Terça-feira, 29 de Junho de 2010
LEGOFUSSBALL _ FABIAN MORITZ E OS LEGOS EM MOVIMENTO
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Segundo ouvi um destes dias no telejornal e depois pesquisei on-line um alemão de dezanove anos, Fabian Moritz, produz vídeos sobre jogos de futebol a partir dos brinquedos Lego, tijolo a tijolo. Uma forma original e minuciosa de trabalhar que ilustra o que se passa nos jogos reais e que de uma maneira engraçada desconstrói e sintetiza os grandes momentos em campo. Este projecto criativo já lhe valeu um contrato com o jornal The Guardian aqui ilustrado. Um destes dias surge uma animação com um jogo com a equipa portuguesa é só aguardar, hehehe.

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“OISHINBO” (THE GOURMET) _ TETSU KARIYA & AKIRA HANASAKI
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Fui recentemente surpreendida pela série manga Oishinbo, a la carte (The Gourmet). Deram-me o primeiro volume sobre peixe, sushi e sashimi (obrigado ants!) e já comprei mais dois, um sobre vegetais e outro sobre cozinha japonesa. A verdade é que anseio por ir à loja de banda desenhada aqui do bairro comprar mais dois volumes da série sobre aperitivos de pub e arroz… apanhei um vício tremendo, hehehe. 

Oishinbo é a junção da palavra japonesa oishii, i. e. “delicioso”, com kuishinbo, que significa alguém que adora comida. Esta série de livros manga transporta-nos para um universo vasto de culinária “exquisite” onde dois jornalistas do departamento de artes e cultura do Tõzai News se esforçam por produzir o ultimate menu. Shirō Yamaoka e Yūko Kurita trabalham juntos no intuito de produzir uma degustação que consiga vencer o supreme menu de Yuzan Kaibara, um artista proeminente nas artes culinárias, fundador e director do Club Gourmet e pai de Shirō Yamaoka. A relação entre pai e filho é péssima e ambos são rivais na produção da refeição mais relevante e que terá o mérito de juntar as tradições ancestrais japonesas e a cultura contemporânea. Normalmente a disputa surge a partir de uma escolha de ingredientes que ambos devem usar, vegetais, peixe, sashimi, arroz, sopa miso, entre outras possibilidades, e o combate é mediado por um júri de paladar apurado. Com um texto apaixonante, que nos vai ensinando algumas técnicas sobre a confecção da comida, e inúmeras particularidades da cultura japonesa, somos levados a perceber a riqueza dos objectos de porcelana que acompanham a cozinha, dos paus com que se degusta as deliciosas refeições asiáticas a pormenores de etiqueta e regras sociais.

Os desenhos da série são muito expressivos, com um traço hilariante e subtil e acompanham as ideias simples e acutilantes do texto que nos remetem para a eco culinária, isto é, uma forma saudável de produção de alimentos que foge dos herbicidas e dos pesticidas e que tem um respeito profundo pela natureza dos produtos a usar na confecção dos pratos. Shirō Yamaoka e Yūko Kurita ensinam o leitor a compreender a relação holística entre os humanos e a natureza e confrontam-nos com várias definições possíveis sobre as artes do paladar e da vida quotidiana nipónica. Estes livros mergulham-nos profundamente no âmago da cultura do Japão e fazem-nos reflectir sobre tudo o que perdemos com a industrialização das sociedades. Uma mensagem recorrente é a ideia que desconectados da natureza e da tradição perdemos amarras que o dinheiro não compra. A ideia que estamos cada vez mais anestesiados pela riqueza e pelo conforto material o que nos impede de saborear plenamente a vida e nos remete para a incapaciade de nos importarmos com os outros. As crianças reivindicam os pais distantes, a trabalhar a toda a hora, e os amigos de infância emigrados sentem-se tristes pela ostentação das oferendas quando regressam a casa. Um mundo que me deliciou, ao mesmo tempo tão perto e tão longe.

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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
“MARADONA BY KUSTURICA” _ A TERNURA E ALTIVEZ DO ARGENTINO PELO AMIGO DE SARAJEVO
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Já andava para escrever sobre o documentário de Emir Kusturica, Maradona by Kusturica (2008), que conta a história da complexa vida do jogador argentino Diego Maradona, há algum tempo, mas hoje decididamente estou inspirada pelo jogo de ontem, Argentina/México. A Argentina é a minha equipa favorita deste mundial, a seguir a Portugal, claro, e ontem torci compulsivamente pela vitória da gestão de Diego Maradona à frente deste team. Infelizmente não foi um jogo bonito e, em certo sentido, até foi desapontante. No entanto, o fascínio que Diego Maradona exerce sobre mim é tudo menos evidente. A personagem de Maradona tem tudo para me irritar mas, desde 2002, quando o Festival Sónar, Festival Internacional de Música Avanzada e Arte Multimedia de Barcelona, usou a imagem do futebolista para o seu grafismo, que comecei a respeitar e a apreciar o estilo deste argentino irreverente. A endeusá-lo, como faz aliás Kusturica no seu documentário. A vida tem destas coisas bizarras.

