Domingo, 18 de Junho de 2006
“AGENDAS DE GÉNERO” NO DESIGN DE JOGOS ELECTRÓNICOS
genero.jpg

This woman has pushed right into the innermost lair of male domination, the world of computers, and she has made a place for herself by force of will, genius, and awesome courage. Even more important, she did not compromise her femininity to accomplish this, and she's certainly no iron bitch -- I caused her to cry once -- she is an emotionally normal woman. Where others talk feminism, Brenda [Laurel] lives it” 

(in http://www.erasmatazz.com/library/Miscellania/Purple_Moon.html) 

A construção do género nos videojogos é um assunto complexo como atempadamente foi explicitado no livro From Barbie to Mortal Kombat editado por Justine Castell e Henry Jenkins em 1998. Os jogos de computador parecem perpetuar as fronteiras de separação entre o feminino e o masculino. Os mesmos tentáculos e viroses que sempre estiveram na base dos brinquedos e jogos tradicionais são reproduzidos nos tabuleiros digitais. Assim, se ainda hoje encontramos lojas como a American Girl Place também se fizeram jogos de computador estritamente voltados para o público pink. Brenda Laurel foi uma destas percursoras e as suas intenções não eram nada más mas a abordagem do seu software pink, como voltado para um público feminino, ofereceu o reverso da medalha, ou seja, os mesmos códigos de separação e segregação de espaços alternativos em vez de uma mistura saudável entre ambos os sexos. Daí a contestação das activistas da GRRLGAMER. Em vez de jogos separatistas para rapazes ou raparigas o design de jogos pode promover a androginia. Os videojogos viveram nos anos noventa uma completa revolução na explicitação e definição dos géneros. Os gender studies associados aos videojogos apareceram no final da década de noventa numa tentativa de criar e conceber espaços com “agendas de género”, ou seja, que adoptassem simultaneamente as características que as raparigas e os rapazes privilegiam na narrativa lúdica. Espaços narrativos de interacção social versus espaços agonísticos, narrativas abertas versus jogos de objectivos, etc. Este aspecto é fundamental para inserir as raparigas no parque tecnológico e não promover segregações que mais tarde as atiram para empregos e estilos de vida menos privilegiados do que os dos seus pares masculinos. Porque, como dizia Simone de Beauvoir, "a gente não nasce mulher torna-se mulher!"


6 comentários:
De Didi a 4 de Junho de 2007 às 23:13
Nao estou nada a ver como e que classificam a Grrlgamer como activista, se o foco do site e analisar jogos.

Desde que sou a editora e RP (2005) tenho feito o possivel para torna-lo num site de reviews e afasta-lo do obvio comportamento feminista que era uma constante desde que o site foi fundado em 97 ate mais ou menos 2001.

So porque o site e feito inteiramente por uma equipa feminina, nao quer dizer que a audiencia seja inteiramente feminina.

"By girls, for gamers" e como gosto de nos descrever. Se tiram uma idea errada so por olhar para o design do site em vez de investigar o conteudo, deviam olhar mais longe.


De mouseland a 5 de Junho de 2007 às 01:40
Cara Didi, :shock:

A utilização do termo (activista) está enquadrada no tempo do livro (1998) utilizado para este post portanto nem percebo bem a questão se a própria Didi diz que até 2001 era de facto assim..?

Ninguém tirou nenhuma ideia errada sobre o site a Didi é que está a concluir coisas sem ter lido com atenção o que está aqui a ser reportado.

xxx mouse


De Didi a 21 de Junho de 2007 às 20:03
O que eu entendi deste artigo foi de terem classificado o site actualmente (ou melhor, em 2006 quando foi escrito) como activista.

Nao entendi que o que se segue a introducao sobre o livro tinha de facto a ver com o livro mas sim com as ideias do autor deste blog. Esta esclarecido! :grin:

(Peco desculpa pela falta de pontuacao, mas estou a escrever num teclado Norte-Americano.)


De mouseland a 22 de Junho de 2007 às 13:34
Olá Didi :cool:

Obrigado pela participação e ainda bem que esclarecemos a situação e ainda deixámos alguma informação adicional :grin:. Realmente se calhar poderia estar mais explicito que me referia concretamente à época do livro mas como relato o final dos anos noventa achei que estava retratado um periodo especifico de investigação na área. Os teus comments servem precisamente para esclarecer essas dúvidas. Fiquei curiosa: és portuguesa, brasileira, outra nacionalidade?

xxxx mouse


De Didi a 27 de Agosto de 2007 às 03:26
Portuguesa 100% mas a viver no Canada ha uns aninhos.

Desculpem a demora a responder, mas desde o principio de Julho que nao tenho parado com os jogos, o trabalho duplicou desde a E3 - que chatice tao grande! lol :lol:


De mouseland a 10 de Setembro de 2007 às 11:40
Olá Didi, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Obrigada pela visita e espero que essas experiências lúdicas sejam boas, hehehe. Moras onde no Canadá? Adorava visitar o país que ainda não conheço mas tenho uma curiosidade enorme, principalmente Vancouver. Talvez seja a minha próxima viagem quem sabe... Acabei de ler o JPOD e sempre que leio o Douglas Coupland fico com vontade de conhecer o país.

xxx mouse


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