Terça-feira, 9 de Outubro de 2007
“2 DIAS EM PARIS”_CROMOSSOMAS E CULTURAS DISTINT(O)AS
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O filme de Julie Delpy, 2 dias em Paris, conta a história de um casal que vive nos EUA e que parte de férias para Veneza. Ela é francesa e fotógrafa, ele é americano e designer de interiores. No regresso da estada em terras italianas ficam dois dias em Paris onde tinham anteriormente depositado o gato do casal aos cuidados da família da protagonista. O namorado americano não conhece Paris e assim entre as deambulações pela cidade os dois vão descobrindo segredos, intimidades e mentiras. A actriz que já foi a Lise de Mauvais sang (1986) incarna o papel de uma mulher de 35 anos que mantém uma relação afectiva há dois anos depois de um conjunto alargado de desilusões amorosas.

As colagens com os filmes de Richard Linklater, Before Sunrise (1995) e Before Sunset (2004), são, quanto a mim, bastante superficiais. Por um lado, não aprecio os dois trabalhos de Richard Linklater e até os achei algo lamechas e simplórios. Ao contrário de alguns filmes do realizador que aprecio como, por exemplo, Waking Life (2001) e A Scanner Darkly (2006), achei o duo Jesse/Celine irritante. O romance adiado entre trintões, antes jovens, pareceu-me algo enfadonho e baseado num certo tipo de paixão romântica não consumada muito apropriada para os sucessos de bilheteira da actualidade. Por outro lado, achei este filme de Julie Delpy bastante referenciado ao género feminino, muito hilariante, realista e divertido. Um filme/discurso sobre o feminino e a necessidade de dar às mulheres uma voz na construção subjectiva da realidade. Uma ideia que penso que até pode ter surgido a partir do "díptico" de Richard Linklater e que nos remete para a diferença da noção de hábito e amor no género masculino e feminino. Numa cena de um dos dois filmes de Richard Linklater, Julie Delpy (Celine) diz que o que a faz sentir que ama uma pessoa é a capacidade que tem de antecipar, por via do hábito, os gestos do "outro". Ora, Jesse logo lhe assegura que isso para ele é o mais evidente sinal de tédio. Cito a conversa de memória mas esse momento leva-me a considerar que é precisamente neste aspecto da intimidade, criada por via do hábito e da repetição, que 2 dias em Paris mergulha.

O filme faz parte de um discurso feminino sobre o amor e sobre a construção da intimidade a dois. O amor-paixão é preterido pelo amor-relação e o que está em causa é a capacidade que os dois têm para viver uma história de amor sem rupturas. O mito do amor-paixão é aqui questionado de forma realista: o tédio faz parte da relação de amor. O personagem masculino é um poço de “pequenos” problemas que no dia-a-dia massacram os tímpanos da namorada (sinusite, intestinos, fobias várias…). Ela está ali para conciliar, agir com diplomacia, agradar mas ao mesmo tempo fazer a sua vida sem prescindir dos seus interesses. O processo de adaptação de um género ao outro não é fácil e ambos acabam por se metamorfosear e ceder. Para ele, nunca nada está bem e existe uma tentativa clara de usurpar à namorada a sua única forma de discurso, a fotografia. É ele o autor das fotografias de viagem quando é ela a fotógrafa numa evidente tentativa de a silenciar. Para ela, o namorado não é suficientemente subtil para perceber a sua cultura e as suas divagações artísticas numa tentativa óbvia de menosprezo das faculdades do “outro”.

Os equívocos vão sendo acentuados por outra questão fulcral: a comunicação é difícil quando os elementos do casal pertencem a duas culturas distintas: a americana e a francesa. Numa relação de amor-ódio em relação à cultura do “outro” os aspectos culturais vão sendo trabalhados através de um conjunto de subtilezas que apontam para as evidentes diferenças de humor, de conceitos e de percepção da realidade nos dois países. Ainda estive mais atenta a estes factores porque acabei de ler recentemente um livro que explora e ironiza bastante a percepção que os americanos têm dos franceses e vice-versa. Refiro-me ao livro de Philip Roth, A Mancha Humana / The Human Stain (2000). A incomunicabilidade de certos gestos, expressões e formas de construir diálogos, a impossibilidade de “apanhar” a cultura do “outro” porque não se fala a sua língua torna inacessível a cultura francesa para o “americano em Paris”. Ela fala a língua dele mas ele não fala a língua dela. Esse factor afasta o casal pois se antes ela se adaptou à cultura dele agora ele é arisco em adaptar-se à dela. Querem melhor ironia sobre actualidade no que toca aos estudos de género?




