Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007
O PRIMEIRO JOGO INTERACTIVO E A BOMBA ATÓMICA
jogodigital.jpg

No seguimento de uma interessante discussão sobre as origens do primeiro videojogo num post anterior decidi deixar aqui umas breves notas sobre esta questão escritas a partir do trabalho de Van Burnham em Supercade, a visual history of the videogame age 1971-1984. Escreve a autora: “It all started with big bang. During World War II, a new technology was invented that would change the course of history and circuitously lead to the creation of the first interactive videogame: the atomic bomb. Also called the A-Bomb, this weapon of mass destruction was capable of great explosive power, resulting from the release of thermal energy and gamma rays following the splitting of the neuclei in such a heavy elements as plutonium or uranium. (…) The first atomic bombs were built in the United States during world war II in a secret government program know as the Manhatan Project. In 1945, an atomic bomb was tested in Alamogordo, New Mexico. Then the first bomb used in warfare was dropped by the US in Hiroshima, Japan, on August 6, 1945” (Van Burnham; 2001: 28).

Três dias depois e já sabendo claramente as repercussões da tragédia de Hiroshima os EUA enviam a segunda bomba para Nagasaki a 9 de Agosto de 1945. Aos mais de cem mil mortos identificados até hoje como vítimas da radiação atómica da primeira bomba juntam-se mais setenta e tal mil... Quem como eu teve a oportunidade de visitar ambos os memoriais no Japão sabe o quão injustificável foi esta segunda bomba pois os japoneses já estavam totalmente aniquilados.

Continua Van Burnham: “In 1947, Brookhaven National Labs was founded by Associated Universities Incorporated - a nonprofit educational consortium contracted by the Atomic Energy Agency. Constructed on the site of Camp Upton, BNL was envisioned as a regional laboratory to provide researchers across the country with powerful research tools - tools like nuclear reactors and particle accelerators - that their own institutions didn’t have the resources to built or maintain. In 1950, BNL opened its first research reactor - a small nuclear reactor used for peaceful scientific exploration - the Brookhaven Graphite Research Reactor. It was joined in 1952 by the Cosmotron, the first particle accelerator than achieved billion-electron-volt energies and would later inspire a Nobel Prize-winning discovery. Staffed with scientists and researchers, BNL quick grew to became a proeminent fixture in Suffolk County, Long Island. Unfortunately, in light of the lingering fear and cultural stigma of nuclear power and radiation, many residents felt that the laboratory posed a threat to their community. So in order to generate positive public relations, and reduce the civic controversy, Brookhaven National Laboratory began to host an annual “visitor’s day” so that members of the surrounding community could come view the fascinating - yet harmless - research being conducted there. Enter William Higinbothan, a fun-loving physicist who had come to BNL from Manhattan Project where he had developed advanced radar systems - and witnessed the detonation of the first atomic bomb back in 1945. He was now dedicated to help promote peaceful uses of nuclear power” (Van Burnham; 2001: 28).

Ora, como podemos constatar a história dos videojogos está intimamente associada à criação da primeira bomba atómica e o “Tennis for Two", um percursor do jogo Pong, é considerado o primeiro videojogo. Isto, claro, se na definição que utilizarmos incluirmos computadores, arcadas e consolas. Penso que é bastante importante nunca esquecermos esta associação (bastante triste) pois só os sonâmbulos dizem que os produtos da ciência não são, em si, bons ou maus e que é o seu uso que determina o seu valor. Esta crença ignora a natureza de todos e quaisquer media e hipnotiza, ao estilo de Narciso, o jogador ao fazer crer que não há hipnotismo na amputação e extensão dos seres por via das formas técnicas (McLuhan, 2001; 23). Por respeito a Hiroshima, a Nagasaki e ao Holocausto é fundamental nunca esquecermos como as formas da técnica podem assumir configurações catastróficas. Como Gunter Anders asseverou, na carta para o filho de Adolf Eichmann, o mundo obscurece e torna-se monstruoso porque os homens perderam a capacidade de representação e com ela a capacidade de percepcionar as engrenagens e ferramentas que criam. O mundo tornou-se tão obscuro depois de Hiroshima, Nagasaki, do Holocausto, ou do genocídio do Ruanda, diria Virilio, que nós já não podemos reconhecer o seu obscurecimento (Anders; 2003: 45-53). Há verdades que convém nunca esquecer pois só assim nos podemos precaver eticamente contra a sua repetição.


