Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
“YVES KLEIN LA REVOLUTION BLEUE”_FRANÇOIS LÉVY-KUENTZ 07
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Já vi o domentário Yves Klein La Revolution Bleue (François Lévy-Kuentz, 2007) há uns tempos mas recentemente andei a rever esta obra magnifica que conta a história de um dos artistas, quanto a mim, mais interessantes do século XX. As ficções happennings de Klein, juntamente com as acções de Joseph Beuys, são entusiasmantes pela sua componente narrativa mas também pela vontade de transformar a arte numa forma de vida. O facto de não se saber ao certo se a história da queda do avião onde Beyus seguia, na Crimeia, durante a Segunda Guerra Mundial, é verdade, faz dele um artista enigmático que usou, na sua obra, os materiais que, segundo reza esta versão possível dos acontecimentos reais, os tártaros usaram para lhe salvar a vida, feltro e gordura. Depois, Joseph Beuys deambula por tantos territórios, das letras, às artes visuais (escultura, vídeo, performance, instalação…), à culinária. Exímio cozinheiro, com receitas publicadas em livro, o artista alemão soube avant la lettre o efeito que a influência da arte oriental ia ter no ocidente, ou seja, que a arte se ia progressivamente tornando viva, i. e., cada vez mais preocupada com as questões do dia-a-dia. Contudo ainda hoje, por todos os lados, se insiste e se debatem partículas mortas e enterradas.

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O documentário Yves Klein La Revolution Bleue, cheio de imagens da época e narrado na primeira pessoa, ou seja, através da voz do defunto Klein, qual Brás Kubas de Machado de Assis, vem chamar a atenção precisamente para a importância da vida do artista e como esta está intricadamente relacionada com a obra do mesmo. As acções de Klein são bastante conhecidas, performances poéticas à volta da utilização do corpo humano como pincel. É apenas de lamentar, porque é de facto surpreendente, mas ok, estávamos nos anos sessenta e a revolução sexual ainda era uma virtualidade só para alguns, diria o escritor japonês Haruki Murakami, que o artista só usasse mulheres, uma vez que a inspiração lhe surge numa viagem ao Japão quando visitou o país para fazer um exame de Judo. No Japão, Klein terá visto a criação deste tipo de telas a partir de pinceladas produzidas pela dança do corpo humano mas estas tiravam partido do corpo masculino e não do feminino. Como encenador da performance o artista francês dedica-se apenas à aplicação de corpos femininos tintados de azul sob fundos brancos. O efeito é surpreendente. Todas estas acções foram registadas em vídeo e aparecem no documentário acima mencionado.

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A marca de azul que Klein criou, Blu(e) Klein, e a amizade com o escritor italiano Dino Buzzati mas também com Jean Cocteau, certamente que contribuíram para imbuir as obras do artista francês de um carácter sinergético bastante enigmático. Yves Klein fez do seu próprio casamento uma performance e teve o primeiro sintoma de ataque cardíaco quando foi ao festival de Cannes ver um filme sobre a sua obra que se revelou grotesco. O artista francês não resistiu ao choque e morreu pouco tempo depois com apenas 34 anos, depois de 7 anos de uma produção artística intensa. Yves Klein viveu toda a sua vida consciente da obra que deixava, é como se tivesse plena consciência que enquanto estivesse vivo estava a produzir obras que ficariam na memória e que perdurariam "para todo o sempre". Para mim, assim como para Henry Jenkins neste texto, a arte que vale realmente a pena é aquela que está viva e Klein soube isso muito antes de se falar no assunto. O dia-a-dia com toda a sua fluidez, com todas as suas sinuosidades, é um território que vale a pena inquirir, para uma estética da vida, com Michel Maffesoli e Haruki Murakami. Este foi o ano em que também me apaixonei pela obra de Haruki Murakami. Neste documentário, sobre a vida e obra de Yves Klein, compreendemos a complexidade e viajamos com um dos cérebros mais prolíficos na criação de uma ficção da vida mas também sobre a vida. 


TRIBUTO A PHILIP ROTH
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Como é que é possível que Philip Roth ainda não tenha ganho o Nobel da Literatura? Um escritor polémico, ou se gosta ou se detesta, definitvamente o meu escritor vivo preferido. O Complexo de Portnoy, A Pastoral Americana, A Mancha Humana e O Teatro de Sabath são livros essenciais e tantos que ainda me faltam ler… duros e secos q. b., sem maneiras nenhumas, por vezes brutais. Personagens inesquecíveis, vulgares. Meio século de escrita, 28 livros. Philip Roth em entrevista aqui, aqui e aqui.
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SÉRAPHINE, RUDE E ENIGMÁTICA
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Séraphine (Martin Provovost, 2008) é um filme sobre a história de Séraphine Louis ou Séraphine de Senlis (1864-1942), uma empregada doméstica que se tornou pintora e que foi acidentalmente descoberta pelo coleccionador alemão Wilhelm Uhde, neste filme representado por Ulrich Tukur. Wilhelm Uhde foi, segundo dita a história de arte, o primeiro comprador de Picasso, teve uma influência significativa na vida de Henri Rousseau, esteve casado dois anos com Sonia Delaunay e organizou a primeira exposição de Arte Naïf ou arte primitiva moderna.