14 comentários:
De cris a 10 de Outubro de 2007 às 21:01
:mrgreen:Obrigada Patrícia, se não foras tu, este filme passar-me-ia ao lado...:roll:
Poi é, é uma realizadora e há que não perder... essa interessante questão da "cultura" que se absorve, ou não, et. tendo em linha de conta o feminino e o masculino... faz-me agora entender, do "Olhar..." a que te referiste... quando falámos, não discerni, era apenas Neutro.:lol:

Ah! é verdade, a nossa sessão analítica foi de 90 minutos...:oops:
...em falta o `pagamento`.:roll: (um tempo ideal, paar o meu "relógio biológico":smile::smile::smile:

obrigada também pela ´frescura` dos "inputs"... é sempre refrescante...:lol:

OBG e bom ´trabalho`.


De mouseland a 11 de Outubro de 2007 às 15:11
Olá Cris,

As interfaces culturais e computacionais deixaram-me de bom humor e estou ansiosa por as testar em universos paralelos :wink:, hehehe. Gosto dessa ideia da sessão analítica. Nunca há preço para uma sessão analítica, hihihi, principalmente quando adequada ao relógio biológico.

Se puderes vai de facto ver este filme, tem algumas coisas patetas mas que muito me lembraram o que sempre apreciei mas também o que me enerva na cultura francesa... aquele humor "clown non sense" é deliciosamente patético e divertido. Penso que as subtilezas são menores no que se refere aos americanos mas o protagonista tem algumas tiradas bastante hilariantes. E depois há a incapacidade deles se entenderem e ao mesmo tempo o carinho evidente "entre géneros".

xxx mouse


De rafgouv a 11 de Outubro de 2007 às 16:04
:razz:
Para falar de algo que me parece mesmo IMPORTANTE:
Doris Lessing ganhou o prémio Nobel!!!!!!!!!!
Porque será que o júri norueguês sabe escolher as escritoras mais interessantes et atípicas (cf. também Elfriede Jelinek) e os escritores mais chatos e bem pensantes (cf. Pinter ou Saramago)?


De Mimi a 15 de Outubro de 2007 às 14:03
Aaaah..! Socorro, nao tenho tido tempo para comentar nas casas das vizinhas e por isso cá vai um mini-comment-express relativo a estes 2 últimos posts:
Gostei muito do filme do Bourne, embora algo cansativo lá mais para o fim; não fui ver o "2 dias em paris" pq o meu irmão fez-me uma descrição tal que eu ia desmaiando (sem prejuízo da tua)! :razz:

E já agora, permite-me a lata: para quando um post sobre chocolate? Ocorreu-me assim de repente... :mrgreen:


