, promover ligações, foi um modo de prolongar amizades e partilhar essa riqueza adquirida.




DR BAKALI NA MOUSELÂNDIA
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Com um estilo de escrita caústico e veloz inspirado pelas tropelias de uma vida pulverizada por inúmeros acontecimentos ciberdigitais, dr Bakali é um compulsivo produtor de eventos culturais e experiências lúdicas que misturam estratégias reais e virtuais. Quem lhe é próximo nota que já nem sequer distingue competentemente entre uma coisa (o real) e outra (o virtual). Às vezes fala de si mesmo na terceira pessoa e sonha criar uma religião dedicada à estética digital que tenha como patrono Marshall McLuhan. Bem-vindo à Mouselândia!


ASSIM NASCEU O REPOLHO_WIISPORTS
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Ora, isto estar casada com um case study ludológico tem muito que se lhe diga. Quinta-feira o gamer Repolho chegou a casa com a nova consola da Nintendo. Fiquei eufórica! Sexta-feira teve início o primeiro match do casal. Antes de montar a consola fomos ver o filme Babel de Alejandro González Iñárritu. As expectativas eram elevadas e embora tenha gostado bastante dos filmes anteriores do realizador, 21 Gramas e Amores Perros, Babel, acabou por ser uma espécie de desilusão cinematográfica. Voltámos para casa por volta das 22h e montámos a consola. Ficámos até às duas da manhã a treinar depois de construirmos os respectivos Miis (avatares). Assim nasceu o Repolho, um black de cabelo crespo, tipo capacete e óculos espelhados vermelhos que veste camisola cor-de-laranja. A Mouse ou Mouselin, como preferirem, já tinha nascido, em Paris no mês passado, e tem cabelo negro, óculos escuros e camisola verde alface.

Sábado, foi literalmente a jogar WiiSports o dia inteiro. Arrasada pelos 33 anos da prova física do Repolho, contra os meus persistentes 61 anos (sou péssima no baseball), com o lado direito do corpo a dar os primeiros sinais de exaustão, lá consegui melhorar no bowling e acabar por achar que é um dos mais giros desafios da WiiSports. Continuo fã do ténis, do boxe e agora também do bowling e talvez possa vir a nutrir um certo entusiasmo pelo golf. Jogámos tanto a tentar superar os pontos de experiência um do outro que ao final da tarde os meus músculos (deltóides, bicípites e tricípites) do lado direito estavam em papa e todo o corpo denotava um certo excesso de exercício físico. Consegui fazer uma ferida num dedo (que me doeu bastante) a jogar bowling pois não medi bem a distância e fui contra um aquecedor. Continuei, no entanto, a jogar tal era a sensação de leveza e desafio que me estava a ser proposta. Note-se que prescindi de muitos fins-de-semana para trabalhar na tese e a liberdade de poder dedicar um fim-de-semana inteiro à nova consola da Nintendo ainda é uma novidade para mim. Jogámos até à exaustão total e no final da tarde decidimos ir ao cinema ver o Déjà Vu de Tony Scott, um interessante argumento muito bem dirigido assassinado por alguns pormenores inconsistentes e demasiado óbvios. Na bilheteira uma senhora criticava (com razão) a falta de profissionalismo na escrita dos anúncios dos filmes: A Rainha de Stephen Frears tinha um acento no i e Déjà Vu não tinha acentos

Domingo (hoje), o meu corpo já resistia com dificuldade a um jogo de ténis com principiantes. No bowling ainda conseguia um score aceitável e alguns strikes triplos mas cada bola lançada parecia que ia levar consigo o meu braço direito totalmente dormente. Tive que parar cheia de pena depois da prova física do dia. Mais 61 anos para a média! Raramente me senti tão fisicamente massacrada e só recordo nos últimos anos duas situações parecidas: a minha semana de aprendizagem de snowboard e um tracking de treze quilómetros na montanha. Dores musculares por todo o lado e os membros precisavam de auxílio para se movimentarem. Enquanto isso, o Repolho, nove anos mais velho do que eu, sem qualquer sinal de cansaço ou dor física, talvez um pequeno toque no pescoço lá continuava a jogar partidas de ténis com oponentes com experiência de 1000 pontos. O Repolho, uma aptidão inapta para qualquer tipo de consola e jogo no final do dia já manipulava e respondia com os dois jogadores em campo…

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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
BORAT, O PAROLO GLOBAL_ por Rafgouv
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Borat de Larry Charles é mais um exemplo da excelente forma da comédia regressiva americana, género que adquiriu nos últimos quinze anos uma notável maturidade artística (as obras primas dos irmãos Farrelly) e comercial (enorme sucesso dos serials American Pie ou Austin Powers). Sob a capa da farsa gratuita, por detrás da poeira de uma realização que parece preguiçosamente limitar-se a um longo reportório de encenações “candid camera”, esconde-se um dos filmes mais subtis que vi nos últimos tempos.

