Quarta-feira, 14 de Março de 2007
SOBRE ENTRETENIMENTO_COLÓQUIO UA_22 DE MAIO 07
tendenciasentretenimento.jpg

tendenciasentretenimento1.jpg

Já está on-line o programa do colóquio “Tendências do Entretenimento” que vai ter lugar na Universidade de Aveiro no dia 22 de Maio de 2007. Este colóquio pretende debater as configurações da habitação do futuro e que ambientes lúdicos podem servir para forrar esse espaço configurável e emergente. Os participantes, provenientes de inúmeras áreas de produção criativa em Portugal vão dar corpo a esta iniciativa coordenada pela empresa multimédia DestaForma. Os convidados para debater algumas possibilidades a ter em consideração na habitação do futuro são, na parte da manhã, Ana Paiva (Instituto Superior Técnico), Álvaro Barbosa (Escola das Artes da Universidade Católica), Nelson Calvinho (jornalista e director da revista Mega Score), Nelson Zagalo (investigador / Universidade do Minho e Aveiro), Nélio Códices (Ydreams) e eu (Patrícia Gouveia - investigadora / Universidade Nova de Lisboa). Durante a tarde as comunicações são asseguradas por Paulo Dias (investigador / Universidade de Aveiro), António Navarro (investigador / Universidade de Aveiro), Célia Soares (DestaForma), Francisco Providência (professor auxiliar do departamento de comunicação e arte da Universidade de Aveiro - ainda por confirmar) e Jorge Carvalho Alves (professor catedrático da Universidade de Aveiro). Ivan Franco (Ydreams) é o moderador dos dois painéis.


Numa altura em que a comunidade europeia aposta estrategicamente no entretenimento interactivo como se pode concluir neste relatório de outubro de 2006 (obrigado Nelson Zagalo pelo envio do mesmo!) este colóquio pode ser um lugar de reflexão sobre áreas a explorar na produção digital lúdica. Esperemos que sim!


18 comentários:
De rafgouv a 15 de Março de 2007 às 11:23
Holà Mouse,
A Europa sabe fazer excelentes relatórios e fabulosos diagnósticos mas infelizmente aplica muito poucas medidas e faz ainda menos "apostas". A Europa não sabe correr riscos!!!
Assim não deixa de ser irónico que enquanto as metas tecnológicas que tinham sido definidas (em Lisboa!!!) para 2010 permanecem sem cumprimento, novos relatórios vêm reafirmar a importância estratégica de sectores que em termos de ajudas reais (fiscais entre outras) continuam a sofrer cruelmente...
Enquanto a Europa enumera prioridades e estratégias, o Canadá (e a cidade de Montreal em particular) capta praticamente todos os grandes intervenientes do video game europeu graças a uma política fiscal extremamente generosa e encorajadora... Montreal é em 2007 a nova Hollywood dos jogos vídeo!
Ao mesmo tempo, na Europa discute-se sobre o facto de as ajudas concedidas aos estúdios deverem ter em conta o conteúdo das obras que fornecem (os papões que fazem jogos violentos - mesmo que ultra criativos - devem ser excluidos dessas ajudas COLTORAIS).
Boa conferência!!!


De mouseland a 15 de Março de 2007 às 15:43
Olá Raf,

Obrigado pelo comment que coloca algumas questões pertinentes. Pois que tens razão, é bastante embaraçoso ver como algumas destas estratégias não passam de intenções para encher o olho e pouco ou nada têm de aplicável à criação emergente mais criativa... relatórios de relatórios... intermináveis sem efeito prático... quanto à estratégia de Lisboa referes-te ao relatório de 2000/01? Vi um programa com uma das mentoras dessa estratégia (Doutora Maria João Rodrigues) sobre esse mesmo plano e parece que tem tido repercussões no Reino Unido, na China... fiquei surpreendida mas de facto já se falava na ainda não aplicabilidade das medidas adoptadas. Acho que talvez a mentalidade do velho continente e os diagnósticos sempre presentes sobre os efeitos colaterais dos media sejam um entrave mas acima de tudo, como dizes, o risco é demasiado controlado. Em todo o lado...

