Sexta-feira, 31 de Maio de 2013
BOGOTÁ, MEDELLÍN _ NOTAS SOBRE A COLÔMBIA _ PARTE II





Depois de ter estado dois meses e meio na Colômbia constatei que viver em Bogotá não é difícil. A cidade é agradável, cheia de espaços verdes e possibilidades de caminhadas a pé, de bicicleta, patins e outros meios alternativos que se queiram adoptar. Não é de todo necessário ter um carro pessoal pois os autocarros param em qualquer lado que se solicite, o que atrapalha bastante o trânsito, e são muito baratos. Os táxis é mais seguro chamar em lugares de confiança se não arriscamos um “passeio milionário”, isto é, o motorista obriga o cliente a levantar dinheiro com os seus cartões em algumas caixas ATM. O mesmo que acontece no Brasil. Um sequestro improvisado para “sacar” dinheiro ao indivíduo mais desprevenido ou crédulo. É evidente que muito do que aqui vou relatar nos remete para a zona norte da cidade, a mais privilegiada, e, como tal, este relato é apenas um testemunho parcial da vida na cidade de Bogotá. Bogotá centro e sul levar-nos-ia a uma outra narrativa que pode nada ter a ver com a vivência a norte mas isso penso que é apanágio de todas as grandes cidades.









Uma das coisas mais complicadas para mim na Colômbia relaciona-se com o facto de amanhecer o ano inteiro às seis da manhã e anoitecer às seis da tarde. Religiosamente à mesma hora o sol levanta-se e deita-se. Agora que já estou instalada na Cidade do México, cheia de sol e oscilações diárias no comprimento dos dias, é fácil, à distância, avaliar mas a rotina de tal evento levar-me-ia à loucura se por ali ficasse muitos anos. Complicado para alguém que tem alguma dificuldade com as rotinas persistentes. Além disso adoro aqueles seis meses do ano em que podemos perceber que os dias vão crescendo da mesma forma que lamento quando o contrário acontece. O equilíbrio monótono entre o amanhecer e o anoitecer não me interessa nada. Arght!





Outra questão que me iria enervar com o tempo é a falta de qualidade dos produtos de supermercado e os preços bastante exagerados de algumas mercadorias. Os restaurantes são bons mas os produtos na generalidade dos estabelecimentos comerciais não são grande coisa e qualquer artigo ligeiramente próximo do gourmet paga-se muito mais caro. O imobiliário para arrendar também atinge preços estapafúrdios. Os medicamentos são um verdadeiro “assalto à mão armada”. Mais uma vez agora que comparo com o México é de se ficar boquiaberto. Aqui os restaurantes e as casas para arrendar são mais barato(a)s!










Os colombianos são de uma educação e simpatia muito assinaláveis. Discretos, dizem sempre quando se agradece qualquer coisa: “com mucho gusto!” ou, melhor ainda, “com muchísssimo gusto!” Empenham-se no que fazem, são muito trabalhadores. Um colombiano de uma empresa petrolífera disse-me que era normal ao fim de uma jornada de trabalho os trabalhadores irem para casa estudar. Eu apanhei o porteiro do nosso prédio a ler um calhamaço de umas seiscentas páginas mas isso foi só um sinal entre muitos. Basta conversar com eles para se perceber que gostam de fazer as coisas bem feitas dentro dos limites que conhecem, o que é relativo pois regra geral o nível de educação é fraco. A taxa de desemprego na Colômbia é de mais de dez por cento da população, sendo que a taxa média da América Latina ronda os 6,5%. A classe mais privilegiada gaba-se com frequência de estudos nos EUA e o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, é mestre com um diploma fruto de uma parceria entre a London School of Economics e Harvard.













