Domingo, 1 de Abril de 2007
ATMOSFERA(S) LÚDICA(S) PARA TODAS AS IDADES MAS NEM SEMPRE EM TODOS OS LUGARES


Um artigo recente do
The New York Times, “
Video Games Conquer Retirees”, enviado por Migalha e
Nelson Zagalo à mouselândia, chama a atenção para a utilização de videojogos por parte da comunidade sénior. A companhia
PopCap Games de Seattle diagnosticou entre o seu público uma elevada taxa de novos jogadores com mais de quarenta (71%) e cinquenta (47%) anos sendo que 76% são mulheres. Os “casual games”, disponibilizados na empresa
pogo.com parecem ser bastante escolhidos mas a nova consola da Nintendo, a Wii, é adoptada por cada vez mais gente como atesta o artigo mencionado. Neste contexto, os seniores afirmam que a incapacidade física de manejarem as pesadas bolas de
bowling na plataforma real é suplantada por uma forma de jogo mais ligeira potenciada pela Wii através do
Wiimote. O jogador, Dick Norwood, de 61 anos, declara que quando falou no assunto [reunir amigos para jogarem Wii em conjunto] às pessoas estas não faziam ideia do que se tratava e gozavam-no dizendo: “Tu queres começar uma liga de
bowling com videojogos num bar?” Depois de diluídas as objecções afirma Norwood: “Bem nós lá fomos a primeira vez e ficámos seis horas seguidas a jogar. No passado, eu talvez tivesse concordado que os videojogos eram para garotos. Agora [com 61 anos] considero que na minha idade quando se vai ao
bowling real acorda-se com tensões musculares e dores provocadas pelas pesadas bolas. Mas com isto [consola Wii] temos bom exercício sem os mesmos problemas no dia seguinte”.
Bem, penso que estes senhores não devem ter abusado muito da consola pois, no meu caso, as primeiras vezes foram dolorosas, hehehe, muito dolorosas..! Se calhar a minha forma física não é assim tão boa mas no dia seguinte não mexia o braço muito bem. As vantagens e aplicações de uma consola como a Wii e principalmente do excelente conjunto de exercícios que acompanharam a sua saída no mercado, os
Wii Sports (ténis,
bowling, golfe,
baseball, entre outros, como a hipótese de realizar um prova física diária onde se testa a velocidade, a fibra e equilíbrio do jogador), inauguram de facto uma nova conjuntura na forma como pensamos o entretenimento no século XXI e como lidamos com as interfaces actuais. Da infância à terceira idade!

Um outro artigo, “Wii Sports” (jogo do mês) na revista francesa
Technikart (
Março de 2007)
, atesta bem como este conjunto de exercícios disponíveis através da Wii são um dos factores mais aliciantes da experiência lúdica actual. Penso que nem a
casa Playstation 3 me seduz da mesma forma pois é, na minha opinião, visualmente muito feia (segundo a revista
Única do jornal
Expresso, 24 de Março de 2007, a decoração ficou a cargo da
Bo Concept) e aquela parafernália de ecrãs e consolas parece-me mais decorativismo saloio do que propriamente inovação. As aplicações interactivas aplicadas às
actividades mais corriqueiras do dia-a-dia, como uma ida à casa de banho, podem ser ironizadas e chegar à caricatura como mostra o
post de André Carita do blog
pensarvideojogos inspirado pelas produções do trono
rotorooter.
Olá António, :mrgreen::razz::roll:
Pois eu também fiquei surpreendida com a abordagem que este senhor de sessenta e um anos tem da Wii até porque eu própria sei o que me custou o "efeito do dia seguinte". Penso que o grupo de amigos que introduziu à consola não deve ter abusado muito e possivelmente terá feito movimentos leves senão estariam de rastos depois da experiência, parece-me. De qualquer forma a questão da repetição foi uma questão fulcral do meu trabalho de tese, "joga outra vez", e está na base do próprio instinto de jogo só que na terceira idade trás outros riscos e problemas, como afirmas.
Penso que de facto se existe interesse em aplicar este tipo de tecnologias a motricidade humana tem que estudar formas e estratégias de não massacrar o corpo dos seniores da forma como potencialmente a Wii eventualmente faz mas a verdade é que os senhores parece que gostaram da experiência e que não tiveram problemas. Quem sabe depende mesmo da forma como se protegem perante determinadas interfaces e movimentos. Aprendemos também a defender-nos de possíveis mazelas, não?
O que me parece mais interessante é a possibilidade das pessoas se juntarem e ainda executarem alguns movimentos em “conjunto” mas à vez, claro, numa altura em que tudo puxa para a sua imobilidade. Este primeiro passo abre caminho a outras aplicações.
xxx mouse
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