15 comentários:
De rafgouv a 18 de Fevereiro de 2007 às 12:26
Oi Mouse,
Se a associação da cibernética às pesquisas atómicas é de facto incontestável, já a filiação directa entre a 1a bomba atómica (1945) e o Pong (anos 50) me parece exagerada. De alguma forma, segundo o texto que citas, foi para dissociar a pesquisa nuclear (que não foi só utilizada para criar bombas mas também por exemplo para produção de energia e outros "peaceful uses") da criação de engenhos de guerra que as aplicações lúdicas foram desenvolvidas...
Autores como Gunther Anders ou Hans Jonas questionaram no entanto o desenvolvimento das tecnologias nucleares (não é por acaso que, também graças a eles, o movimento anti-nuclear é particularmente expressivo na Alemanha) tanto para aplicações militares quanto "pacíficas".
Parece-me mais interessante questionarmo-nos com Virilio sobre as semelhanças entre as interfaces lúdicas e as interfaces militares. Um jogo recente - Defcon (http://www.everybody-dies.com/) - apresenta-se como o 1° simulador de genocídio... Um jogo tão precioso quanto arrepiante!

No que toca à questão da justificação do uso das bombas atómicas pelos americanos, dou a palavra a JG Ballard que não pode ser suspeito de nenhuma forma de complacência. Se bem te lembras Ballard passou a infância em Shanghaï e foi durante a guerra internado num campo de prisioneiros japonês (cf. a sua autobiografia The Empire of the Sun, adaptada ao cinema por Spielberg) e libertado após a deflagração das duas bombas.
Diz Ballard noutro texto autobiográfico publicado no fabuloso A User's Guide to The Millenium:

"A potência americana - e em primeiro lugar as bombas atómicas largadas sobre Hiroshima e Nagasaki - salvou-nos a vida. Não só as nossas vidas foram poupadas mas também as de milhares de civis asiáticos e, provavelmente, as de milhões de japoneses das ilhas centrais do arquipélago. Acho que é totalmente inexplicável a convicção espalhada hoje segundo a qual o lançamento das bombas de Hiroshima e Nagasaki foi um acto imoral ou um crime de guerra comparável ao genocídio nazi.
"Durante a sua longa progressão no Pacífico, os exércitos americanos apenas libertaram uma grande capital - Manila. Os ferozes combates que duraram um mês fizeram aí 6.000 mortos entre os americanos, 20.000 entre os japoneses e mais de 100.000 entre os filipinos, muitos deles absurdamente massacrados - ou seja, no total mais vtimas do que em Hiroshima.
"Quantas mortes suplementares teriam sido necessárias se os americanos e os britânicos tivessem sido obrigados a combater para tomar Singapura, Saigão, Hong Kong ou Shanghai? As gigantescas tropas japonesas estavam a descer o Yang-tsé e teriam transformado Shanghai num vasto cemitério. O custo em vidas humanas de uma invasão do Japão tonou-se evidente durante os ferozes combates na ilha de Okinawa que fizeram cerca de 200.000 vitimas japonesas, a maioria delas civis.
"Alguns historiadores defendem que a guerra estava praticamente terminada e que os dirigentes japoneses (...) se teriam rendido sem os bombardeamentos atómicos. Mas essa hipótese ignora um factor extremamente importante - o soldado japonês. Este provou em inumeráveis ocasiões que enquanto tivesse uma espingarda ou ma granada se bateria até ao fim. A única infraestrutura de que precisava era a sua própria coragem e não há nenhuma razão para pensarmos que teria combatido com menos bravura para a sua pátria do que para um recife de coral no Pacifico, a milhares de quilómetros.
"A ideia que Hiroshima e Nagasai teriam sido um crime de guerra teve um efeito desastroso entre os japoneses, confortando-os na convicção de que foram vitimas da guerra e não agressores. Enquanto nação, os japoneses nunca reconheceram as atrocidades que cometeram e persisitirão provavelmente a ignorá-las enquanto continuarmos a baixar a cabeça de vergonha face à recordação de Hiroshima e de Nagasaki.
"O argumento segundo o qual as armas atómicas, em virtude dos danos genéticos que causam às gerações futuras pertencem a uma categoria particular do Mal, também me parece errado. As consequências genéticas de uma bala de espingarda são ainda mais catastróficas pois os genes da vítima vão directamente para o caixão e os seus descendentes nem sequer poderão vir a nascer."

