Domingo, 7 de Outubro de 2007
RATATUI_ENSAIAR O TALENTO

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As tropelias culinárias do rato Remy e dos seus amigos em Ratatouille (mouse, hehehe) são obrigatórias. O filme de animação da Pixar / Disney (realizado por Brad Bird em 2007) é de uma sensibilidade no que toca aos sentidos que não deixa ninguém indiferente. Cheira-se a salsa e a especiarias, tocam-se as texturas de pele de rato e dos amiguinhos virtuais, ensina-se o paladar que fica deliciado com as melhores sopas e pratos campestres (Ratatouille, a receita rústica da Provence é o culminar de outros tantos ensaios gastronómicos), estimulam-se os olhos com uma animação visualmente requintada e treinam-se os ouvidos numa banda sonora acusticamente deliciosa… O rato de desenhos animados tem um dom particular para cheirar e misturar os alimentos e consegue infiltra-se na cozinha de um restaurante parisiense muito chique. Aí toda a aventura começa. As peripécias são inúmeras e o filme é divertido mas também muito simples e sem pretensões. Além do estímulo sensorial a moral veiculada é curiosa e descontraída: criticar é, afinal, muito mais fácil do que fazer e qualquer um (com talento) pode ensaiar fazer. Estou pronta para ver outra vez! Sobre a problemática dos ratos (importantíssima) nunca esquecer a alegoria política de Tommy Douglas (the story of mouseland) embora em Ratatouille a contenda não seja entre ratos e gatos mas entre ratos e humanos.
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20 comentários:
De rafgouv a 8 de Outubro de 2007 às 08:43
Mouse!!!! Digamos que se este filme veiculasse a moral rançosa que dele deduziste, e que me parece tudo menos "curiosa" e ainda menos "descontraída", seria uma espécie de seringada populista e reaccionária. Não se trata de afirmar o primado da criação sobre a crítica mas antes pelo contrário de reafirmar a importância pedagógica da mesma crítica (dai a necessidade de desmascarar o pouco talentoso herdeiro/marioneta e dai a recuperação final da figura do crítico num contexto menos "chic" - o restaurante "cinco estrelas" - e mais "arty" e economicamente acessível - o modesto "bistrot"...). O crítico é o falso vilão do filme que numa derradeira - e inteligente - pirueta se revela o mais objectivo aliado do criador Rémy...


De nzagalo a 8 de Outubro de 2007 às 11:12
Os filmes da Pixar já não me despertam a curiosidade como despertavam há 10 anos atrás o que é natural. Aquilo que começou por ser uma demonstração em força da tecnologia deu lugar ao poder do storytelling. Não posso dizer que a Pixar tenha alguma vez descurado o factor história, aliás vieram mesmo substituir durante estes últimos 10 anos a falta de imaginação do universo Disney, mas a realidade é que já não existe muito para inovar tecnologicamente na representação visual que seja visível a olho nu. E quer queiramos ou não esse era um dos seus mais importantes atributos, assim neste momento um filme da Pixar tem de possuir acima de tudo, força narrativa. Para ser sincero não fiquei muito entusiasmado com o último Cars (2006), apesar de ter achado The Incredibles (2004) excelente. Assim que puder vou ver Ratatouille não tanto pelo lado tecnológico, nem posso dizer da história, e ainda menos do marketing. Aliás sobre o marketing, tem-se tornado completamente insuportável, não existe local para comprar coisas para os miúdos onde não apareça o rato em todas as formas possíveis e imaginárias que não fazem mais do que me fazer sentir uma sensação de objecto efémero que assim como invadem as lojas assim desaparecem das prateleiras deixando apenas alguns exemplares a apanhar pó e que já nenhum miúdo quererá porque entretanto apareceu outro personagem novo. Já não se dá tempo e espaço para que os personagens possam adquirir qualquer aura mística conferida pela qualidade das memórias guardadas durante a projecção do filme e intocáveis durante todos aqueles meses e anos que com eles se sonhou. Bem mas para terminar era só para dizer que vou ver o filme, mais pelo respeito que os grandes talentos da Pixar me merecem do que por qualquer outro factor.


