aqui publico a minha lista subjectiva de dez jogos digitais (poderiam ser outros):
De
mouseland a 13 de Fevereiro de 2007 às 21:20
Hello Bak,
Epá eu não disse que o livro do Steven Poole era irrepreensível mas que era interessante e bem escrito, hehehe. Ninguém o será, acho eu. É bastante superior à média geral, parece-me. Quanto ao Steven Kent nunca consegui comprar, aquele nome e aquela capa repugnaram-me sempre. "The ultimate..." brrrr... Idiossincrasias!
Sabes porquê? Primeiro, a história dos videojogos é uma coisa que só tangencialmente me interessou pois essa está hoje mais ou menos feita em títulos mais ou menos bons e foi o que a maioria dos investigadores fizeram nos anos noventa na sua generalidade. Segundo, elegi a minha história dos videojogos quando comprei o livro da Van Burnham, é uma história visual, editada por uma mulher no MIT. Queres mais tendencioso que isto? ahahaha. Eu estou a ficar MIT dependente e qualquer dia ponho à venda a minha colecção de "capas duras"... o dinheiro que tenho gasto com estes espécimes sobre videojogos do MIT... tenho reforma garantida a vender nos alfarrabistas!
Então e a nossa entrevista-folhetim com a história da cibercultura nacional e além fronteiras? Acho que isso é que ainda se vai fazendo, não?
xxx mouse
De bakali a 14 de Fevereiro de 2007 às 23:37
Credo! Um livro de História (nota o h maiúsculo) contada por imagens? e ainda por cima... nah, eu cá não caio na facilidade de piadas machistas.
É verdade que eu mesmo fiquei um pouco desconfiado com o título do Kent; mas o livro dele tem uma coisa que mais nenhum, até agora, tem: 500 entrevistas, 500!!! Ou seja, ele falou com o Baer, com o Bushnell, com o Russel, etc., etc., com todos o que fizeram a história dos jogos electrónicos (bem, todos não, houve 2 irredutíveis japoneses que). E o livro, um verdadeiro calhamaço, está pejado de transcrições dessas conversas. A história contada pelos próprios. Recomenda-se vivamente :)
A entrevista-folhetim far-se-á, claro, mas realmente ando um pouco stressado com os jogos (a tentar fazê-los, não a jogar). As minhas desculpas mas tentarei retornar a um ritmo normal.
De
mouseland a 15 de Fevereiro de 2007 às 16:52
Hello Bak,
Acho que me convenceste a dar uma vista de olhos nessas entrevistas... hehehe... mas tenho que confessar que com alguma suspeição, hihihihi.
Pois deixo-te aqui umas considerações da Van Burnham sobre o "tennis for two" no ponto Brookhaven National Labs: "It all started with big bang. During World War II, a new technology was invented that would change the course of history and circuitously lead to the creation of the first interactive videogame: the atomic bomb.
Also called the A-Bomb, this weapon of mass destruction was capable of great explosive power, resulting from the release of thermal energy and gamma rays following the splitting of the neuclei in such a heavy elements as plutonium or uranium.
(...) The first atomic bombs were built in the United States during world war II in a secret government program know as the Manhatan Project. In 1945, an atomic bomb was tested in Alamogordo, New Mexico. Then the first bomb used in warfare was dropped by the Us in Hiroshima, Japan, on August 6, 1945.
(...) In 1947, Brookhaven National Labs was founded by Associated Universities Incorporated - a nonprofit educational consortium contracted by the Atomic Energy Agency. Constructed on the site of Camp Upton, BNL was envisioned as a regional laboratory to provide researchers across the country with powerful research tools - tools like nuclear reactors and particle accelerators - that their own institutions didn't have the resources to built or maintain.
In 1950, BNL opened its first research reactor - a small nuclear reactor used for peaceful scientific exploration - the Brookhaven Graphite Research Reactor. It was joined in 1952 by the Cosmotron, the first particle accelerator than achieved billion-electron-volt energies and would later inspire a Nobel Prize-winning discovery.
Staffed with scientists and researchers, BNL quick grew to became a proeminent fixture in Suffolk County, Long Island. Unfortunately, in light of the lingering fear and cultural stigma of nuclear power and radiation, many residents felt that the laboratory posed a threat to their community. So in order to generate positive public relations, and reduce the civic controversy, Brookhaven National Laboratory began to host an annual "visitor's day" so that members of the surrounding community could come view the fascinating - yet harmless - research being conducted there.
Enter William Higinbothan, a fun-loving physicist who had come to BNL from Manhattan Project where he had developed advanced radar systems - and witnessed the detonation of thet first atomic bomb back in 1945. He was now dedicated to help promote peaceful uses of nuclear power" (Van Burnham; 2001: 28).
Ora, como podemos constatar Poole não está assim tão errado quando afirma que Higinbothan estava a trabalhar no MP apenas é impreciso nos termos... por que de facto o lab onde o percursor do Pong trabalhava dava continuidade ao MP, contrariamente ao que outros fazem crer (Kent?).
É por estas e por outros que eu aprecio o MIT e a ponderação das mulheres, ahahahaha. :wink:
xxx mouse
Ps - Não há dúvida que estas conversas servem para aprendermos mais e mais! Pois só através de leituras cruzadas de autores é que se consegue qualquer síntese.
