Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
“GO GREEN”_ A CERIMÓNIA VERDE
theoscares1.jpg

theoscares_gogreen.jpg

Começo por confessar que não resisto à noite de Óscares que este ano ficou marcada pela dupla Al Gore/Leonardo DiCaprio num momento de troca de galhardetes entre ambos. Fiquei a saber que DiCaprio é um seguidor de Al Gore e que está a preparar o seu próprio documentário sobre o problema do aquecimento global. Al Gore chamou-lhe “Leo” com um à vontade assinalável. A actuação de Melissa Etheridge, autora do tema musical do filme de Al Gore, "I Need to Wake up", foi também pontuada pelas frases presentes no site do filme Uma verdade inconveniente o que transformou a cerimónia num momento de divulgação da “mensagem verde” com implicações políticas evidentes. E o tema de melhor música original foi para Melissa Etheridge. No site da academia afirma-se: “This year, the Academy, the Oscar telecast producer Laura Ziskin and the entire production team endeavored to select supplies and services with a sensitivity toward reducing the threats we face from global warming, species extinction, deforestation, toxic waste, and hazardous chemicals in our water and food” (…). O Óscar para o melhor documentário foi, pela mão de Jerry Seinfeld, para Uma verdade inconveniente realizado por Davis Guggenheim (que eu não sabia que tinha realizado episódios da série 24!).

Fiquei satisfeita com o prémio para o avô de Miss Sunshine, Alan Arkin, que concorria com Eddy Murphy o favorito na categoria de supporting actor. O prémio de melhor argumento para Miss Sunshine já é menos surpreendente. Curioso ver a “menina Sunshine”, Abigail Breslin com dez anos, vestida de boneca como tão ironicamente o filme critica a apresentar os Óscares ao pé do filho de Will Smith. Desde imagens de bastidores até fotos feitas em cena pela apresentadora da cerimónia, Ellen Degeneres, a Clint Eastwood e Steven Spielberg para o My Space a cerimónia foi cheia de improvisações. Até trocaram as legendas de um filme de Fellini (Amarcord em vez de E La Nave Va). Com tudo engalanado como de costume as palavras dos vencedores foram muitas vezes lidas a partir de discursos pré escritos. Happy Feet arrecadou o prémio de melhor animação (não vi os outros dois a concurso mas o pinguim trapalhão é divertido), Marie Antoinette o melhor guarda-roupa (ainda bem que pelo menos este prémio recebeu), o maravilhoso filme As Cartas de Iwo Jima ganhou a melhor edição sonora. Ken Watanabe supera DiCaprio e Al Gore na dupla com Catherine Deneuve (os dois deslocados mas sublimes, muito fora do American Style, apresentaram a best supporting actress). A seguir o prémio especial carreira para o mestre Ennio Morricone apresentado por Clint Eastwood. Um comovente momento em italiano traduzido pelo realizador americano. Quarenta e cinco anos de carreira e mais de 500 bandas sonoras!!! Finalmente Ennio Morricone.

ascartasdeiwojima.jpg

Ken Watanabe no grande plano durante a intervenção de Ennio Morricone e a sessão entrou pela madrugada dentro. Há algo de profundamente trágico no guerreiro heróico personificado pelo general Tadamichi Kuribayashi de As Cartas de Iwo Jima como já havia no Katsumoto de O último samurai. Robert Altman morreu em 2006 e Babel recebeu o prémio de melhor montagem e melhor argumento adaptado. Helen Mirren arrecadou o Óscar de melhor actriz com o seu papel em A Rainha. Gostei do filme O último rei da Escócia mas Forest Whitaker é muito superior em Crying Game. Martin Scorsese ganhou com 64 anos o primeiro Óscar como melhor realizador e o filme Entre Inimigos ficou com o grande prémio! Para mim este Óscar (melhor filme de 2006) devia ter ido para As Cartas de Iwo Jima ou Miss Sunshine! Qui injusticia, diria o Calimero...
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10 comentários:
De rafgouv a 26 de Fevereiro de 2007 às 10:34
Na noite em que por fim o Scorsese ganhou o óscar eu revi Mean Streets... e não pude deixar de sentir alguma amargura. Adoro Scorsese mas gostava sobretudo que ele voltasse a fazer um GRANDE FILME (o último foi qual? Casino? The Age Of Innocence??).

