Sábado, 18 de Setembro de 2010
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
IMMA _ CARLOS GARAICOA _ DUBLIN
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No Irish Museum of Modern Art (IMMA) de Dublin, um espaço dedicado à arte moderna e contemporânea, que se situa num antigo hospital, o Royal Hospital Kilmainham, vi a exposição do artista cubano Carlos Garaicoa nascido em Havana em 1967. Na apresentação da mostra afirma-se que Garaicoa: “has been working since the early 1990s using a multidisciplinary approach that includes architecture and urbanism, narrative, history, and politics. Adopting the city of Havana as his laboratory, his works are charged with provocative commentaries on issues such as architecture's ability to alter the course of history, the failure of modernism as a catalyst for social change and the frustration and decay of 20th-century utopias. Interested in urban planning and a city's architectural social fabric, Garaicoa often illustrates his vision in large installations using various materials such as crystal, wax candles and rice-paper lamps”. Mais informações sobre este artista aqui

Achei enigmáticas algumas das instalações de Garacoa, apresentadas no contexto desta exposição, nomeadamente a obra The Crown Jewels, 2009, na qual se mostram réplicas de prata, em miniatura, de centros reais de tortura, espionagem, prisões, etc. Os edifícios transformam-se em jóias e a visualização da legenda para descodificar o sentido é obrigatória. Outra obra, My personal Library Grows-up Together with My Political Principles, de 2008, remete-nos para uma construção, algo lúdica, a partir de algumas publicações sobre arquitectura que são recortadas para encaixarem umas nas outras, transformando-se assim em building blocks e assemblages que questionam o papel das ideologias e os contextos sociais, políticos e culturais criados pelo planeamento urbano dos edifícios. Em outros trabalhos o artista explora a vida nas cidades cubanas e trabalha sobre os despojos de uma arquitectura deixada ao abandono depois da revolução de 1959. Surgem, assim, livros pop-up, fotografias e desenhos. Bastante inspirador.

No IMMA estava ainda patente a exposição do artista espanhol Ferran Garcia Sevilla, que não me encantou, pela sensação de dejá vu provocada. As pinturas trespassam uma atmosfera anos oitenta, do ponto de vista pictórico, o que me deixou indiferente. Finalmente, nos jardins do museu, podem-se ainda encontrar algumas esculturas estranhas que vale a pena ver como, por exemplo, The Axe (and the Waving Girl) de Alice Maher, 2003, e Escaped Animals de Julian Opie, 2002.

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DUBLIN _ ICONOGRAFIAS _ 01
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
A POESIA MÍSTICA DE DUBLIN _ ENTRE UMA GUINNESS E UM GUISADO
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Chegámos a Dublin a meio do dia e depois de feito o check in no hotel escolhido no booking, perto da Heuston Station, decidimos logo deambular a pé pelas ruas da cidade. Como já vem sendo hábito nas nossas viagens reservamos, quando chegamos e quando partimos, três noites na capital do país que escolhemos calcorrear nesse ano. Fazemos isto nos três primeiros e últimos dias para assim ficarmos em duas zonas distintas da cidade escolhida. Reservadas só levamos estas seis noites, o resto é aventura. 

No primeiro dia fomos direitos a Temple Bar e visitámos o centro de fotografia (National Photographic Archive da National Library of Ireland) que tinha patente uma exposição de imagens históricas de costumes e tradições irlandesas. Percorremos a pé as ruas do centro e satisfeitos deparamos com um restaurante Wagamama, o que nos assegurou imediatamente que à falta de melhor iríamos, sem dúvida, sentir o efeito positive eating + positive living neste refúgio londrino. Nessa noite, e porque a jornada tinha sido pesada, acabámos num pub a beber Guinness e, no meu caso, a comer um delicioso lamb stew. O P. comeu um bife com molho de Guinness com bastante bom aspecto. À nossa volta eram só hamburgers, fish 'n' chips, e afins. No final, acabámos por não resistir a um prato de french fries, com casca e maionese, para acompanhar mais uma deliciosa Guinness. Ainda não conhecíamos a ementa local, muito monótona e sensaborona, e naquele dia o repasto foi delicioso.

