Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
ARTE ELECTRÓNICO_INTERPARLA 2008
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Fazer o relato dos quatro dias do Interparla 2008 a que assisti não é simples mas vou tentar uma exposição breve dos acontecimentos em dois ou três posts. No dia 11 inaugurou a extensão “Arte Electrónico” na Biblioteca Antigua junto ao centro cultural. Neste espaço estavam quatro instalações: “Xtrámboli” um projecto de José Ramón Da Cruz, “Nómadas” de Montse Arbelo Y Joseba Franco, “Fugue Kronostruktur Fur Drei SCR [#1]” de Jaime Munárriz Ortiz e “o Jogo ou Dilema do Prisioneiro” uma instalação minha e de Ivan Valadares. À excepção do prisioneiro, que implicava uma acção do participante para ser possível qualquer visualização, todas as outras peças se baseavam em propostas vídeo transpostas para ambiente digital. Em “Xtrámboli” o autor reflecte sobre os novos contextos científicos e ambientais os quais potenciam a mutação de alguns sentimentos humanos e dificultam a distinção entre realidade e ficção. Os “Nómadas” apresentam as suas viagens reais durante dois anos pelo Oriente e pelo Ocidente e assim propõem uma argumentação que se baseia na incapacidade de hoje distinguir as diferentes formas culturais devido à enorme mistura existente. Múltiplas realidades vistas através de um jogo de espelhos que os autores tentam ordenar em mais de 50 horas de gravação vídeo e milhares de fotografias. Em “Fugue Kronostruktur Fur Drei SCR [#1]” investiga-se a relação entre forma visual e forma musical através de três ecrãs de computador que mostram texturas abstractas de nuvens e outras representações e que formam um plano sempre em movimento de densidades sonoras. Sobre o prisioneiro já falei aqui.

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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008
INTERPARLA 2008_GO!
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O festival Interparla, 6º Festival de músicas do mundo e de novas propostas, decorre entre Janeiro e Fevereiro em Espanha e vai reunir um conjunto de artistas interdisplinares, músicos e empresas da área digital, cinema e audiovisual. Este ano o festival recebe, como país convidado, uma delegação portuguesa. Neste contexto, surgiu a instalação, o “jogo ou dilema do prisioneiro”, uma variação sobre um problema amplamente estudado na matemática e que se relaciona com a cooperação entre oponentes. O comportamento cooperativo normalmente depende de um certo altruísmo e pode ter uma importância fundamental para a compreensão das interacções em rede (Lindgren & Nordahl; 2000: 15). O dilema ou jogo do prisioneiro surge como um jogo de soma diferente de zero onde o total dos pontos distribuídos entre os jogadores depende das acções escolhidas durante a experiência lúdica. As acções têm como resultado ou objectivo a maximização dos pontos e não tanto a questão de vencer o oponente. Este jogo tem a seguinte estrutura: deparamos com dois reclusos que foram aprisionados sob a suspeita de que cometeram um crime em conjunto, a menos que um deles confesse não há forma de lhes atribuir uma sentença. O responsável pela sua prisão oferece um prémio a quem confessar o crime. Se um dos prisioneiros confessar o crime o outro terá uma sentença pesada. Se ambos confessarem o delito serão aprisionados mas por menos tempo. Finalmente, se ambos se mantiverem calados serão libertados por falta de provas.

A instalação o “jogo ou dilema do prisioneiro” é uma interface lúdica e foi criada em conjunto com Ivan Valadares. Esta instalação tem três níveis distintos (labirinto, questionário e combate) e estimula os participantes a agirem de forma cooperativa numa interacção mediada por dois joysticks e um ecrã de computador projectado. O jogo é rápido e requer perícia diplomática, hehehe. Go!