Maradona é encantador, tão altivo quando ternurento, por vezes chunga, e ontem saltou as grades do local onde estava a dar uma conferência de imprensa para cumprimentar um ex-colega jogador, agora jornalista desportivo. Kusturica filma Maradona com o ímpeto de misturar culturas, artes e até tradições religiosas. Assim, estamos perante uma mesclagem de cultura popular e erudita, futebol e cinema, música (dos Manu Chao aos Sex Pistols) e religião. Note-se a referência constante à enigmática igreja maradoniana que ninguém sabe muito bem o que é e que mais parece uma ficção lúdica de Diego Maradona. Entre confissões sobre a família, problemas com a droga, gestos irreflectidos (a bola na mão no golo contra a Inglaterra) e actos políticos (contra o imperialismo anglo-saxónico, por exemplo) o filme mistura estilos visuais (animação e recortes reais de cenas de arquivo).

Ora, na altura que o documentário de Kusturica estreou nos cinemas, para pena minha, não o consegui ir ver mas um destes dias tive oportunidade de o apreciar na televisão. Um relato, muito ao estilo anos oitenta, cheio de ternura, sobre a conturbada vida de Maradona. Uma viagem aos pensamentos e inquietações do argentino, às suas fraquezas e idiossincrasias, filmado por um amigo, Kusturica. A homenagem de Kusturica tem duplo sentido: o "deus" do futebol é acompanhado pelo "deus" do cinema independente e a admiração que o realizador nutre por Maradora desde pequeno transforma-se numa viagem à sua própria intimidade. As sinergias artísticas são evidentes e, neste sentido, o filme faz com Maradona o mesmo que Douglas Gordon e Philippe Parreno fazem em Zidane, um retrato do século XXI (2006) já aqui referenciado. No entanto, do ponto de vista técnico a estratégia de ambos os artefactos cinematográficos é muito diferente. Se no filme sobre Zidane tudo é coreografado e encenado pela montagem, no filme de Kusturica sobre Maradona tudo tem a aparência de confissão, excertos de tempo real e emoções frescas. No final, uma coisa é certa, estamos algumas horas entre deuses, a namorar estrelas, pela mão de artistas plásticos e cineastas numa sinergia (mescla) cultural evidente.

Maradona é uma personagem muito curiosa, espalha beijos por todo o lado (um beijo a cada jogador da selecção antes destes entrarem em campo) e raramente se deixa vergar à sua situação, seja ela a pobreza, a droga ou o oportunismo. Só um ser humano que aprecia de forma exacerbada a vida pode ser assim tão delicado e simultaneamente tão arrogante. No documentário de Kusturica, Maradona é um actor na sua própria história e oferece-nos uma encenação que muito pouco tem de genuíno e que por isso mesmo manipula de forma admirável o espectador. No filme de Kusturica não há nada de real tudo é encenado e, no entanto, tudo parece tão natural. Maradona tem força suficiente para levar a Argentina à final deste mundial? A ver vamos…

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“LEBANON”_ UMA PELÍCULA VISCERAL
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Tive oportunidade de ver há já algum tempo o filme Líbano (Lebanon, 2009) de Samuel Maoz, um retrato da primeira guerra do Líbano realizado e escrito por Maoz. A película transporta o espectador para o interior de um tanque num pesadelo passado no mês de Junho de 1982. O objectivo da missão de um grupo de quatro imberbes militares, as personagens Shmulik, Asi, Herzl e Yigal, é explorar uma cidade hostil bombardeada pela força aérea de Israel. De repente, e na consequência de um erro na rota que deveriam seguir, aquilo que poderia ser uma missão simples transforma-se num pesadelo. A imagem da câmara funde-se com o visor da arma de disparo do tanque e a dura missão imposta à tripulação deste, matar militares e civis em simultâneo, ou seja, tudo o que estiver em movimento, das galinhas aos velhos e mulheres inocentes, coloca-nos perante um cenário de total violência. Na pele dos inocentes militares que apenas querem voltar para casa e esquecer os horrores que vêem o espectador é confrontado com uma vivência dura que gera sentimentos estranhos…  

Um filme visceral onde os cubos de pão frito se misturam com o mijo da tribulação do tanque. Tudo é castanho, sépia, negro e sujo. Embora esta película nos possa recordar Estado de Guerra (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008, aqui referida) está longe do glamour de Hollywood e não tendo uma realização tão surpreendente quanto o filme de Bigelow é convicta nos seus argumentos cinematográficos e humanos. A sujidade, a porcaria e os gestos e regras inconsequentes fazem os protagonistas estar constantemente em suspeição: uns com os outros, com os seus superiores, consigo próprios. Consegue-se sair da sala de cinema com inúmeras dúvidas sobre a real eficiência das regras a cumprir, se houve ou não traição dos colegas de patrulha e quem alinhava com quem… é nesta confusão, repleta de ambiguidade, que ouvimos a excelente banda sonora do filme que apenas parece querer assinalar que a guerra é mesmo muito estúpida e que os inocentes soldados do tanque são coelhos que caem na armadilha do absurdo, cheios de medo e a lutar pela sobrevivência. Vale a pena ver.

