Terça-feira, 22 de Maio de 2012
VIAGEM À POLÓNIA _ AUSCHWITZ, CRACÓVIA E VARSÓVIA _ ABRIL DE 2012



















Entre dia 3 e 10 de Abril estive na Polónia de férias com o P.. Chegámos a Varsóvia via Frankfurt e, depois de uma noite bem dormida e de uma visita nocturna pela cidade, partimos para Cracóvia de comboio na manhã seguinte. Na tarde da nossa chegada, Cracóvia foi inundada de sol e estava até quente. Comemos um gelado delicioso enquanto visitávamos o centro histórico, com o imponente castelo com vista sobre a cidade, as inúmeras igrejas e ruas pitorescas. Jantámos num restaurante Georgiano razoável depois de levarmos uma nega no sítio onde queríamos ter degustado, um típico restaurante polaco onde iríamos dois dias mais tarde. No hotel agendámos a visita a Auschwitz-Birkenau para o dia seguinte.

















Partimos para Auschwitz-Birkenau às nove da manhã. Como reportei na altura na minha página do facebook o museu de Auschwitz é um cemitério a céu aberto. Vale a pena a visita pela experiência, pela hipótese de perceber in loco os horrores ali passados, reviver a memória de tantos filmes que recriam a atmosfera dos dormitórios, dos laboratórios, das prisões e do exterior árido, mas o museu não faz justiça à memória das vitimas. Este facto deve estar associado a algum conservadorismo ou medo de transformar a visita em espectáculo. Coisa estranha, algo ortodoxa, ainda para mais quando o museu tem associados inúmeros especialistas que poderiam garantir alguma imparcialidade. Podem-se visitar os espaços e saber alguns dados históricos através dos guias da visita mas sabe a pouco. No nosso caso, tivemos um interessante guia polaco com um excelente sotaque de Oxford, uma conversa muito dramática, encenada e rigorosa. Os inúmeros despojos em vitrinas, as fotografias/fotocópias e a maqueta do crematório são quase patéticos. No autocarro, à ida para lá, vimos um filme de sessenta minutos com o relato da experiência do fotógrafo do dia da libertação do campo, muito interessante. Mais tocante do que muitos dos artefactos da exposição. Uma boa preparação emocional. Depois, visionámos no DVD do hotel outro documentário sobre outro fotógrafo de Auschwitz, Wilhelma Brasse. Encontrámos este filme por acaso numa livraria do bairro judeu, chama-se O Portrecista e foi realizado por Irek Dobrowolski em 2005. Esteve muitos anos à espera para encontrar financiamento.

















No museu não há qualquer apresentação multimédia, filmes, relatos de prisioneiros, reconstituições históricas, depoimentos de especialistas ou outros… pouca ou nenhuma informação adicional que não seja para comprar nas livrarias, dois espaços minúsculos. A ausência de informação complementar em Auschwitz-Birkenau é ainda mais estranha quando se visita o recente museu da cidade de Cracóvia inaugurado em 2010. Um espaço inteligente, cheio de pequenos filmes históricos e experiências multimédia para todos os gostos e idades. A visita a Auschwitz vale a pena porque se pensa o horror de alguns aspectos pragmáticos, o frio que devia fazer e os prisioneiros debaixo de umas fardas miseráveis a dormir em “palhotas” horríveis sem água corrente, o não se ter liberdade para ir à casa de banho com tranquilidade porque os guardas controlavam os tempos dos prisioneiros ao mais pequeno pormenor, as experiências do Dr. Menguele… mas é lamentável que não tenha mais informação. Muito longe dos museus/memoriais de Hiroshima e Nagasaki que visitei no início da década passada. No entanto, a visita não deixa de ser um pontapé no estômago por razões evidentes associadas às inúmeras emoções que vivemos ali ao visitar os diversos espaços, ao ouvir alguns relatos e ao sentir o frio gélido. Manter a memória viva daquelas atrocidades devia ser uma preocupação de todos os países europeus.

