Terça-feira, 26 de Junho de 2007
FERNANDO NABAIS NA UNIVERSIDADE LUSÓFONA DE LISBOA_22.06.07

Fernando Nabais fez o curso de engenharia Electrónica e de Telecomunicações do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ramo Sistemas Digitais) e a pós-graduação em engenharia multimédia do ISTEC. Actualmente e desde 2006 é gestor de projectos do
YLabs, área de investigação e desenvolvimento da empresa
YDreams S.A. Em 2000 integrou a
Radar.9 empresa de consultoria e incubação de
start-ups para a internet. Para além de actividades de consultoria no âmbito das comunidades, conteúdos, formatos e tecnologias audiovisuais na internet, funda e dirige a
start-up Estudio 54, S.A. Como fundamento do seu modelo de negócio, esta empresa implementou o primeiro sistema de gestão digital de direitos (DRM), alimentado pelos conteúdos da sua comunidade de artistas das áreas da música e do cinema. Fernando Nabais trabalhou no departamento multimédia da empresa Valentim de Carvalho entre 1995 e 2000.

Ao mestrado de sistemas de comunicação multimédia Fernando Nabais falou sobre a primeira loja multimédia na Avenida de Roma. Apresentou o projecto “Homem Invisível” de 1997/99, um software do tipo
sound toy que permitia a remistura e manipulação de música e era gravado em CD-ROM num pacote financiado pela
Valentim de Carvalho em parceria com a
Telepac. O autor reflectiu sobre o modelo do
Estúdio 54, um percursor das actuais plataformas de partilha de conteúdos on-line criado pela empresa Radar9 em 2000. Neste modelo os artistas na área da música e do audiovisual tinham a possibilidade de editar e vender as suas criações bem como fazer as suas próprias páginas pessoais através de um
back office. Esta plataforma permitia reunir num só espaço as funcionalidades do
ITunes, do
YouTube e do
Myspace, ou seja, editar vídeo e música e construir um cartão de visita que colocasse as bandas portuguesas na rede. O
Estúdio 54 cobrava uma comissão de 50% e não obrigava a exclusividade. Inspirado em algumas experiências internacionais pioneiras (
vitamine.com e
people sound) este projecto foi na época bem acolhido pela comunidade artística e reuniu bastante consenso mas foi extinto em 2001 por razões financeiras. O
Estúdio 54 numa caminhada pelo deserto tinha, na altura em que foi “descontinuado”, finalmente o sistema de pagamento on-line a funcionar e já tinha conseguido vender 1500$00 escudos em música.

Fernando Nabais falou ainda sobre o
Playstadium, ideia criada pelo próprio para a
Expo’98 e que consistia num dispositivo emergente para multidões. O projecto nunca foi concretizado mas tinha como intenção explorar o conceito de “interactive audience participation”, ou seja, levar a audiência a participar no desenrolar da obra que é passível de visualização num ecrã gigante em tempo real. Finalmente, o autor introduziu os seus projectos mais recentes como as instalações para espaços públicos do
Interactive Scenema e o espectáculo multimédia
.txt que podem ser consultados nos respectivos blogues de divulgação. O espectáculo
.txt foi recentemente premiado com o financiamento para projectos transdisciplinares do Instituto das Artes. Fernando Nabais é um exemplo claro de um autor com uma vasta e diversificada produção na área das artes digitais e demonstra uma recorrente capacidade de experimentação e procura de novas linguagens que exploram e questionam a tecnologia. Porque a inovação está por vezes onde menos se procura e a capacidade criativa dos artistas do século XXI mede-se mais por uma incansável vontade de quebrar discursos e paradigmas passadistas e menos pela legitimação das galerias e dos museus. O culto do artista dará finalmente lugar ao culto da obra como espaço de significação e não de crença e valor acrescentado?
Looking at you kid!
De casalornamento a 13 de Setembro de 2009 às 21:51
Fernando Nabais o engenheiro que queria ser artista
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