No contexto actual em que dirigentes japoneses (o ex primeiro ministro Koizumi, etc.) não hesitam em comemorar as terríveis deflagrações, visitando e honrando santuários onde jazem criminosos de guerra, apesar das tensões diplomáticas que isso causa com a China, as palavras de Ballard não podem, penso, deixar de nos interpelar.

xxx


De mouseland a 18 de Fevereiro de 2007 às 16:48
Olá Raf, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Obrigado. Não houve nação mais "sanguinária" que a japonesa, concordo inteiramente contigo e com Ballard, e claro que o conceito de honra no Japão é dificilmente compreendido por um ocidental. Aqueles soldados que permaneceram isolados nos seus postos muito anos depois da II grande guerra ter acabado são um exemplo bem sintomático da dedicação do japonês às causas. Aliás a própria forma como eles viram os americanos como crianças mimadas é bem evidente de uma certa cegueira daquele que está disposto a tudo porque acredita que o regime de auto-sacrifício é suficiente para a vitória bélica :roll:... se calhar estou a divagar... agora todo esse empenho é certo mas não justifica a segunda bomba... e as contradições japonesas estão bem evidentes na sociedade actual na forma como integra e gera "realidades" século XIX com "realidades" do tipo "Blade Runner", ficção científica e afins.

Em relação às utilizações pacifistas da energia nuclear há mesmo quem advogue que será uma das poucas formas de resolver o problema do aquecimento global (cf. James Lovelock) mas eu acho muito útil termos sempre presente os possíveis efeitos das nossas interfaces. E nesse sentido o trabalho do BNL não é, no post, demonizado apenas clarificado nos seus dois sentidos que podem ser ou não opostos.

Quanto à semelhança entre as interfaces lúdicas e as interfaces militares é precisamente aí que eu quero chegar pois penso que essa ligação tem criado uma enorme paranóia em relação aos jogos na sua versão agonística. A criação da internet, que não é a mesma coisa que a WWW (cf. Machuco Rosa), também não foge a esta temática mas isto deixo para o bakali se ele quiser pegar-lhe, hehehe.

xxx mouse


De rafgouv a 19 de Fevereiro de 2007 às 13:58
Mousita,

A questão da 2a bomba é de facto mais complicada embora alguns a expliquem precisamente pelo prolongamento da guerra, visto que como referes alguns continuaram a bater-se afincadamente mesmo depois de Hiroshima...

Aquilo que me parece importante é distinguir bem em termos éticos o lançamento destas bombas de um qualquer genocídio (na Arménia, na Europa ou no Ruanda)... A associação que Anders faz entre o holocausto e a deflagração nuclear tem que ver sobretudo com a noção de escala - ambos estes acontecimentos marcam a progressão exponencial da tecnologia de morte. Para Anders, a escala tecnológica é puramente abstracta, desumana (ou, como referes, "monstruosa"), na medida em que a nossa sensibilidade permite chorar a morte de um homem ou de alguns homens, mas não nos dá acesso à tristeza suprema que seria chorar a morte de milhões de homens... Ou seja, a tecnologia que multiplica o número de mortes não vai de par com uma sensibilidade que multiplicaria o número e o peso dos lamentos.

Ora, a noção de genocídio comporta essa ideia de escala mas sobretudo a ideia de selecção (que distingue o genocídio das outras formas de massacre, naturais ou artificiais) étnica, social, sexual...

xxx


De mouseland a 19 de Fevereiro de 2007 às 16:40
Hello Raf,

Eu sei que Anders se refere ao obscurecimento das invenções técnicas pela incapacidade de representação. Uma das coisas que acho interessantes e completamente transponível para o caso dos jogos electrónicos é o facto de já não conseguirmos analisar com distanciamento as situações (experiências) em que nos vemos envolvidos. É precisamente aí que eu me questiono se o discurso que prolifera na indústria de jogos não é muitas vezes algo responsável por uma retórica do enevoamento, ou seja, ao dar voz aos especialistas e cientistas cognitivos mais eufóricos e ao calar outras vozes mais críticas. Os computadores não só criaram os jogos para se estenderem como também os seus especialistas para se legitimarem. O que se ouve com frequência nos media são notícias ou catastrofistas ou altamente enaltecedoras sobre o poder benéfico das interfaces lúdicas. Não há meio termo e advogam-se teorias para as quais não há ainda resposta, por exemplo, associações à violência mal estudadas mas também aos efeitos altamente benéficos dos jogos de computador. A verdade é que não há consenso nenhum sobre estas matérias e as notícias nos jornais afirmam, por vezes, o contrário.