O P. recebeu esta semana a série The World at War, The Ultimate Restored Edition, e estamos os dois a seguir os contornos alucinantes da Segunda Guerra Mundial. Nos três primeiros episódios podemos perceber o início da tragédia Europeia, as "maquinações" do exército alemão, inglês e francês e a pobre sorte dos Polacos, divididos e ocupados entre alemães e soviéticos, à espera, a sofrer com a lentidão dos ingleses e a inércia dos franceses. O Palácio da Cultura e da Ciência, em Varsóvia, é um exemplo de uma oferta de Stalin ao povo polaco. Antes chamava-se o Palácio da Cultura e da Ciência de Joseph Stalin. O monumento mais alto da cidade. Lembro-me de ver com o meu pai a série sobre a Segunda Grande Guerra na RTP2 quando era pequena e achar uma seca monumental. Era criança e não tinha qualquer interesse para mim perceber os contornos destes trágicos acontecimentos. O meu pai adorava ver e por isso não havia como ignorar a série. Hoje, no entanto, ao rever a mesma esta parece-me fundamental e até é provável que a minha disponibilidade esteja relacionada com essa experiência passada. Talvez daí venha o meu fascínio pela Polónia. Há bastante tempo que queria conhecer o país e não fiquei nada desiludida.

No dia seguinte, à ida a Auschwitz-Birkenau, partimos para uma visita às minas do sal. Não aconselho mesmo nada. É dos lugares turísticos mais fake e desinteressantes onde alguma vez estive. Uma atmosfera plástica e de parque temático que nada contribui para a nossa felicidade, pelo menos para a minha, claro está. Pindérico e desinteressante.

Quando regressámos dessa triste visita, felizmente curta, ainda tivemos oportunidade para ir visitar o Museu da cidade de Cracóvia, Rynek Undreground, o qual se revelou uma óptima surpresa. Jantámos, nessa noite, num óptimo restaurante húngaro, perto do hotel, era sexta-feira santa e a cidade estava animada.

















Sábado chegou, andámos pelas ruas a ver os Polacos passear de cesto de Páscoa na mão, uns intrigantes contentores de palha e guardanapos de renda, com ovos, flores, fruta e outras iguarias. O sol voltou e a última tarde em Cracóvia foi bestial, andámos pelo bairro judeu e visitámos novamente os arredores do Castelo. À noite jantámos num restaurante horrível, um festim de chouriçada. Pratos gigantes de carne de porco frita e chouriços variados, tudo cheio de gordura, até os legumes. Certamente, uma das minhas piores refeições da vida.

No domingo de Páscoa partimos para Varsóvia de comboio. Em Cracóvia tinha nevado de manhã e, quando chegámos a Varsóvia, estava um frio de rachar. Da estação até ao hotel foi uma caminhada penosa. Estava quase tudo fechado e acabámos a jantar no hotel depois de uma prospecção pelo centro histórico. Varsóvia, ao contrário de Cracóvia, não é uma cidade bonita mas o centro é interessante e vê-se que nos próximos tempos vai melhorar. As fotografias antigas, antes da guerra, que vimos numa exposição ao ar livre, mostram que os edifícios não tinham o alinhamento controlado de hoje, a reconstrução terá introduzido algumas melhorias no traçado geral. O centro da cidade tem um movimento constante de pessoas, tanto de dia como à noite, o que a torna atraente. É mais interessante do que esperava.

















Nos últimos dias da nossa estada na Polónia fomos visitar o Centro Copérnico, inundado de crianças, estava tanta gente que ficámos pelos jardins a contemplar os arredores e seguimos, a pé, para o centro. Fomos também ao Museu de Arte Moderna ver a exposição “Angry Birds” que apresentava trabalhos de uma nova geração de artistas importantes na “cena” arti de Moscovo. Fiquei fascinada com duas obras de vídeo. Uma delas, de Anastasia Potemkina, nascida em Moscovo em 1984, chamava-se Duck Traffic e consistia na introdução de uma personagem (a artista) que alimentava com pão um conjunto de patos para que estes interrompessem o tráfego numa estrada ao pé de um parque. Os condutores revelavam-se imprevisíveis, dos mais pacientes, que esperavam calmamente a passagem dos patos, aos que buzinavam furiosos contra a ocorrência de tão sui generis acontecimento. Hilariante. De acordo com o catálogo da mostra: “The video documents the artist’s ironic invasion of a European city space: by throwing breadcrumbs, the artist has lured a flock of ducks into the street, thus stopping traffic for a while and creating a traffic jam. As the artist herself describes her project: “This work demonstrates a crossing of two types of traffic – animal and technology. The unexpected invasion of the animal world into the technological one creates a moment of complete confusion, when in a clash with its fragile living ancestor, motor traffic becomes absolutely helpless, and all its technical power is redundant.”