De Alda a 15 de Outubro de 2007 às 15:29
Cara Colega,
Universitária neste pequeno país não menos provinciano do que Portugal que é a Suiça, descobri esta sua página há poucos meses e fiquei abismada com a profundidade dos temas abordados e o nível de reflexão filosófica por vezes alcançado nos seus densos artigos. Não só o nível intelectual dos artigos é elevadissimo como, principalmente, a sua densidade jamais é comprometida com digressões que tornariam menos clara a fluidez e organização de um pensamento radical e deveras original.
Não, no blog Mouseland nunca tive essa impressão e os seus artigos mantêm-se sempre cristalinos como as águas dos riachos da Serra do Gerês, minha terra natal.
Confesso por isso, cara colega, que foi com grande espanto que li este seu texto sobre um filme que infelizmente ainda não passou na pequena cidade onde habito mas de que já ouvi os mais clamorosos aplausos da parte de tudo o que a crítica cinematográfica helvética conta de gente inteligente. O meu espanto deve-se ao facto de, ao contrário de todos os outros artigos que aqui assinou (e que por vezes focavam filmes ou outras obras que também não conheço) haver alguns pontos que me parecem opacos. Quando a colega fala de cibernética algumas coisas parecem-me pouco claras e vou direitinha consultar as obras que recomenda para me iluminar. Sempre depreendi que a minha falta de capacidade de entendimento se devia às inúmeras lacunas do meu conhecimento e à relativamente baixa predisposição do meu intelecto para a vida doutoral (apesar da minha carreira me encher de orgulho, a priori o meu QI não excedia 105 e tive de travar um aguerrido combate cerebral para ultrapassar tais limitações). Desta vez no entanto a colega fala de feministas, de diferenças entre europeus e americanos e de passeios em Paris, tudo temas que conheço na ponta das unhas. É verdade não lhe tinha dito mas o meu marido é norte-americano, nova-iorquino para não lhe esconder nada e quando lhe pedi para ler o seu texto também arqueou a sobrancelha e afirmou que se tratava de "mumbo jumbo" (expressão utilizada nos USA para designar um texto "enleado"). Claro que a opinião de um americano que domina um português macarrónico não pode nunca ser válida para avaliar o texto de uma universitária mas fiquei realmente embaraçada pois já me tinha farto de lhe falar do seu blog e da sua escrita tão precisa e da sua implacável clareza e clarividência.
Algumas das frases que escreve revelam uma fina inteligência e uma sensibilidade adulta e subtil. Por exemplo, é preciso um enorme sentido da "nuance" (ou gradação como diria uma das minhas mestras) para reconhecer que a obra de Julie Delpy é SIMULTANEAMENTE "hilariante", "realista" e "divertida".
Por outro lado, a colega diz também que o filme "faz parte de um discurso feminino sobre o amor(...)" mas com o Evan (o meu marido), temo-nos farto de buscar sem lhe encontrar a meada... A que discurso se está a referir?
Não menos confundidos ficámos com a afirmação de que o que "está em causa é a capacidade que os dois (!!!!) têm para viver uma história de amor sem rupturas". Tal confusão é potenciada pela frase seguinte que afirma que "o amor-paixão é aqui questionado de forma realista: o tédio faz parte da relação de amor". Tais afirmações são tão mais espantosas e dificeis de compreender quanto não é nos filmes nem nos romances que existem histórias de amor "sem rupturas" (a colega já leu alguma grande narração amorosa sem "rupturas"?) mas bem mais frequentemente na chamada "vida real" (dai o facto de se utilizar a expressão "um amor sem histórias" para descrever precisamente o percurso de um casal que terá avançado pela vida de mãos dadas, sem rupturas). Quanto ao facto do "tédio" fazer parte da relação amorosa, é provável que Madame Bovary lhe teria dado uma resposta ligeiramente diferente ou razoavelmente menos peremptória. Mas a verdade é que a Madame Bovary também não viu o filme de Julie Delpy e, tendo vivido no século XIX, também duvido que tivesse as capacidades necessárias para compreender a sua prosa contemporânea.
Não vou insistir com as suas labirinticas considerações sobre os "géneros" (cinematográficos ou sexuais?) que nos pareceram particularmente anacrónicas (nem parece o seu estilo habitualmente tão alerta em relação às novidades da tecnologia e da vanguarda) nem sobre as anedóticas considerações sobre as diferenças culturais de ambos as personagens. Decidi-me hoje a escrever-lhe pois esta manhã Julie Delpy foi convidada pela rádio Couleurs 2 e ouvi-a durante alguns minutos falar de um filme com os mesmos actores, temas e cenários mas visivelmente diferente: um filme onde não havia espaço para géneros nem nacionalidades e culturas, um filme de uma francesa americanizada que sonha com Woody Allen, aquele cómico judeu de Nova-Iorque.
O resto, como diria o Evan com o seu delicioso sotaque "yankee", é presunção e água benta.
Yours sincerely, Alda


De mouseland a 15 de Outubro de 2007 às 16:16
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Olá Rafgouv,
Sobre a questão das atribuições do Nobel não tenho grande opinião gostava que o Philip Ross também recebesse um mas a seu tempo. Vou descobrir Doris Lessing.

Olá Mimi, Long time! Sobre "chocolate" não sei não sou muito gulosa :roll: :lol: O filme é bastante problemático, como se pode perceber de acordo com os comentários recentes, cria muitos anti corpos, hehehe.