Tem piada enquanto para ti o facto marcante foi o ciclone de bons sentimentos, para mim foi a consagração de Jennifer Hudson que depois de ter sido eliminada do American Idol se vinga (how didn't you mention her!!???)... e claro, o óscar do Ennio Morricone!!

E já agora porque é que os óscares se reduzem cada vez mais a documentários e pinguins (ou mesmo como no ano passado documentários sobre pinguins???). É irritante!!


De rafgouv a 26 de Fevereiro de 2007 às 15:17
ó mouse, eu acho bem melhor ganhar um óscar com 26 anos - ou até com 10 - por uma prestação fabulosa (e isto embora Dreamgirls seja um pouco melhor do que o medíocre Chicago - que tinha escandalosamente ganho o óscar de melhor filme - mas esteja longe de chegar aos calcanhares de Moulin Rouge) do que com 70 por um filme fracote (e, acredita, é com muita pena que digo isto do Marty)...
A Jennifer dá um bailão à Beyoncé - osso bem duro de roer, né? - e isso merece mais do uma vénia (i like beyoncé a lot).

Anyway, devemos ser as 2 últimas pessoas que ligam pévia aos óscares...


De mouseland a 26 de Fevereiro de 2007 às 14:53
Hello rafgouv, :mrgreen:

Sobre Scorsese diria que é “A idade da Inocência” o seu último filme antes de “Entre Inimigos” e que continua a ser depois de “Entre Inimigos” mas que este filme de 2006 é bastante interessante.

Olha não falei na Jennifer Hudson porque não vi o filme, se calhar não vou ver senão em vídeo, ela só tem 26 anos (pior teria se tivessem entregue o Óscar a uma miúda de dez), fartou-se de largar lágrimas e eu gostava que tivesse ganho a actriz de Babel, uma hispânica... deve ter sido por isso mas fundamentalmente porque não conheço Jennifer Hudson de lado nenhum… falha minha, suponho.

Quanto aos pinguins tem piada o que dizes, talvez porque são animais sensíveis às questões ambientais, mas não vi o filme francês do ano passado embora até tenha curiosidade. Este, "Happy Feet", é bastante “eco sensitive”.

Xxx mouse


De rafgouv a 26 de Fevereiro de 2007 às 15:20
ó mouse, eu acho bem melhor ganhar um óscar com 26 anos - ou até com 10 - por uma prestação fabulosa (e isto embora Dreamgirls seja um pouco melhor do que o medíocre Chicago - que tinha escandalosamente ganho o óscar de melhor filme - mas esteja longe de chegar aos calcanhares de Moulin Rouge) do que com 70 por um filme fracote (e, acredita, é com muita pena que digo isto do Marty)...
A Jennifer dá um bailão à Beyoncé - osso bem duro de roer, né? - e isso merece mais do uma vénia (i like Beyoncé a lot).

Anyway, deves ser a única representante do meio académico que liga alguma coisa aos óscares. Congratulations!!!


De André Carita a 27 de Fevereiro de 2007 às 00:14
Viva mouse! :smile:
Esta cerimónia de óscares ficou, de facto, marcado por algumas surpresas. Em primeiro lugar fiquei contente por saber que Dreamgirls não ganhou assim tantos óscares. Em segundo por Little Miss Sunshine ter recebido pelo menos dois (principalmente o de melhor actor secundário... excelente representação!).