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No dia seguinte fomos conhecer o Phoenix Park, muito perto do nosso hotel, interessante mas nada de especial, e passámos pelo Zoo mas não entrámos. Como estava um dia radioso optámos por ir passear pelo centro e à noite lá fomos visitar o Wagamama, hum… delicioso. A chuva apareceu na manhã subsequente e por isso mesmo fizemos um programa museológico e lúdico. Depois de uma ida ao bastante surpreendente Irish Museum of Modern Art, um antigo hospital convertido em "centro artístico" (farei um post dedicado ao mesmo em breve) fomos direitos à fábrica da cerveja Guinness. Na Guinness Storehouse, um edifício em forma de pint, tivemos o prazer de nos deleitar, por etapas, com um “workshop” completo sobre o fabrico, a preparação, a forma correcta de servir, as várias campanhas publicitárias e ainda algumas provas desta surpreendente marca irlandesa criada, em 1759, por Arthur Guinness. Fiquei a saber que o livro de records, o Guinness Book, está associado desde sempre à cerveja e que apareceu para despoletar nos barmans temas de conversação com os clientes, os quais se resumiam, muitas vezes, às corridas de pássaros. Com uma vista deslumbrante, no último andar, servem-nos com mestria uma pint e podemos ouvir música e apreciar Dublin de lés-a-lés. Vale a pena a visita nem que seja para conhecer os seis passos necessários para servir uma cerveja Guinness em condições e pode-se mesmo ensaiar a experiência.

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Ora, o carro alugado esperava por nós no dia seguinte e só voltámos a Dublin dez dias depois, muito mais instruídos na cultura irlandesa, claro. Quando voltámos ficámos numa outra zona da cidade mas ainda fomos de Luas, o transporte local do género metro de superfície, à zona “Museum” para ver a exposição permanente das obras da designer/arquitecta autodidacta irlandesa Eileen Gray, patente no National Museum of Ireland. Desta vez ficámos na elegante área do Herbert Park, perto das embaixadas, não muito longe da zona renovada da cidade, um espelho do boom dos anos noventa e princípio desta década. Os edifícios novos estão muito bem integrados na cidade e respira-se, aqui, um ambiente mais leve e descontraído que nem a crise actual parece tocar. Apartamentos de vidro de varandas generosas, cafés e supermercados elegantes, água, bicicletas, muitos sítios para se fazerem piqueniques espontâneos e para se apanhar sol. Nestes últimos dias o tempo esteve sempre tão bom que os irlandeses pareciam incrédulos. Nós de casacões de inverno e eles “descascados” de t-shirts de alças e calções. Dezassete, dezoito graus, no máximo.

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A cidade de Dublin e os dubs reflectem bem, mais do que qualquer outro sítio onde estivemos no campo, os problemas de consumo desenfreado que colocam a Irlanda ao nosso lado nos países em estado crítico, nos PIIGS. Por todo o lado carros de luxo, construção, antes desenfreada, que agora é votada ao abandono, lojas de toda a espécie e muitas de luxo, consumo e mais consumo... e um tecido empresarial que apostou mais nos serviços e muito pouco em bens transaccionáveis como, por exemplo, na agricultura. Com tantas vacas, ovelhas, patos, prados verdes... Depois da Grande Fome da Batata, com os senhorios a exigir aos agricultores rendas que não podiam pagar, depois de um surto de fungos nas plantações de tubérculos, é surpreende este estado actual. E as french fries em todo e qualquer prato, com a lasanha, com a pasta, ao jantar e ao pequeno-almoço. Com uma língua franca seria talvez de esperar, neste momento, prosperidade e abastança... Com investimentos tão díspares dos nossos, as estradas e a sinalização são do tempo dos nossos avós, é curioso como se assemelham connosco em algumas coisas, essencialmente nos serviços, onde não é raro borrifarem-se completamente para o cliente e começarem a falar uns com os outros. Por duas vezes, em dois hotéis distintos, o alarme de incêndio tocou e o pedido de desculpa pelo susto causado aos clientes nunca chegou... De resto, são mais simpáticos do que nós portugueses quando ligam “à terra” para continuar o atendimento em curso.