A mesma estratégia que esteve na base do silenciamento que os media fizeram à volta do aquecimento global, digo isto com algum exagero, claro! Quando havia unanimidade entre a comunidade científica os canais de comunicação divulgaram o contrário. Na questão dos videojogos quando há unanimidade na comunidade de investigadores ao afirmar que não há de facto consenso porque dois ou três gajos afirmam que há, tunga adoptam-se essas ideias sem qualquer indagação...

Isto tem essencialmente a capacidade de me enervar, hehehehe.

xxx mouse


De bakali a 20 de Fevereiro de 2007 às 00:40
Caros amigos

Deixem-me começar com umas palavras de Archibald McLeish (1968): “After Hiroshima it was obvious that the loyalty of science was not to humanity but to truth – its own truth – and that the law of science was not the law of the good…but the law of the possible…what it is possible for technology to do technology will have done.”
O Holocausto é a aplicação da noção fordiana do trabalho ao extermínio em massa. Ou seja, uma técnica cujo controlo, apesar da mecanização, não foge ao controlo do homem (ou do nazi, melhor dizendo). A bomba atómica é outra coisa: já não é fordiana mas total, instantânea e fora de controlo.
As implicações morais do bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki são-me completamente inúteis; nem me interessa interpretar do lado do horror (de uma energia divina caída nas mãos de macacos evoluídos) nem do lado da poupança (a teoria de Ballard e muitos outros sobre os custos de prolongar a guerra) que me parece uma visão atrofiada do problema.
Invocar as palavras, como faz o Raf com o “genocídio” (sim, literalmente é uma morte genética, mas é preciso acreditar que há genes puros para conceber tal coisa) também não é o caminho que me apraz trilhar. Nos dias em que acordo samurai poderia afirmar que nenhum dos holocaustos, o nuclear e o outro, têm qualquer relação com a honra: não passaram de vis demonstrações do ódio pelo outro, de massacres de inocentes (civis, portanto). Mas a guerra não é uma questão de honra, só nos filmes. A guerra serve para levar o outro a capitular. Não penso que possa existir honra em levar o outro à humilhação total.
Resumindo esta parte da questão: do ponto de vista do humanismo que ainda nos sobra, nenhuma explicação deve ser tentada para estes dois acontecimentos. Porém…
O que é novo nos dois holocaustos é que eles só puderam acontecer por via da técnica: o primeiro pela aplicação dos princípios da linha de montagem, o segundo pelo poder maior da física nuclear. Não foi tanto um problema de distanciamento do homem (a técnica, como extensão, pode levar-nos a crer nesse distanciamento) como foi um problema de método e de escala.
Como disse McLeish, é uma questão do “possível”. Se é possível matar dezenas de milhar, centenas de milhar, não se percebe porque se haveria de optar por uma eficácia menor. A "eficácia" é uma das palavras chaves do militar e do industrial. Veja-se a Internet como tecnologia.

abrçs

bak


De bakali a 20 de Fevereiro de 2007 às 11:53
olá Raf

Eu penso ter conseguido, com maior ou menor sucesso, compreender o que dizias. O que contraponho é que não acho particularmente esclarecedora a leitura da história (ou dos historiadores, o que vem dar no mesmo) para a questão da técnica tal como a estamos a discutir. Nota que a história tem o mau hábito de procurar justificar -- em certa medida anseia por justiça, por impor uma narrativa justa -- tu mesmo falas de uma distinção "ética" algures no texto.
Ora o meu argumento do "possível" (plagiado ao McLeish) torna as noções de justiça, de moral e de ética completamente desnecessárias. É isto a ciência.

Suponho que te posso responder apenas pela questão da "eficácia". Nota que falei em "capitulação" e não em extermínio. Concordo absolutamente: interessa subjugar e explorar os vencidos, mas isso está longe de ser uma invenção moderna; foi sempre assim. O que a modernidade veio introduzir foi, precisamente, a capacidade do extermínio. Ora esta capacidade é contraditória com os objectivos ancestrais da guerra, certo? “Estraga” o objecto conquistado. O extermínio é a possibilidade técnica que faz a guerra escapar ao controlo. Não acho a noção (eficácia) nada ingénua, já que ela está na base – ela foi a justificação – para o actual descontrolo. Aliás, isto está em pleno acordo com o que dizes do holocausto ou do aquecimento global. Não estou certo de estarmos a falar de coisas diferentes :)

P.S. - "invocar palavras" quer dizer usar palavras cuja ressonância nos envia para grandes conceitos, palavras carregadas de significados morais. "morte genética" pretendia indicar a morte imposta a alguém pela sua herança genética. não me expliquei bem, portanto.


