Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007
BORAT, O PAROLO GLOBAL_ por Rafgouv
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Borat de Larry Charles é mais um exemplo da excelente forma da comédia regressiva americana, género que adquiriu nos últimos quinze anos uma notável maturidade artística (as obras primas dos irmãos Farrelly) e comercial (enorme sucesso dos serials American Pie ou Austin Powers). Sob a capa da farsa gratuita, por detrás da poeira de uma realização que parece preguiçosamente limitar-se a um longo reportório de encenações “candid camera”, esconde-se um dos filmes mais subtis que vi nos últimos tempos.

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BORAT É UM APÁTRIDA

Borat Sagdiyev é um jornalista originário do Cazaquistão, país longínquo e de localização incerta para os ocidentais. O filme não pretende ser mais do que o programa de televisão realizado durante a sua descoberta dos Estados Unidos, “o maior país do mundo”. Essa aparente modéstia chega para justificar o aparente desleixo do realizador: a textura de Borat é ela própria determinada pelo fantasma de uma reality tv do pobre (como se não houvesse de facto direcção artística ou trabalho fotográfico, como se se tratasse simplesmente de uma empresa de exaltação da improvisação e de rejeição de qualquer rigor criativo). Visualmente, o filme aparece como uma espécie de “grau zero” da criação cinematográfica e televisiva.

No entanto, se culturalmente os Estados Unidos representam os antípodas do Cazaquistão, o repórter “de leste” vai assumir a sua missão com a candura característica do herói cómico americano. O filme começa com uma rápida descrição do país de origem de Borat. Um país cujo desporto nacional é a “largada de judeus”, onde o incesto é moeda corrente, em que as mulheres são todas megeras, putas ou espancadas e onde os carros são puxados por cavalos... À primeira vista podemos pensar que a maldade é demasiada e que nenhum cidadão de nenhum país (excepto talvez os vizinhos do Cazaquistão) poderia deixar de se sentir incomodado com tão desagradável retrato. No entanto, se o exagero não bastasse para confirmar que se trata de um país imaginário, algumas pistas substanciais abundam no sentido de que o país retratado não é (só) o Cazaquistão. Borat exprime-se em polaco e em hebreu (!), língua dos semitas que tanto o repugnam, e as sequências pretensamente passadas no Cazaquistão foram filmadas na Roménia...

Quando o filme migra para os Estados Unidos, a maioria das situações cómicas são criadas pela confrontação e pelo contraste entre dois modos de vida, duas culturas. Assim, Borat desconhece as regras de funcionamento de objectos quotidianos tão corriqueiros como retretes, hotéis, elevadores ou “dildos”. O melhor exemplo desta estratégia é a sequência que intercala a entrevista com a conselheira em etiqueta e o jantar burguês onde Borat acumula as inconveniências até ao apogeu com a entrada em cena de Luenell e a consequente expulsão de ambos.

À medida que o filme avança vamos descobrindo que cada um dos clichés – anti-semitismo, misoginia, superstição, terror do vizinho... – que caracterizam os habitantes do “Cazaquistão” está também de alguma forma presente nos cidadãos dos Estados Unidos: jovens universitários, burgueses, evangelistas ou simples peões nova-iorquinos, todos eles assimilaram, as mesmas “taras” que os habitantes do “Cazaquistão” assumem apenas mais brutalmente.

A utilização de estereótipos étnicos ou nacionais é frequentemente uma solução de facilidade e lugar-comum de uma certa comédia “de situação”, mas a verdade é que todos os países dispõem de um arsenal de piadas xenófobas com as quais desvalorizam os seus “estrangeiros” mais ou menos distantes. Borat é uma feroz desmontagem deste mecanismo: à medida que o repórter mergulha na realidade profunda do “maior país do mundo” (Borat é também um road-movie), constatamos que, mais do que a cultura, algo que o separa da América burguesa e bem-pensante é a riqueza. Tal desmontagem é tão mais admirável quanto a crueldade intrínseca da personagem impede, apesar da sua desarmante candura, qualquer pieguice ou vitimização. Paralelamente, o filme jamais utiliza o expediente grotesco que consistiria em sobrecarregar a caricatura dos americanos para melhor vincar a fragilidade do protagonista. Larry Charles não tem a comprometedora má-fé de um Michael Moore. Mesmo nas sequências que seriam desse ponto de vista mais arriscadas (rodeo ou missa evangélica), as personagens parecem, todas elas, sempre muito menos sinistras do que as palavras que dizem, do que os gestos ou rituais que executam.