O legado de dois autarcas é muito apreciado em Bogotá, Antanas Mockus e Enrique Peñalosa. O presidente da câmara actual não é muito popular. Os dois autarcas aplicaram métodos menos ortodoxos para mudar a vida na cidade. Usaram estratégias artísticas para gerar participação cívica. Antanas Mockus fez uma campanha publicitária onde aparecia a tomar duche e ia fechando a água enquanto se ensaboava para induzir as pessoas a pouparem. O método foi eficaz e reduziu o consumo de água da cidade de forma expressiva. Como se pode ler (cf. aqui) na introdução do vídeo dinamarquês de 2009. Na cidade colombiana “aplicaram-se vacinas contra o crime e dessa forma se transformou em menos de dez anos uma das cidades mais perigosas e corruptas do planeta numa cidade modelo sustentável que se exporta.” As ideias performativas de Antanas Mockus forma inúmeras e bastante eficazes e a população da cidade respeita-o.

O canal de TV por satélite que tínhamos em casa, a Direct TV, intrigou-me pela sua qualidade até ter descoberto que é uma empresa americana que criou um pacote para toda a América Latina. Tinha que haver uma explicação para uma programação tão sofisticada. Abrange tantos países e um volume de clientes tão grande que é possível fazer algo desta qualidade. Felizmente também há Direct TV aqui no México mas ainda estamos na fase preliminar, à procura de casa, a viver num hotel.











Além de Bogotá conheci Cartagena das Índias e Medellín. De Cartagena das Índias já aqui deixei algumas notas. O objectivo deste texto é apresentar Medellín.
Há mais de dez anos vi o filme "La Virgem de los Sicarios" no King e fiquei sem vontade nenhuma de conhecer a cidade. Acho que à época devo ter prometido a mim mesma nunca lá pôr os pés. A transição da cultura de violência à "sensibilidade verde", em apenas dez anos, é, no mínimo, surpreendente. Recentemente foi considerada a cidade mais inovadora do mundo. Esta nova faceta de Medellín deixava-me intrigada.

O avião demora meia hora de Bogotá a Medellín. Quando se chega a paisagem muito verdinha e a temperatura quente, por contraste com a amena Bogotá, fazem-se notar. Nos três dias que lá estivemos choveu bastante e, dado que a paisagem é tão verdinha, deve chover com frequência por aquelas bandas, embora o taxista que nos transportou do aeroporto ao hotel nos tenha dito que aquela semana tinha chovido mais do que o normal. No dia em que chegámos andámos pela zona do parque Lleras, uma área de restaurantes e bares, perto do nosso hotel em Medellín, que vale a pena explorar, muito parecida com a área do parque 93 em Bogotá.











No dia seguinte aventurámo-nos logo cedo em direcção ao Parque Biblioteca de España no bairro de Santo Domingo. A produção do arquitecto colombiano Giancarlo Mazzanti tinha que ser explorada. Em Lisboa, há uns meses, vi um programa americano sobre Medellín que salientava o trabalho feito neste bairro. Aí mostrava-se como as novas infra-estruturas de metro/teleférico e a biblioteca tinham permitido que as pessoas, que até então viviam fechadas nas suas casas devido ao narcotráfico, começassem a frequentar a rua e a organizar eventos de dança e performance. Idealizei uma imagem do sítio. A realidade era, no entanto, distinta. Percorremos umas dez paragens de metro de superfície, das quais seis são a visualizar favelas e mais favelas. Apanhámos o teleférico que está integrado na rede do metro e, numa cápsula aérea, vimos quilómetros de favelas do topo. Lá em baixo o caos era completo. O som na cabine era estranho, abafado, parecia que se estava num complexo desportivo. Lá em baixo viam-se e ouviam-se crianças fardadas aos berros a brincar, devia ser a pausa da manhã na escola. Os edifícios da biblioteca estão integrados na favela e através da rede de transportes públicos as pessoas melhoraram significativamente a sua qualidade de vida. Em vez de subirem o “morro” a pé podem usar o teleférico.