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BORAT É UM APÁTRIDA

Borat Sagdiyev é um jornalista originário do Cazaquistão, país longínquo e de localização incerta para os ocidentais. O filme não pretende ser mais do que o programa de televisão realizado durante a sua descoberta dos Estados Unidos, “o maior país do mundo”. Essa aparente modéstia chega para justificar o aparente desleixo do realizador: a textura de Borat é ela própria determinada pelo fantasma de uma reality tv do pobre (como se não houvesse de facto direcção artística ou trabalho fotográfico, como se se tratasse simplesmente de uma empresa de exaltação da improvisação e de rejeição de qualquer rigor criativo). Visualmente, o filme aparece como uma espécie de “grau zero” da criação cinematográfica e televisiva.

No entanto, se culturalmente os Estados Unidos representam os antípodas do Cazaquistão, o repórter “de leste” vai assumir a sua missão com a candura característica do herói cómico americano. O filme começa com uma rápida descrição do país de origem de Borat. Um país cujo desporto nacional é a “largada de judeus”, onde o incesto é moeda corrente, em que as mulheres são todas megeras, putas ou espancadas e onde os carros são puxados por cavalos... À primeira vista podemos pensar que a maldade é demasiada e que nenhum cidadão de nenhum país (excepto talvez os vizinhos do Cazaquistão) poderia deixar de se sentir incomodado com tão desagradável retrato. No entanto, se o exagero não bastasse para confirmar que se trata de um país imaginário, algumas pistas substanciais abundam no sentido de que o país retratado não é (só) o Cazaquistão. Borat exprime-se em polaco e em hebreu (!), língua dos semitas que tanto o repugnam, e as sequências pretensamente passadas no Cazaquistão foram filmadas na Roménia...

Quando o filme migra para os Estados Unidos, a maioria das situações cómicas são criadas pela confrontação e pelo contraste entre dois modos de vida, duas culturas. Assim, Borat desconhece as regras de funcionamento de objectos quotidianos tão corriqueiros como retretes, hotéis, elevadores ou “dildos”. O melhor exemplo desta estratégia é a sequência que intercala a entrevista com a conselheira em etiqueta e o jantar burguês onde Borat acumula as inconveniências até ao apogeu com a entrada em cena de Luenell e a consequente expulsão de ambos.

À medida que o filme avança vamos descobrindo que cada um dos clichés – anti-semitismo, misoginia, superstição, terror do vizinho... – que caracterizam os habitantes do “Cazaquistão” está também de alguma forma presente nos cidadãos dos Estados Unidos: jovens universitários, burgueses, evangelistas ou simples peões nova-iorquinos, todos eles assimilaram, as mesmas “taras” que os habitantes do “Cazaquistão” assumem apenas mais brutalmente.

A utilização de estereótipos étnicos ou nacionais é frequentemente uma solução de facilidade e lugar-comum de uma certa comédia “de situação”, mas a verdade é que todos os países dispõem de um arsenal de piadas xenófobas com as quais desvalorizam os seus “estrangeiros” mais ou menos distantes. Borat é uma feroz desmontagem deste mecanismo: à medida que o repórter mergulha na realidade profunda do “maior país do mundo” (Borat é também um road-movie), constatamos que, mais do que a cultura, algo que o separa da América burguesa e bem-pensante é a riqueza. Tal desmontagem é tão mais admirável quanto a crueldade intrínseca da personagem impede, apesar da sua desarmante candura, qualquer pieguice ou vitimização. Paralelamente, o filme jamais utiliza o expediente grotesco que consistiria em sobrecarregar a caricatura dos americanos para melhor vincar a fragilidade do protagonista. Larry Charles não tem a comprometedora má-fé de um Michael Moore. Mesmo nas sequências que seriam desse ponto de vista mais arriscadas (rodeo ou missa evangélica), as personagens parecem, todas elas, sempre muito menos sinistras do que as palavras que dizem, do que os gestos ou rituais que executam.