borat2.jpg

BORAT É UM PUTO ORDINÁRIO

Os países ditos desenvolvidos assumem frequentemente uma postura paternalista em relação àqueles que qualificam de “menos avançados”. Assim, uma boa parte das personagens americanas de Borat assume plenamente o seu papel educativo e dispensa ao nosso herói autênticas lições comportamentais, morais, religiosas ou desportivas... O protagonista assume por seu lado o papel de cândido bem-intencionado mas totalmente desastrado.

No cinema burlesco dos primórdios (mudo), o desastre é na maioria dos casos sinónimo de apoteóticas proezas acrobáticas (equilibrismo, arremesso de tartes e outros objectos, intermináveis perseguições...). Borat prolonga essa tradição (sequências do Bed & Breakfast judeu, do rodeo ou do rapto de Pamela Anderson) com uma timidez que é apenas aparente (nomeadamente graças a uma realização que jamais desmente o seu “parti-pris” de televisão “cheap”). Se não podemos, como veremos em seguida, considerar que Borat é uma personagem menos “física” do que os seus antepassados burlescos, é inegável que o humor a que o filme recorre com mais frequência é um humor da linguagem: inglês macarrónico, mal-entendidos, duplos sentidos... De um lado aqueles que ornam a sua expressão com o verniz do politicamente correcto, e face a estes o herói que se exprime e, mais importante, que compreende apenas o sentido literal do que lhe é dito: para Borat, uma retrete é um lavatório, um “dildo” é (apenas) um brinquedo, um elevador é uma assoalhada mas, mais grave, um judeu é uma terrível criatura mágica e maléfica e uma “bimbo” é pouco mais do que uma boneca insuflável. Na cena do Bed & Breakfast: o cómico nasce da contradição entre um casal de velhinhos inofensivos e o terror infantil que provocam graças aos poderes prodigiosos que o imaginário anti-semita lhes confere. A infantilização do protagonista é a condição que viabiliza a nossa reacção hilariante às enormidades que pronuncia.

Se os preconceitos culturais primários do herói revelam a sua ignorância não é só esta que determina a sua infantilidade. Para Borat, a palavra está cingida ao corpo e o humor escatológico que caracteriza a comédia regressiva domina o filme. Não é de resto apenas a palavra que confirma a infantilidade do herói mas num sentido mais vasto a sua oralidade, como mostram as repetidas beijocas com que aterroriza muitos dos recém-conhecidos ou a sequência apoteótica de luta com Azamat que culmina num insólito momento de exploração lábio-testicular.

A tensão entre uma “oralidade” infantil e o corpo do actor Sacha Baron Cohen (Borat) é também um importante factor cómico. Assim, a pilosidade do herói revela-se uma espécie de contraponto físico aos tabus escatológicos que infringe oralmente. Simetricamente, o corpo refeito, encerado, de Pamela Anderson é o equivalente físico do verniz bem-pensante com que os ocidentais disfarçam os seus discursos. Não é por acaso que a prostituta obesa Luenell está condenada, como Borat ou Azamat, a uma existência de pária no “maior país do mundo”: como o país de origem do herói não é verdadeiramente o Cazaquistão, o país visitado não é tanto os Estados Unidos mas o país mental dos cânones morais, culturais e estéticos dominantes. Neste sentido, não podemos deixar de assinalar a admirável adequação entre a textura formal – falsamente improvisada – do filme e a crítica que contém.

borat3.jpg

BORAT É UM CHARLOT

Vimos que tanto Borat e Azamat como a americana Luenell são, ou transformam-se em, marginais aos olhos duma sociedade que apenas sabe assimilar quem tem dinheiro, aparência e maturidade. O estrangeiro, o emigrante, o desenraizado não é só aquele que se transportou para outro país mas principalmente o marginal, o pária apátrida, a órfã solitária, o puto abandonado. No mundo do cinema, este é o país de Charlot.