O projecto de aplicação da arquitectura espectáculo para integração social é interessante mas o meu estado de espírito naquele dia foi bizarro. Tive uma sensação bastante estranha. Tinha construído uma imagem idealizada através do documentário onde se viam pessoas a dançar nas ruas perto da biblioteca mas a realidade era outra. Uma colombiana tinha-nos dito para não nos aventurarmos muito para lá das ruas entre o metro e a biblioteca e a verdade é que a sensação que tinha era que me queria ir imediatamente embora. A imagem da roupa estendida pelos telhados de tijolo, chapa e acessórios desordenados deixou-me bastante angustiada. Uma realidade muito difícil de engolir. Nunca me apeteceu visitar uma favela e Medellín parecia um favelão enorme. Depois a vista de cima revelava todas as entranhas da vida ali. Uns amigos tinham estado em Medellín uns dias antes. Ficaram encantados com a cidade. Nunca passaram a linha que separa o centro do resto. No rio lamacento e sujo que passámos de metro as crianças brincavam nas margens. O cenário era muito triste. A rede de metro é imaculada. A sensação de se entrar naquele “outro” mundo com a protecção da “cápsula” é demasiado estranha.











Já no "corredor turístico la milla de oro", que percorremos no dia seguinte, os passeios não estão todos cheios de buracos e sujos de lama. Os edifícios são de boa qualidade, os jardins estão todos arranjados e o ambiente contrasta bastante com a favela e até com o centro histórico. Medellín, para mim, é menos interessante que Bogotá. Os contrastes, típicos destes países, são demasiado evidentes. Gostei bastante de visitar a praça Botero, o Jardim Botânico, o orquidário e o Museu de Antioquia mas o centro da cidade é tão sujo e feio… 

Com alguma pena por deixar a Colômbia mas satisfeita pelo novo projecto na Cidade do México, no dia 20 de Maio, tive que dizer Hasta la vista Bogotá! ¡hola Cidade do México! O P. teve direito a festa de despedida em Bogotá, com música ao vivo, dança, chapéus, bebidas e um vídeo de recordação do evento criado pelos seus colegas. Vou ter saudades dos colombianos.

 




Quarta-feira, 29 de Maio de 2013
QUITO, EQUADOR _ UM MISTO DE ESTÉTICA EUROPEIA E ARTE INDÍGENA











Uma ida a Quito vale mesmo a pena. O centro histórico da cidade é dos mais bonitos, menos alterados e bem preservados da América Latina. Em conjunto com Cracóvia, a cidade de Quito foi reconhecida como World Heritage Site pela Unesco no dia 18 de Setembro de 1978. Andar pelas ruas da cidade, a uma altitude de 2,850 metros acima da linha do mar, entre as montanhas do vulcão Pichincha e os monumentos coloniais, um misto de estética europeia e arte indígena, é uma experiência que não se esquece com facilidade. No documentário “Debtocracy” de 2011, disponível on-line, recordo-me que o Equador é apresentado como o país que, pela mão do então primeiro-ministro, hoje presidente, Rafael Correa, renegociou a dívida que tinha contraído e aplicou parte desse montante em políticas sociais, saúde e educação. Do pouco tempo que tive neste país consegui sentir menores assimetrias sociais do que é normal por estes lados. Os contrastes entre ricos e pobres, infelizmente tão omnipresentes na América Latina, ali pareciam menos flagrantes. Mas pode ter sido uma mera sensação turística.











Além do centro histórico, aconselha-se uma visita de autocarro panorâmico pelos ex libris da cidade, melhor ainda se se tiver sorte e estiver sol, que foi o nosso caso, e é obrigatória uma subida de teleférico até ao topo da montanha, a 4,000 metros de altitude. Aí tem-se acesso a uma paisagem magnífica, musgo seco castanho e verde, entre antenas gigantes, um aglomerado horizontal de casas minúsculas lá em baixo, lamas e cavalos de estimação e um ambiente de montanha que vale a pena experimentar. A temperatura é normalmente amena, tal como em Bogotá na Colômbia, encontram-se as quatro estações num só dia, dizem os equatorianos, tal como os colombianos. Se está sol fica um calor assinalável, pode chover a qualquer momento e depois ficar radioso ou fresco. As nuvens são constantes. Nenhuma previsão meteorológica consegue acertar com o clima local e, como nos assegurou um taxista, se os especialistas da meteorologia dizem que vai fazer sol à tarde faz chuva e vice-versa para a manhã. Quito furta-se às previsões monetárias e climatéricas, floresce como entidade independente.