De mouseland a 8 de Outubro de 2007 às 16:06
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Rafgouv,

Quanto à transição do restaurante "chic" para o modesto "bistrot" também não me passou despercebida e concordo inteiramente. Em relação à importância da crítica pedagógica já tenho algumas dúvidas... talvez porque acabei o excelente "A Mancha Humana" do Philip Roth e desconfio cada vez mais das politiquices correctas da pedagogia informada. Até fico com arrepios ao pensar em críticas pedagógicas e críticos e artistas aliados... bem bem... estou ainda sobre o efeito Roth num livro que aconselho. Ontem também vi o filme "2 dias em Paris", hehehe americanos e franceses, hehehe.

Olá Nelson,

Percebo e concordo com o que dizes, infelizmente ainda não vi o"Cars" porque me disseram bastante mal do filme e também adorei os "Incredibles". Também acho que as divagações visuais patrocinadas pela tecnologia se tornam cada vez mais enjoativas e que cabe à narrativa e à criatividade uma fatia cada vez mais responsável. Quanto ao poder do marketing repetir as mesmas histórias e vender o efeito tecnológico nem falo... é um cancro contemporâneo, os produtos de entretenimento são geridos cada vez mais por este circuito, uma seca! Mas sempre vamos encontrando algumas pérolas, hihihi.

xxx mouse


De rafgouv a 8 de Outubro de 2007 às 19:27
:mrgreen: Mouse, uma coisa é tu contestares o "politicamente correcto" e a aliança pedagógica dos críticos com os artistas. Outra coisa é sugerires que a moral deste filme 100% politicamente correcto, com o que isso implica de subtileza mas infelizmente também de enfado, é uma ainda mais bolorosa reedição da moral do Velho, o Rapaz e o Burro: somos mais eficazes para "fazer" quando não ouvimos as críticas fáceis de quem só comenta...
Não só Rémy nunca é vítima de uma má crítica (ele é apenas vítima dos seus rivais e da sua pobre condição de rato) como o filme separa bem o joio dos "maus" críticos pretenciosos do trigo do "bom" crítico sincero que sabe descer à "rua" (ao bistrot).
xxx


De mouseland a 9 de Outubro de 2007 às 13:10
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Rafgouv,

Concordo inteiramente e referia-me às críticas "maldosas" e desonestas das versões pretensiosas e não, claro, às tentativas mais rigorosas e sérias que implicam a tal sinceridade de que falas. Penso que desenvolves o Post e vejo que as tuas considerações sobre o rato Rémy :razz: são interessantes para uma conversa sobre o filme. Não vejo mal nenhum que este seja de certa forma uma versão do fabuloso conto do Velho, o Rapaz e o Burro. Nem que essa moral seja mais simplória do que outras que tentam uma complexidade menos sincera.

xxx mouse


De rafgouv a 9 de Outubro de 2007 às 14:27
Mouse :mrgreen::mrgreen: o "fabuloso" conto do Velho, o Rapaz e o Burro é sobretudo um conto fascista que fazia parte da cartilha dos bons membros da Mocidade Portuguesa: nele se aprendia a desconfiar dos sarcasmos intelectuais alheios e a priviligiar o tão popular senso comum. Esse conto "fabuloso" (!!!) é ligeiramente ridiculo mas é sobretudo imbecil: ou não é evidente que ao contrário do que a sua moral perniciosa deixa pensar, é muito mais lógico ver um velho às costas de um burro do que um burro às costas de um rapaz??? O relativismo veículado por esse conto conduz ao populismo mais desenfreado que leva os nhurros a marrarem até partirem os cornos em vez de darem ouvidos a quem se calhar sabe um bocadinho do assunto.