Quanto a Scorcese, após tantos anos, lá deram os óscares de carreira e não propriamente pelo filme em si. Na minha opinião The Aviator foi claramente superior em todos os sentidos a The Departed (este muito aquém...), que resultou de uma adaptação e não de um original de Scorcese que já nos apresentou filmes fabulosos como Taxi Driver, The GoodFellas, Casino, entre muitos outros!

A "floribella" de Scorcese mais uma vez perdeu... eu pergunto se alguma vez Leonardo Dicaprio conseguirá ganhar um óscar na sua vida...

Babel foi a grande desilusão, mas já se previa infelizmente.

De resto quero realçar a minha admiração por não ter visto sequer The Perfume nomeado para melhor adaptação...

Mesmo assim, penso já ter assistido a cerimónias de entrega dos óscares bem mais injustas do que a deste ano que teve a meu ver um balanço positivo, o que é sempre bom! :)

xxxxx
André Carita
http://pensarvideojogos.blogspot.com


De mouseland a 27 de Fevereiro de 2007 às 01:58
Alô Raf,

Também gosto de "Moulin Rouge" :wink: e o "Romeu e Julieta"? Dos outros não sou fã não mas enfim... Quanto aos óscares não posso perder ou não fosse uma adepta dos estudos culturais. Que montra de raridades culturais! hehehe.

Alô André,

Gostei imenso de ver "O Aviador" mas não sei se o acho superior a "Entre Inimigos". Agora também acho "O Aviador" interessante. Não vi "o perfume" e ouvi dizer mal mas parece que o actor´principal é interessante (coisas de miúdas, hehehe) e adorava rever a história pois há anos li o livro do Suskind e de certa forma ele marcou-me. Pobre Dicaprio... hoje gosto mesmo dele com aquela cara de boneco insuflado.

Também achei a cerimónia superior a algumas anteriores.

xxx mouse


De rafgouv a 27 de Fevereiro de 2007 às 09:14
mouse,

Se realmente adoro o Moulin Rouge, acho o Romeo+Juliette absolutamente detestável... Sorry.
Ontem acabei de ver a cerimónia e por isso o meu segundo óscar (depois daquele que atribui ontem a Jennifer Hudson) vai para o Forest Whittaker que foi quanto a mim (independentemente do filme que não vi) o único a fazer um autêntico discurso com um autêntico conteúdo...
Posto isto confesso que não pude deixar de sentir alguma comoção com o óscar do Scorsese. À força de conhecer quase de cor os seus filmes, foi mesmo como se tivesse reencontrado os amigalhaços Spielberg Lucas Coppola... só lá faltava eu, né? Quando os filmes se confundem com a vida...

Por fim não posso deixar de recomendar o fabuloso Pan's Labyrinth de Guillermo del Toro que deve estar por estrear em Portugal nestes dias!


De mouseland a 27 de Fevereiro de 2007 às 13:36
Olá Raf,

É engraçado como estou totalmente em desacordo. Gosto muito do "Romeo e Julieta" e quanto ao discurso do Forest Whittaker achei balofo e estranho mas atenção que ouvi em inglês sem legendas pelo que posso não ter apreendido todas as nuances, se é que as tinha, hehehehe... a actuação dele no "Último rei da Escócia" não deixa de ser cheia de tiques mas se calhar é porque o "canibal" era assim...

xxx mouse


De Carpinteiro a 1 de Março de 2007 às 01:04
Olá Mouse! :wink:

O novo paradigma chega de facto agora em força a (quase) todo o lado - e chegou aos Oscars. Confesso que a cerimónia em si não me interessa muito, mas o fenómeno da expansão 'green' também aos espaços mais elitistas da arte - e sobretudo do glamour - mostra a força como o consenso sobre as alterações climáticas, tardio mas forte, se abate sobre todos os palcos e espaços mediáticos, políticos e de discussão.


De mouseland a 1 de Março de 2007 às 19:24
Olá Carpinteiro!

Obrigado! Esperemos que o alerta geral sirva para mudar o futuro daqui a 50 anos...

xxx mouse


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