Sábado, 24 de Janeiro de 2009
PLAYABLE_NET-ART_ALTERNATIVE GAMES!
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Logo no início desta semana recebi a notícia. Seleccionaram o meu paper, “Action! Playable media and persistent games for the creation of on-line alternative realities and cross narratives (Cooperation versus Competition)”, para o encontro 3rd Inclusiva-net Meeting: NET.ART (SECOND EPOCH). The Evolution of Artistic Creation in the Net-system que vai decorrer no início de Março em Buenos Aires. O evento é organizado pelo Medialab Prado e terá lugar no Centro Cultural de Espanha na capital Argentina e o mais interessante é que o texto, que faz uma reflexão extensa sobre o meu actual foco de interesse, ou seja, os media “jogáveis” e a forma como se podem conceber sistemas on-line que estimulem, no seu game design, a cooperação e a competição, foi seleccionado entre quarenta. Depois da recensão da literatura e da apresentação de alguns projectos lúdicos que contextualizam o trabalho de investigação proposto apresenta-se o jogo Joga Outra Vez, criado em 2005 para e-mail, e que contou com a colaboração de aproximadamente 20 participantes; a instalação O Jogo ou Dilema do Prisioneiro, apresentado há aproximadamente um ano em Espanha no âmbito do Festival Interparla; e, finalmente, o blogue Mouseland. Depois da comunicação, onde tenho trinta minutos para expor as minhas ideias e mais 10 minutos para o debate subsequente, os textos vão ser publicados on-line no site do Medialab Prado. Aguardo o bilhete de avião a qualquer momento e, como é a segunda vez que irei a Buenos Aires, espero poder explorar lugares que da outra vez, algures no Verão de 2003, não tive oportunidade de conhecer. Mais informações aqui.


Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
FIM DE ANO EM ISTAMBUL_2008
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Istambul é uma cidade realmente surpreendente. O nosso programa de visitas foi bastante intensivo e o frio não permitiu alguns passeios ao ar livre mas voltei com a sensação que um dia destes vou regressar à cidade de Orhan Pamuk. No primeiro dia fomos visitar o Palácio Topkapi e fiquei logo deliciada com a preservação das cozinhas, do harém e de todo o jardim. Aprendi alguma coisa sobre a hierarquia dos sultões e vi as belas jóias do tesouro e a faca “verde”, com a grande pedra de jade. Tomámos um chá de maçã açucarado, a apreciar a vista do Bósforo naquela localização, e lá voltámos à visita. A temperatura rondava os dois graus abaixo de zero e os espaços, fora talvez uma sala ou duas, não estavam muito quentes. Nessa manhã percorremos a ponte de Galata debaixo de chuva, da Praça Taksim ou, mais concretamente da zona de Cihangir, até Sulthanamet.

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Na véspera, à noite, ainda fomos andar pelas ruas comerciais perto da Praça Taksim, a Tiananmen da Turquia, onde no fim de ano há sempre problemas de exaltação de almas bêbadas, segundo reportava um artigo da Time Out Istanbul daquele período. Este ano não houve nada a assinalar felizmente. Encontrámos logo, quando chegámos, a representação turca do famoso Wagamama de Londres. Deglutimos um prato de massas com lemon grass delicioso e uma outra iguaria bastante picante, a comida turca ficaria para mais tarde. Quem resiste ao Wagamama quando em Lisboa não há nenhum?

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Seguiu-se uma ida ao Istanbul Modern que muito apreciámos. Se a colecção permanente de arte moderna turca é, à excepção de um ou dois quadros, dos quais destaco “Dog Walking Área” de Ozdemir Altan (1931), desapontante, a exposição temporária “Held Together With Water”, a mostra de vídeos do polaco Zbigniew Rybcznski, a instalação new media, “Eye Catching”, da artista Jennifer Steinkamp e a localização do museu, encheram-nos as medidas. Mais informações sobre a exposição “Held Together With Water” aqui. Nessa tarde ainda fomos até ao Gran Bazar, local bastante bem conservado, e ao mercado Egípcio, mais popular e decadente mas também mais genuíno. Ambos bastante interessantes no que toca à imagem das especiarias, turkish delights (Lokum), e afins. Posso confessar que fiquei viciada nestas delícias turcas e, eu que não sou grande amante de doçaria, fui várias vezes comprar novos espécimes à pastelaria local. Com um chá de maçã, uma delícia turca, um relance do Bósforo, e a uma temperatura acima dos vinte graus, podemos considerar que estamos perto do paraíso. Estas delícias fazem, quanto a mim, parte do cenário de Istambul e estão por todo o lado com todos os seus sabores e feitios. O azeite condimentado com especiarias, ao estilo italiano, é outra iguaria local que substitui, no início da refeição, o nosso pão com manteiga.

