Quarta-feira, 25 de Abril de 2007
SOBRE “A VIDA DOS OUTROS”
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Ver A Vida dos Outros (Florian Henckel Von Donnersmarck, 2006) no dia 25 de Abril foi sem dúvida a melhor forma de comemorar a data. Não é só o melhor filme estrangeiro como os Óscares confirmaram mas, para mim, um dos mais belos do ano de 2006. Reflectir sobre a falta de liberdade imposta na RDA pelos serviços da polícia de segurança nacional (Stasi) acabou por me fazer pensar nas recentes manifestações revivalistas relacionadas com Salazar e afins. As operações de censura e a falta de liberdade de expressão impostas por meia dúzia de indivíduos que se consideram detentores de uma verdade universal deixaram-me indisposta. As personagens do filme são muito bem construídas e o enredo, um homem que ao espiolhar a vida de um casal se deixa envolver pelas convicções alheias, é tão surpreendente que no final só mesmo umas lágrimas podem responder à experiência de fazer parte de uma família que sofreu as agruras da ditadura. Se por cá era o fascismo, por ali era o socialismo… Na RDA as manobras aplicadas aos presos políticos para os fazer falar eram certamente mais sinistras e profissionais do que as usadas pela PIDE, cheias de psicologia aplicada e categorias pré definidas (pessoas e artistas que encaixam em “tipos” específicos). No entanto, e recordando aquilo que os meus pais fizeram para combater a ditadura (na qual o meu avó acreditava, o que não fazia dele um mau homem…) porque acreditavam que a liberdade de expressão é um valor inestimável aqui fica, em tom de agradecimento, um post memória porque acredito que em todo o lado o diabo espreita. Para não quebrar a magia do filme digo pouco mais. Com um nó na garganta, sonata para os homens bons.




11 comentários:
De tipografia a 26 de Abril de 2007 às 00:16
Excelente! Prepotente! O melhor sem dúvida (para mim).
A «a vida dos outros», realista docudrama, de Florian Henckel Von Donnersmarck, que mostra como a transgressão da vida dos outros, num Estado Policial como era a antiga RDA, pode desvigorar qualquer um. Violenta qualquer um!

ttttt


De mouseland a 26 de Abril de 2007 às 15:58
Olá tipografias,

O meu único senão foi ter visto o filme no quarteto (sala 4) com um cheiro nauseabundo a esgoto. Senão tinha que esperar pela secção das 19h no Monumental...

Já inseri o nome do realizador e uma entrevista no link, estava o título original e tinha-me esquecido do nome do mestre, hehehe. Reparei com o teu comment. Obrigada.

xxx mouse


De António a 26 de Abril de 2007 às 16:41
A propósito da data, cá vai o link para o blog de uma amiga que ontem fez um excelente post/poema:

http://www.bluemolleskin.blogspot.com/


De mouseland a 26 de Abril de 2007 às 23:08
Obrigada António,

Já fui espreitar!:mrgreen:

xxx mouse


De nzagalo a 20 de Maio de 2007 às 00:33
Tecnicamente bom, sem nunca surpreender, mantendo uma linha coerente visual e narrativa do principio ao fim. Sem dúvida que se destaca pela apresentação, ainda que adocicada, do panorama político na RDA pré-queda do muro. Se a narrativa é forte e explícita qb, visualmente: dominam as cores escuras e dessaturadas, representando uma completa indiferença uma ausência de brilho e de vida, uma constante monotonia linear. Graficamente as linhas arquitectónicas enfatizam a simetria do igualitarismo, perpetrando sobre os humanos um domínio do anti-natural proveniente dessas mesmas simetrias que chocam quando contrastadas com a variabilidade e não-linearidade da natureza.

Mas acima de tudo, deve fazer-nos reflectir que extremismos ou fundamentalismos não devem ter lugar num espectro politico democrático, sejam de direita ou de esquerda. E o próprio filme acaba por mostrar isso com "sonata para os homens bons".

nz


De mouseland a 20 de Maio de 2007 às 16:11
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Nelson,

Tem piada que eu gostei essencialmente da construção das personagens e, como dizia ontem uma amiga minha, do anti-herói "homem bom" que sofre a metamorfose política. Depois, a diva frágil, dependente e insegura mas que surpreende todos pelo seu desespero e ao mesmo tempo dignidade. O escritor camaleão que pela obra sacrifica as ideias mais subversivas... um desenrolar de surpresas.

O cenário é, como dizes, algo neutro, cinzento mas acho que isso é uma evidência da arquitectura do leste da Europa. Arquitectura monumental que esmaga totalmente a individualidade e "homens simples" pela sua grandiosa sumptuosidade cinzenta.

xxx mouse


De nzagalo a 20 de Maio de 2007 às 21:07
Eu tb gostei dos personagens, mas não tanto como tu, talvez por não ter uma perspectiva do mundo tão arty como tu :-P. Quanto à transformação politica operada sobre o anti-heroi acontece com a perda do encantamento, ou seja com a percepção da degradação dos niveis superiores, não surpreendendo, julgo até que é algo que se vai conseguindo antecipar com alguma segurança, IMHO.

Quanto ao cenário neutro, percebi agora que a primeira parte da minha frase aparece como uma critica, o que não era o que eu queria dizer. Eu julgo que essa neutralidade está muito bem executada, e em parte respira a graciosidade técnica da produção do filme, onde tudo foi levado ao pormenor para reflectir a ideia, tal como afirmas.

xx


De mq a 21 de Maio de 2007 às 19:14
Olá aos comentadores deste filme!
Chego atrasada, mas ainda a tempo de deixar a minha impressão, pois este filme não deixa ninguém indiferente...
Eu cá encantei-me com o esmerado e competente (mas solitário, tal como todos os sistemas totalitários...) modelo do regime que é o anti-herói, afinal um simples "homem bom", tocado quer pela densidade/peso dos personagens observados, quer pela riqueza de emoções que preenchiam as suas vidas (o escritor, a diva e o seu circulo íntimo de amigos).
Achei este um filme que nos mostra que todos mudamos e que o que fica ou o que importa mesmo, para além dos princípios e da dignidade da pessoa humana, são afinal as emoções/os afectos que se levam desta vida!...
Abr,
MQ


De mouseland a 23 de Maio de 2007 às 13:45
Olá nz e mq, :mrgreen::mrgreen::mrgreen:

Estou de acordo com ambos! O debate está em sintonia com o filme, estimulante. O que me parece realmente emocionante no enredo é o facto deste de alguma forma evidenciar claramente que existe um fosso entre aquilo que fazemos devido às nossas convicções políticas, sociais, culturais e a forma como estas formatam as nossas emoções sendo que há sempre um momento para a epifania, revelação emocional. Porque como apontava o NZ numa conferência recente :mrgreen:é impossível ocultar alguns aspectos do espectro emocional por maior que seja o treino :lol:. Ainda bem!

A MQ é a autora do conceito do "anti-herói". Muito bem visto!

xxx mouse


De Pedro Faria a 22 de Junho de 2007 às 09:29
O que eu gostava de destacar acerca deste filme e das personagens é porventura e extrema subtileza com que nos é apresentada a paixão que o nosso amigo vigilante sente por Christa-Maria. Não se vê mas está lá para os olhares mais atentos. E apesar da frieza e dureza do desenrolar da história, a sensibilidade reina e está à flor da pele!! Adorei.


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