Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
O JOGO DA VIDA_”BATTLE OF THE SEXES”
battleofthesexes.jpg

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Para quem se interessa por questões de género (gender studies) passou há dias um documentário bastante interessante na RTP 2. No site do Battle of the Sexes (2002), que ao que parece tem duas partes, podem encontrar alguma informação sobre as diferenças do cromossoma Y e X: “'Men are aggressive but women are diplomatic 'Channel 4's two-part series Battle of the Sexes reveals the biology behind the clichés. Here we delve further into the gender divide”. Na área gender lab no site do Channel 4 encontram um conjunto de publicações sobre estas questões e aparecem explicados sucintamente alguns testes efectuados. 

Não vi o documentário todo mas achei curiosíssima a forma como se explica como a biologia condiciona ambos os sexos. Sabiam que o feto do sexo masculino é mais frágil do que o feto do sexo feminino? Ao que parece as mulheres que geram um rapaz têm muito mais probabilidades de abortar. Sabiam que o cromossoma X é muito mais rico que o cromossoma Y? Não sabiam? Então consultem os textos disponíveis e se possível vejam o documentário. São apresentadas inúmeras experiências com crianças onde se revelam algumas diferenças expressivas nomeadamente a pouca capacidade feminina para desenhar de forma realista e compreender a mecânica dos objectos versus o domínio masculino nestas competências. Chama-se a atenção para o facto de estudos recentes revelarem uma maior apetência narrativa e social das raparigas. Parece que estas conseguem projectar melhor a sua intimidade na intimidade alheia ao contrário dos rapazes que têm maior dificuldade em perceber a complexidade do discurso feminino mas também de todos os outros seres humanos. Enfim, um documentário que questiona profundamente a dualidade entre factores biológicos e factores adquiridos em matéria de género. Advoga-se que estas separações são tão artificiais que promovem leituras equívocas sobre o que aproxima e distingue o homem da mulher. 

Uma coisa é certa o nosso corpo está envolvido no processo de adaptação ao mundo e é diferente apreender espacialmente o que nos rodeia incorporado num corpo de mulher ou num corpo de homem. A carne, a pele não é a mesma, os músculos são menos e a testosterona e os estrogénios jogam papéis específicos. Para quê negar que nascemos de facto diferentes e que afinal nem tudo é adquirido mas que os genes nos condicionam sobremaneira? Para quê negar que a biologia e os seus padrões nos impelem a funcionar de uma certa forma? É claro que no Game of Life as “leis” da cultura também jogam o seu papel mas a biologia é fundamental para percebermos para onde vamos e porque vamos.




8 comentários:
De rafgouv a 12 de Novembro de 2007 às 16:04
É impressão minha ou paira aqui a sombra de Donna Haraway, a autora feminista de Primate Visions: Gender, Race, and Nature in the World of Modern Science (1989) e de Simians, Cyborgs, and Women : The Reinvention of Nature (1991)?
Recomenda-se: http://en.wikipedia.org/wiki/Donna_Haraway

xxx


De mouseland a 12 de Novembro de 2007 às 17:39
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Claro que paira! hehehe é uma autora que está em todo o lado e que se aconselha vivamente. xxx mouse


De tipografia a 13 de Novembro de 2007 às 01:53
E, onde vamos e porque vamos? :roll:


De mouseland a 13 de Novembro de 2007 às 03:34
:mrgreen::mrgreen::mrgreen: Boa pergunta. :lol: a questão é de que forma a nossa biologia nos condiciona a fazer o que fazemos... sempre até certo ponto, sem determinismos mas com alguma força... jogamos não sabemos porquê apenas que não podemos deixar de o fazer... somos mais ou menos de certa forma mas estamos também sempre dependentes das forças do "acaso" e do imprevisível. Não te preocupes também não sei para onde vou e porque vou apenas que tenho que ir. Estou a divagar. xxx mouse


