Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
MOUSE NO BLOG OBVIOUS, UM OLHAR MAIS DEMORADO_3
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Mais dois textos provenientes da mouselândia estão a circular no blogue obvious, um olhar mais demorado. Numa época em que o design ganha cada vez maior ênfase e importância decidi recomendar, no primeiro texto, dois livros bastante interessantes que contextualizam bem os desafios que enfrentam os designers de comunicação num mundo contaminado pelos media interactivos, pela sociedade da informação e pelas indústrias culturais. Assim, apresentam-se os livros New Media Design de Tricia Austin e Richard Doust (Laurence King Publishers, 2007) e What is Graphic Design For? de Alice Twemlow (RotoVision, 2006). Ler mais aqui.

O segundo texto é sobre “o mundo mágico de Jan Kounen”, realizador holandês que tem desenvolvido trabalho em França. Para além dos documentários ali apresentados, Darshan (2006) e “Other Worlds, Ayahuasca Shipibo Science” (2007), Jan Kounen, realiza frequentemente spots publicitários, vídeos musicais e já assinou alguns filmes para televisão. Vale mesmo a pena conhecer o trabalho deste autor. Ler mais aqui.

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Domingo, 15 de Junho de 2008
MARK STEPHEN MEADOWS E A ECOLOGIA DAS EMOÇÕES ARTIFICIAIS
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Mark Stephen Meadows esteve em Lisboa o mês passado para uma conferência na Universidade Lusófona de Lisboa com o título “I avatar: who are we in the digital age”. O autor americano, que vive novamente em Paris e que já esteve em Lisboa em 2003 no âmbito da Experimentadesign, apresentou uma comunicação de aproximadamente uma hora seguida de debate. Nesta apresentação foram abordadas a história e a cultura do retrato para assim introduzir o software que desenvolve para a construção de personagens inteligentes. A tradição do retrato serviu a Mark Stephen Meadows para mergulhar o espectador na cultura digital e na produção de avatares em jogos como o Second Life. A comunicação centrou-se bastante no último livro do artista, I Avatar, the Culture & Consequence of Having a Second Life, e foi bastante estimulante na medida em que contextualizou a sua obra e ajudou a compreender como esta se revela bastante consistente na sua multiplicidade. Imagine-se a criação de um retrato a partir dos textos de um blog… Imagine-se a criação de um avatar a partir de cartas de uma pessoa morta… Psicologia e tecnologia podem transformar um artefacto mecânico numa representação com emoções? Sou muito céptica em relação às teorias da Inteligência Artificial mais centradas na consciência e associadas a relações desincorporadas do ambiente e tive oportunidade de discutir estas ideias com o autor. Nada conclusivo, claro está!

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A minha opinião está bastante formatada pelas teorias da Vida Artificial e da biologia de sistemas e afasta-se cada vez mais de aproximações mais top down, estas típicas das teorias da Inteligência Artificial. Veja-se, a título de exemplo, o texto que acompanha a conferência de amanhã no Instituto Superior Técnico: “Os projectos para criar “inteligência artificial” começaram por ser dominados pela ideia de que a inteligência está “dentro da cabeça” de um agente individual com capacidades superlativas de racionalidade calculadora. Isso equivale a três grandes esquecimentos da Inteligência Artificial clássica: o esquecimento do corpo, o esquecimento dos outros, o esquecimento do mundo. Esquecimento do corpo, porque sobrevaloriza o cérebro (artificial) como centro de comando, dando insuficiente atenção às dinâmicas corporais (percepção e acção, nomeadamente). Esquecimento dos outros, porque se concebe a inteligência em termos individuais (cada agente calcula isoladamente tudo o que há a fazer, com um investimento insuficiente na coordenação e mesmo cooperação com os demais agentes). Esquecimento do mundo, porque o agente é concebido para funcionar como se toda a inteligência estivesse nos próprios agentes, quando o nosso mundo (físico e social) tem vindo a ser estruturado ao logo de séculos por antecessores que o foram adaptando às necessidades e características da nossa espécie e ao nosso modo de vida, de tal modo que a sua organização e os instrumentos nele presentes contêm inteligência acumulada que deve ser tida em conta por agentes verdadeiramente inteligentes” (Silva, 2008). Mais informações aqui.