Na outra obra, de Laura Kuusk, nascida em 1982 na Estónia, chamada Almost a movie I, II, III, IV, ensaiavam-se entrevistas com futuros realizadores de obras por fazer, ou seja, os filmes eram o relato das intenções de um conjunto de realizadores de diferentes nacionalidades a relatar as suas futuras produções cinematográficas. Bastante hilariante também. Como se afirma no catálogo da exposição: “The work “Almost film,” presented at the exhibition, is a series of videos about people who make films. In each of four videos there is a person talking about their film, what it is going to be devoted to, what its main message will be, and important details related to the movie; we also see the planned shooting locations. We can already imagine the movie, run it in our heads, even though it does not yet exist. We don’t even know what it is: a make-believe, video portraits of directors, or a documentary on non-existent ideas.”

















Os polacos não são simpáticos. Os serviços bastante lentos ou com muita gente para fazer pouco, o que os torna mais lentos. Neste aspecto lembra mais o sul do que o norte da Europa. No entanto, ficámos em Cracóvia num dos hotéis mais interessantes em termos de qualidade, preço, pessoal, design, serviços, localização e pequeno-almoço onde alguma vez estive. O hotel faz parte de uma cadeia com vários outros (Áustria, França, etc.) o que afasta o seu ADN da Polónia e o aproxima de outras latitudes. Segundo nos disseram por lá, os polacos gostam de se manter isolados, distantes e prescindem com dificuldade da sua privacidade. Nunca nos perguntaram de onde éramos nem fazem em geral perguntas.

Em Varsóvia há vários bancos Millennium e apenas vimos um Biedronka (o supermercado da joaninha, Jerónimo Martins), perto do centro Copérnico, embora se vejam alguns anúncios pelas cidades e arredores. A vodka local mais afamada chama-se Chopin, Frédéric Chopin nasceu nos arredores de Varsóvia. Esta vodka é deliciosa e existe em duas variadas, uma de arroz e outra de batata. Podem-se beber inúmeras marcas de vodka mas esta é, de acordo com o que lemos e nos disseram, a melhor. Há várias outras chancelas, com e sem sabores adicionados mas nada como a Chopin. A Polónia é também um dos países que mais produz cerveja, as marcas são inúmeras. Chopin também dá nome a vários tipos de chá local, tisanas e chocolates. De resto, para além da passagem de Copérnico pela Universidade de Cracóvia, da “fuga” (emigração) de Chaja Rubinstein, i. e., Helena Rubinstein, de Cracóvia para a Austrália, e de Marie Curie, de Varsóvia para França, há poucos artistas e cientistas representados no universo turístico das duas cidades polacas. A guerra levou e destruiu tudo. No entanto, Cracóvia foi um grande centro académico e é com grande orgulho que se apresenta o protagonismo desta universidade no museu da cidade.

A viagem à Polónia valeu a pena. Cracóvia tem encanto, uma bonita cidade pintalgada pelas lendas do dragão e por Dzok, o cão que esperou durante um ano ser alimentado pelo dono que falecera.  Segundo lápide da escultura em sua memória no passeio perto do Castelo: "The most faithful canine friend ever, epitomising a dog's boundless devotion to his master. Throughout the entire year /1990-1991/ Dzok was seen waiting in vain at the rondo granwaldzkie roundabout to be fetched back by his master who had passed away at the very site." Pobre cão. Pobre Polónia no passado.




Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
POLÓNIA _ ICONOGRAFIAS
































 




Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
LA E O SÍNDROME DE BARTLEBY















Depois de seis meses de silêncio decidi actualizar este blogue com algumas peripécias. Há aproximadamente seis meses fui atingida pelo síndrome de Bartleby, uma sensação bizarra tão explicitamente desmontada por Enrique Vila-Matas no livro Bartleby e companhia (2000), deixei de ter qualquer vontade de continuar a reportar neste blogue alguns momentos. Depois de mais de cinco anos de escrita assídua neste espaço o silêncio pareceu-me a única forma de dizer alguma coisa de relevante.


