Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006
MAKING OFF_BLOGONOVELA DE INVERNO_TAKE 2

A blogonovela de Inverno não podia estar mais bem encaminhada. Neste momento contamos com a possível entrada em cena da menina Zulmira Maria e do seu esposo Jota Mercido bem como dos dois filhos do casal, Dalida de doze anos e Fábio de catorze. O elenco conta ainda com a participação de Fany Miranda num papel ainda a definir, com a intervenção de Gingko Biloba, da “grande família vegetal das gimnospérmicas”, e com a eventual inclusão de alguns elementos angiospérmicos que representam “uma família muito mais evoluída, filogeneticamente falando, produzindo flores para a reprodução, sendo que muitas (…) também são espécies dióicas, com sexos separados, requisito que julgamos essencial aos bons costumes”.
A bela Zulmira apareceu do acaso e disse: “sou uma pessoa simples, mas com ambições, de estatura razoável, mas não mais que o necessário, não fumo, tenho um cabelo longo, nada rebelde que permite as mais variadas intervenções artístico capilares, tenho uns olhos cor de avelã, estilo nutella, e sei comportar-me em público”. O seu marido Jota Mercido assegurou: “sou um homem bom meus senhores mas não posso mais ver os meus filhos (…) sem comida no prato enquanto a mãe parece que veio do Brasil… sempre a dizer que não pode estragar as unhas…” Fany Miranda definiu-se nestes contornos: “todos os dias tenho contactos com seres de outros mundos que me contam novidades sobre o futuro da humanidade. Por favor aceitem a minha palavra e deixem-me aplicar os meus poderes na vossa novela”.
António salientou: “dado o seu perfil, honrado trabalhador de uma oficina, incapaz de preparar uma simples refeição para os meninos e pouco amante de telenovelas, confesso-me perplexo pela capacidade demonstrada no manuseamento destas novas tecnologias - refiro-me à Net, claro.” A
fada*do*lar mostrou-se surpreendida com os avanços do
scipt: “nada como estar uns dias
off e no regresso encontrar esta tamanha animação!
André disse: “eu gostei da atitude da nossa amiga Zulmira, para além da bisca também deve ser adepta fervorosa (…) da bela sardinha”. Mister p alertou para a dificuldade de penetração num mercado tão concorrencial: “a concorrência é enorme e devemos primar pela elegância e pela diferença”. Neste sentido, deixou alguns elementos de reflexão (
aqui) e produziu os primeiros
spots de divulgação mediática, (
aqui e
aqui). Não percam os filmes!
Basta ouvir os bits da pulsação de Fábio, “Ei! tdo bem? cum é.. os cotas í dess lado tudo em cima? pá, ppl vi a minha velha práki a teclar umas cenas pra voçes efikei a saber k andam numa de arranjar ppl pa uma cenas”, para percebermos que a história tem potencial narrativo.
De camera de vigilância nº3, no cruzamento da rua dos Martirios com o Beco da Liberdade a 15 de Novembro de 2006 às 18:38
07h36m
vrrrrummmmm, guinnnnnnghhhhh vruaaaammm craaaaaash pum truuuim plaft
07h38m
uma senhora de cabelho grisalho, robe de baixo custo, as mãos ocupadas com uma codea de pão, assoma à janela do 3º andar nº 29. No andar abaixo uma luz acende-se.
07h39m
João dos Santos Arrepia Mercedido sai a custo do Renault Fuego, as rodas dianteiras, o paralamas, tudo abraçado ao quiosque da esquina. A menina Idalina, 64 anos feitos a vender jornais e revistas pink desbotado, dona do mesmo, assoma, olhos escancarados, à porta da pastelaria "bijoux da praça", meio croissant na mão sapuda, a boca cheia com a outra metade.
07h 41m
gritos, braços no ar, a rua em sobressalto...um telemóvel em mãos não identificadas, teclando 112.
07h45m
joao dos Santos, conhecido no bairro por Jota da oficina, cambaleia, apoia o braço esquerdo no capot do carro. Sai fumo, talvez água, a ferver das entranhas do Renault.
07h 49m
barulho de sirene, chega a policia do bairro, dois rapazes na casa dos 20, a farda ainda a acordar, os olhos a pedirem um café. O que sai primeiro, mais alto, menos gordo, Cabo André, acabou o curso vai para ano e meio e faz o giro nesta zona vai para 5 meses, veio de outras freguesias, não é filho do bairro, mas todos, especialmente a Náná da loja de video, lhe acham ares de simpático. Moço bem parecido, este.
Cabo Garcia vem atrás, andar arrastado, os braços parecem não suportar o peso das mãos, carnudas, rosadas, com má circulação a acompanhar. Filho do Sô antónio do talho, nota-se-lhe o passado duma infância alimentado a enchidos e miudezas, filho da carne, cara de buldogue cansado, olhos pequenos com esperança da sesta roubada, todos os principios de tarde à responsabilidade do trabalho. É rapaz cá do bairro, apesar do ar, os mais velhos gostam dele, a malta nova essa é que não lhe dá descanso, é o bombo da festa para os sub16. Fábio, filho de jota é dos que mais negra pintam a vida ao Cabo Garcia, este não suportam o rapazolas.
A coisa promete.
(continua)
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