Infelizmente amanhã não vou poder ir à conferência Para uma Ecologia dos Ambientes Institucionais com o Professor Viriato Soromenho-Marques pois estou a dar aulas a essa hora mas dia 7 de Julho não vou faltar à última conferência do ciclo temático sobre a engenharia das sociedades humanas. As aulas já acabaram nessa altura. Gostava bastante de assistir à comunicação de amanhã uma vez que são assuntos que me interessam imenso pois esta aproximação cooperativa e emergente foi precisamente a que adoptei na minha tese de doutoramento que explora as teorias da Vida Artificial com possíveis aplicações às criaturas digitais no âmbito criativo.

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Voltando a Mark Stephen Meadows. Embora me custe a perceber algumas visões mais orientadas pela psicologia Mark é, quanto a mim, um dos autores mais diversificados e estimulantes da actualidade. Escreveu dois livros na área da narrativa interactiva e dos media participativos. É representado por galerias na Europa e nos Estados Unidos da América. Criou algumas empresas, nomeadamente a HeadCase Humanufacturing e em 2007 a Echo & Shadow, e ainda é conhecido pelas suas viagens e experiências como marinheiro. Neste caldeirão de actividades passa algum tempo a dar conferências e workshops e mantém o seu site actualizado. A comunicação do dia 30 de Maio ajudou a reconstruir um retrato ainda mais nítido das múltiplas personalidades de Meadows e como estas contribuem para uma obra muito coerente e experimental. Ali se demostrou como a actualidade segue uma longa tradição de representação e como essa mesma tendência está presente nas páginas de programas de edição como o myspace e na construção das diversas personagens que criamos para nos representarem no espaço digital. Mark Stephen Meadows tem planos para, no futuro, vir viver para Portugal. Por cá o esperamos. Até já.




Sábado, 14 de Junho de 2008
JESSE JAMES E ROBERT FORD, AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA?
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Não estava nada à espera mas gostei imenso do filme O assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007). Com uma enorme ambiguidade narrativa conta-se a história do bandido mais conhecido do oeste norte-americano. Jesse James e o irmão Frank James eram agricultores antes de se dedicarem ao crime tendo assaltado inúmeros bancos e comboios. Mataram algumas pessoas e segundo reza a lenda James tinha problemas nervosos que o levavam a perder frequentemente a cabeça.

Neste filme a história é contada de forma não-linear com avanços e recuos na progressão do enredo. Robert Ford faz tudo para pertencer ao bando de Jesse James porque tem uma admiração pelo bandido que o acompanha desde a mais tenra idade. No entanto, essa mesma admiração acaba por ser degradada pela forma como vê o “outro”, um espelho de si mesmo, sucumbir a comportamentos abjectos. Durante todo o filme somos levados a considerar que Jesse James era de facto louco e ao mesmo tempo não conseguimos deixar de nutrir uma certa admiração pela personagem. O mesmo acontece em relação a Robert Ford. Existe uma enorme ambivalência, conceito que nos remete para sentidos oposto mas válidos. Uma forma de ambiguidade termo “proposto pelo psicanalista Eugen Bleuler (Vortrag über Ambivalenz, 1910) e [que] foi depois redefinido por Freud. Está ligado na origem às atitudes e comportamentos humanos. Ocorre na atribuição de sentimentos opostos ao mesmo indivíduo. Casos comuns são os da ambivalência da aceitação e da rejeição, do amor e do ódio pela mesma pessoa (…). Na interpretação dos sonhos, verifica-se também que certos quadros possuem uma dupla significação: aqueles que despertam ao mesmo tempo o medo e o desejo de um mesmo objecto, por exemplo" (Carlos Seia, sobre a ambivalência).