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BORAT É UM PUTO ORDINÁRIO

Os países ditos desenvolvidos assumem frequentemente uma postura paternalista em relação àqueles que qualificam de “menos avançados”. Assim, uma boa parte das personagens americanas de Borat assume plenamente o seu papel educativo e dispensa ao nosso herói autênticas lições comportamentais, morais, religiosas ou desportivas... O protagonista assume por seu lado o papel de cândido bem-intencionado mas totalmente desastrado.

No cinema burlesco dos primórdios (mudo), o desastre é na maioria dos casos sinónimo de apoteóticas proezas acrobáticas (equilibrismo, arremesso de tartes e outros objectos, intermináveis perseguições...). Borat prolonga essa tradição (sequências do Bed & Breakfast judeu, do rodeo ou do rapto de Pamela Anderson) com uma timidez que é apenas aparente (nomeadamente graças a uma realização que jamais desmente o seu “parti-pris” de televisão “cheap”). Se não podemos, como veremos em seguida, considerar que Borat é uma personagem menos “física” do que os seus antepassados burlescos, é inegável que o humor a que o filme recorre com mais frequência é um humor da linguagem: inglês macarrónico, mal-entendidos, duplos sentidos... De um lado aqueles que ornam a sua expressão com o verniz do politicamente correcto, e face a estes o herói que se exprime e, mais importante, que compreende apenas o sentido literal do que lhe é dito: para Borat, uma retrete é um lavatório, um “dildo” é (apenas) um brinquedo, um elevador é uma assoalhada mas, mais grave, um judeu é uma terrível criatura mágica e maléfica e uma “bimbo” é pouco mais do que uma boneca insuflável. Na cena do Bed & Breakfast: o cómico nasce da contradição entre um casal de velhinhos inofensivos e o terror infantil que provocam graças aos poderes prodigiosos que o imaginário anti-semita lhes confere. A infantilização do protagonista é a condição que viabiliza a nossa reacção hilariante às enormidades que pronuncia.

Se os preconceitos culturais primários do herói revelam a sua ignorância não é só esta que determina a sua infantilidade. Para Borat, a palavra está cingida ao corpo e o humor escatológico que caracteriza a comédia regressiva domina o filme. Não é de resto apenas a palavra que confirma a infantilidade do herói mas num sentido mais vasto a sua oralidade, como mostram as repetidas beijocas com que aterroriza muitos dos recém-conhecidos ou a sequência apoteótica de luta com Azamat que culmina num insólito momento de exploração lábio-testicular.

A tensão entre uma “oralidade” infantil e o corpo do actor Sacha Baron Cohen (Borat) é também um importante factor cómico. Assim, a pilosidade do herói revela-se uma espécie de contraponto físico aos tabus escatológicos que infringe oralmente. Simetricamente, o corpo refeito, encerado, de Pamela Anderson é o equivalente físico do verniz bem-pensante com que os ocidentais disfarçam os seus discursos. Não é por acaso que a prostituta obesa Luenell está condenada, como Borat ou Azamat, a uma existência de pária no “maior país do mundo”: como o país de origem do herói não é verdadeiramente o Cazaquistão, o país visitado não é tanto os Estados Unidos mas o país mental dos cânones morais, culturais e estéticos dominantes. Neste sentido, não podemos deixar de assinalar a admirável adequação entre a textura formal – falsamente improvisada – do filme e a crítica que contém.

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BORAT É UM CHARLOT

Vimos que tanto Borat e Azamat como a americana Luenell são, ou transformam-se em, marginais aos olhos duma sociedade que apenas sabe assimilar quem tem dinheiro, aparência e maturidade. O estrangeiro, o emigrante, o desenraizado não é só aquele que se transportou para outro país mas principalmente o marginal, o pária apátrida, a órfã solitária, o puto abandonado. No mundo do cinema, este é o país de Charlot.

