Domingo, 31 de Dezembro de 2006
TABAIMO_PELA PRIMEIRA VEZ NA EUROPA

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Ayako Tabata (Tabaimo ou pequena irmã de Tabata uma das suas amigas de infância) é uma artista japonesa nascida em Hyogo em 1975 e está neste momento exposta na Fondation Cartier pour l’art contemporain em Paris em paralelo com Gary Hill. A exposição apresenta três trabalhos da artista e quatro instalações filmadas pelos Ufer! Art Documentary. Estão expostas as animações sonoras Japanese Commuter Train de 2001, Haunted House de 2003 e Petite Salle de 2006. Das instalações filmadas fazem parte: Japanese Zebra Crossing de 1999, Dream Diary Japan, Japanese Bathhouse-Gents ambas de 2000 e Ginyo-ru (guinoller) de 2005. Uma exposição fabulosa onde somos transportados para inúmeros lugares.


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Em Japanese Commuter Train estamos no interior de um comboio suburbano onde visionamos um conjunto de cenas e ocorrências bizarras. Através de um jogo de seis projecções vídeo projectadas em paredes opostas forma-se um pequeno corredor em que uma aparente calma dá lugar a um conjunto de acontecimentos incongruentes. Estes acontecimentos são simultaneamente realistas e fantasmagóricos, por exemplo, um cozinheiro transforma uma estudante em sushi ou os braços dos passageiros vão caindo aleatoriamente. Afirma a autora: “Na minha opinião apenas um ambiente que suscita a doença pode desenvolver uma tomada de iniciativa nas pessoas como nós acostumadas à passividade da cultura de entretenimento. Esta tomada de consciência é necessária para completar a narrativa que nos conta a história das imagens colocadas perante os nossos olhos. Os espaços fechados e limitados que construo podem provocar uma sensação de opressão, de constrangimento físico ou de não possessão do tempo… eu desejo que em contrapartida com estas impressões o espectador guarde uma recordação de uma experiência única que não pertence que a si próprio”.


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Em Petite Salle deparamos com um céu animado com movimentos de ondas (mar/céu da meia-noite). De acordo com a artista japonesa publicada em entrevista no catálogo: “O mar usa um movimento pleno de significação nas suas vagas para nos dissimular das profundezas da água transparente. O mar engendra estas ondulações estranhas e insaciáveis como criaturas vivas e deposita-as sobre os nossos olhos aumentando assim o fascínio que estes abismos invisíveis exercem sobre nós. […] Comparamos por vezes as vagas às rugas que nascem na superfície da pele e inversamente as rugas a estas o que parece ser a prova de uma ligação entre estas palavras. A concepção tradicional japonesa que liga o corpo humano e o mar está profundamente inscrita na minha consciência.”


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Num outro momento (instalação), Haunted House, fazemos o papel de uma testemunha oculta (voyeur) que espreita através das janelas dos outros e observa cenas íntimas da vida quotidiana alheia. Seguimos no ecrã a projecção de uma luz que ilumina a penumbra e trás uma a uma a cena que desvendamos sobre um fundo de música electrónica. Sobre a instalação diz Ayako Tabata (Tabaimo): “Todos os dias os media penetram no meu ambiente de forma natural sem que eu procure particularmente uma maneira de lhes prestar atenção. Os media fazem parte integrante da minha vida à semelhança de outras actividades como comer ou dormir. Assim, uma vez trespassados pelo filtro dos media os acontecimentos são transformados em simples informações. Estas informações estão libertas de toda a carga emocional e levam-nos a percepcionar os acontecimentos de forma desincorporada. Embora estejamos perante incidentes graves que criam mudanças extraordinárias e se produzam na nossa envolvente mais próxima estes são percepcionados como simples informações. Este fenómeno verifica-se em mim e acho que é muito estranho o efeito de desrealização que as informações produzem sobre a minha pessoa mesmo no momento em que eu existo. As minhas obras são precisamente sobre esse sentimento de estranheza. Eu não procuro nem descrever o mundo na forma como este existe nem identificar um mecanismo psicológico particular no espectador, procuro apenas tornar sincera a expressão do meu Eu transformado pelo espelho dos media.




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