De rafgouv a 20 de Fevereiro de 2007 às 09:53
Caro bakali,

Confesso que tenho bastante dificuldade em compreender o que dizes (ou o que queres dizer), o que não deixa de ser irónico visto que as tuas palavras revelam também bastante incompreensão em relação ao que pretendia exprimir.

Sem entrar demasiado nos pormenores:

- não "invoco" palavras, limito-me a dar definições (se conheceres uma maneira de definir as coisas sem invocar palavras, apita que isso interessa-me). Não percebo também onde foste buscar essa ideia de que a etimologia de genocídio seria "morte genética"... haverá alguma morte que não seja genética??? Imagino que o que querias dizer é que se trata de uma morte infringida (o sufixo "cídio") em função dos genes (etnia, sexo...). Será?

- a ideia de que haveria um "controlo humano" (ou nazi) da Shoah foi amplamente contestada, entre outros, pelos autores que referimos com Mouse e por eminentes historiadores como Ian Kershaw. Segundo estes autores, haveria controlo de cada uma das etapas do processo mas provavelmente nenhum controlo "global" da empresa de extermínio, o que permite a aproximação com outras tecnologias mortíferas (os fabricantes de automóveis também não "controlam" o aquecimento global).

- o holocausto ultrapassa largamente a aplicação mortífera das teorias fordianas. A indústria do genocídio não se limitava a produzir cadáveres mas tinha integrado por exemplo a reciclagem e uma verdadeira "ecologia" ("ecologia" que de resto continua a ser "pacificamente" aplicada nos nossos dias num país como a China onde, como nos campos de concentração nazis, os orgãos e outros restos -dentes, cabelos... - dos condenados à morte são objecto de uma verdadeira indústria sem que nós ocidentais hipnotizados pelo crescimento económico, o queiramos ver).

- a questão da "eficácia" parece-me extremamente naïve... A guerra não tem como principal objectivo a exterminação do adversário... por isso a "eficácia" dos engenhos e estratégias bélicos não pode ser exclusivamente medida pela escala dos danos causados (excepto naturalmente para quem defende um pacifismo incondicional diabolizando o militarismo mesmo em caso de legitima defesa). Assim, por exemplo, podemos falar também de "eficácia" em termos de dissuasão ou de precisão na definição dos alvos, etc., etc. Por outro lado, qualquer imperialista ou capitalista que se preze sabe perfeitamente que ao vencedor de uma guerra "moderna" interessa muito mais a criação de novos consumidores do que o povoamento dos cemitérios...

Fico a aguardar com interesse os teus comentários!!!


De mouseland a 20 de Fevereiro de 2007 às 13:17
Hello,

Estou satisfeita por desta vez a conversa não ser comigo. :mrgreen::mrgreen::mrgreen: Também gosto de ser espectadora.

xxx mouse


De rafgouv a 20 de Fevereiro de 2007 às 13:47
hello again bakali,

Assim já nos entendemos! Apenas uma nuance importante: a capacidade de extermínio está ligada à tecnologia e não forçosamente à guerra.

Quanto às referências à "ética" e ao "genocídio" foi para responder à Mouse que as utilizei... e limitei-me a dizer que a definição de genocídio não cobre os bombardeamentos de Nagasaki e Hiroshima... Agora se quiseres chamar-lhe "massacre", "mass murder" ou qualquer outro termo do género não vejo inconveniente.

O argumento do "possível" parece-me aliás extremamente interessante. É sobre esse argumento que repousa grande parte do discurso apocalíptico contemporâneo. A questão principal não é apenas a da procura da eficácia mas a da utilização real dos engenhos. Assim, a não utilização de armas nucleares desde o fim da 2a Guerra Mundial aparece pelo menos tão misteriosa quanto a própria criação desses instrumentos de destruição...

abraço,


De Anderson a 2 de Outubro de 2007 às 06:18
O MASSACRE DE NANQUIM FOI INVENTADO PARA JUSTIFICAR AS BOMBAS LANÇADOS NO JAPAO! E HUMILHAR O PAÍS,

EU MENTIROSO?

ACESSE O SITE


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