Séraphine é um drama histórico, um filme trágico muito bem interpretado por Yolande Moreau, que revela a vida de uma pintora esquecida que acabou num manicómio. Confesso que há um tipo de narrativa sobre os primitivos modernos que me enerva um bocado, a ideia de retorno a um estado puro e imaculado, inerente ao discurso do mito do Bom Selvagem. Porém, neste filme, tudo isso se desvanece porque este universo surge misturado com um outro mito, também recorrente na interpretação e na teoria sobre a arte, a loucura do artista e as suas experiências com substâncias químicas como aliadas do génio. Ora, esta ideia da queda evidente do génio nas profundezas da sua mente alterada misturada com a humilde situação de uma pura campónia condimenta profundamente este filme inquietante. Séraphine não se drogava mas bebia o vinho que fabricava com as mesmas mãos que humildemente lavavam no rio a roupa dos outros, as mãos que esfregavam o chão das casas onde trabalhava, entre as quais a casa de repouso em Senlis do seu futuro coleccionador e mecenas que precisava de descansar das agruras da vida na cidade (Paris). Depois, devia delirar com paraísos florais, tão puros quanto artificiais, enche o espaço das telas destes motivos num ritual xamânico que me fez tanto pensar em Paul Cézanne, pela brutalidade, como em Henri Michaux pela subtileza, quanto em Jean-Michel Basquiat pela gestualidade. E a verdade é que não sei porquê, se pelas drogas, pelo delírio ou por alguma força corporal.

Com uma cenografia e fotografia maravilhosas este filme é imperdível porque nos leva até ao passado, com um olhar contemplativo, mas também nos projecta “para fora do tempo” numa amálgama de referências. Imagens que surgem como telas vivas, tão clássicas e inquietantes, porque há tão poucos filmes assim. Já se falou, a propósito de Séraphine, do filme Van Gogh de Maurice Pialat (1991) e então Camille Claudel de Bruno Nuytten (1988)? E porque não O Sol do Marmeleiro de Victor Erice?


Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
FESTA OVER & OUT_CINEMA SÃO JORGE_22 DE JULHO_21H30_ULHT 09
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A Licenciatura em Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia, em conjunto com as recentemente criadas licenciaturas em Fotografia e Animação Digital da Universidade de Humanidades e Tecnologias organizam uma “sessão pública de fecho das actividades lectivas do ano de 2008/2009 – o evento Over & Out 2009, que decorre no cinema São Jorge no dia 22 de Julho de 2009. (…) Durante este evento são projectados diversos trabalhos de curta-metragem, documentário e animação, bem como apresentados vários projectos de multimédia produzidos pelos alunos.” Passem por lá.


TRÊS REVISTAS PARA LEVAR PARA A PRAIA NO VERÃO DE 2009
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Três revistas, editadas durante o mês de Julho, a ter em consideração. A Computer Arts, a Monocle, a briefing on global affairs, business, culture & design e a revista Nada, sobre tecnocultura, pensamento, arte e ciência. Passem pelos pontos de distribuição e levem-nas debaixo do braço para um mergulho na praia. Vai valer a pena!

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A Computer Arts faz uma edição sobre “The Design Essentials Issue” com conselhos the David Carson, Neville Brody, Stefan Sagmeister, Hillman Curtis, John Maeda, Vince Frost e muitos outros. Para John Maeda, com quem concordo inteiramente, o futuro reserva-nos um novo impulso criativo onde a tecnologia se esconde para dar lugar a uma maior preocupação com os conceitos e ideias: “I think culture has to pick up the pace for the economy to expand. I think that expansion will come from creativity centres like art and design schools more than technology schools. I see the world’s pendulum swinging back, away from technology, to wanting to see something more human, more authentic. A computer program is like a big tree; we need artists and designers who can think off the tree again. That’s coming” (Maeda, 2009: 32). Quem conhece as divertidas conferências de John Maeda, disponíveis no site das Ted Talks, sabe bem o que o artista quer dizer com este “afastamento” do pensamento hierárquico e estratificado da árvore, presente em grande parte das arquitecturas digitais, em oposição a um olhar mais rizomático e caótico. A revista explora ainda alguns livros de design fundamentais (21), onde se podem encontrar de facto algumas preciosidades, livros que qualquer estudante de arte e design não pode deixar de conhecer. Tenho que agradecer ao meu aluno João Aguiar por me ter chamado a atenção para este número da Computer Arts.