Sem querer forçar demasiado as semelhanças, Charlot encarnou em obras como The Immigrant ou The Gold Rush (para não ser exaustivo) com pelo menos tanta ferocidade (e sem dúvida com bem menos candura [1]) o confronto entre a opressiva cultura dos burgueses e a subversiva anarquia da falta de sofisticação. Por detrás dos bons sentimentos com que temos tendência a identificar, erroneamente, a figura de Charlot, quantos pontapés no cu, quantos gestos fatais, quantas duvidosas operações de sedução, em suma quantos crimes não cometeu o homem da bengala? Minoritário, desprotegido ou mesmo oprimido, o estrangeiro de Chaplin nunca foi um simples inocente.

Borat partilha com o ícone de Chaplin um emblemático bigode e um fato (embora de cor clara) identitário que raras vezes troca ou despe. A herança é aliás duplamente assumida quando Azamat se traveste em herói de The Great Dictator. Não se trata apenas de herança figurativa encarnada pelo bigode ou pelo estereótipo do emigrante, mas de uma herança que é praticamente “genética”: enquanto Chaplin em The Great Dictator é ao mesmo tempo Charlot e Hitler, a personagem de Sacha Baron Cohen é simultaneamente hebreu e anti-semita.

Num ano em que tanto se falou de limites da liberdade de caricaturar, a estreia de um filme que critica tão radicalmente o carácter estritamente convencional das fronteiras culturais é particularmente salutar. As diversas ameaças de que foi vitima o seu protagonista Sacha Baron Cohen servem sem dúvida a publicidade do filme, mas não podemos deixar de reconhecer que este inglês confirma, depois de génios mais ou menos consagrados como Jim Carrey ou Johnny Knoxville, que o burlesco, essa arte circense que não existe sem risco da integridade física dos seus intérpretes, está em mãos que sabem sacudir.

Podemos no entanto perguntar-nos o que teria acontecido se o filme, em vez de mostrar um cidadão do Cazaquistão nos Estados Unidos, mostrasse um iraniano em Portugal.

[1] A candura tornou a ser um dos traços mais frequentes do herói cómico americano após o advento do sonoro graças a realizadores como Hawks ou Capra e a actores como Cary Grant ou James Stewart.

Rafgouv


RAFGOUV NA MOUSELÂNDIA
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Desde a criação deste espaço, Rafgouv tem salpicado a Mouselândia com comentários diversos e variados, mais ou menos polémicos, mais ou menos provocatórios mas sempre estimulantes. Pop-culturista simultaneamente erudito e diletante, apaixonado de cinema, literatura, filosofia, música e, claro, vídeo-jogos, Rafgouv é um globe-trotter, infatigável na pesquisa de paraísos reais e artificiais. É também, a partir de agora, um dos nossos colaboradores. Bem-vindo à Mouselândia!


OGAME_TORNA-TE COMANDANTE E CONQUISTA O UNIVERSO!
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Fui introduzida ao OGAME pelo gamer Correto e tenho andado deliciada a construir a infra-estrutura do planeta mouseland no Universo 17. Faço parte da aliança SPACE INVADERS e o nosso fito é conquistar o UNIVERSO! Somos três jogadores. A ideia é começar a desenvolver metal, cristal e deutério para assim comprar recursos suficientes para saquear outros planetas ou, em alternativa, fortalecer as defesas e gerar riqueza. Assim, permitir boas relações na aliança entre planetas da qual se faz parte é essencial e existe bastante cooperação entre os membros. O planeta para se desenvolver deve adquirir recursos tecnológicos como, por exemplo, desenvolver o laboratório de pesquisas ou adquirir uma fábrica de robots. O planeta mouseland ainda é considerado "novato" e apenas amealhou até ao momento 43 pontos embora esteja a jogar há mais de uma semana. Este jogo on-line para múltiplos jogadores funciona como um work in progress e se no início parece bastante esotérico conforme se vai desenvolvendo começa a fazer mais sentido e tenho a sensação que estou perante um ecossistema ou jardim que se rega um pouco todos os dias. O playground lúdico fica a evoluir ao sabor da produção das minas e dos recursos e de vez em quando dá-se uma olhada para ver e decidir o que comprar a seguir e que estratégia adoptar. Uma experiência curiosa onde as tácticas adoptadas jogam um papel decisivo na evolução das regras. Os meus agradecimentos ao gamer Correto por me ter introduzido ao Universo 17 e por me ter prestado os esclarecimentos necessários à minha participação no OGAME.

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