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No dia seguinte fomos até à mesquita azul e, com os pés descalços ao frio, conhecemos e percorremos aquele espantoso edifício. Seguimos directamente para a também magnífica Aya Sofia, ou Santa Sofia, mas estava fechada. Calcorreamos as ruas do centro e começámos a interiorizar a geografia da cidade. Voltámos no dia seguinte à Aya Sofia e é difícil explicar a sensação que o Museu provoca. É tudo tão surpreendente do ponto de vista visual: a dimensão, o estado de conservação, a atmosfera, a iluminação… que não me parece que consiga encontrar as palavras certas. Entretanto, Istambul já estava progressivamente a entranhar-se. Algures no tempo, fizemos o passeio no Bósforo e vimos do mar, por dez euros cada, o contorno turístico de que fala Pamuk. O lado ocidental e oriental, as duas faces da mesma moeda. Vimos, o que já sentíamos desde que tínhamos chegado, a magnitude daquela cidade, toda virada para o mar, em paralelo com uma decadência enorme, um misto de grandeza e tristeza, de melancolia e altivez. É uma sensação estranhíssima. O design, os restaurantes e bares da moda, misturados com as ruas sujas e os passeios decrépitos. Os gatos e os cães vadios, nos cemitérios, atrofiados entre casas muito estreitas. E eu pensava na ilha para onde tinham sido enviados, em tempos, os cães da cidade de Istambul, para aí morrerem à fome. Mas mais do que cães encontrávamos gatos. Gatos por todo o lado, a remexer os sacos de lixo, também estes em toda a parte, abertos, remexidos... A “gataria” assustou-me algumas vezes mas, fora isso, nunca senti qualquer receio em Istambul, em lado nenhum.

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A visita à cisterna do palácio revelou-se outra surpresa, andar pelos confins húmidos da terra e poder ver as duas cabeças de medusa foi um verdadeiro privilégio. Um lugar mágico que se furta também à descrição, é preciso ler o mito da medusa naquele espaço, ver os peixes a nadar no chão banhado de água, noutros tempos lugar de pescaria, e sentir as gotas a escorrer do tecto. A iluminação é de tal forma espantosa que mais uma vez a linguagem não encontra as palavras certas para descrever o ambiente. É preciso ir lá sentir aquilo. Saímos e percorremos outra vez a ponte de Galata, com os seus pescadores de todas as idades. Apanhámos o metro de superfície, depois de termos comprado um Jetón (moeda para introduzir na máquina), com destino a Karakoy. Num dos dias fomos de Túnel, um elevador curioso que nos transportou directamente para a zona de Taksin. Mais moderno do que o elevador de Santa Justa. Quanto a semelhanças entre Lisboa e Istambul apenas as sete colinas e os edifícios muito degradados. De resto, enquanto Istambul está em directa ligação com o mar, Lisboa está de costas. Os turcos, para grande surpresa minha, são de uma delicadeza impressionante, os serviços são muito profissionais e, mesmo nos mercados, não tem tendência para chatear os turistas, ao contrários dos marroquinos, que conheci há trinta anos em Marrocos.

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Vim com duas perguntas na alma: porque será que não há mulheres em lado nenhum a servir? Só homens, nos restaurantes, nos cafés, nas mercearias, mesmo em 2009..? Porque será que os turcos são assim delicados e atenciosos? Devido ao lado asiático e a uma certa cultura do detalhe também frequente nas sociedades asiáticas e tão diferente das culturas ocidentais? Não encontrei, ou não quis encontrar, resposta para ambas as questões e tive vergonha de perguntar. No nosso hotel a luz ia abaixo a “torto e a direito” e isto acontecia, segundo nos disseram, porque os estudantes da zona “pilhavam” a energia. Achámos piada à justificação que não tinha piada nenhuma. Tínhamos frio e nevava lá fora. No dia 1 de Janeiro de 2009 andámos, pela primeira vez verdadeiramente ao sol, a percorrer as ruas de Beyoglu, até ao Palácio de Dolmabahçe, construído no declínio do império Otomano. O ano começou bem.


Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
“HELD TOGETHER WITH WATER”_ INSTANBUL MODERN_NO FEMININO!
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Fui visitar o Istanbul Modern e gostei imenso do espaço e da colecção agora apresentada, da companhia de energia austríaca Sammlung Verbund, com o título “Held Together with Water, Art from the Sammlung Verbund”. O museu tem um restaurante com uma localização privilegiada que dá acesso a uma varanda bem situada no “meio” do Bósforo e desde a sua abertura, em 2004, tem albergado inúmeras exposições e retrospectivas nacionais e internacionais, criando um espaço de apresentação de fotografia, design, vídeo arte, escultura, cinema e arte interdisciplinar. A colecção, iniciada no mesmo ano, é bastante boa e encoraja o diálogo entre as posições artísticas dos anos setenta do século XX e a contemporaneidade cobrindo quarenta anos de produção. Os visitantes encontram, num espírito feminista e pós-moderno, segundo o catálogo da mostra, uma relação entre algumas temáticas caras à década de setenta do século passado e autores mais jovens. Encontrei algumas surpresas como é o caso da artista austríaca Birgit Jurgenssen (1949-2003), com um trabalho bem interessante de manipulação performativa da imagem de si própria na senda de Cindy Sherman, da dupla turca Sener Özmen e Gengiz Tekin (1971/1977) que apresenta o vídeo “The Meeting or Bonjour Monsieur Courbel” de 2004 e, ainda, do belga, Francis Alÿs (1959), com uma hilariante instalação vídeo sobre os diferentes pontos de vista de um “peão” na rua que é interceptado por um cão que o faz escorregar e cair. Estes autores, surgem misturados com personagens consagradas e bem reconhecidas como Jeff Wall, Cindy Sherman, Francesca Woodman, Valie Export, Gordon Matta-Clark, entre outros.

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A exposição divide-se em duas orientações “The Performative” e “Spaces / Places” e é um espaço de reflexão sobre a falta de divulgação da arte do feminismo, no mesmo espírito da recente mostra da Vancouver Art Gallery, apresentada em Los Angeles em 2007, e aqui documentada recentemente neste blog. Um ensaio de Abigail Solomon-Godeau, “The Fine Art of Feminism”, presente no catálogo da exposição, é essencial para compreender a forma como a arte produzida por um grupo de mulheres, a maioria das vezes sem qualquer relação entre elas, se constitui como um corpo de trabalho que questiona o modelo Kantiano centrado em concepções de genialidade, masculinas e que adoptam a presunção de um sujeito universal. Diz-nos Solomon-Godeau: “It is frequently overlooked that feminist criticism, of all stripes, and feminist art, of all kinds, were allied with other critical artistic practices in the rejection of that tradition of Kantian philosophy that had constituted the bedrock of modernism aesthetics; namely the presumption of a universal subject (i. e., male, white), a disinterested and rational observer (e. g., idem), and the location of the art object within an autonomous realm of beauty, value and freedom. But in challenging the binaries of public/private, (as well, most famously, as that of the personal and the political) feminism further subverted the Kantian model by insisting on the contingency of the art object, its normative status as luxury commodity, its fetishistic components and functions, its agency in the reproduction of ideologies. In the place of formalist modernist ontology of art, feminist theories developed epistemologies; in the place of the sublimatory function of art, feminist proposed its de-sublimation, and the exposure of its constitutive repressions (Solomon-Godeau, 2008: 64)”.

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Com um texto que mostra de forma explícita as relações entre a arte da performance e a arte no feminino, Solomon-Godeau, explica bem como o mundo da arte, ainda muito pouco global nos anos oitenta, ignora algumas artistas que, no entanto, tiveram alguma projecção no início da sua carreira. A exposição mostra como algumas autoras se centraram nos novos meios e usaram a fotografia e o vídeo para ensaiar personas e papéis distintos, numa recriação do universo pessoal para exposição pública, numa evidente teatralidade efémera cujo registo em vídeo é o resultado final. Curioso é como esta mostra pode tão bem ser (re)contextualizada no sentido das artes digitais. O que se apresenta tem inúmeras relações com as novas práticas no âmbito das tribos da cultura digital, não só na construção de identidades fluidas a partir da rede como também na constituição de uma obra concebida com a participação do leitor/participante/jogador. O próprio catálogo da mostra já apresenta novos conceitos de interpretação destas obras. Conceitos estes, ancorados nas teorias da cultura digital e no papel fundamental da processualidade. É caso para se dizer que as artes tradicionais (fotografia, vídeo, cinema) estão finalmente a incorporar alguns discursos provenientes da estética e da experiência que apareceu com o digital. Não há experiência “binária” sem performatividade, sem jogo de pontos de vista, sem brincadeira. Não há experiência numérica sem um impulso evidente para a narrativa e o teatro. Ora, é precisamente esta deslocação que esta exposição vem reafirmar. No feminino.


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