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A personalidade complexa dos dois homens, Jesse e Robert, que fizeram parte da lenda e da história do fora-da-lei que é traído pelo amigo e companheiro de infortúnio é ali desmistificada e simultaneamente enaltecida. James, ora é um tipo sem escrúpulos ora um justiceiro que rouba aos ricos para dar aos pobres, tipo Robin dos bosques. Robert, ora é um fã incondicional da lenda (James), ora um cobarde frio e calculista que “vende” o amigo para conseguir fama. James teve direito a fotografia e a túmulo, Robert morre anónimo, é ridicularizado e esquecido. As duas faces da mesma moeda? O filme tem ainda uma direcção de arte e uma fotografia de grande qualidade cénica assim como uma banda sonora também excelente ou não estivesse envolvido Nick Cave. Casey Affleck supera as expectativas, faz esquecer Brad Pitt que também não vai nada mal. Adorei. Qualquer dia, em breve, vou ver outra vez.


“A 11ª HORA”_ UM MOMENTO IMPRESSIONANTE
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O documentário A 11ª Hora, a hora mais obscura da humanidade num momento impressionante produzido e narrado por Leonardo Dicaprio é interessante na medida em que, depois de quase uma hora de testemunhos algo inquietantes e deprimentes, provenientes de especialistas de renome na área da física, biologia, ciência, design, religião, como Stephen Hawking, David Suzuki, Sylvia Earle, Stuart L. Pimm, Bruce Mau, entre outros, se dão algumas pistas como produzir projectos que tenham em conta um crescimento sustentado. O documentário foi buscar inspiração ao filme de Davis Guggenheim com Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente”, cujo projecto ambiental é bastante considerado por Leonardo Dicaprio. Em A 11ª Hora introduz-se o espectador à problemática da degradação emergente do planeta Terra de uma forma combinatória através da perspectiva de vários especialistas de inúmeras áreas. Pela mão do actor americano as questões vão surgindo e os problemas associados com o enorme aumento da população no mundo vão sendo diagnosticados para depois se darem algumas pistas sobre o que individualmente podemos fazer para mudar o estado das coisas. 

O mais curioso deste documentário, para além das diversas opiniões apresentadas, é a forma como se propõe um modelo que tenha em consideração o design biológico das criaturas naturais no sentido de se tirarem algumas pistas para aplicação no design artificial de projectos sustentados do ponto de vista ecológico. Neste contexto, considera-se que observar a forma como a natureza constrói as suas criaturas “vivas” pode ser uma maneira eficiente de respeitar o mundo natural e viver em harmonia com este. Com uma mensagem que pode ser, por vezes, considerada próxima das perspectivas ambientalistas hippies e que poderia prescindir das imagens de casais ao pôr-do-sol, o filme mostra como essas ideias têm aplicação prática no design das tecnologias que criamos. Como diz Bruce Mau no seu site e que seria bem aplicado à mensagem de A 11ª Hora: “Não é apenas sobre o mundo do design é sobre o design do mundo” e assim se pode “usar o poder e a promessa do design para criar um futuro melhor para os nossos clientes, estúdios [ateliers ou escritórios] e planeta” in Bruce Mau Design.

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Podemos ainda considerar que este documentário apresenta uma visão neutra do ponto de vista político, sendo quase apolítico, embora coloque a globalização como o fenómeno responsável pela degradação exponencial do planeta. Adopta, no entanto, uma concepção algo misturada entre consumo para massas e globalização. Este aspecto é, a meu ver, o lado menos interessante e simplista do documentário pois acaba por misturar no mesmo saco o facto dos países mais desenvolvidos consumirem exageradamente, com uma mensagem muito centrada no caso americano, a páginas tantas critica-se o poder que os americanos têm para trabalhar para consumir, e a hipótese, quanto a mim inerente ao projecto da globalização, de sobrevivência nos países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas também neste aspecto o filme acaba por alertar para a necessidade de olharmos mais para a realidade dos países pobres e adoptarmos um discurso que altere o paradigma da revolução industrial, que coloca a natureza como recurso infinito, para um paradigma sustentável de respeito pelas formas “vivas”.   

Neste documentário considera-se que o problema não é extinção do planeta azul, pois este tem todo o tempo do mundo, mas a extinção da espécie humana e de muitas outras espécies que não estão no topo da cadeia alimentar como o ser humano. Aprender a viver em harmonia com a natureza requer uma alteração profunda de algumas crenças e mitologias: a economia como crescimento infindável, o envelhecimento da população, o aumento da esperança de vida como dado adquirido, entre muitas outras pistas e possíveis deslocações de mentalidade. Uma reflexão sobre aquilo que, como indivíduos, podemos ir fazendo para ajudar a sigla verde.


Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
“TROPA DE ELITE”, EM TODO O LADO O DIABO ESPREITA

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Finalmente tive oportunidade de ver o polémico filme brasileiro Tropa de Elite (José Padilha, 2007). Polémico, por um lado, não só pelo tema abordado, as imensas sinergias entre polícias e traficantes no Rio de Janeiro, mas também porque, segundo algumas curiosidades disponíveis no portal Adoro Cinema, os traficantes do morro Chapéu Mangueira, onde se realizaram as filmagens, raptaram parte da equipa de produção do filme e algum material cinematográfico. Polémico, por outro lado, porque cópias piratas deste documento circularam no Brasil antes da estreia do mesmo. Um conjunto de circunstâncias que despoletaram alguma curiosidade em relação ao filme e que ajudaram sem dúvida à promoção deste. Ora, não posso deixar de confessar que dadas as circunstâncias estava bastante céptica em relação a Tropa de Elite e foi com alguma surpresa que descobri um filme interessante.

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Originalmente um projecto de documentário sobre o BOPE, polícia de elite do Rio de Janeiro, e sigla que literalmente quer dizer Batalhão de Operações Policiais Especiais, este filme recebeu as contribuições de Rodrigo Pimentel, que escreveu em parceria com o sociólogo Luís Eduardo Soares o livro “Elite da Tropa”. Embora o realizador recuse considerar que houve uma adaptação do livro teve o cuidado de preparar meticulosamente o documento em questão através de investigações que incluíram a contribuição de polícias, psiquiatras da polícia e ex-traficantes. A verdade é que o filme consegue, quanto a mim, produzir uma reflexão algo aberta sobre a ineficiência e corrupção policial bem como sobre o relativismo inoperante de uma ONG a trabalhar na favela ali apresentada. O relativismo multicultural é ironizado de forma algo subtil na maneira como se colocam os estudantes de direito, que abordam e interpretam a obra de Michel Foucault, Vigiar e Punir, e que transformam a polícia em demónios, em paralelo com a vida na favela onde vão fumar charros. Tudo isto misturado num caldeirão que não ignora o stress vivido pelos agentes da polícia que tentam não sucumbir à corrupção. Em todo o lado o diabo espreita, diria talvez Nietzsche. Um filme que dá que pensar e que recebeu um Urso de Ouro no Festival de Berlim.
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“OKAMI”, A ALDEIA KAMIKI, O LOBO AMATERASU E O PINCEL CELESTIAL
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Era uma vez uma aldeia chamada Kamiki onde os moradores, plantas e animais viviam felizes e em paz até que um dia um monstro, de nome Orochi, enfeitiça a terra e o ambiente transformando o que outrora era florido num terreno amaldiçoado e repleto de criaturas malignas. A única esperança é o deus sol, incorporado num lobo herói de nome Amaterasu, que com o seu pincel divino, guiado pela mão do jogador, pode ajudar a salvar o lugar. Esta é a narrativa base do jogo Okami (Capcom, 2006). Este jogo, apresenta um espaço bastante interessante do ponto de vista da ilustração e uma história consistente que pode ajudar os mais novos a perceber alguma coisa sobre desenvolvimento sustentado. A ideia é matar os monstros da linhagem de Orochi e devolver a vida ao território usando um pincel como instrumento de recuperação ou reabilitação daquilo que antes era saudável. O “pincel da natureza” é uma metáfora curiosa no sentido em que dá ao dispositivo de jogo uma capacidade expressiva e que permite uma maior incorporação gestual no mecanismo de acção-reacção da simulação lúdica.