De Alda a 15 de Novembro de 2007 às 16:02
Caros colegas,
Ausente devido a diversos compromissos profissionais, estive algumas semanas sem poder frequentar esta bela folha que continua a citar os alguns dos mais conceituados nomes do pensamento universal contemporâneo. Foi com grande agrado que aqui encontrei uma referência a Donna Haraway, com quem tive o prazer de colaborar durante uma temporada em Saas Fee (http://www.egs.edu/). Donna permanece como uma das mais prementes influências do pensamento feminista moderno e a nossa colaboração representa provavelmente o climax da minha ainda curta experiência universitária.
Para minha grande mágoa, o documentário citado não foi seleccionado por nenhum dos canais de difusão helvéticos. Parece-me no entanto surpreendente e provavelmente abusiva a referência a Donna no contexto de uma qualquer "Guerra dos Sexos", temática que o próprio conceito metafórico de "cyborg", desenvolvido pela autora no âmbito precisamente de uma "gender agregation", se destina a combater, ou mesmo a refutar.
A forma como a temática do género é deturpada em artigos vulgarizadores (para não dizer "vulgares") é sintomática da crise de rigor que atravessa a vida universitária contemporânea. Não, querida anfitriã, não é a si que me dirijo pois só posso concluir que não almeja grande fama nesta área armadilhada dos "gender studies" e só posso louvar a forma como introduz estes autores essenciais na vida intelectual portuguesa. Caberá aos seus leitores descodificarem em seguida os textos dos autores que cita e talvez depois possam tirar as suas próprias conclusões. Conhecendo já a susceptibilidade aguçada da nossa emérita Professora, não vou aqui expôr as inúmeras contradições e contrasensos línguisticos e filosóficos patentes no texto agora publicado (se um dia tiver a ocasião de trabalhar com a Dra. Haraway verá o que é exigência e impiedade!) mas venho por este meio endereçar-lhe um convite para participar num seminário que terá lugar no próximo mês de Abril, aqui em Genebra e consagrado à "porosidade do género nos mundos virtuais e novos fétichismos". Proponho-lhe ainda, para preparar a sua participação nesse seminário (que contará com intervenções de Alain Robbe-Grillet, Slavoj Zizek, Cindy Sherman, Damian Hirst e Lydia Lunch, entre muitos outros) um atelier de retórica da vulgarização dispensado pelo meu mais que tudo, Dr. Evan Ellis. Espero que nessa ocasião teremos ocasião de limar as arestas que estas primeiras trocas apaixonadas revelaram, pois acho que a cara colega é possivelmente a discípula arisca mas extremadamente conscienciosa que as minhas pesquisas reclamam.
Até breve, sou e permanecerei sua amiga sincera, Alda.


De mouseland a 15 de Novembro de 2007 às 18:15
:mrgreen::mrgreen::mrgreen::shock: Cara Professora Doutora Alda,

É com grande satisfação que noto que regressa à mouselândia para deixar algumas notas sobre este debate profícuo sobre o género. Queria apenas deixar aqui bem claro que não vejo grande necessidade de se endereçar à minha pessoa como exemplo do que se passa no meio universitário (como aliás acaba por afirmar esse selo não me assenta nada bem). Lamento imenso informá-la, minha cara, mas eu não faço parte dessa quadrilha senão durante três horas semanais e parcas reuniões aqui e ali. Acaso reparou que a universidade apenas me tolera nada mais? A minha actividade é mais concretamente explicada de outras formas, ou como a auto intitulada colega (este termo lembra-me outra associação...) afirmaria, com outras “nuance(s)” ou gradações. Prezo imenso que refute, neste debate sobre um documentário, a inclusão da sombra da Donna Haraway e até a convido a expandir-se nessa temática uma vez que é tão entendida na autora e com ela privou em encontros académicos e afins. Agradeço imenso o convite para esse seminário do seu marido sobre retórica da vulgarização mas como parece afirmar em algumas considerações em cima eu se calhar teria algumas lições para dar ao Dr. Evans nessa matéria dos estudos sobre género e ciberfeminismo, não? Ou haverá aqui alguma gradação que não estou a captar..? Venho ainda desenvencilhar um possível engano: no meu entender feminismo e ciberfeminismo não são equivalentes, hein.

Irra que a doutora depreende tanta coisa que parece bem formatada por essa escola helvética a que pertence… eu se fosse a si dedicar-me-ia a ouvir os conselhos do Sir Ken Robinson: “Do schools kill creativity?” (http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/66). Já se nota bastante as repercussões nocivas que prolongado tempo na academia helvética tiveram na sua pessoa. Temo, minha cara, que o efeito tenha sido arrasador e castrante em matérias relacionadas com o imaginário e outros...

Sua recentemente eleita amigalhaça, mouse


De mouseland a 15 de Novembro de 2007 às 18:26
Ah e vou já a correr pedir uma bolsa de apoio à FCT para frequentar esse seminário que me aconselha (“porosidade do género nos mundos virtuais e novos fétichismos”). Arriscarei participação sem essa oportunidade que me sugere com o seu marido :roll: pois antevejo um ente bastante castrador nessa matéria. Alguém que só deixa uma mulher falar sob coação. Além do vídeo on-line do Sir Ken aconselho um artigo hoje publicado no El Pais (caderno de novas tecnologias, claro!) sobre o problema dos preconceitos em matéria de cultura de género. Ou será que considera o jornaleco espanhol um lugar imundo de retórica da vulgarização? xxx mouse


De rafgouv a 16 de Novembro de 2007 às 12:56
:shock::shock:
... E eu Dra Alda? Também que gostava de ir ao colóquio... :oops::oops: e até fui eu que mencionei Donna Haraway...


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