Olá Alda, Apaguei a terminologia do nome por achar pouco adequada e depois quanto às questões do discurso feminino aconselho os posts anteriores sobre ciberfeminismo, ou seja, discurso sobre o feminino = a discurso escrito por mulheres!

Quanto às considerações sobre o amor romântico (cheio de peripécias e desavenças até ao momento final) por oposição à narração amorosa sem “rupturas” frequente na vida real deixe-me que lhe diga que me parece que cai num dualismo típico de um homem… Talvez ande demasiado influenciada pelo seu Evan e deva talvez enveredar por uma escrita que tire partido do facto de ter um útero entre outras coisas.

A vida real como um: "percurso de um casal que terá avançado (…) de mãos dadas, sem rupturas" não será uma impossibilidade? Penso que algumas nuances escapariam de facto à Madame Bovary que se alimentava do tédio para viajar na vida real.

Sabe, querida amiga misteriosa, já que tão bem toma conta das minhas sugestões sobre literatura e cibernética aconselho alguns livrinhos de cabeceira para ler na companhia do seu amado: “Do amor” de Stendhal, “O Amor no Ocidente” do seu conterrâneo Denis de Rougemont, os “Os fragmentos de um discurso amoroso” de Roland Barthes, entre outros. Quando estiver fartinha da cartilha escrita por homens dedique-se à feminina: “Mulher, uma geografia Intima” de Natalie Angier, “Problemas de género, Feminismo e Subversão da Identidade” de Judith Butler e, finalmente, “O segundo Sexo” de Simone de Beauvoir. Deixo-a com a enigmática frase de SB “a gente não nasce mas torna-se mulher” porque “presunção e água benta” há quem tenha para dar e vender mas eu só escrevo sobre as ligações que os meus neurónios produzem. E a mais não sou obrigada! :cool:

xxx mouse


De mouseland a 15 de Outubro de 2007 às 16:33
:cool: Cara Alda, Fiquei tão empolgada com a sua missiva que lhe deixo mais duas sugestões (consultoria à borla, hein?). Não deixe de visionar "As duas faces do espelho" de Barbra Streisand e investigue a distinção entre sexo e género. Ficará certamente a dever-me uma "gradação" com charme. xxx mouse


De cris a 15 de Outubro de 2007 às 17:57
:twisted::evil::roll:o comment da Profª Doutora Alda revela um sintoma grave de doença crónica degenerativa a alastrar exponencial e drasticamente numa gama de catedráticos seleccionados por entidades ´divinas`não identificadas:twisted::evil:


De rafgouv a 16 de Outubro de 2007 às 08:43
:neutral: Carissima Alda,
Você tem estaleca. Cá em casa, fartámo-nos de rir com as suas considerações queer. Espero que nos revele brevemente em que vale suiço fica o seu chalet. Adorava ir fazer um estágio de ski alpino com o Evan, quem sabe poderiamos mesmo fazer uma visitinha à Heidi, ao Pedro e aos seus netos.

Saudações cordiais e, espero, até muito em breve.