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Terça-feira, 22 de Junho de 2010
“HEY BABY” _ LADY KILLAS, INC. & YOUANDMEPROJECTS
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O novo jogo de Suyin Looui, Lady Killas, INC., Hey Baby, pode ser experimentado aqui. A minha experiência é baseada nesta versão on-line e não tenho o jogo completo o qual, imagino, deve acrescentar mutas layers a esta versão demo. Durante aproximadamente uma hora “andei” de arma em punho, numa perspectiva na primeira pessoa, a executar zombies que me atiram piropos, uns mais grosseiros do que outros, do assobio ao comentário ordinário. O problema é que, por vezes, disparo contra inocentes que apenas me querem dizer que me amam ou somente passar descomprometidamente. No entanto, a jogabilidade apela a que eu dispare contra todos apenas para ler nas lápides o que tinham para me dizer pois, por vezes, no ímpeto de disparar não tenho capacidade sequer de compreender as palavras que me são destinadas. Uma experiência curiosa que me deixou baralhada a pensar se a ideia era criar uma certa ambiguidade crítica, ao estilo de September 12 th de Gonzalo Frasca, ou apenas fazer um statement em relação ao abuso de poder que são alguns piropos grosseiros.

O trabalho de Suyin Looui, que tive oportunidade de conhecer depois de um comentário deixado neste blogue pela própria autora, é muito interessante e pode ser consultado aqui. A artista produz experiências urbanas usando vários media e remete-nos para um universo que explora as dinâmicas da vida contemporânea e a relação desta com as redes, de documentos como a World Wide Web, e computadores (internet). Os trabalhos em Nova Iorque e na cidade velha de Shanghai (Massively Multiplayer Soba e [wãncãn]) propõem um conceito original que apela à participação e colaboração: “Grab some friends and traverse remarkable neighborhoods in Shanghai…. Talk to strangers, find clues, and fetch ingredients for a giant collective dinner party! 65 game players from New York & Shanghai walked the streets, talked to strangers about food, culture and language, and explored the compelling (and surprising) cultural histories of the city. In just 2 hours, they brought back 20 new friends they had just met from the neighborhood to join our big festive dinner party!” Mais informações aqui.

Photopolis é outro projecto da artista que pressupõe a participação de múltiplas pessoas na construção de uma base de dados fotográfica sobre diferentes lugares. 5 Journeys on the Train explora o espaço do metro para gerar interacções entre estranhos, tudo isto a partir de um jornal, da vigilância vídeo e do mapeamento de um conjunto de acções. Vale a pena consultar os projectos on-line da autora aqui. Muito obrigado pelas informações Suyin Looui!

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
VÍDEOS LAURA CORTES E TIAGO REIS _ PROJECTO BRINCAR COM A POESIA
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A partir de hoje a página do Facebook do projecto Brincar com a Poesia vai publicar os vídeos criados por Laura Cortes (imagem) e Tiago Reis (som). Até ao final do projecto, no dia 19 de Junho, será publicado um vídeo por dia na referida página on-line aqui. Passem por lá para ver o excelente trabalho de interpretação de 8 estrofes de oito poemas portugueses. A não perder!


Terça-feira, 1 de Junho de 2010
8 JOGOS FLASH ON-LINE _ PROJECTO BRINCAR COM A POESIA
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Para o jogo/instalação Brincar com a Poesia foram criados e produzidos 8 jogos. Estes jogos, que podem agora ser jogados on-line, partem da obra dos poetas "em jogo" nas instalações interactivas presentes na Biblioteca Municipal de Oeiras e sugerem desafios diversificados como, por exemplo, responder a questionários, disparar sobre frases de poemas, empilhar estrofes, descodificar imagens, entre outras possibilidades. Uma forma de interacção poética a explorar e, no final, não esquecer de deixar o nome no ranking do sistema de pontos.


QUATRO ANOS DEPOIS…
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Com tanta actividade lúdica e lectiva quase me ia esquecendo de comemorar os quatro anos da mouselândia… No mês de Maio este blogue fez quatro anos e que sejam comemorados a jogar jogos flash sobre poesia e poetas portugueses (Projecto Brincar com a Poesia). Mais ainda no dia da criança, hehehe. Os desafios lúdicos propostos podem envolver crianças e graúdos. Esta comemoração estende-se a todos os colaboradores, leitores, interessados em cultura digital (livros, jogos, cinema, música, artes, design...) deste blogue. A todos aqueles que encontram há quatro anos um espaço de debate e reflexão na mouselândia: muitos parabéns!


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