xxx mouse


De rafgouv a 16 de Março de 2007 às 10:59
:roll:
Mouse, estranho que nos últimos anos toda a Europa fale da famosíssima "Lisbon Agenda" (e do seu não respeito e não cumprimento) e que pelos vistos a mesma seja pouco conhecida... em Lisboa... mas sim, exactamente, Ma João Rodrigues trabalhou nesse projecto.

http://en.wikipedia.org/wiki/Lisbon_Strategy

Quanto às repercussões: sendo um projecto europeu, penso que é desonesto falar de repercussões que dizem respeito apenas a 1 país (UK, segundo o que dizes) ou a países exteriores (a China???) mas é claro que felizmente muitos países lá vão pondo em prática, individualmente, políticas de apoio às novas tecnologias...

Para comparação alguns links que põem em evidência o papel crescente ocupado pelo Canadá na indústria (da Electronic Arts à Ubisoft, os principais players europeus e mundiais já lá estão!!). Cada anito que passa a Europa vai acumulando o atraso.

http://www.montrealmirror.com/2005/102705/news2.html

http://www.internationalbusinessstrategies.com/page/IBS/PROD/49180610?referrer=gad0610&gclid=CJiO5fiE-YoCFUgXMAodkyzUpw

http://jam.canoe.ca/Video/2007/03/10/3725860.html

kisses


De mouseland a 16 de Março de 2007 às 14:22
Olá Raf,

Obrigado pelos links vou consultar e depois deixo aqui algumas considerações.

xxx mouse


De nzagalo a 19 de Março de 2007 às 16:27
Rafgouv

Acho que tens razão quanto à não implementação de directivas por parte da EC, mas isso acontece um pouco por todo o lado quando as directivas assentam em visões e não planos específicos. E quando as visões são apenas isso e não baseadas no panorama existente, é muito natural que não se concretizem. Dizermos que a Europa é isto ou aquilo e que devia ser mais e melhor que os USA que no fundo é o que a Estratégia de Lisboa pretendia no campo tecnológico e de investigação. Em meu entender isto é demagogia. Apesar de termos culturas semelhantes vivemos em paradigmas económico-politicos e de cidadania completamente diferentes. Enquanto na Europa andamos a reboque das directivas, nos USA as directivas servem para refrear o empreendedorismo. Agora, cada um dos sistemas tem as suas vantagens e desvantagens.

Quanto ao Canada é verdade, não sabia destes reports mas já tinha notado isso nas páginas do pessoal da industria que visito e muitos deles estão agora a trabalhar no Canada. Contudo temos de dizer que pelo menos e ao contrário do que poderia parecer os grandes nomes da industria dos Videojogos actualmente são europeus e isso é muito bom.

Agora se estão a fugir para o Canada por restrições fiscais isso já é coisa que não tenho o menor interesse em defender e só me lembrar os U2 e a IKEA terem as suas contas sedeadas na Holanda por causa do fisco dos seus países.

Quanto a censura, já estou completamente em acordo contigo, se bem que no que toca a dinheiros públicos em forma de subsidio tenha as minhas reservas...

Em relação à deslocação ela tem sido para o Canada, mas agora julgo que está a começar a virar para Leste. Com milhares de pessoas com formação superior em TIC, Bulgária, Roménia e Rep. Checa entre outros tornaram-se autênticas minas de baixo custo para as grandes empresas da área.

http://www.gamasutra.com/features/20041124/mezihorak_01.shtml
http://silenthunter4.uk.ubi.com


De mouseland a 19 de Março de 2007 às 21:34
Olá Nelson :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Obrigado pelos comentários e pelos links!

xxx mouse


De rafgouv a 20 de Março de 2007 às 13:49
nzagalo,
Obrigado pelos complementos de informação.
Só 2 pequenos esclarecimentos:
- a política fiscal a que me referia não diz respeito à isenção dos lucros das sociedades mas à maneira de facilitar o investimento (por exemplo, reduzir os encargos sociais dos salários das empresas que desenvolvem jogos vídeo, ou reduzir os encargos sobre lucros destinados a ser investidos em novos títulos, etc., etc.)... Não é tanto para "fugir aos impostos" que as empresas emigram para o Canadá mas porque aí as condições gerais (e aí a fiscalidade tem efectivamente um papel importante) lá são mais vantajosas, e isso deve-se também à existência de pessoal qualificado ou à existência de estruturas universitárias que apoiam a pesquisa e facilitam o cruzamento entre as experiências universitárias e empresariais (este, nitidamente, um dos pontos negros da Europa).