Sem querer forçar demasiado as semelhanças, Charlot encarnou em obras como The Immigrant ou The Gold Rush (para não ser exaustivo) com pelo menos tanta ferocidade (e sem dúvida com bem menos candura [1]) o confronto entre a opressiva cultura dos burgueses e a subversiva anarquia da falta de sofisticação. Por detrás dos bons sentimentos com que temos tendência a identificar, erroneamente, a figura de Charlot, quantos pontapés no cu, quantos gestos fatais, quantas duvidosas operações de sedução, em suma quantos crimes não cometeu o homem da bengala? Minoritário, desprotegido ou mesmo oprimido, o estrangeiro de Chaplin nunca foi um simples inocente.

Borat partilha com o ícone de Chaplin um emblemático bigode e um fato (embora de cor clara) identitário que raras vezes troca ou despe. A herança é aliás duplamente assumida quando Azamat se traveste em herói de The Great Dictator. Não se trata apenas de herança figurativa encarnada pelo bigode ou pelo estereótipo do emigrante, mas de uma herança que é praticamente “genética”: enquanto Chaplin em The Great Dictator é ao mesmo tempo Charlot e Hitler, a personagem de Sacha Baron Cohen é simultaneamente hebreu e anti-semita.

Num ano em que tanto se falou de limites da liberdade de caricaturar, a estreia de um filme que critica tão radicalmente o carácter estritamente convencional das fronteiras culturais é particularmente salutar. As diversas ameaças de que foi vitima o seu protagonista Sacha Baron Cohen servem sem dúvida a publicidade do filme, mas não podemos deixar de reconhecer que este inglês confirma, depois de génios mais ou menos consagrados como Jim Carrey ou Johnny Knoxville, que o burlesco, essa arte circense que não existe sem risco da integridade física dos seus intérpretes, está em mãos que sabem sacudir.

Podemos no entanto perguntar-nos o que teria acontecido se o filme, em vez de mostrar um cidadão do Cazaquistão nos Estados Unidos, mostrasse um iraniano em Portugal.

[1] A candura tornou a ser um dos traços mais frequentes do herói cómico americano após o advento do sonoro graças a realizadores como Hawks ou Capra e a actores como Cary Grant ou James Stewart.

Rafgouv


11 comentários:
De mouse a 9 de Janeiro de 2007 às 18:31
Olá Rafgouv,

As boas-vindas a esta troca de papéis e esperemos que estas experiências sejam interessantes. Posso desde já dizer que ainda vão surgir novas surpresas este mês, hehehe.

Em relação ao Borat: Fui ontem ver o filme e estava à espera de me chatear pois tinham-me dito que passado uma hora o tipo de humor começava a cansar. Não achei chato nem sequer cansativo. Achei realmente interessante a forma como ele desvenda certos discursos multiculturais e afins. Achei algumas cenas deliciosas como o encontro com os miúdos americanos (pretos e brancos) e a entrada no hotel. Outras situações recordaram-me de facto o Charlot (cena da loja de antiguidades) e são enternecedoras (a fogueira com os restos da bagagem e a fuga aterrada da Pamela Anderson). Ela sabia que aquilo ia acontecer, sabes se foi encenada essa situação em particular?

Curioso tudo aquilo que supostamente se passa no Cazaquistão ser filmado na Roménia. :mrgreen:

xxx mouse

xxx mouse


De rafgouv a 10 de Janeiro de 2007 às 11:21
Bom dia Mouse,

- segundo informações recolhidas no Imdb (www.imdb.com), a sequência com Pamela Anderson foi encenada (Pamela tinha já participado no Ali G Show de Sacha Baron Cohen, onde Borat surgiu pela 1a vez).
- no mesmo site encontramos a informação segundo a qual os habitantes de uma aldeia romena reclamam à produção do filme 30 milhões de dólares por terem sido enganados, visto que a equipa do filme lhes terá dito que participavam num documentário sobre a pobreza na Roménia. Curiosamente, num certo sentido Borat é isso mesmo (como defendo no texto acima): um documentário sobre desigualdades ditas culturais ou estéticas mas que se revelam sobretudo sociais ou económicas...


