Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
TURQUIA_ISTAMBUL_ORHAN PAMUK_2008
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Parto amanhã às 8 horas da manhã para Paris com destino a Istambul. Nos últimos dias andei a ler o livro Istambul, memórias de uma cidade de Orhan Pamuk, prémio Nobel da Literatura em 2006. Estou ansiosa por conhecer a cidade e os relatos de Pamuk são deliciosos. A relação complexa entre o Oriente e o Ocidente, a queda de Constantinopla ou a conquista de Istambul pelo Império Bizantino? Um conjunto de estranhezas e sentimentos de alguém que cresce no seio de uma família rica mas em decadência, alguém que é educado fora das crenças religiosas e que se diverte a contar os barcos do Bósforo. Um livro autobiográfico cheio de ficção que conta a vida diária da cidade e das pessoas que nela vivem. A melancolia, tristeza ou fado, algo existente numa palavra turca difícil de explicar, o hüzün, o sentimento, para Pamuk, de “uma criança que olha para janelas embaciadas” ou “esse sentimento negro experimentado conjuntamente por milhões de pessoas. É do hüzün de toda uma cidade, de Istambul, que tento falar” (Pamuk, 2008: 99-100). O livro é ilustrado por fotografias a preto e branco deliciosas, nostálgicas e melancólicas. Ficarei situada em Taksin, onde o escritor morou, e é, depois de ler o livro, como se já conhecesse um pouco a atmosfera de Istambul. Penso que deve ter qualquer coisa semelhante ao caso Lisboeta mas é apenas uma suspeita... só ouvi, até hoje, em relação à cidade turca, elogios rasgados.

Tomem conta da casa até ao meu regresso, por favor. Prometo fazer quando voltar um resumo detalhado das peripécias dos últimos meses. Por agora, uma semana de férias vai saber muito bem. 2008 foi um ano tão bom quanto revelador do espírito nacional. Socorrroooooooooooo! Férias, mais uma semana. Hehehehe. Obrigado e bom 2009!
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MIGUEL SOARES VÍDEOS E ANIMAÇÕES 3D_CULTURGEST_2008
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Fui hoje finalmente ver a exposição de Miguel Soares na Culturgest. Andava desde a inauguração com vontade de ir ver os trabalhos do autor agora expostos com uma curiosidade que poucas vezes tenho em relação a estas retrospectivas de arte contemporânea tão “engajadas”, como dizem os brasileiros a partir do termo francês. Conheço bastante bem o percurso do autor que tenho seguido com atenção desde que fomos contemporâneos nas Belas Artes e estava genuinamente com curiosidade em relação a estes vídeos e animações 3D, que seguem um período de 1999 a 2005, existindo, no entanto, uma obra sobre videojogos catalogada com a data de 1996 e que julgo ter visto, em tempos, em exposição na galeria Monumental. O vídeo, SpaceJunk, versão beta 1.0, ou pelo menos impressões a partir deste, também já tinha visto na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural, algures nesta década, numa mostra organizada pela Galeria Luís Serpa Projectos.  

A exposição agora apresentada na Culturgest é interessante mas tem, para mim, coisas muito mais consistentes do que outras. Algum desequilíbrio nas opções escolhidas, que só a excelente banda sonora que acompanha todas as obras, sem excepção, vem colmatar. Nostálgica q.b. mas muito boa em matéria de sonoplastia e na escolha dos temas propostos nas diversas composições sonoras é bastante imersiva e transporta-nos facilmente para as visões distópicas e subversivas do autor. Assim, somos catapultados para um remix de perspectivas sobre o mundo que oscilam entre uma concepção deste como um espaço algo naturalista e onde se subentende que a Terra é de certa forma conspurcada pela tecnologia e, uma outra, também com raízes evidentes na ficção científica, onde o design, por via da técnica e da estética, transforma a vida humana e o espaço urbano num lugar mais aceitável.

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Penso que os dois vídeos “voyeur”, Expecting to Fly e Untitled (two), a partir de uma varanda da casa do autor e cujos bizarros acontecimentos, um desastre, no primeiro, e desavenças entre condutores, no segundo, importunaram Miguel Soares enquanto este trabalhava nas suas animações por computador, poderiam fazer mais sentido no YouTube. Estes vídeos, parecem ali deslocados e sugerem uma outra direcção que não aquela depois desenvolvida nas obras que veremos posteriormente. Fazendo um percurso algo linear pela exposição, segue-se o vídeo Y2K, de 1999, sobre o bug do ano 2000 e realizado usando software não profissional. Depois, Times Zones, de 2003, para os Negativland. Este trabalho é curioso pelo imaginário da Guerra Fria e pelo clima conseguido na composição gráfica. GT, de 2001, é dos meus projectos favoritos pela ironia evidente. O trabalho é inspirado no jogo de computador Interstate 76 e conta a história de três carros que seguem no encalço de uma rapariga. No final apresenta-se uma diva estereotipada a 3D. Place in Time, de 2005, leva-nos até um vale recriado ao longo dos tempos centrando a narrativa na personagem de uma barata que percorre todas as transformações deste. Com uma boa ideia e algumas imagens belíssimas o vídeo não é totalmente conseguido por alguns desequilíbrios ficcionais e visuais. Se há imagens realmente magníficas do tipo fantástico outras, mais abstractas, parecem mais grosseiras e a junção entre ambas nem sempre parece acompanhar o conceito. Penso que é, no entanto, um trabalho bem conseguido e que vale mesmo a pena ver.