Tudo começou com o impacto da ida à Califórnia em Outubro/Novembro do ano passado com o P.. Socorrendo-me das minhas notas da altura no facebook vou fazer um relatório detalhado dessa viagem para tentar desbloquear a irónica cruzada de uma escritora do Não durante seis meses.

Ora, tudo começou com uma ida muito atribulada. Reportei no dia 31 de Outubro que tinha tido um US Airways Nightmare pois logo no início da viagem, mal levantávamos voo, disseram-nos que íamos aterrar em Boston para encher o depósito do avião devido ao mau tempo em Filadélfia, local da nossa escala já nos EUA. O avião parecia sofrível para uma viagem transatlântica e rapidamente percebemos que o nosso companheiro de viagem não ia deixar o p. descansar um só minuto. Estava empenhado em conversar, ou “monologar”, sem parar, e era de uma espécie de indivíduos raros, empreendedores natos, teóricos moralistas sem grande obra mas que advogam uma pragmática cuja génese são os melhores avaliadores. Já a sobrevoar a cidade americana onde se assinou a declaração de Independência em 1776 apanhámos uma turbulência indescritível e aterrámos com duas horas de atraso devido à paragem de Boston.

No aeroporto de Filadélfia, à chegada, numa mesa improvisada, novos bilhetes para Los Angeles apareceram emitidos em nosso nome. O primeiro voo estava perdido e, percebemos poucos minutos depois, o segundo também. Passámos uma hora e meia para carimbar o passaporte e todos os empregados do aeroporto pareciam indiferentes ao facto de podermos perder voos de correspondência. Muita gente se queixava que ia perder o avião e o pessoal de terra era de uma antipatia de assinalar, falavam connosco como zombies, teclavam dados no computador sem sequer olhar para nós. Welcome América! No aeroporto, passámos o tempo todo a correr de balcão em balcão e, finalmente, entrámos no avião cujo bilhete tínhamos desde o início e que estava com mais de três horas de atraso. Aqui, passámos uma hora a andar de um lado para o outro em terra à espera do tapete de gelo. O piloto ia fazendo o ponto da situação de forma confusa pela rádio, já estávamos cientes que se tratava de um temporal, nevou fora de época, e as condições eram bastante anormais mas só tivemos a real percepção do que se passara no dia seguinte.

Quando finalmente levantámos voo estávamos com cinco horas de atraso. No avião pedimos comida, de acordo com uma ementa que circulava, e ficámos a saber, de forma muito pouco simpática, que devíamos ter comprado alguma coisa no aeroporto pois estava tudo esgotado. Só snacks. Nesta altura estava bastante desesperada para tomar alguns medicamentos, anti-inflamatório e afins, e o mal-estar da alergia infectada que trazia há mais de quatro dias apoderou-se totalmente do meu feitio. Comemos snacks, tomei os medicamentos, e chegámos a LA.


Nós os dois chegámos a Los Angeles mas as nossas malas não, ficaram em Filadélfia… Uma vez mais, sem qualquer simpatia, atiram-nos os kits de higiene da companhia aérea e dizem-nos para consultarmos o website deles, área de bagagem extraviada. Não tenho mais medicamentos nem produto para limpar a lente de contacto suficiente… o meu estado é nervoso com uma pitada de desespero, tenho que estar fresca dentro de dois dias para a apresentação na Chapman University e corro o risco de piorar. Vamos para o hotel na zona de Hollywood de táxi a sentirmo-nos miseráveis. O sítio revelou-se um lugar acolhedor e suspirámos de alívio por isso mesmo.















No dia seguinte, depois do pequeno-almoço num café acoplado ao hotel bastante giro, sem muda de roupa e com a lente de contacto a dar sinais de oleosidade tornando-me a visão embaciada, o P. elabora mentalmente os piores cenários possíveis para as nossas malas e eu, provocada pelo desespero digo-lhe, “há dez anos, na cidade do México, fiz-te uma fita terrível porque me estragaram a mala na viagem e ela chegou partida, hoje para mim isto parece uma aventura.” As malas vão chegar sem problema nenhum, pensei, e deixei o pessimismo para entretenimento do P.. E quem estava doente e em trabalho era eu.