“3:10 TO YUMA”
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O tempo livre da época de Carnaval foi passado no cinema. Isto enquanto não estive a trabalhar, claro! Ora, depois do magnífico registo gore musical de Tim Burton, já aqui tratado por rafgouv, e ainda antes do pastelão de Sean Penn, já aqui também registado, fui ver o competente western, O Comboio das 3 e 10 (3:10 to Yuma) realizado por James Mangold (2007). O filme relata o encontro entre Ben e Dan, respectivamente um bandido e um pai de família. Um deles quer a liberdade, o outro, pretende transportar o bandido à prisão e assim ganhar o respeito do filho mais velho bem como uma recompensa monetária. A luta pela subsistência económica do seu rancho coloca Dan Evans (Christian Bale) em confronto com Ben Wade (Russell Crowe), um veterano da Guerra Civil versus um fora-da-lei numa manobra atribulada para escoltar o bandido ao comboio que o levará à prisão. Bem feito e com uma excelente banda sonora o filme mata saudades do género embora tenha um final um bocado estapafúrdio. Digam o que acharam se forem ver. Eu confesso que dormitei um bocadinho, infelizmente. Ah, o filme é um remake de 1957!
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008
“O LADO SELVAGEM”_UM FILME CHATO CHEIO DE MITOLOGIAS
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O Lado Selvagem (Into The Wild) realizado por Sean Penn (2007) é um filme chato e bastante tonto. Um pastelão daqueles que duram, duram e nunca mais acabam. Boas paisagens num retorno ao mito do bom selvagem mascarado de bons costumes e intenções. A Natureza com “N” grande por oposição à civilização e à vida em sociedade num discurso sobre o lado selvagem da vida de um vagabundo. O menino rico, a biografia de Christopher McCandless foi primeiro trabalhada pelo jornalista Jon Krakauer, que recusa a vida em sociedade para se aventurar no Alasca e assim acaba por morrer intoxicado por umas “ervas” (plantas) que interpretou de forma errada a partir de um livro de espécies vegetais. Depois de deambular entre comunidades hippies, descer rápidos de canoa e penar de fome num autocarro o rapaz, num processo de grande iluminação, compreende que a verdadeira felicidade tem que ser partilhada. Uau! Uma sabedoria da vida natural agora apadrinhada por Sean Penn num registo tremendamente naif e repleto de mitologias sobre o que há ainda de natural na natureza. Perigosas colagens a discursos sobre a globalização e afins fazem do filme um equívoco tremendo.

A história real do rapaz que se desembaraça de dinheiro, objectos e família para ir à descoberta da experiência da vida selvagem foi trabalhada pelo jornalista, Jon Krakauer, numa narrativa da glorificação do capricho. Logo na altura da morte do jovem de vinte e poucos anos, como assinala Dóris Graça Dias no artigo “Aventura sem Guião” (jornal Expresso, caderno Actual de 26 de Janeiro de 2008): “(…) vários artigos de imprensa se dedicaram ao caso, enquanto parte da opinião pública considerava o tema secundário, pois o que estaria em causa era uma atitude irresponsável, de um jovem inadaptado e algo pretensioso, lançado numa aventura sem sentido e de consequências dramáticas, não fora a sua imaturidade. Heroísmos sem grandeza, portanto.”

Ao contrário desta facção da opinião pública que defendeu um certo bom senso em relação às narrativas “da vida real” outros lembraram-se de glorificar o rapaz e transformá-lo num poeta do espaço natural. Enfim… há gostos para tudo mas eu certamente alinho com a ideia de que este vagabundo de elite não tinha nada de especial para lá de uma incapacidade social que deveria ter sido devidamente diagnosticada. Sofríveis são as alusões familiares aos traumas que torturaram a consciência frágil daquele jovem. Afinal, vamos percebendo que o pai e a mãe do “menino” selvagem não reconheciam a relação que tinham um com o outro o que fazia dos filhos, Christopher e uma irmã com quem este tinha uma boa relação, bastardos (!!!). Os pais do rapaz discutiam imenso à frente dos filhos e viviam atormentados pelo trabalho. O filme é um mundo às avessas que faz de uma família normalíssima um lugar de inquisição da realidade num movimento que tenta glorificar o lado “wild” do filho para condenar os pais como demasiado “normais”. Não é infantil esta história? Já não há saco para estas narrativas! O filme vale pela cena do urso que aparece para atormentar o viajante. Esperto, como só os ursos sabem ser, ignora completamente aquela criatura. E eu que estava cheia de expectativas em relação ao filme...

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