Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
JOGOS ELECTRÓNICOS E VIOLÊNCIA
doom.jpg

A propósito do postJogos violentos no tonight show” publicado no Último Nível no dia 24 de Junho lembrei-me de escrever algumas linhas sobre este assunto. O vídeo disponível neste post vale a pena pois é mesmo muito hilariante na forma como ridiculariza certas assunções relacionadas com os efeitos da violência nos videojogos. A socióloga brasileira Lynn Alves, mestre e doutora em Educação e Comunicação, elaborou um estudo com alguns gamers da comunidade de Lans em Salvador da Bahia. Este estudo foi posteriormente publicado no livro Game Over, Jogos Electrónicos e Violência e aborda o problema da violência de uma forma multifacetada e abrangente. Assumindo que há uma crescente proliferação de formas beligerantes e sanguinárias nos media interactivos da actualidade a autora conclui que não há uma relação directa de causa-efeito entre os consumidores/jogadores de jogos electrónicos e a violência. A violência, segundo Alves, tem que ser encarada à luz de factores sociais, económicos, culturais e afectivos e os jogos não são entendidos como compulsões e em nenhum momento os sujeitos investigados fizeram a transposição do universo ficcional dos jogos para o seu quotidiano. Foi mesmo assinalado por estes indivíduos que as pessoas que o fazem têm distúrbios psíquicos (Alves; 2005: 236). Assim, a autora brasileira conclui, “a interacção com os jogos electrónicos não produz comportamentos violentos nos jovens. A violência emerge como um sintoma que sinaliza questões afectivas (desestruturação familiar, ausência de limites, etc.) e socioeconómicas (perda do poder de aquisição, desemprego, etc.)” (Alves; 2005: 230). O universo imagético não é perceptível, pelos sujeitos que jogam, de forma maniqueísta, pois as imagens violentas são naturalizadas. A partir do interior destas comunidades digitais é que a banalização da violência, presente de forma generalizada na sociedade contemporânea, se pode questionar.


4 comentários:
De António a 28 de Junho de 2006 às 15:40
Ainda que, de todo, não consumidor, habitual ou ocasional, deste tipo de jogos (video, violentos ou não) não posso deixar de me preocupar com a questão da violência, como a maioria, calculo.
Não se trata da visão da "violência que ensina violência", motivo de discussão recorrente, nunca terminada. Parece-me ainda mais importante questionar o interesse da criação de jogos, cada vez mais realistas, em que o utilizador é convidado a participar activamente em manifestações de teor altamente agressivo, destruindo, por vezes de forma sádica, outros seres, tantas vezes humanos (ou a sua representação). Ainda que eventualmente capazes de destrinçar o campo do real do campo do ficcional (do que ainda duvido) não me parece salutar, usando um termo algo anódino, que alguém se "entretenha" a decepar cabeças, expor entranhas, trespassar corações, enuclear olhos, etc., etc., etc. Não haverá consequências, sejam elas negativas ou positivas, admito?


De migalha a 28 de Junho de 2006 às 16:21
Se os responsáveis pela insurgência, maioritariamente sunita, iraquiana se dedicassem aos jogos ditos violentos em vez de se envolverem numa luta fraticída ainda muito boa gente no iraque manteria a sua cabeça no devido lugar.... :roll:


De mouse a 28 de Junho de 2006 às 19:39
António e Migalha,

Obrigado pelos comentários que, no seu conjunto, são duas perspectivas possíveis de alargamento da discussão. Por isso me serviram de mote para avançar no tema, como podem ver no último post.

xxx mouse


De jakson a 25 de Setembro de 2008 às 17:51
eu adoro jogar jogos violentos


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