Fomos à Gap, comprar uma muda de roupa, e à farmácia do supermercado comprar soro e medicamentos. Em Lisboa, dois meses depois, recebemos, por parte da companhia aérea, o reembolso de todo o dinheiro que gastámos. De seguida, ainda andámos pelo passeio da fama e bebemos um sumo vitaminado numa loja de sumos naturais de origem hispânica. O congestionamento nasal, que apresentara sinais preocupantes depois de tanto ar condicionado, nesse dia melhorou ligeiramente no seguimento de uma consulta improvisada na mesma farmácia do supermercado onde tínhamos estado de manhã. Ao final da tarde as malas chegaram.

No dia 1 de Novembro, andavam todos vestidos para o dia das bruxas, voltei a ter as vias respiratórias quase em forma, andei pelo MOCA, Mulholland Drive, Hollywood, Little Tokio, Walt Disney Concert Hall e tantos outros lugares. Los Angeles revelou-se muito mais interessante do que imaginara. Foi um dia excelente, com sol e calor. Jantámos, como na véspera, num restaurante tailandês, muito bom, recomendado pelo trip advisor e perto do nosso hotel. Uma velhota dos seus setenta anos servia à mesa e a comida era deliciosa. Não havia como não repetir a experiência aliciados pela memória irresistível do dia anterior.

No dia seguinte partimos de comboio, “uma coisa muito europeia”, como ironizou um amigo americano mais tarde, para Orange County. A zona é muito bizarra, um enorme parque de estacionamento a céu aberto com alguns edifícios megalómanos, como a catedral de vidro, a primeira Disneyland, agora decadente, e muitos outlets. Felizmente o hotel era bastante confortável e só lá íamos ficar dois dias. Nessa noite, fomos jantar a um restaurante mexicano recomendado, acompanhados pelo Stephen do Rochester Institute of Technology (RIT), que nos levou de carro alugado pelas profundezas da região. Voltámos ao hotel para uma última Corona e, no dia seguinte, fiquei de ir ter com o Stephen para irmos juntos para a conferência IGIC 2011. Reencontrar o Stephen foi muito bom. Em Orange County, tal como em LA, tudo é longe e o carro é imprescindível.


Dia 2 de Novembro estive o dia todo na Chapman University. Logo no hotel do Stephen conheci um grupo de canadianos, também dos jogos, e fomos todos juntos para a conferência. O P. foi visitar as redondezas e fotografar as bizarras construções locais. As apresentações da manhã foram bastante estimulantes, principalmente as comunicações de Trip Hawkins, uma personagem histórica dos jogos digitais, e de Susan Bond, da 42 Entertainment. Conheci, finalmente, o Jeff Watson da University of Southern California (USC), depois de tantos e-mails trocados durante meses, e revi algumas pessoas que tinha conhecido no ano anterior em Hong Kong. Ali, até à hora de almoço se apresentavam comunicações e o ritmo foi alucinante. Nas paredes da Universidade podiam ver-se pinturas originais de Robert Rauschenberg. Às sete horas da tarde, depois da recepção, onde se comia e bebia e se ouviam as últimas comunicações, apanhei um autocarro improvisado para o hotel, conduzido por um dos chairs da conferência que não tinha conseguido encontrar o motorista. Uma cena hilariante.

Nessa noite fui jantar com o P. a um restaurante de barbecue muito apreciado pela fauna local e bebemos um bom vinho da Califórnia. Missão cumprida! O dia, depois de todos os problemas na organização de um painel "fantasma" para esta conferência que me deu imenso trabalho e que acabou reduzido à minha comunicação e à do Jeff por motivos económicos, correu bastante bem. A Narisa, chair da IGIC 2011, excedeu-se em simpatia, queria que ficássemos instalados em sua casa, tentou agendar-nos uma visita aos estúdios de Hollywood e não descansou enquanto não garantiu que eu iria visitar a USC em companhia do Jeff. Os dias começavam a voar e havia tanta coisa para fazer ainda.













Voltámos para LA de comboio na manhã subsequente. Desta vez ficámos hospedados num hotel em Beverly Hills. A tarde foi passada no Getty Museum, uma soberba vista da cidade e uns jardins muito interessantes. Vimos a exposição sobre a obra de Lyonel Feininger (1871–1956), um dos primeiros professores da Bauhaus. Mais informações aqui. Descemos a Sunset Boulevard e jantámos num restaurante japonês das redondezas.

