Sábado, 5 de Janeiro de 2008
DR. HOUSE_ACIDEZ E SARCASMO!
house1.jpg

house_hughlaurie.jpg

Tenho andado muito alheada da blogoesfera por razões óbvias e que se prendem com a defesa da dissertação Joga Outra Vez, Um conjunto de objectos que nos contam histórias inteligentes. Este Natal, para além da leitura da tese e da preparação do dia D, foi dedicado ao visionamento linear da primeira série do Dr. House. Agora preparo-me para começar a ver a segunda série da saga pois nada melhor do que, numa fase tão complexa como esta, ouvir os conselhos do rabugento Dr. Gregory House (Hugh Laurie). 

Já tinha visto um ou outro episódio solto do Dr. House e logo percebi as potencialidades de me viciar naquela estrutura narrativa e nas suas personagens. Basicamente aquilo é sempre o mesmo, cada episódio começa com a recusa ou a aceitação inequívoca (coisa muito mais rara) do Dr. House em tomar conta de um paciente em estado de vida ou de morte. Quanto mais misteriosa for a maleita do paciente mais probabilidades deste ser visto pelo médico pois o Dr. House é estimulado pelos casos mais complexos. Depois, há sempre um conjunto de diagnósticos que se aproximam mas que levam a equipa de médicos do especialista em diagnósticos, Dra. Cameron, Dr. Chase e Dr. Foreman, a prescrever algumas substâncias que colocam em risco a vida dos doentes. Em simultâneo há normalmente uma investigação, ficha pessoal do doente, que leva a uma ida de um ou dois médicos da equipa ao habitat do doente para assim investigarem potenciais causas (reacções alérgicas, medicamentos que tomam, etc.). Entretanto, e devido a algum medicamento mal administrado, o paciente entra em convulsões e tem que receber mais fármacos para amenizar os sintomas que desenvolveu no hospital.

house2.jpg

No meio deste conjunto de problemas que têm normalmente a ver só com um paciente o Dr. House, muito mal disposto devido às dores que o assolam desde que ficou deficiente de uma perna, tem que ver mais um ou dois doentes por episódio, gerir a relação de amor-ódio com a chefe, orientar a equipa de colegas ao seu serviço e ainda tomar vários Pain Killers (analgésicos) para não sofrer de dores. Nestas atribuladas relações de trabalho surgem diálogos muito bem escritos, de uma ironia e cinismo de assinalar. Com uma estrutura narrativa fixa e invariável de episódio para episódio a série ganha um reconhecimento imediato do espectador e gera nos diálogos, na relação entre personagens e na trama de investigação, uma variação suficiente para simultaneamente gerar identificação e estranheza. Torna-se, quanto a mim, aditivo seguir os movimentos e as considerações do Dr. Gregory House. Simultaneamente cruel e amoroso, andrajoso mas também cheio de charme, especialista em diagnósticos e toxicodependente.




17 comentários:
De rafgouv a 18 de Janeiro de 2008 às 09:20
:mrgreen:
mouse, fica descansada que essas variações no início da 3a são logo corrigidas para aquilo voltar ao mesmo... para muita pena minha :roll:

acho que não vou ter paciência para ver +...

bjinhos,


De mq a 30 de Janeiro de 2008 às 19:37
Calma gente!
Vamos lá a ver se se entendem sobre esse médico cabotino, cretino, malcriado, mimado e outras coisas acabadas em "ado" e "ino". O que todos lá vemos é um "salvador", que por mais insuportável e infantil que seja, suportamos e de certo modo veneramos, porque tem sempre razão; às tantas, os que gostamos do Dr. Casinhas é que ele representa no nosso imaginário alguma Divindade que nos deixa a viver felizes para sempre! Não é o que todos procuramos em nos médicos?...
A propósito deste contexto de vida/morte, ando a ler o hilariante "as intermitências da morte", o que realmente nos deixa a pensar seriamente nas consequências se nunca morressemos!...
Brrrr. Que arrepios.:mrgreen:
"Saberemos cada vez menos o que é um ser humano" (Livro das Previsões, in Saramago, As intermitências da Morte)


De mq a 30 de Janeiro de 2008 às 19:43
Raf (ou Oráculo!)
Está anunciada uma estreia chamada DEXTER que só de ver o trailler me arrepiou! Tu que tanto sabes sobre estas Artes do Espectáculo podes brindar-nos com o que sabes sobre esta série?
Nós que adoramos as tuas críticas,
MK


De mouseland a 30 de Janeiro de 2008 às 21:16
:mrgreen::mrgreen::mrgreen:

MQ ando em período de privação do Dr. House. No domingo passado percebi que a nova série (4ª) ainda não saiu nem nos Estados Unidos... fiquei de rasto e conheço algumas pessoas que foram à net procurar sinopses... hehehe não vou referir nomes pois senão para além de expulsa da playlist ainda me acusam de difamação... opá sem o Dr. fiquei sem a mesma energia!!! Aquilo tornou-se no mínimo um vício, hehehe, ainda para mais depois de ele despedir a equipa toda!!!

Para veres o texto sobre a série Dexter que o rafgouv já escreveu vai às categorias e escolhe séries de TV, tens lá tudo.

xxx mouse


De mq a 30 de Janeiro de 2008 às 22:21
Mouse
Isso do House foi o António que te contaminou!!!! :evil:Não te deixes influenciar... :sad:
Vamos aguardar quem mais assine a petição: pode ser que te reintegrem no painel!
Tens razão:oops:: o Raf já havia escrito sobre o DEXTER e eu bem que fiquei curiosa. Bom, vou rever a crítica do nosso especialista on-line. (Caro Oráculo: como fui eu esquecer que já havia lido o teu comentário a esta série? Não leves a mal, mas já são tantas as séries que acho que até intoxicamos! :shock:)


De rafgouv a 6 de Fevereiro de 2008 às 10:14
:oops::oops:
Carissima MQ (ou MK??? são a mesma pessoa? heterónimos?),
adoro esse cognome de Oráculo com que me honras! Se tivesse a coragem de assumir tal presunção, passava já a assinar Rafgouv Oráculo.

xxx


De thiago marhiano a 7 de Julho de 2008 às 11:15
Quantos intelectualóids.Uns geniais outros ridiculos.Adoro poder dizer o que quero,e ter que ouvir o que querem ladrar.
Falam de emoções e razões com tanta hipocrisia que fede.Alguns sem ao menos obter um coração no peito,pois exerce-se medicina por amor hoje?Faça me rir...
House é como nietzsche!Tudo pela vida que dará mais vida...e mais.E... maisssss.E quem sabe o autor não pense no super homem do aniquilador da moral do rebanhazinho?

Pra qque queria eu ver sangue,tripas as vistas?Os médicos soberbos daqui é que estão acostumados a isso, e não deveriam nunca chamar de hipócrita a hipocrisia de house.
Claro que não poderiam ser diferentes os marionetes do sistema.
Ha um aí que até citou o jogo Second Life...uma espécie de cristianismo,idealismo,etc.Não gosta da sua vida senhor?O dr house gosta.


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