Com as elites portuguesas a irem buscar inspiração em tais fontes, não é de admirar que o marranço continue a ser desporto nacional.


De mouseland a 9 de Outubro de 2007 às 14:58
:shock::evil::twisted: Ora, com estas tiradas "de surdos" sobre coisas absurdas é que dás pouco valor à tua iluminação intelectual..? Se calhar nunca estudaste as nuances do conto de forma adequada... eu nunca interpretei nada assim... Andaste em alguma escola do Estado Novo? E depois de mais de catorze anos em França o que te permite falar assim do marranço nacional e afins?? Bizarro... não tenho paciência .

xxx mouse


De rafgouv a 9 de Outubro de 2007 às 15:23
:???: Afianço-te que estudei os tais manuais com esses continhos e respectivas morais. Praticamente todos os manuais que utilizei na escola primária tinham essa mesma proveniência, muitas vezes deturpando as morais das fábulas clássicas de Esopo (neste caso) ou La Fontaine (isto, confesso, aprendi mais tarde).
Além de que o meu primeiro ano escolar decorreu mesmo (!) numa escola do moribundo Estado Novo!
Quanto ao marranço nacional, as Franças não são tocas longínquas e isoladas e não estou há dezassete anitos detido no segredo da penitenciária de Guantanamo. Chega - infelizmente - ler os jornais, surfar nas internetes e ter acesso a uma parabólicazita para se ir seguindo as aventuras e desventuras do nosso Portugal.


De mouseland a 9 de Outubro de 2007 às 23:36
:eek: oh pá pobrezinho... um ano sob a alçada do Estado Novo... não sabia. Já agora também condenas a moral dos contos de fadas? Olha eu por cá marrei pouco mas tenho estudado alguma coisa, :cool:. Suponho que o post seguinte de vai enervar ainda mais, :lol:.

xxx mouse


De rafgouv a 10 de Outubro de 2007 às 08:29
:mrgreen: os contos de fadas estudei eu (tal como as fábulas), my dear e afianço-te também que, ao contrário das fábulas, não têm moral(ou pelo menos não impõem uma moral)!!! A fábula é o protótipo do "conto moral" (outro género literário). Mas não vale a pena entrar numa discussão técnica sobre um assunto que conheço - demasiado? - bem. O que critico não é a moral (a minha crítica do Velho, o rapaz e o Burro pretende ser também moralista) mas as deturpações populistas da mesma.

Dizer que a pedagogia do Estado Novo deturpou profundamente (como outros regimes menos fascistas e inclusivamente o Walt Disney e os seus avatares politicamente correctos) o sentido e a moral das fábulas para as adaptar a uma ideologia populista que é quanto a mim perniciosa não pretende ser uma provocação. É um facto! Dizer que a cultura portuguesa (a ela pertenço) continua ainda a sofrer de tais maleitas e de tais ideologias também não pretende ser polémico. Também é um facto que os teus argumentos tragicamente confirmam!

Sugerir por exemplo que uma pessoa que vive no estrangeiro ou que não sofreu na pele as chicotadas da ditadura não pode ter bagagem para dela falar em termos críticos é sintomático de uma miopia bem portuguesa: ninguém contesta a um sueco o direito de criticar a política americana e os seus dirigentes políticos, como ninguém contesta a um belga o direito de criticar violentamente a ditadura do politicamente correcto nos filmes Walt Disney... E ninguém nega a um historiador do século XXI a possibilidade de criticar violentamente um estadista do século XVIII.
Essa forma de excluir, de desqualificar opiniões em função da localização ou da idade (da vivência) das pessoas é uma forma, entre outras, de erguer barreiras, de guardar o território. Outros consideram que os emigrantes também não devem ser qualificados para se exprimirem sobre assuntos internos... Populistas?

Agora poupo-te: posts sobre assuntos que não me interessam nunca me enervam!

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