No dia 4 de Novembro fomos de manhã ao Farmers Market, um divertido centro comercial a céu aberto com uma área de restaurantes de várias nacionalidades. À tarde chovia bastante, coisa rara em LA, segundo o Jeff nos assegurou mais tarde, e, debaixo de chuva, partimos para uma visita à mítica University of Southern Califórnia (USC), escola de alguns dos mais conhecidos realizadores de cinema, Robert Zemeckis, George Lucas, Steven Spielberg, entre tantos outros. Fomos visitar a School of Cinematic Arts e o Game Center com o Jeff e o Stephen. O Jeff fez-nos uma simpática visita guiada e a experiência foi, claro, muito boa. Visitar o gabinete onde o projecto Reality Ends Here teve início e perceber que o humilde Brincar com a Poesia era compreendido com respeito e interesse. A sintonia das conversas e dos momentos. Dois dias antes recebi da Susan Bond um cartão metálico com os seus contactos, uma empresa que durante tantos anos venerei à distância. A vida tem destas coisas.

Alguns meses depois, uns quatro, ao consultar os rankings de Princeton na área dos jogos, soube que tinha ido visitar a escola com aquele que é considerado, há já alguns anos, o melhor curso de jogos digitais dos Estados Unidos, e, quem sabe, se não do mundo. E isto em companhia de um professor do Rochester Institute of Technology, número dois na América. Foi uma dose muito forte. Percebem o sentimento de Bartleby agora? Depois disto porque não o silêncio?


Nas mãos, este ano, tive a responsabilidade de construir de raiz o primeiro ano do curso de jogos digitais numa Universidade Portuguesa. Existem, até ao momento, mais dois em politécnicos. Como afirmava há dias na televisão o cientista português Manuel Sobrinho Simões, há aqueles que festejam as coisas que acontecem, os projectos que caem, e outros, como o próprio, e onde também me incluo, que se apavoram com a responsabilidade que chega. Este ano lectivo foi um ano de silêncio. Que havia a dizer quando se está tão expectante sobre a realidade que nos aconteceu. Não sou optimista e não tenho jeito para grandes exercícios de celebração antes de tempo. Não comemorei nada e há um ano quando soube da notícia foi com todo o pânico que a recebi. LA foi demasiado forte. O silêncio incomoda-me mais do que os resultados e, um ano depois, vou perdendo o receio, e agora, o silêncio vai-se também. Há muito que sei que em Portugal tudo se consegue com demasiada dificuldade, tenho pouca paciência para tanta morosidade e falta de visão, estou por um fio com este país.

O programa da conferência com alguns vídeos das comunicações está disponível aqui.




LOS ANGELES _ ICONOGRAFIAS


























.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Março 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

31


.posts recentes

. EM SÃO PAULO, ENTRE OS RU...

. "THE LAST OF US", AMOR, L...

. QUE SORTE PODER VOLTAR A ...

. MEXICO DF UMA CIDADE ONDE...

. A MINHA SAGA COM O CANDY ...

. QUATRO FILMES A NÃO PERDE...

. PABLO ESCOBAR, O PATRÃO D...

. A MINHA FRUSTRAÇÃO COM O ...

. "THE WALKING DEAD" (GAME)...

. NUMA JANGADA DE POVOS IBÉ...

.arquivos

. Março 2014

. Dezembro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Maio 2012

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

.tags

. apostas

. arte e design

. artes e design

. cibercultura

. ciberfeminismo

. cibermemórias

. cinema

. colaborações

. divulgação

. enigmas

. entrevista

. exposições

. festas

. game art

. game art exposições

. gamers

. iconografias

. indústria de jogos

. interfaces

. jogos e violência

. livros sobre jogos

. mouse conf.

. mouse no obvious

. mouseland

. myspace

. pop_playlist_game

. portfólios

. script

. segredos

. séries tv

. teatro

. textos

. viagens

. viagens cinema

. todas as tags

.links
.participar

. participe neste blog

.MOUSELAND _ PATRÍCIA GOUVEIA
ARTES E JOGOS _ DIGITAIS E ANALÓGICOS
blogs SAPO
.subscrever feeds