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No entanto, ao fim de algum tempo a matar monstros e a recuperar o meio ambiente o jogo torna-se cansativo e por vezes bastante redundante. Um design de interface que usa a metáfora do pergaminho e é algo confuso e uma jogabilidade por vezes pouco intuitiva, onde temos que repetir inúmeras vezes as mesmas provas para progredir, leva o jogador a uma experiência frustrante. A prova das cenouras brancas foi para mim deliciosa e aditiva mas a dança do mister Orange e a repetição narrativa para chegar à acção levaram-me a desistir do jogo. Okami é diferente do habitual em termos visuais e na forma como requer o manuseio do pincel mas ao fim de algumas horas torna-se bastante enjoativo. Podem consultar o site do jogo para explorar este ambiente cheio de poções, poderes sobrenaturais e boas intenções mas que não são suficientemente consistentes para fazer um jogo estimulante na sua globalidade. Penso que os treze movimentos do pincel celestial devem funcionar muito melhor numa consola como a Wii mas a versão do jogo que joguei é para a Playsation 2. Agradeço ao Ricardo por me ter emprestado o Okami para explorar e aos meus alunos por me terem falado do mesmo de forma tão entusiasta pois vale a pena dar uma vista de olhos sobre estes ambientes orientais tão distintos dos produzidos no ocidente.
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Domingo, 1 de Junho de 2008
CÉLULAS E CORPOS SEM PLANO. VIDA ARTIFICIAL E EMERGÊNCIA
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Na quarta-feira passada fui ao complexo interdisciplinar do Instituto Superior Técnico assistir à conferência “Como as células constroem um corpo sem terem um plano” proferida por Jorge Carneiro, investigador no laboratório associado de Oeiras, coordenador do laboratório de biologia quantitativa do organismo e director do programa de doutoramento em Biologia Computacional do Instituto Gulbenkian de Ciência. Esta conferência está inserida num vasto painel de comunicações sob o tema “das sociedades humanas às sociedades artificiais” e foi comentada pelo professor Joaquim Sampaio Cabral, catedrático de engenharia bioquímica no departamento de engenharia química e biológica do IST. 

A conferência foi mesmo muito interessante e foram apresentadas questões fundamentais para quem como eu gosta de pensar e reflectir sobre a simulação artificial de criaturas “vivas” digitais (avatares e non-player-characters ou NPC’s) e analógicas (robots). Partindo da questão inicial “como é que as células conseguem construir um corpo e organizar-se de forma especial através de um fenómeno de auto-construção?” definiram-se algumas características básicas em termos da sobrevivência do apto de Darwin, a saber, a robustez, a plasticidade, a reprodução, hereditariedade e variação num processo de crescimento geométrico. Introduziu-se o esqueleto da rã, mostrando um caso anómalo de duplicação de pernas, para explicar como este animal mantém a mesma estrutura depois de 20 milhões de gerações num mecanismo de controlo extraordinário. 

Referenciando o trabalho de Jacques Monod, nobel em fisiologia e medicina de 1965, e a sua teoria molecular do código genético (DNA) que explica e antecipa a existência e as suas propriedades, Jorge Carneiro, introduziu a complexidade topológica inerente à plasticidade celular afirmando que se uma célula não interage suicida-se. O investigador referiu o caso das amibas unicelulares que depois de comerem as bactérias se transformam em organismos multicelulares admitindo a existência de propriedades emergentes colectivas nestes organismos. Propriedades estas, inexistentes no caso das amibas unicelulares. Se uma amiba unicelular é, por exemplo, incapaz de seguir a luz a emergência da coordenação multicelular permite a evolução sendo que quando uma célula não colabora com o colectivo não se reproduz. Neste contexto, o colectivo das células tem novas formas de percepção e integração.

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Jorge Carneiro prosseguiu a sua comunicação introduzindo os colectivos de robots afirmando que conseguimos facilmente reproduzir software mas não hardware pois ainda não conseguimos fazer máquinas capazes de se replicarem. Marco Dorigo foi evidenciado pelos seus swarm-bots, que conseguem transportar cargas e passar obstáculos através de comportamentos cooperativos e acoplamentos sensório-motores gerados por s-bots individuais. O processo morfogenético é, segundo Jorge Carneiro, distribuído e não existe em parte nenhuma do genoma um mapa que leve a célula a fazer o que tem que fazer. Neste sentido, o autor foi expressivo em afirmar a sua convicção pessoal que a evolução não tem qualquer finalidade ou objectivo apenas a constatação da sobrevivência. O debate foi bastante participado e valeu mesmo a pena assistir a esta conferência.


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