De bakali a 16 de Fevereiro de 2007 às 19:56
oi mouse
quem diz que o Willy Higinbothan não trabalhava no Manhattan Project em 1958 sou eu, não o Kent. Primeiro, porque o Kent é um dos muitos que omite o engenheiro do osciloscópio; segundo, porque o preciosista do rigor histórico sou eu, lol
O Poole não é "impreciso nos termos", comete uma calinada. Não é, talvez, grave; e por isso mesmo não percamos tempo a condená-lo ou a defendê-lo. Ele escreve imenso de memória, da sua memória da experiência dos jogos, o que torna o livro interessante, mas não imune ao erro.
Quanto à continuidade, ela existe muito para além do BNL: inclui a NASA e a Internet, só para citar dois casos importantes do séc. XX. Mas isso é outro post, não é? Então vamos para lá :)
De
mouseland a 16 de Fevereiro de 2007 às 22:09
Hello Bak, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:
Antes de irmos para o outro post só quero retificar que o Steven Poole refere na página 15 de "Trigger Happy" que o engenheiro W. Higinbothan trabalhou no design de dispositivos de tempo para o projecto atómico (Manhattan Project) e não que ainda trabalhava. Já nem sei de onde vem esta confusão... hahahahaha. Mas nem ele se engana.
xxx mouse
De bakali a 19 de Fevereiro de 2007 às 11:07
eu li o livro há alguns anos, quando saiu suponho. a minha página 15 é a primeira página de texto, devemos ter livro diferentes.
mas a confusão vem daqui:
"Higinbotham, que estava a trabalhar no projecto atómico (Manhattan Project) tentava fazer uma exibição engraçada e lúdica para os visitantes"
De
mouseland a 19 de Fevereiro de 2007 às 12:39
Hello bak,
Acho que fui eu que escrevi o tempo verbal errado pois devo ter citado de memória mas o que é curioso é que tenho nas minhas fichas de leitura correto. Pelo menos gerou esta troca de comments e deu azo a mais um post :wink:.
xxx mouse
De Luis a 1 de Dezembro de 2009 às 18:28
Oie. Tambem tem emuladores de boa qualidade no www.emuladorpsp.com prontos pra baixar. E acho que funcionam todos. Vlw.
Olá Bak,
Ora é precisamente porque estas classificações são sempre atreitas a insuficiências várias é que acabam por ser pobres. Eu utilizo o termo jogo electrónico ou, em alternativa, videojogo para definir jogos em consola, computador e arcada pois esta separação para alguns autores hoje tb já não é correcta devido aos híbridos. É mais produtivo um termo que inclua os três sistemas. A meu ver e precisamente porque me preocupei em estudar com pormenor o ponto de vista dos engenheiros e da vida artificial nos sistemas lúdicos a questão é muito mais interessante quando remetida para a discussão entre simulação e emulação e quando generalizamos as máquinas às suas componentes de harware e software, remetendo os jogos para o chapéu da cultura digital. Acho então que é necessário estudar a interface e lá está que, neste contexto, em matéria de jogos de computador, alan kay (dotou o sistema de janelas) e engelbart (criou o rato e os sistemas de chats) são tão fundamentais como bauer ou A. Higinbotham... à la Manovich, ahahahaha. De qualquer forma em 1967, Ralph Baer, o director de produtos de consumo de uma companhia electrónica militar, Sanders Associates, inventou um jogo de ténis caseiro residente na televisão e mais umas simulações de hockey. Ora, para mim a cronologia dos jogos digitais é clara e não precisa de separações (anda em paralelo). Sendo que resumindo estas análises dependem sempre dos "prismas" com que são celebradas.
Como deixei ontem no blog do BravoJohny e que vai de encontro ao que escreves: O Spacewar! (1962) não foi o primeiro videojogo. Pong foi criado quatro anos antes no gabinete de investigação nuclear do governo dos Estados Unidos (Brookhaven Nacional Laboratory) pelo engenheiro William A. Higinbotham. Higinbotham, que estava a trabalhar no projecto atómico (Manhattan Project) tentava fazer uma exibição engraçada e lúdica para os visitantes e membros do público e decidiu construir um rudimentar jogo de ténis. Para ele a ideia era tão óbvia que nunca pensou em patentes. Três anos depois chegou ao MIT e às mãos de Steve Russel e dos seus amigos o pacote com o modelo PDP-1. E assim surge Spacewar, uma interface que responde em tempo real aos inputs do jogador. No entanto, embora alguns autores afirmem que Spacewar é o primeiro videojogo (J.C. Herz em "Joystick Nation" e Alain e Frédéric Le Diberder em "L’Univers des jeux vidéo") é mais correcto considerar que Pong é o primeiro. Este é o ponto de vista de Steven Poole, claro! Eu adotei esta visão abrangente colando de forma transversal várias formas de pensamento (engenharia e vida artificial, conceitos filosóficos, cognitivos, sociais, teoria da literatura e semiótica). Tudo em prol da complexidade dos sistemas lúdicos, hehehehe.
xxx mouse
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