- a Europa tem quanto a mim imensos trunfos para disputar a liderança aos USA ou ao Japão neste domínio, e isso sem qualquer demagogia... Infelizmente, não existe em termos globais (comum a todos os países da União) vontade para isso... Mas existem países na Europa cujas políticas poderiam ser excelentes inspirações para a União (é o caso da Finlândia ou do UK...)... É por exemplo incompreensível que a política agrícola recolha cerca de 40% das ajudas comunitárias enquanto menos de 10% da população europeia nela trabalha... mas enquanto defendemos a agricultura (que tb tem a sua importância e aliás os USA tb subvencionam os seus interesses agrícolas), e isso é que é triste, vamo-nos atrasando nas novas tecnologias...


De mouseland a 20 de Março de 2007 às 15:53
Olá Rafgouv,

É precisamente esta consciência que é necessário discutir. A importância da literacia tecnológica e até que ponto o entretenimento é fundamental para essa mesma literacia. Ontem deu um debate na RTP1 (prós e contras) sobre as práticas televisivas no serviço público e privado (programação e conteúdos) e nuns apenas escassos minutos, pela mão do Dr. Pinto Balsemão, lá se falou na inexistência de discussão e debate sobre a "televisão distribuída" via gadgets (telemóvel, skype, etc.). As telenovelas eram abordadas como um todo ("lixo televisivo") que como bem apontou Pinto Balsemão é uma forma algo absurda de falar sobre entretenimento. Eu diria que mais do que televisão distribuída é necessário olhar para os programas de TV, filmes, jogos digitais, etc., de uma forma mais respeitável, ou seja, "descascando" e interpretando os objectos antes de os catalogar como isto ou aquilo. Aliás, depois o próprio Ministro Augusto Santos Silva assinalou que existem processos e práticas narrativas que por vezes contrariam leituras "flat" sobre a problemática mas referia-se à importância da interpretação dinâmica de uma forma algo normativa. De resto, ficou a crítica à maneira como não se discutem as grandes questões e se perde tempo a discutir ninharias. Enfim... mais umas deixas para vocês pegarem.

xxx mouse


De rafgouv a 21 de Março de 2007 às 12:18
Mouse,

Não estou certo de perceber aquilo que dizes nem a forma como se articula com o que antes tinha sido escrito neste thread...
Aquilo que posso dizer é que aquilo a que os americanos chamam "entretenimento" (entertainment) e que legitima a existência de indústrias (o cinema, o jogo vídeo, a música, a televisão) é preterido na Europa ao conceito de "cultura" que é muito mais limitativo e que, sobretudo, depende da legitimação que determinadas personalidades dão aos diferentes produtos... o que dá forçosamente azo à censura.

Por outro lado, como demonstra a recente análise de Frédéric Martel (De la culture en Amérique, 2006 Gallimard - http://www.fredericmartel.com), a cultura na América não é definida pelo Estado (na Europa continuamos a pedir ao Estado e às suas instituições que definam o que é ou não "cultural") mas por particulares ou instituições privadas (o que não significa nem por sombras, ao contrário do que muita gente pensa na Europa, que os orçamentos culturais sejam menores ou a cultura menos protegida nos USA).

See you tonight if I catch the plane! xxx


De nzagalo a 23 de Março de 2007 às 01:45
O rafgouv tem razão Mouse, a ligação não é clara, se bem que o topico é sobre o entretenimento e desse modo acho que também tens razão ao tentar re-centrar a discussão.
Quanto a distinção entertainment/arte ou cultura/alta cultura é daquelas muitas discussões estéreis. De modo que julgo que o que está em questão é não discriminar e para isso temos de apresentar argumentação aos iluminados que demonstre que os objectos de entertainment são algo mais do que aquilo que parecem. Se por um lado me interessa a literacia por outro interessa-me de forma mais relevante a desconstrução das mecânicas e a experimentação de variações sobre as mesmas. A literacia é importante, mas julgo que a melhor forma de avançar na literacia é colocar as pessoas não só a compreender mas também a fazer.


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