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Os irlandeses são, regra geral, pequenos. Efeitos do isolamento na ilha ou da fome? São hoje, tal como nós, um reflexo evidente de uma pobreza congénita profunda, um país remediado. Depois há os escritores, tantos e tão bons. Por todo o lado encontramos inscrições e frases-soltas, máximas, na pedra, nos vidros, nos pubs e restaurantes, entre o guisado e a cerveja. A luz, as paisagens, a música, e a mística de todo o país, pressentem-se em Dublin, ao lusco-fusco, quando se observam os cisnes a nadar nas águas poluídas ou se ouvem as pequenas gaivotas. Visitámos o Book of Kells, no Trinity College Library Dublin, uma desilusão! Não tanto pelo livro ou pela biblioteca mas pela exposição, pelas hordas de turistas e pela roubalheira de 9 euros para ver aquela palhaçada. A culpa foi minha que insisti quando já se vislumbrava uma coisa destas mas até valeu a pena descodificar algumas coisas sobre tipografia e simbologia usadas no livro. Dublin, nesta fase, era muito mais rica depois de mil e setecentos quilómetros percorridos de carro pela Irlanda. No Trinity College vimos ainda a exposição Bio-Rhythm, Music and the Body na Science Gallery aqui referida e na National Gallery of Ireland apreciámos uma colecção bastante digna de arte irlandesa e europeia. Com obras de Fra Angelico, Caravaggio, Vermeer, Pousin, Goya, Picasso e muitos outros. Em Dublin lembrei-me de imensos lugares, da América ao Canadá, passando pela Turquia, senti um impulso nostálgico, uma poesia mística despoletada pela oscilação das nuvens, pela chuva e pelo sol, pela Guinness e pelos guisados de cordeiro.

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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
“BIO-RHYTHM, MUSIC AND THE BODY” _ TRINITY COLLEGE, DUBLIN
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Bio-Rhythm, Music and the Body, uma exposição patente na Science Gallery do Trinity College de Dublin que mostra algumas obras interactivas curiosas. A exposição propõe uma leitura sinestésica do som e parte das seguintes questões: “What makes us dance? Why do we sing the blues? Could there be a formula for the perfect hit?” Assumindo que a música é central no processo cognitivo e na experiência humana questiona-se: “(…) but what is the natural force that drives us to sing, strum, drum and dance? What is the scientific basis of whistling, humming and toe-tapping?"

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A mostra reúne um conjunto de obras muito curiosas, do conhecido sistema/mesa Reactable de Barcelona, ao objecto Contacts, onde uma mão em cima de um sensor, e ligada a outras, constrói música em colaboração (Scenocosme / Gregory Lasserre e Ana met den Ancxt, França), passando por tapetes de dança (o Biodancer do Trinity College Dublin) e por instrumentos musicais que nos permitem construir música com peças de lego e com o nosso batimento cardíaco (Heart ‘N’ Beat, Yoshi Akai / Japão). A partir deste conjunto de projectos interdisciplinares que surgem de sinergias variadas entre artistas, engenheiros e neurocientistas, questiona-se a forma como a música pode transportar o nosso corpo para novos mundos de experiências sónicas, sinestésicas, tácteis e acústicas. Uma interessante abordagem sobre biologia, ciências cognitivas e artes: “Cognitive scientist Steven Pinker recently claimed that music is "auditory cheesecake", designed to tickle parts of our brain designed for more serious purposes like speech and abstract reasoning. Darwin, on the other hand, preferred to think that music and dance evolved as an integral part of human courtship rituals. George Bernard Shaw more racily described dancing as "the vertical expression of a horizontal desire". Our brains, ears and vocal chords are exquisitely designed for enjoying and creating music.” Mais informações aqui.

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De salientar o excelente design da exposição, da identidade gráfica aos espaços expositivos, passando pela capacidade de apoio de um conjunto de estudantes do Trinity College, que explicam aos visitantes como tirar partindo das peças assim como também informam sobre os principais conceitos a explorar durante a fruição das obras. Este acompanhamento é fundamental para o devido entendimento das experiências interactivas as quais, pela sua complexidade, requerem disponibilidade mental e física.


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