Terça-feira, 18 de Setembro de 2007
THE MAKING OF ART FASHION_YOLANDA YEUNG E GRACE TANG
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The Making of Art Fashion foi uma mostra que esteve recentemente no Hong Kong Arts Centre concebida pelas artistas de Hong Kong, Yolanda Yeung Yu-ling e Grace Tang Ying-mui. As obras reflectem sobre a exposição de determinados rituais de beleza em público e em privado, nomeadamente a facilidade com que as chinesas retocam a maquilhagem nos restaurantes, comboios, etc, e sobre a ditadura da moda que impõe modelos e tamanhos determinados à roupa feminina. Curiosamente estes rituais “do feminino” como, por exemplo, a maquilhagem são expostos ao olhar alheio tanto no Japão como na China sendo rituais comuns do dia-a-dia em sociedade. É comum as chinesas e as japonesas retocarem a “pintura” da cara em público. 

Yolanda Yeung explora as relações entre determinados actos públicos e privados como, por exemplo, o acto de colocar a maquilhagem em público e o acto de lavar os dentes em privado para assim questionar algumas particularidades da cultura de género na China. Os diferentes níveis de exposição da beleza são interpretados pela artista (Yolanda Yeung) em pinturas que exploram personagens de revistas de moda, anúncios e cosméticos, numa recriação dos standards da moda e da beleza. 

O trabalho de Grace Tang remete-nos para um conjunto de objectos (mixed media) que pretendem ser instrumentos sensuais feitos a partir de técnicas primitivas para a mulher moderna. Estes artefactos questionam a forma como hoje é o corpo feminino que se tem que adaptar à roupa e não tanto como acontecia antigamente quando era o vestuário que se adaptava ao corpo da mulher. As costureiras que faziam à medida as indumentárias para toda a família são substituídas pelas peças do pronto-a-vestir que se devem ajustar automaticamente à pele feminina sem qualquer arranjo que as adapte ao corpo de quem as compra. A roupa antigamente, segundo Grace Tang, podia proteger o corpo, revelar a identidade e o status e criar ligações familares. Hoje, a produção em massa do pronto-a-vestir e das lojas de marca impõe às pessoas que estas transformem o seu corpo para poderem vestir as peças mais originais, que estas vitimas das diferentes modas se deixem controlar pela superioridade da marca como factor distintivo. Um conjunto de trabalhos a descobrir mais detalhadamente.


De marmelo a 19 de Setembro de 2007 às 18:11
Hi mouse,
jà faz tanto tempo... que até a tua curiosidade se externalisou até à China. Parabens pelo Blog.

Os teus envios lembram-me uma antiga impressão: os asiaticos revelam ser extremamente sensiveis à beleza e completamente insensiveis à fealdade.

Quanto à (não)privacidade de certos actos fui sempre surpreendido. Se por vezes hà uma certa privacidade visual, nos bairros populares (que exploro até à imersão) a promiscuidade de cheiros et de ruidos (sem falar dos wc publicos onde tudo é publico:oops:) distabiliza qualquer capacidade de adaptação. Como se o corpo, sempre que fora de uma expressão do interior (emocional, etc...), fosse uma capsula sem nada de intimo. Quanto a lavar os dentes no metro... ainda não encontrei a solução tecnica. Mas tudo é possivel... como deixar-se dormir no ombro do passajeiro do lado, enquanto que uma troca de olhares é sempre dificil.

O comentario sobre a moda é interessante. Mas não sei se é justo. A moda sendo um fenomeno global revela uma uniformidade a uma escala muito larga. Mas, ao mesmo tempo, acho que hà muito mais liberdade. As modas, quando mediatizadas por vias mais lentas e raras, eram muito mais sacralizadas noutros tempos. Lembro a moda feminina antes da primeira grande guerra. A (falsa) uniformização da roupa revela uma outra, essa sim, recente. A uniformização do corpo. Esta tranformação do corpo para entrar num corpo, mais que numa roupa, lembra-me um filme espanhol (de que esqueço o nome) onde a protagonista numa espiral fatidica, deixa de tentar entrar nas roupas para entrar num manequim de uma loja (Zara Gran Via, creio)... havendo um plano onde se vê os manequins na montra "despidos".

A moda, sendo uma industria, adapta-se à imagem elegida por cada cultura. Seja ela metropolitano-global ou outra. E interessante ver que certas marcas e tendências funcionam menos em meios urbanos onde se revendica uma pertença cultural diferente da veiculada pela metropole respectiva e dominante. Penso no pais basco em relação a Madrid (e Paris), na Bretanha ou no Pais de Gales (exemplos que destinguimos melhor) onde uma autonomia cultural (alcançada ou não) se traduz tambem por marcas de roupas diferentes mas produzindo o mesmo efeito de "moda" entre os individuos que se interessam a "estar" para "serem". Porque afinal a "moda" não està assim tanto na moda como pensamos.

Fui longo. Byejinhos e saudades,

Marmelo

PS: Come um Ramen por mim. Tambem sou fã.


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