Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006
MUHAMMAD YUNUS E O BANCO GRAMEEN
grameen.jpg

Não posso deixar de assinalar na mouselândia a entrega do prémio Nobel da Paz a Muhammad Yunus e ao Banco Grameen. Se não é (ainda) um ciberfeminista, Muhammad Yunus é sem dúvida um feminista que muito tem contribuído para a inserção das mulheres nos negócios e para a diminuição da pobreza endémica. Vi recentemente uma extensa entrevista que Yunus deu à televisão brasileira em 2000 onde explica detalhadamente o processo que esteve por trás da ideia de atribuir micro créditos a grupos de quatro mulheres. Para o economista do Bangladesh: "o crescimento económico e a democracia não podem concretizar-se plenamente sem que as mulheres estejam em igualdade de circunstâncias com os homens" link. O facto das mulheres terem sucesso nos seus negócios caseiros, potenciados pelo Banco Grameen, levou-as a uma participação mais activa no sistema eleitoral e a um maior empenho na educação dos seus filhos. 

A mesma ideia de que apenas por via da intervenção feminina se podem resolver problemas estruturais sociais é sublinhada no texto de Martim Amis, sobre os conflitos no Médio Oriente, “The age of horrorism (part three)”, para o jornal Observer/Guardian: “In 2002 the aggregate GDP [gross domestic product] of all the Arab countries was less than the GDP of Spain; and the Islamic states lag behind the West, and the Far East, in every index of industrial and manufacturing output, job creation, technology, literacy, life-expectancy, human development, and intellectual vitality. (…) Then, too, there is the matter of tyranny, corruption, and the absence of civil rights and civil society. We may wonder how the Islamists feel when they compare India to Pakistan, one a burgeoning democratic superpower, the other barely distinguishable from a failed state. What Went Wrong? asked Bernard Lewis, at book length. The broad answer would be institutionalised irrationalism; and the particular focus would be the obscure logic that denies the Islamic world the talent and energy of half its people. No doubt the impulse towards rational inquiry is by now very weak in the rank and file of the Muslim male. But we can dwell on the memory of those images from Afghanistan: the great waves of women hurrying to school”.


2 comentários:
De migalha a 9 de Novembro de 2006 às 13:40
Muhammad Yunus tem uma experiência de vida muito prática, sustentada no mundo real e não naquele que aprendemos no mundo do “faz-de-conta”. Segundo descreve no livro “Banker of the Poor”, escrito em co-autoria com Alan Jolis, foi quando leccionava economia na Universidade Chittagong, Bangladesh, que se apercebeu da falácia das teorias económicas que ele próprio ensinava aos seus alunos como forma de promover o tal de crescimento económico. Nessa altura o seu país, uma vez mais, passava por uma terrível crise de falta de alimentos. As pessoas morriam aos milhares, inclusive na capital. Esses dramáticos acontecimentos motivaram-no para tentar fazer alguma coisa pelos realmente pobres, aqueles milhões e milhões de pessoas que não têm voz para reivindicar, aqueles a quem a esperança já foi há muito negada. Não sei se merecia ganhar o Nobel da Paz ou se o Nobel da Paz é suficientemente grande para um homem da sua estatura moral e coragem. O que sei é que a história também é feita destes heróis, quase anónimos, sempre tão pouco lembrados pelas nossas desapiedadas sociedades. :sad:


De mouseland a 9 de Novembro de 2006 às 15:57
Olá Migalha, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Muito obrigado pelos comentários que trazem informações novas à mouselândia. É bem interessante essa ideia de falência do ensino perante a realidade próxima (proximal). Como a acção supera as teorias e o status vigente. Na entrevista que vi na TV brasileira Muhammad Yunus mostrou-se sempre muito humilde e várias vezes fez notar que cada caso é um caso... isto quando se pretende generalizar a sua acção às situações de micro crédito na Europa, por exemplo.

Vários jornalistas o questionaram sobre a adopção das suas ideias no Brasil e ele sempre se mostrou extremamente cauteloso em relação a estas extrapolações.

Em relação à forma como o sistema está montado salientou o incentivo criado pelo facto do micro crédito ser dado a quatro mulheres o que estimula a auto-regulação do mesmo pois as senhoras auto fiscalizam-se e não querem “tramar” as parceiras.

Uma lição única. Principalmente para acabar com aqueles clichés machistas que advogam que as mulheres são más gestoras ou gastadoras e afins! Ali se prova que são até mais responsáveis do que os homens na gestão da bolsa familiar.

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