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A revista Monocle de Julho e Agosto traz um suplemento sobre as 25 cidades do mundo de topo em matéria de qualidade de vida apontando Lisboa como a 25ª cidade do ranking. Uma vez que estamos em altura de ponderar sobre o futuro desta cidade parece-me uma boa sugestão compreender alguns dos critérios considerados: população, número de voos, crime, sol, tolerância, transportes públicos, arquitectura, ambiente, a facilidade de criação de um negócio, empresas instaladas, desenvolvimentos futuros e subjectividades Monocle, ou seja, restaurantes de preço médio e horas de relaxe ao Domingo. Uma leitura bastante ligeira, boa para levar para a praia, que coloca Zurique no topo e que nem sequer considera Londres ou Nova Iorque como cidades de eleição. Critérios bastante subjectivos que remetem Copenhaga para o segundo lugar, Paris para o oitavo e Kyoto no vigésimo segundo.

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Finalmente, a revista Nada de Julho, cujo site também foi recentemente lançado na galeria ZDB, apresenta alguns textos bastante interessantes como, por exemplo, “Acidente e simulação em J. G. Ballard” e uma excelente introdução e entrevista de Jorge Leandro Rosa: “Sobre as imagens cristalinas e o pensamento na arte, entrevista a Christine Buci-Glucsmann”. Buci-Glucsmann coloca de forma bastante acutilante o problema dos dualismos e mergulha-nos na estética como um “espaço crítico que pensa visibilidades. Quer dizer acções, complexos de acção, reacções. Ela é polissensorial. Esta estética polissensorial é uma estética alargada em relação aos conceitos tradicionais e clássicos da História da Estética, que se fazem, aliás, acompanhar da História da Arte, e parece-me muito importante para dar a pensar, através de uma crítica imanente, a mundialidade. Se não tivermos uma concepção alargada do estético, não poderemos pensar o fim do dualismo binário, seja o do sul e do norte, o feminino e o masculino, o negro e o branco, o Oriente e o Ocidente. Assim, esta concepção da Estética é uma concepção crítica que deve ser pensada na própria imanência crítica da mundialidade” (Buci-Glucsmann, 2009: 73). Um número com um design bastante elegante e que se lê com prazer.


Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
“PAUL VIRILIO: PENSER LA VITESSE”_STÉPHANE PAOLI, FRANÇA 2008
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Dia 8 de Julho no Anfiteatro da Gulbenkian vai passar às 22h o filme "Paul Virilio: Penser la Vitesse" de Stéphane Paoli (França, 2008). Sobre o texto que acompanha o documentário e que está presente no site da Gulbenkian: "Sonhaste com a ubiquidade, a Internet tornou-a possível. A velocidade a que disparou a rede global levanta problemas que afectam todos os aspectos da nossa vida quotidiana: economia, cultura, política, etc. Conseguirá a nossa existência quotidiana aguentar o tempo real electrónico? No seu pensamento e escrita, Paul Virilio mostrou que a história contemporânea é filha da velocidade. Afinal, não foi o vírus do Milénio um prólogo à sua previsão do Acidente Integral, produto da instantaneidade da nossa sociedade global? Pela primeira vez na história da humanidade, o tempo humano e o tempo tecnológico tornaram-se dessincronizados. Estar aqui e ali ao mesmo tempo torna-nos mutantes? De um modo totalmente novo, este conto deslumbrante baseado nas ideias de Paul Virilio concentra-se nos pensamentos de filósofos, actores, políticos, artistas e repórteres internacionais." Parece imprescindível para quem quiser passar uma noite de Verão diferente.




ROGER FEDERER_UMA VITÓRIA MERECIDA
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A vitória de Roger Federer, em Wimbledon, contra Andy Roddick, foi uma verdadeira apoteose e permite apostar que o jogador, novamente número um do mundo desde ontem, vai ganhar o US Open de 2009. Quem duvida? As quatro horas da disputa em Inglaterra foram bastante aborrecidas, pois o jogo entre ambos era meramente de serviço contra serviço, sem grande energia e pouco arriscado, bastante entediante mesmo. No entanto, o stress gerado nos espectadores foi imenso pois era fundamental ver Roger Federer ganhar a partida. Parabéns!


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