Vale a pena visitar a fundação Capilla del Hombre ou Guayasamin, uma criação do artista equatoriano Oswaldo Guayasamin, num espaço projectado pelo seu irmão arquitecto. Aqui apresentam-se as surpreendentes obras do pintor, fotografias das suas visitas ao estrangeiro com importantes chefes de estado da América Latina mas também da China e Espanha, de Mão Tse Tung a Felipe González, entre outros. Algumas obras plásticas são impressionantes e pelo espaço podemos ler frases do autor: “yo llore porque no tenia zapatos hasta que vi um niño que no tenia pies”. De seguida, pode-se visitar a antiga casa do pintor hoje convertida num museu que o mesmo fez questão de planear como legado para a cidade.











No Centro Cultural Metropolitano, no centro da cidade, por acaso, deparámos com a exposição do artista equatoriano Sócrates Ulloa, com o título “Fantasmas de un cajón… y otros”. Desenhos de tinta-da-china sobre papel pardo com personagens curiosas. Pinturas sobre o tango que misturam cor e som e outras variantes sobre movimento pictórico. Uma mostra curiosa.

Os equatorianos parecem bastante tímidos mas quando confrontados com algum pedido de ajuda são muito simpáticos. Nada impositivos. O país é pacato comparado com outros lugares da América Latina. Convencidos pela opinião local acabámos a visitar "La Ciudad Mitad del Mundo", um monumento principal com inúmero(a)s museus/tendas temáticas, restaurantes, uma sala de espectáculos e casas de artesanato. Um espaço consagrado à linha que separa o mundo em dois hemisférios. Colocar um pé no hemisfério sul e outro no norte diz a sabedoria popular que dá muito boa energia. Há mais mitos associados. A cidade de faz-de-conta fica a aproximadamente 30 minutos de táxi de Quito mas sinceramente o passeio não é fundamental. O mais interessante foi poder explorar um pouco dos arredores de Quito durante a viagem. Nesse dia era dia da mãe e, no Equador, tal como na Colômbia, esta data é levada muito a sério. Os restaurantes enchem e as lojas há semanas que assinalavam o acontecimento. O recinto estava cheio, com um concerto a decorrer e outros eventos, e dava para ver que os equatorianos vibravam com aquilo. Parecia uma feira ao ar livre com algumas curiosidades relacionadas com a separação do mundo em dois, a altitude e afins. Nada excitante.












A moeda local é o dólar americano, adoptado em 2000, por muito bizarro que pareça. A carne é deliciosa, ao contrário da colombiana que não é grande coisa, parece a da Argentina ou Uruguai, uma delícia. As lojas e o artesanato em geral são mais saloia(o)s do que a(o)s da vizinha Bogotá. As lojas estão cheias de escritos anarcas à mão e salamaleques decorativos, apresentam produtos a granel, e o artesanato é quase todo igual sem as subtilezas do misto de artesanato/design colombiano. As marcas, se é que podemos falar de marcas em Quito em matéria de artesanato… são mais pobres e menos cosmopolitas. Têm um café do género do colombiano Juan Valdez mas nada que se assemelhe em estilo gráfico. A cidade modelo de Quito é a vizinha capital da Colômbia, imitaram-lhe os passeios de bicicleta ao domingo e outras estratégias sociais. No entanto, como nos dizia outro taxista, o Equador tem mais qualidade de vida do que a Colômbia, é um país pacato e muitos colombianos têm encontrado aí refúgio. Há gostos para tudo. Até as bandeiras são parecidas.

À saída do país fizeram-nos um interrogatório moroso sobre o conteúdo da nossa mala de viagem de vinte quilos, que tínhamos despachado poucos minutos antes, mas pelo menos não a revistaram. A nossa morada na Colômbia não facilita o intercâmbio pela América Latina mas o passaporte europeu ajuda muito. O polícia, afinal, só queria mostrar serviço. Burocracias e subornos são frequentes nestes países e o lado intimidatório dos agentes da lei podem deixar um europeu de cabelos em pé. No conjunto foram quatro dias muito bem passados. Gostei bastante de Quito.









 




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