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Com Place in Time mas também com Archbunk3r Associates, de 2000, e com SpaceJunk, de 2001, deparamos com uma narrativa e estética ecológicas. Em Archbunk3r Associates constrói-se um catálogo de um estúdio fictício de design e arquitectura que opera em Marte. Esta é, quanto a mim, a obra menos consistente e torna-se quase uma graça sem sentido ao fim de alguns segundos. Inventivo sem dúvida mas um trocadilho que fazia sentido em qualquer plataforma como o Second Life e que se baseia demasiado numa concepção do estranho e do alienígena como semelhante, ou seja, a vida em Marte é transcrita de forma mimética à vida terrestre. Então, é caso para perguntar, para quê a simulação? 

Muita coisa haveria para dizer desta retrospectiva de Miguel Soares na Culturgest, são seis anos de produção em vídeo arte, que falam sobre mundos virtuais (os active worlds vieram-me recorrentemente à cabeça), software (Poser, Bryce, Corel Dream 3D, são apenas alguns), criação digital e jogos de computador misturados com uma excelente banda sonora, revivalista e nostálgica. Uma encenação sobre a cultura contemporânea e as suas ambiguidades, coisa que Miguel Soares sempre soube fazer, pelo menos desde as primeiras exposição na Galeria Monumental e que podem ser vistas em fotografia e vídeo aqui e aqui. Passem por lá se tiverem tempo pois acaba dia 4 de Janeiro e a viagem compensa.


Domingo, 7 de Dezembro de 2008
JEFF KOONS EM VERSAILLES_por rafgouv
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Como nem todos terão ocasião de visitar o palácio de Versailles antes do próximo dia 14 de Dezembro, a mouselândia resolveu oferecer cidadania honorária a Jeff Koons, o príncipe do kitsch contemporâneo.

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A exposição de Koons no palácio extravagante do Rei Sol não deixa de suscitar enormes polémicas entre os defensores da arte contemporânea, que assumem o que ela pode ter de mais mercantil e provocador, e os puristas que recusam a comparação e o contraponto assaz aliciante entre o absolutismo e a futilidade de ontem e de hoje. A discussão continua aqui na mouselândia. Rafgouv

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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
GUERRILLA GIRLS_REINVENTAR A PALAVRA “F” PARA FEMINISMO
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Descobri os livros das Guerrilla Girls na Vancouver Art Gallery e não posso evitar uma referência a este grupo que se bate pela divulgação de alguns números e estatísticas interessantes mostrando como a arte moderna, mas também a contemporânea, esteve e está imersa por uma cultura criada por e para os homens. O colectivo começou o seu trabalho em 1985 e tem sido persistente na sua estratégia de divulgação dos estereótipos recorrentes em relação às mulheres. No título Guerrilla Girls Greatest Hits (a poscard book, 1999) encontra-se, logo na capa, a seguinte frase: “less than 5% of the artists in the Modern Art sections are women, but 85% of the nudes are female”. E em relação ao ano de 1885/86 e às exposições individuais realizadas por mulheres em Nova Iorque? Guggenhein (0); Metropolitan (0), Modern (1) e Whitney (0). Ah! E na Europa, segundo o colectivo, o cenário era (é?) pior. Gostava de saber se ainda hoje estes números são assim tão desequilibrados… 

As Guerrilla Girls são um grupo de artistas, escritoras, performers e realizadoras de cinema que lutam contra a discriminação e vivem no anonimato usando para isso máscaras de gorila. As raparigas dedicam-se às mais variadas performances e declaram: “We declare ourselves feminist counterparts to the mostly male tradition of anonymous do-gooders like Robin Hood, Batman, and the Lone Ranger. We wear gorilla masks to focus on the issues rather than our personalities. We use humor to convey information, provoke discussion and show that feminists can be funny (…)” (Prefácio do conjunto de postais Guerrilla Girls Greatest Hits).

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No livro The Guerrilla Girls Art Museum Activity Book de 2004 afirmam: “Rich people have always had a lot of stuff. A few centuries ago, they ran out of room in their palaces and churches, so they started art museums. The Guerrilla Girls love museums and all the art in them, but we worry about them, too. Why do they raise hundreds of millions for new buildings, then complain that they don’t have enough money to buy art? Why do they blow a fortune on a single painting by a white male genius when they could acquire hundreds of great works by women and people of color instead? Why do museum store execs get paid more than curators?” Em Bitches, Bimbos, And Ballbreakers: The Guerrilla Girls' Illustrated Guide to Female Stereotypes (Penguin, 2003) o colectivo leva-nos para um labirinto de estereótipos ficcionais e reais e mostra-nos como estes foram representados através dos séculos. Um conjunto de trabalhos que vale a pena explorar.


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