De mouseland a 10 de Janeiro de 2007 às 18:03
hello Rafu :twisted::shock::neutral:

Será que é mesmo verdade essa mentira que lhes contaram (aos romenos) que estavam a fazer um documentário sobre a pobreza? Que falta de ética :???: não?

Quanto à relação entre estética e cultura com a economia e o texto cultural estou plenamente de acordo e já não consigo pensar sequer em "valores puros" fora de leituras intricadas e complexas que tenham em consideração as relações entre os diversos níveis.

It's all about the digital game!

xxx mouse


De Bakali a 10 de Janeiro de 2007 às 20:54
eu vi a reportagem com o Romenos. vivem numa aldeia miserável e foram pagos pela produção de Borat. tenho dúvidas da versão "documentário sobre a pobreza". fiquei com a impressão é que, perante o sucesso global do filme, acham agora que não lhes pagaram o suficiente. há muitas facetas para a miséria... ou para a ganância...
(o que não quer dizer que não devam receber um bónus de acordo com a bilheteira :mrgreen:


De mouseland a 10 de Janeiro de 2007 às 21:00
Hello Bak, :roll:

A tua versão parece lógica. Vamos ver o que diz o gestor do post.

xxx mouse


De rafgouv a 11 de Janeiro de 2007 às 09:34
mouse, bakali,

Acho pouco relevante saber se os romenos foram muito, pouco ou nada enganados em relação à "finalidade" do filme (que - insisto - não deixa de ser também sobre a pobreza)... penso que ninguém tinha previsto o estrondoso sucesso do filme e nesse sentido é de facto justo que recebam um bónus como refere Bakali.
Desconfio muito das exigências "éticas" que se concentram muito mais nas condições de produção de uma obra do que na sua estética (se o filme tivesse sido rodado num estúdio de Hollywood ou se os figurantes fossem irlandeses seria mais ou menos ético?). Penso que os realizadores - nos limites do consentimento mútuo (cada qual é livre de abandonar a produção) e da lei vigente (que exige pagamento e proibe crimes e delitos) - têm todo o direito de manipular, mentir, controlar, tiranizar... se pensam que tal é útil para a obra que filmam.


De Helder a 11 de Janeiro de 2007 às 13:03
Olá! Peço desculpa por não ter nada a ver, mas não encontrei um endereço para onde escrever... Gostaria de saber informações sobre o seminário de artes digitais na Nova: programa, sistema de avaliação, etc. Sou aluno de doutoramento e talvez venha a escolher esse seminário (depende também do dia em que se realizará)
OBrigado
Helder


De mouseland a 11 de Janeiro de 2007 às 18:19
Olá Helder,

Enviei e-mail com tudo detalhado (programa, horário, etc.). Estão 19 alunos inscritos até ao momento no atelier de Artes Digitais e as aulas começam no início de Março.

xxx mouse (patrícia)


De migalha a 15 de Janeiro de 2007 às 13:17
Não partilho deste êxtase cinematográfico acerca do filme Borat, pese embora tenha alguns "apanhados" hilariantes, de Larry Charles. A tentativa evidente, porém pouco conseguida, por parte do cómico Sacha Cohen em se identificar com Groucho Marx, bem visível aliás nalguns momentos através da sua maneira de andar com os joelhos ligeiramente flectidos e da sua expressão facial, moustache incluído, dá-lhe alguma boçalidade. É um filme que tenta tirar partido quer de situações de nonsense quer recorrendo ao já fastidioso candid camera, que se vê, se sorri e se esquece logo de seguida, focalizado na sociedade norte americana de subúrbio (já agora era dispensável todo aquele machismo ridículo e bacoco). Sem a subtileza da crítica social urbana de um Seinfeld, no qual Larry Charles chegou a participar como argumentista, é um filme divertido que nos deixa no entanto uma sensação de déjà vu. A ver, nem que seja para logo esquecer...


De mouseland a 15 de Janeiro de 2007 às 20:03
Olá Migalha, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Mais uma opinião para o Rafgouv esmiuçar, hehehe. Ele que diga de sua justiça.

xxx mouse


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