De Alda a 16 de Outubro de 2007 às 14:17
Cara e paciente Colega,
Venho agradecer-lhe pela imensa simpatia que testemunha ao responder às minhas questões sinceras mas provavelmente um pouco patetas. Como lhe dizia, travo diariamente um combate aguerrido contra as limitações intelectuais que possuo. Penso ter reconhecido nas suas palavras uma pontinha de exasperação e espero que tenha sido coisa passageira pois imagino que a vida universitária lhe deve dar as costumeiras dores de cabeça (a mim pelo menos dá) sem que lhes seja necessário acrescentar as intromissões de uma colega metediça e ignorante como eu.
As suas respostas deixaram-me numa primeira fase totalmente esclarecida. A minha curiosidade intrinseca - quer o Evan, ausente em viagem humanitária na Birmânia (o Evan, como já deve ter adivinhado, é médico) leva-me a vir pedir-lhe alguns complementos de resposta para eu poder ficar definitivamente sossegada em relação a estas problemáticas que como referi julgava conhecer na ponta das unhas mas em relação aos quais a cara colega tem posto em evidência as minhas profundissimas lacunas.
Esta manhã estava eu tomando uma chávenazinha de Earl Grey, enquanto contemplava como todas as manhãs os cumes alpinos, recém decorados com as primeiras neves, reflectidos nas águas calmas e prazenteiras do lago Léman, quando a Palmira (nome da senhora que me faz a lida da casa) soltou um dos seus demasiado frequentes "Irra!!!". Habitualmente protesto e estas imprecações já lhe valeram algumas advertências sérias, mas hoje fez-se luz no meu espirito e lembrei-me que aquele "Irra!!!" que habitualmente tanto me irritava "faz parte de um discurso feminino" de revolta contra a opressão do trabalho doméstico. Pelo menos tenho a certeza de que a Palmira tem um útero visto que os testes ADN que o Sr. Aristides (marido da Palmira) pediu para confirmar a paternidade do filho de ambos foram positivos. Ou terei percebido mal e apenas os "discursos escritos" por mulheres participam dessa universal saga do "discurso feminino", excluindo a expressão oral?
Foi nesse preciso momento que o telefone tocou. Era a Andrea e o seu telefonema veio de novo introduzir a dúvida e o cepticismo na minha consciência que momentos antes estava totalmente rendida à clareza do superior raciocinio da distinguida colega. A Andrea é uma trabalhadora "peripatética" do meu antigo bairro, que conheço do tempo em que morava em Genève. Nessa altura eu frequentava muito a malograda Grisélidis Réal (no meu entender a sua obra não é menos importante do que a de J. Butler ou N. Angier mas estou certa que a cara colega também a estima) com quem montei algumas associações. Mas voltemos à vaca fria: a Andrea é peruana desde há seis meses porque antes chamava-se Andrés e era peruano. Tal facto causou-me, em relação às suas palavras anteriores, um intrincado caso de consciência apenas comparável às crises teológicas que sofri na adolescência quando ainda acreditava no Todo Poderoso. É que a Andrea, apesar de ter agora, graças a Deus, um estado civil feminino, não tem útero! Quererá isso dizer que o livro, um verdadeiro monumento cujo prefácio escrevi com enorme comoção, que a Andrea vai publicar dentro de semanas não terá o direito de ingressar, de ser integrado, de entrar em unissono com esse milenar "discurso feminino" (ou "escrito por mulheres" como afirma com uma clarividência estonteante a carissima colega) a que pertence o fiulme de Julie Delpy? Confesso, querida colega, que não tive a coragem de partilhar esta reflexão com a Andrea que, depois de ter sido renegada por todos os parentes e escomunhada pela igreja católica apostólica, espera sem dúvida um acolhimento caloroso de todas as mulheres modernas e progressistas como nós.
Fiquei no entanto com a impressão de que a não devo ter compreendido de maneira adequada pois a cara colega foca bem a primazia do útero na feminidade (é verdade, minha cara, fez-me corar quando referiu o meu útero pois é verdade que nunca procriei uma vez que o Evan tem 3 rapagões de umas núpcias anteriores e que eu sempre resisti - quiça por cobardia - à maternidade) e depois tem o cuidado de distinguir "sexo" e "género", oposição que, acredite-me, conheço na ponta das unhas (Judith Butler faz parte das 3 autoras feministas que ensino) mas que é absolutamente inconsistente com qualquer referência ao útero ou qualquer outro caracter sexual. Será que a minha cara colega se refere às mesmas N. Angier e J. Butler? Será que a sua concepção do "sexo" e do "género" é ainda mais revolucionária (e dai as minhas perguntas imbecis)? Ou será que existe um domínio - teórico - em que aplica tais doutrinas (os seus ensaios) e outro domínio - prático - em que elas se revelam inaplicáveis (as relações sociais, testemunhadas por este blog), poluidas que são por alguns preconceitos duros de roer?
Aguardo ansiosamente os seus superiores reparos, certa de que até lá as trevas da ignorância me rodeiam.
Yours sincerely, Alda

Para os outros intervenientes: parafraseando a nossa anfitriã: "os cães ladram e a caravana passa"... mas apreciei a referência à palavra inglesa "queer", faz parte do meu domínio de "gender studies", sabiam?


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