Quarta-feira, 28 de Março de 2007
“THE ART OF GAME WORLDS”_ DAVE MORRIS E LEO HARTAS (2004)
gameworlds1.jpg

gameworlds.jpg

gameworlds2.jpg

The Art of Game Worlds foi editado em 2004 por Dave Morris e Leo Hartas e é uma leitura útil para quem quer enveredar pelo território dos jogos e das artes digitais (em geral) e construir mundos alternativos onde inúmeros agentes interagem entre si. O livro apresenta algumas questões teóricas relacionadas com o design de jogos e a prática lúdica. Assim, são introduzidas polémicas recentes a partir de entrevistas a criadores de jogos que trabalham em empresas que os produzem. As palavras dos diferentes criadores serviram para os autores do livro tirarem algumas conclusões: “a necessidade [na actualidade] de um estilo visual torna-se particularmente importante” (Morris & Hartas, 2004: 18) pois o panorama de títulos no mercado está saturado sendo que só um sinal distintivo torna o produto visível. A jogabilidade “que deveria estar no coração do produto, por vezes, dá lugar à sumptuosidade dos gráficos, o triunfo do estilo sobre o conteúdo (…) pois para lá da jogabilidade reside a estética do jogo” (Morris & Hartas, 2004: 20). Para Marc Holmes da Turbine Entertainment os produtores deveriam investir mais na história e menos na tecnologia (Morris & Hartas, 2004: 68). Chris Bateman da International Hobo afirma: “eu não acredito que os requisitos da jogabilidade têm que estar condicionados ao estilo visual. Os artistas fizeram um trabalho surpreendente nos ambientes de Ghost Master em parte porque o design dos níveis identificou apenas elementos necessários como conectividade e características do ambiente e o resto foi deixado à equipa artística” (Morris & Hartas, 2004: 96). 

No geral o livro é interessante porque mostra inúmeros cenários virtuais e desenhos que fazem parte de storyboards de alguns jogos (os fabulosos “esquiços” de conceito de Psychonauts ou Max Payne). O livro oferece várias dicas sobre utilização de texturas a partir da computação em 3D e alerta para alguns factores fundamentais a ter em consideração na iluminação dos diferentes ambientes. Os autores introduzem algumas questões a considerar em tabuleiros mais inovadores como, por exemplo, o facto da Linden Labs, criadora do Second Life ter prescindido dos direitos de autor sobre as criações dos jogadores. Num contexto em que o trabalho artístico é gerado pelos próprios jogadores e o produtor apenas cria a plataforma de trabalho para que múltiplos agentes nele invistam como defender os direitos morais artísticos? Ora, o direito de advogar direitos de autor sobre os objectos do mundo virtual é algo que os jogadores não podem exigir a menos que os produtores assim os deixem, como aconteceu no caso da Linden Labs (Morris & Hartas, 2004: 136). 

A estética hiper-realista, muito apadrinhada no Ocidente, é analisada em paralelo com uma outra tendência de raiz oriental e que se caracteriza por uma maior estilização dos ambientes digitais. Neste contexto, somos introduzidos a uma certa estética gore através das palavras de Chris Bateman: “o gore não mete medo, não evoca medo per se. Há uma certa parte da audiência que se derrete a ver gore mas para quase ninguém esse aspecto é uma fonte de terror. De facto o gore pode ser apropriado num cenário de acção mais do que num cenário de horror. É fácil adoptar uma estética gore nos jogos mas é muito mais impressionante quando o jogo é eficiente na evocação de uma atmosfera de terror” (Morris & Hartas, 2004: 146). Como no filme Ringu de Hideo Nakata bastam alguns breves efeitos visuais para estimular o sentimento de medo pois quando não é possível confiar nos sentidos sentimos medo. No entanto, este tipo de qualidade narrativa própria do cinema ainda não é comum nos jogos mas está a chegar. Max Payne é, para Morris & Hartas, uma marca genuína da evolução do medium (Morris & Hartas, 2004: 148). De acordo com Ajibayo “Siku” Akinsiku, director artístico da Elixir Studios: “a questão não é realismo versus estilização mas porque os produtores no ocidente se reduzem ao realismo e não são tão criativos como os seus colegas asiáticos. Os japoneses não mostraram qualquer resistência à estilização e adoptaram tradições estilísticas de todas as esferas das artes visuais” (Morris & Hartas, 2004: 184).




Comentar:
De
Nome

Email

Url

Guardar Dados?



Email

Password



Comentário

Máximo de 4300 caracteres




.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Março 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

31


.posts recentes

. EM SÃO PAULO, ENTRE OS RU...

. "THE LAST OF US", AMOR, L...

. QUE SORTE PODER VOLTAR A ...

. MEXICO DF UMA CIDADE ONDE...

. A MINHA SAGA COM O CANDY ...

. QUATRO FILMES A NÃO PERDE...

. PABLO ESCOBAR, O PATRÃO D...

. A MINHA FRUSTRAÇÃO COM O ...

. "THE WALKING DEAD" (GAME)...

. NUMA JANGADA DE POVOS IBÉ...

.arquivos

. Março 2014

. Dezembro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Maio 2012

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

.tags

. apostas

. arte e design

. artes e design

. cibercultura

. ciberfeminismo

. cibermemórias

. cinema

. colaborações

. divulgação

. enigmas

. entrevista

. exposições

. festas

. game art

. game art exposições

. gamers

. iconografias

. indústria de jogos

. interfaces

. jogos e violência

. livros sobre jogos

. mouse conf.

. mouse no obvious

. mouseland

. myspace

. pop_playlist_game

. portfólios

. script

. segredos

. séries tv

. teatro

. textos

. viagens

. viagens cinema

. todas as tags

.links
.participar

. participe neste blog

.MOUSELAND _ PATRÍCIA GOUVEIA
ARTES E JOGOS _ DIGITAIS E ANALÓGICOS
blogs SAPO
.subscrever feeds